quinta-feira, 28 de maio de 2020

28 de maio - São Germano de Paris

Germano nasceu no ano de 496 na cidade de Autun na França. A sagrada tradição nos remonta que Germano era filho de família rica. Sua infância foi marcada por muita dor: sua mãe não estava satisfeita com sua gravidez e tentou por muitas vezes abortá-lo, mas não conseguiu e depois, uma tia quis envenená-lo, mas os planos frustraram-se. Isto graças à criada que se equivocou. Em vez de dar a Germano o copo de vinho envenenado, deu-o a Estratídio, seu primo e filho da mandante. 

Foi criado por seu primo Escapilão e com ele viveu quinze anos vindo a concluir os estudos na cidade de Avalon e aprender os princípios cristãos. Germano foi desenvolvendo grande zelo pela doutrina e pela fé cristã e no ano de 530 foi requisitado pelo bispo de Autun para ser diácono e posteriormente foi ordenado sacerdote por São Agripino. Com a morte do bispo em 540, Germano assumiu o mosteiro de São Sinforiano. Em consequência de sua austeridade, os monges destituíram-no do cargo. 

Tempo depois foi a Paris e lá conheceu o rei Childebert I, que logo se encantou pela firmeza e austeridade de Germano em seus conselhos. Nomeou-o capelão e depois com a morte do Bispo Euzébio, em 555 assumiu o Bispado de Paris.
Nessa época, o rei Childebert I ficou gravemente enfermo, sendo curado com as orações do bispo Germano. Como agradecimento, mandou construir uma grande igreja e, bem próximo, um grande convento, que mais tarde se tornou o famoso Seminário de Paris, centro avançado de estudo eclesiástico e de vida monástica. 
Com a orientação de Germano, o rei contornou diversas situações difíceis causadas pela guerra e por seu comportamento antes mundano. Germano avançava no zelo para com os pobres e no acolhimento dos mais necessitados. Conseguiu ainda extirpar diversas práticas pagãs existentes na época. Teve participação no II Concílio de Tours no ano 567 e dos concílios de Paris em 556 e 573.

Fortunato, bispo de Poitiers, contemporâneo seu, descreve o seu amor incondicional pelos pobres: A voz de todo povo, reunindo-se numa só, nem assim exprimiria qual pródigo era ele em esmolas: frequentemente,  contentando-se com uma túnica, cobria com o resto das vestes um pobre nu, assim que, enquanto o pobre se sentia quente, o bem-aventurado padecia frio. Ninguém pode dizer em quantos lugares e em que quantidade libertou cativos...  Quando nada lhe restava, permanecia sentado, triste e inquieto, com fisionomia mais grave e conversação mais severa...

O rei Childebert I caiu em severa enfermidade e foi curado graças às orações de Germano. O rei ordenou que fosse construída uma igreja em honra a São Vicente, santo de devoção do seu povo e no ano de 588 foi concluída e entregue à Germano. Este foi o mesmo ano da morte do rei.
Germano continuou seu intenso trabalho pastoral, mesmo em meio aos desafios da época. Os ataques dos normandos por vezes atingiram a cidade e a Igreja que era sempre reconstruída graças aos esforços do Bispo Germano que faleceu no dia 28 de maio de 576 e foi enterrado na capela de São Sinforiano na Igreja de São Vicente.

28 de maio - Beato Iuliu Hossu


Iuliu Hossu nasceu em 30 de janeiro de 1885 em Milaşul Mare, então Áustria-Hungria, hoje Romênia, era filho de um padre greco-católico.
Ele estudou os temas de Filosofia e Teologia Católica em Budapeste, Viena e Roma, e em 27 de março de 1910, recebeu do bispo Basílio Hossu, seu tio (seu pai Ioan e Basil eram primos) o sacramento de Ordens Sagradas. A partir de 1911 ele realizou várias tarefas ao serviço do Bispo de Gherla, no período de 1914-1917 ele foi um capelão militar para os soldados romenos no exército austro-húngaro.

