sábado, 25 de agosto de 2018

25 de agosto - São Luis IX

Luís IX, rei da França, nasceu em 25 de abril de 1214. Foi educado por sua mãe Branca de Castela e dela recebeu os principais ensinamentos da Fé: o amor a Deus e à Santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal. Quando ela tomou em seus braços o menino logo após seu Batismo, osculou-o no peito, dizendo: “Filhinho, que agora és um templo do Espírito Santo, conserva-o sempre imaculado e jamais o manches por um pecado”. Esta boa mãe não hesitava em repetir-lhe, com muita sinceridade, que preferia vê-lo morto a sabê-lo manchado por um pecado mortal.

Assumiu o trono da França em 1226, com apenas 12 anos. Casou-se com Margarida de Provença e com ela teve 11 filhos. Praticou, por toda vida, exercício diário de piedade e penitência em meio de uma corte elegante e pomposa. Viveu na corte como se estivesse no mais rígido monastério e fez de todo o país um campo para sua inesgotável caridade. Quando o qualificavam de demasiado liberal com os pobres, respondia: “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo”.

Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Todos admiravam sua serena justiça, objetivo supremo de seu reinado. A seu primogênito e herdeiro lhe disse uma vez: “preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o reino bem e com lealdade, e não que tu meu filho, o governasse mal”.

Ele pode ser considerado, antes de tudo, um homem que queria viver sob o olhar de Deus. Raramente se viu pessoa tão compenetrada de pertencer mais ao Céu que à Terra. Ao ponto de Joinville, seu fiel amigo e biógrafo, resumir assim a sua vida: “Este santo homem amou a Deus de todo o seu coração, e O tomou como modelo em suas obras”. 

Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. Por uma primeira cruzada promovida por ele terminou em fracasso. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro e a sua prisão foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”.

Em uma segunda expedição ao Oriente, em 1270, o Rei morreu aos 55 anos, vítima do tifo, mas não antes de dizer ao Sultão de Túnez: “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”.

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297, o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte

25 de agosto - O maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Mt 23,11


Jesus diz à multidão: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as. Isto significa que eles têm a autoridade para ensinar o que é conforme com a lei de Deus. Contudo, imediatamente a seguir, Jesus acrescenta: mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem.

Irmãos e irmãs, um defeito frequente em quantos têm uma autoridade, quer se trate de autoridade civil quer eclesiástica, é exigir dos outros coisas, mesmo justas, que contudo eles não praticam em primeira pessoa. Fazem vida dupla. Diz Jesus: Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los. Esta atitude é uma má prática da autoridade, que ao contrário deveria haurir a sua primeira força, precisamente do bom exemplo. A autoridade nasce do bom exemplo, para ajudar os outros a praticar o que é justo e necessário, apoiando-os nas provações que se encontram no caminho do bem. A autoridade é uma ajuda, mas se for exercida mal, torna-se opressiva, não deixa crescer as pessoas, causa um clima de desconfiança e de hostilidade e leva também à corrupção.

Jesus denuncia abertamente alguns comportamentos negativos dos escribas e de alguns fariseus: E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas, e as saudações nas praças. Esta é uma tentação que corresponde à soberba humana e que nem sempre é fácil de vencer. Trata-se da atitude de viver só para a aparência.

Depois Jesus recomenda aos seus discípulos: Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos [...] Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo.

Nós, discípulos de Jesus, não devemos procurar títulos de honra, de autoridade ou de supremacia. E digo-vos que a mim pessoalmente me causa tanto sofrimento ver pessoas que vivem psicologicamente correndo atrás da vaidade das honorificências. Nós, discípulos de Jesus não devemos fazer isto, porque entre nós deve haver uma atitude simples e fraterna. Somos todos irmãos e não devemos de maneira alguma subjugar os outros e olhar para eles de cima para baixo. Não. Somos todos irmãos. Se recebemos qualidades do Pai celeste, devemos pô-las ao serviço dos irmãos, e não aproveitar delas para a nossa satisfação e interesse pessoal. Não nos devemos considerar superiores aos demais; a modéstia é essencial para uma existência que queira ser conforme com o ensinamento de Jesus, o qual é manso e humilde de coração e não veio para ser servido mas para servir.

