sábado, 7 de março de 2020

07 de março - Santa Teresa Margarida (Redi) do Coração de Jesus.


Nas vésperas da festa de Nossa Senhora do Carmo de 1747, em Arezzo, na nobre família dos Redi, veio à luz Ana Maria, a segunda de um total de treze crianças. Em uma família profundamente cristã cresceu como um lírio branco: pediu repetidas vezes aos pais e tios que falassem para ela de Jesus e sempre perguntava sobre o que precisava ser feito para agradá-lo. Ela amava permanecer no seu quarto para rezar e admirar seus “santinhos”. Desde muito pequenina, gostava de colher flores para as oferecer a Jesus.

Na adolescência, procurava exercitar cada dia uma virtude. Na juventude, adorava rezar diante do sacrário, onde dizia palpitar não só o Amor, mas o Coração do Amor. Frequentou, como educanda, o mosteiro de Santa Apolônia de Florença até 1764.
Tinha 17 anos quando pensou ouvir uma voz que lhe dizia: “Sou Teresa de Jesus e quero-te entre as minhas filhas”. Foi o seu chamamento ao Carmelo, à Casa dos Anjos, como gostava de chamar aos conventos de carmelitas, assim como Santa Teresa de Jesus lhes chamava Pombais de Nossa Senhora.

Ana Maria, como lírio imaculado, procurava os vales sorridentes do Carmo, onde entrou com 17 anos, no dia 1 de setembro. No período de Postulando quis Deus conceder-lhe uma doença provocada por um tumor maligno que a fez sofrer muito. Uma vez restabelecida, iniciou o Noviciado, tomando o hábito do Carmo e mudando o seu nome pelo de Teresa Margarida do Coração de Jesus.

Fato significativo foi ter como seu maior confidente o próprio pai, Inácio Maria Redi, homem religioso e iluminado. Entre os dois iniciou-se uma relação intensa através de cartas que, infelizmente, foram quase totalmente perdidas, pois ambos se prometeram de dar fogo às letras. Ana Maria disse repetidamente que ela era imensamente agradecida ao seu pai, mais por aquilo que ele ensinou que por tê-la gerado.

O mistério da Cruz e os espinhos que rodeavam o Coração de Cristo atraíam-na fazendo-a humilde, alegre e caridosa. No dizer das Irmãs, era um anjo do Céu no convento, em Florença.

A sua ardente devoção a fez alcançar uma altíssima experiência mística, testemunha do que a oração pode fazer em uma alma. Foi atenta por manter escondidas as suas virtudes e por humildade, com humor, desviava a curiosidade das irmãs, a ponto de ser considerada uma “espertinha”. Chegou, porém, a dizer ao diretor espiritual que deveria tornar público os seus defeitos. Mesmo não tendo muito conhecimento teológico, foi muito atenta à compreensão da Sagrada Escritura, entendida como dom do Espírito. Teve muito cara também a leitura das obras de Santa Madre Teresa e a sua exortação de dar lugar a Deus com o silêncio interior. Ardente foi o seu amor pela Eucaristia: “No ofertório, renovo a profissão: antes que se eleve o Santíssimo, oro a Nosso Senhor para que, assim como transforma o pão e o vinho no seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim digne-se de transformar-me toda em si mesmo. Ao ser elevado o adoro, e renovo ainda a minha profissão, e depois peço aquilo que desejo dele.” A seu pedido a comunidade celebrou pela primeira vez a festa do Sagrado Coração de Jesus, e empenhou-se em cada particular para que fosse solene.

A segunda grande inspiração de sua vida foi a passagem da Primeira Carta de João, “Deus é amor” (1Jo. 4,16), afirmação sobre a qual baseou sua vida. O seu lema era:
Padecer e calar por Jesus.

No dia 4 de março de 1770, pediu ao confessor que a ouvisse em confissão geral, pois queria, no dia seguinte, comungar tão preparada como se fosse a última vez. Assim foi, de fato; nesse dia, 5 de março, depois de comungar fervorosamente, caiu doente, uma peritonite fulminante.
A doença degenerou em gangrena que lhe provocava dores horríveis e insuportáveis. O Crucifixo, que sempre teve nas mãos foi a sua força. Morreu, dois dias depois da doença se ter declarado, tinha pouco mais de vinte e dois anos.
Um século antes, outra carmelita, S. Maria Madalena de Pazzi, tinha glorificado Florença com a sua santidade.

Teresa Margarida encontrou na meditação da Paixão de Cristo e no seu Coração o segredo da sua pureza, simplicidade, amor e caridade. Foi beatificada a 9 de junho de 1929 e canonizada a 13 de março de 1934 por Pio XI.

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