Em 21 de abril de 1917 foi nomeado bispo de Gherla, Armenopoli, Szamos-Újvár para os fiéis do rito bizantino-romeno. A consagração episcopal aconteceu em 4 de dezembro de 1917.
Em 5 de junho de 1930, foi transferido pelo Papa Pio XI para a diocese de Cluj-Gherla e mudou a sede para Cluj-Napoca, ajudando também na administração de várias dioceses vacantes.

O regime comunista instalado em 6 de março de 1945 foi o começo da destruição da democracia romena. Desde o início Iuliu Hossu lutou fortemente contra os planos do governo romeno que forçavam a separação da Igreja Católica Romena da Igreja de Roma. Iuliu Hossu foi preso em 1948 e, após o desmantelamento da Igreja Católica Grega, foi colocado em prisão domiciliar no mosteiro de Caldarusani, a nordeste de Bucareste. Depois de se recusar a se converter à ortodoxia, ele foi enviado em 1950 à penitenciária de Sighet. Depois de ser libertado em 1956, foi novamente preso em Caldarusani.

O Papa Paulo VI nomeou-o Cardeal in pectore no consistório de 28 de abril de 1969. In pectore, significa “no peito” e designa um cardeal cuja nomeação não pode se tornar pública pelo risco que traria para o eleito ou para a relação da Igreja com o Estado. A divulgação da nomeação só ocorreu três anos após a morte de Iuliu Hossu, no consistório de 5 de março de 1973.

Ele morreu em 28 de maio de 1970 no Hospital Colentina, em Bucareste. Suas últimas palavras foram: "Minha luta acabou, eu sei em quem eu acreditava."
Ele foi enterrado em um túmulo da família no cemitério de Bello em Bucareste. Em 7 de dezembro de 1982, seus restos mortais foram exumados e sua própria sepultura foi construída.

Em 02 de junho de 2019, o Papa Francisco o beatificou, juntamente com outros seis prelados greco-católicos, que em sua homilia exaltou os novos beatos:

“Estas terras conhecem bem o sofrimento do povo, quando o peso da ideologia ou dum regime é mais forte do que a vida e se antepõe como norma à própria vida e à fé das pessoas; quando a capacidade de decisão, a liberdade e o espaço para a criatividade se veem reduzidos e até eliminados.
Irmãos e irmãs, vós suportastes os discursos e as intervenções baseadas no descrédito que chegavam à expulsão e aniquilação de quem não se pode defender, e silenciavam as vozes dissonantes. Pensemos, em particular, nos sete Bispos greco-católicos que tive a alegria de proclamar Beatos. Perante a feroz opressão do regime, demonstraram uma fé e um amor exemplares pelo seu povo. Com grande coragem e fortaleza interior, aceitaram ser sujeitos a dura prisão e a todo o tipo de maus-tratos, para não renegar a pertença à sua amada Igreja. Estes pastores, mártires da fé, recuperaram e deixaram ao povo romeno uma preciosa herança que podemos resumir em duas palavras: liberdade e misericórdia.




28 de maio - Pai santo, eu não te rogo somente por eles, mas também por aqueles que vão crer em mim pela sua palavra. Jo 17,20


Continuando na Oração Sacerdotal de Jesus a liturgia de hoje amplia o olhar até ao fim dos tempos. Nela, Jesus dirige-se ao Pai para interceder a favor de todos aqueles que forem levados à fé mediante a missão inaugurada pelos apóstolos e continuada na história: “Não oro só por estes, mas também por aqueles que acreditarem em mim mediante a sua palavra”. Jesus reza pela Igreja de todos os tempos, ora também por nós. Jesus cumpriu perfeitamente a obra do Pai e a sua oração, assim como o seu sacrifício se estende até à consumação dos tempos. A oração da “Hora” preenche os últimos tempos e leva-os à sua consumação.