Papa Francisco – 05 de novembro de 2017

Hoje celebramos:

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

24 de agosto - Santa Emília de Vialar


Emília de Vialar nasceu em 1797, no sul da França. Era filha de Tiago de Vialar e de Antonieta de Portal, que pertenciam as mais importantes famílias daquela região.

A primeira educadora de Emília foi sua mãe que, graças a uma fé profunda, inculcou a sua filha os primeiros elementos da fé cristã. Emília tinha apenas 13 anos quando sua mãe morreu: esta perda foi causa de grande sofrimento para ela, mas, apesar disso, ela adaptou-se à vida de pensionista na “Abbaye au Bois”, em Paris.

Dois anos depois, ela voltou para a sua cidade natal, dotada de uma boa educação e a sociedade civil de Gaillac acolheu muito cordialmente esta jovem tão graciosa e simpática.

Mas o chamado de Deus se fez ouvir... Amadureceu lentamente através de mil dificuldades... Emília sente ao mesmo tempo um grande interesse pelos pobres, pelos doentes e pelas crianças abandonadas da sua cidade, primícias da sua obra futura.

Em 1832, no dia de Natal, Emília deixa a casa paterna onde, durante vinte anos ela tinha convivido com um pai severo a quem ela declinara todas as ofertas de casamento, e Toinon, a criada autoritária que sempre procurava suplantar e ocupar o lugar desta jovem tão delicada nas atividades quotidianas.

Graças à herança deixada por seu avô materno, ela comprou uma casa e ali se instalou na companhia de três das suas melhores amigas. A partir deste momento, elas lançaram-se na luta para o alívio das misérias do próximo. Emília fundou a “Congregação das Irmãs São José da Aparição” para honrar São José no mistério da Encarnação, quando o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo” (Mt. 1,20). As irmãs desta Congregação se esforçam, como São José, por contribuir para a realização do plano de salvação de Deus para a humanidade, testemunhando que Deus amou tanto o mundo que deu seu próprio Filho.

"O espírito desta Congregação é consagrar as Irmãs no exercício de diferentes obras de caridade. Para adquirir esta virtude divina, elas meditam todos os dias de suas vidas sobre a imensa caridade da qual o coração de Jesus Cristo está cheio. Esforçam-se para imitar seu zelo pela salvação das almas e sua grande misericórdia para com o próximo. Consideram frequentemente as adoráveis ​​feridas do Salvador, para que refletindo incessantemente sobre o amor de Deus pelos homens, mantenha e aumente os sentimentos todos os dias de compaixão e zelo que deve encorajá-los para com seus semelhantes ".

Santa Emilia de Vialar morreu em 24 de agosto de 1856, dia em que é celebrada em Marselha, onde trabalhou por tanto tempo. Sua Congregação, fundada com o pensamento de espalhar o Evangelho nos países mais distantes, apesar das dificuldades, perseguições e pobreza, conseguiu abrir 42 casas, do norte da África até a Birmânia, conferindo assim um notável desenvolvimento ao seu instituto.

Foi canonizada em 17 de junho de 1951 pelo papa Pio XII. Hoje suas irmãs estão presentes nos cinco continentes.


24 de agosto - Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi. Jo 1,48


A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele que nos impele a amá-Lo cada vez mais. Com efeito, um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de a apresentar, de a tornar conhecida, que amor seria?

Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos de nos deter em oração para Lhe pedir que volte a cativar-nos. Precisamos de o implorar cada dia, pedir a sua graça para que abra o nosso coração frio e sacuda a nossa vida tíbia e superficial.

Colocados diante d’Ele com o coração aberto, deixando que Ele nos olhe, reconhecemos aquele olhar de amor que descobriu Natanael no dia em que Jesus Se fez presente e lhe disse: “Eu vi-te, quando estavas debaixo da figueira!”

Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova! Sucede então que, em última análise, o que nós vimos e ouvimos, isso anunciamos.

