quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

06 de dezembro - São Nicolau

Hoje celebramos São Nicolau, que foi transformado no Papai Noel, um dos personagens mais emblemáticos das festas de final de ano. Nas últimas décadas, ganhou tanta fama e se tornou tão eficaz para representar a diversão e os presentes que desvia o foco da verdadeira razão da alegria: Jesus que nasce em Belém.

Há várias teorias sobre a origem do Papai Noel. A mais difundida é que foi a empresa Coca-Cola que inventou o personagem para promover o consumo de sua bebida em 1920.

Entretanto, no século 19, escritores de Nova Iorque tentaram dar um selo nacional às festas de Natal cheias de tradições cristãs dos migrantes europeus. Em pouco tempo, as celebrações deixaram de lado o caráter santo desta data e tornaram-se populares as desenfreadas, com bebedeiras e desordem pública.

Em 1821, foi publicado o livro de litografias para crianças “Papai Noel, o amigo das crianças”, no qual se apresentava um personagem que chegava do Norte em um trenó com renas voando. Esta publicação fez o personagem aparecer a cada véspera de natal e não no dia 6 de dezembro, dia da festa do santo bispo. Um poema anônimo e as ilustrações dessa publicação se tornaram a chave para a distorção de São Nicolau.

Segundo especialistas do ‘St. Nicholas Center’, foi a elite de Nova Iorque que conseguiu nacionalizar o Natal através do Papai Noel e do apoio de artistas e escritores como Washington Irving, John Pintard e Clement Clarke Moore.


Em 1863, durante a Guerra Civil, o caricaturista político Thomas Nast começou a desenhar Papai Noel com os traços que agora lhe atribuem: gorro vermelho, barba branca e barriga saliente. Junto com as mudanças de aparência, o nome do santo em inglês mudou para Santa Claus, uma alteração fonética do alemão “Sankt Niklaus”. Apenas em 1920, Papai Noel apareceu pela primeira vez em um anúncio da Coca Cola.
De acordo com vários historiadores, Papai Noel é a distorção – primeiro literária e depois comercial – de São Nicolau, o generoso Bispo de Mira, padroeiro das crianças, dos marinheiros e dos cativos.
São Nicolau de Mira (outros dizem de Bari) que viveu no século IV, em Patara, capital da Lícia (atual Turquia). Herdou, de pais muito cristãos e nobres, a piedade católica e também grandes riquezas materiais, embora se considerasse “apenas administrador desses bens, cujos reais senhores se tornaram os pobres e os necessitados”.

Desse modo, são narrados, de sua vida santa, muitos fatos que o apresentam sempre solícito e preocupado com o próximo, especialmente com os mais necessitados. Assim, logo após o falecimento de seus pais, Nicolau soube que um nobre, cuja fortuna perdera, e, por isso, já não possuía dotes para casar as suas três filhas, colocou as moças para se prostituírem. O homem de Deus não pensou duas vezes, juntou moedas de ouro suficientes para o casamento da primeira jovem e, discretamente, as jogou pela janela da casa do nobre decadente. No dia seguinte, lançou mais uma quantia para que o pai casasse a segunda menina e, no terceiro dia, deu o valor para as núpcias da caçula.

Eis, porém, que a discrição de Nicolau não passou despercebida ao pai das meninas que vendo tudo o que o santo fizera por ele e por sua família, pediu perdão a Deus pela entrega de suas filhas à prostituição e espalhou a notícia da ajuda recebida do santo. Ora, isso fez com que os habitantes daquela região passassem a venerar ainda mais Nicolau que, alheio à fama deste mundo, decidiu retirar-se, então, para uma vida mais escondida na região de Mira. Deus, porém, tinha outros planos para ele, de modo que mal chegara à cidade e já foi aclamado bispo daquela diocese há tempos sem pastor.

Embora relutante, aceitou o encargo para o bem do povo de Deus. Todavia, redobrou suas penitências. Passava parte da noite em oração, comia uma só vez por dia, privava-se de carne e de vinho, dormia sobre uma dura tábua e dedicava-se à administração da diocese, atendendo, muito solicitamente, aos que mais precisavam de conforto físico e espiritual.

Sua fama correu o Oriente e o Ocidente com milagres de primeira grandeza como multiplicação de trigo, ressurreição (revitalização, segundo a Parapsicologia) de mortos, socorro a marinheiros em tempestades, etc. São Nicolau é representado sempre montado em um cavalo branco com vestes de bispo, ou seja, de mitra sobre a cabeça e nas mãos o báculo dourado. Na noite de Natal, ele visita – segundo a tradição – as casas e entrega bombons às crianças boas ou um pedaço de carvão às malvadas.

Essa é a verdadeira história do bom velhinho que cativa as crianças com sua bondade e docilidade. Embora substituído pelo Papai Noel americanizado e consumista, a figura original do grande São Nicolau de Bari ou de Mira vem sendo resgatada em diversas regiões da Europa a começar pela Alemanha.


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