A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração. Se o abordamos desta maneira, a sua beleza deslumbra-nos, volta a cativar-nos vezes sem conta. Por isso, é urgente recuperar um espírito contemplativo, que nos permita redescobrir, cada dia, que somos depositários dum bem que humaniza, que ajuda a levar uma vida nova. Não há nada de melhor para transmitir aos outros.

Papa Francisco - Evangelii Gaudium n. 264

Hoje celebramos:

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

23 de agosto - Beato João Maria da Cruz


O Beato João Maria da Cruz nasceu no dia 25 de setembro de 1891 em San Esteban de los Patos (Ávila, Espanha), numa família de agricultores, muito simples e rica em virtudes cristãs. Era o primogênito de 15 irmãos e recebeu o nome de Mariano. Porém, já nos tempos de infância sentia-se chamado a seguir a Cristo como sacerdote, o que veio a acontecer alguns anos mais tarde, tornando-se pároco diocesano.

Tendo-se tornado religioso na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, tomou o nome de João Maria da Cruz, como será posteriormente conhecido.  Dotado de profundo zelo apostólico e foi também o “anjo protetor” do Seminário Dehoniano de Puente La Reina e promotor vocacional da Congregação na Espanha. Padre João viveu como padre itinerante, porque tinha a difícil missão de percorrer cidades e aldeias angariando fundos e recrutando candidatos para as escolas da Congregação.

A 23 de julho de 1936, Padre João está de viagem para Valencia para encontrar refúgio junto a uma benfeitora da Congregação.  No trajeto da estação para a casa da senhora Pilar, passa diante da Igreja "de los Juanes", no centro da cidade. Ficou aterrorizado com o 'espetáculo horrível' - são suas palavras - quando vê homens a destruir os objetos sagrados da paróquia e a incendiar a igreja. Em vez de passar adiante em silêncio, o Padre João não esconde sua indignação pelo incêndio da Igreja. Quando aqueles malfeitores comentam entre si: 'aquele é um reacionário!', ele responde: 'Não! Sou sacerdote!' Imediatamente os voluntários republicanos o prendem e o transferem para o cárcere modelo de Valencia. Mais tarde, testemunhas contam a vida sacerdotal exemplar do Padre João na prisão, onde continua fiel às suas práticas religiosas, desenvolve um modesto ministério pastoral e se prepara para o martírio...  

No dia 23 de Agosto de 1936, era já noite, foi fuzilado em Silla (Valência).

Foi beatificado por São João Paulo II no dia 11 de Março de 2001, juntamente com outros mártires espanhóis.

É o patrono das vocações dehonianas. “Deixo-vos o mais maravilhoso dos tesouros. O Coração de Jesus”.
“O reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades”, assim resumia suas mais altas aspirações e a missão da Família Dehoniana na Igreja: O Reino da civilização do amor.

Algumas palavras de Dom Virginio Bressanelli sobre o Beato:

“Não é coincidência eu ter conhecido nossa Congregação na capela dos religiosos reparadores, onde ele tinha feito adoração. O ideal de sacrifício, amor e reparação; a centralidade de Deus manifestada no Mistério do Coração aberto de Jesus; a força enfatizada na Eucaristia (Missa e Adoração); a terna devoção a Maria; a obediência e doação total ao Senhor e aos irmãos; a sensibilidade social e o cuidado para com os pobres; estes são os valores que o Beato João Maria da Cruz já trouxera com ele e que na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus ele encontrou espaço para crescer e desenvolver ao nível do heroísmo.

As notas espirituais deixadas pelo Beato, frutos da sua reflexão e seus propósitos por ocasião dos seus retiros e exercícios espirituais, mostram suas fortes raízes no espírito da Congregação. Elas mostram a uma clareza prática que vem com uma concreta tradução sobre o significado da Reparação em relação a Deus e em relação à realidade humana do pecado pessoal e do pecado social. Foi sua profunda experiência do amor de Deus que o permitiu assumir e experimentar a essência do nosso carisma de amor e reparação.”