O pedido central da oração sacerdotal de Jesus, dedicada aos seus discípulos de todos os tempos, é o da unidade futura de quantos acreditarem nele. Esta unidade não é um produto mundano. Ela provém exclusivamente da unidade divina e chega até nós do Pai, mediante o Filho e no Espírito Santo. Jesus invoca um dom que provém do Céu, e que tem o seu efeito — real e perceptível — na terra. Ele reza “a fim de que todos sejam um só: assim como Tu, ó Pai, estás em mim e Eu em ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste”.

A unidade dos cristãos, por um lado, é uma realidade secreta que está no coração das pessoas crentes. Mas, ao mesmo tempo, ela deve aparecer com toda a clareza na história, deve aparecer para que o mundo creia, tem uma finalidade muito prática e concreta, deve aparecer para que todos sejam realmente um só. A unidade dos discípulos futuros, sendo unidade com Jesus — que o Pai enviou ao mundo — é também a fonte originária da eficácia da missão cristã no mundo.

Papa Bento XVI – 25 de janeiro de 2012

Hoje celebramos:


quarta-feira, 27 de maio de 2020

27 de maio - Santo Agostinho da Cantuária

Pouco se sabe a respeito da vida de Agostinho antes de ser enviado à Grã-Bretanha. Ele nasceu em Roma, Itália, mas a data do seu nascimento é desconhecida. Era um monge beneditino do mosteiro de Santo André, fundado pelo papa Gregório Magno naquela cidade. E foi justamente esse célebre papa que ordenou o envio de missionários às ilhas britânicas.

Agostinho era o responsável pelo mosteiro de Santo André do Monte Célio, quando o papa Gregório Magno o designou em 597 para, com mais quarenta padres, reconstruir o trabalho de evangelização da Grã-Bretanha.

Antes ele quis viajar à França, onde se inteirou das dificuldades que a missão poderia encontrar, pedindo informações aos vários bispos que evangelizaram nas ilhas e agora se encontravam naquela região da Europa. Todos desaconselharam a continuidade da missão. Mas, tendo recebido do papa Gregório Magno a informação de que a época era propícia apesar dos perigos, pois o rei de Kent, Etelberto, havia desposado a princesa católica Berta, filha do rei de Paris, ele resolveu, corajosamente, enfrentar os riscos.
A situação naquele país, porém, era de tal modo difícil que o grupo foi duramente ameaçado de represálias, caso insistisse em lá se estabelecer. Assustado, o grupo retornou a Roma e pediu a papa que desistisse da ideia. O papa, porém, tranquilizou a todos, garantindo a acolhida do rei de Kent.

E assim aconteceu. O rei não só acolheu o grupo, como garantiu-lhes a liberdade de culto. Por fim, o próprio monarca acabou por converter-se. 
No Natal de 597, mais de dez mil pessoas já tinham recebido o batismo. Entre elas, toda a nobreza da corte, precedida pelo próprio rei Etelberto. 

Ao saber o que ocorria na Inglaterra, o Papa santo escreveu a Santo Agostinho:

“Glória a Deus, glória a Deus no mais alto dos Céus; glória a Deus, que não quis reinar somente nos Céus; […] cujo amor nos envia a buscar até nas ilhas da Britânia irmãos desconhecidos; cuja bondade nos faz encontrar o que buscávamos sem conhecê-lo. Quem poderá contar a exaltação de todos os corações fiéis pelo fato de a nação inglesa, pela graça de Deus e vosso trabalho fraternal, estar inundada da santa Luz e se prosterna diante do Deus Todo Poderoso?”

Sabendo que muito desse sucesso era devido aos inúmeros milagres operados por Agostinho, São Gregório o exorta à humildade, eleva-o a arcebispo de Kent e lhe dá sábios conselhos sobre a organização da missão no país.

Após esse evento o Papa Gregório Magno, com alegria, enviou mais missionários à Inglaterra. Assim, Agostinho prosseguiu e ampliou o trabalho de evangelização, fundando as dioceses de Londres e de Rochester, além de Agostinho ter conduzido a construção da famosa Basílica de Cantuária, no local onde haviam erguido uma pequena igreja. 
Com esse resultado surpreendente, Agostinho foi nomeado arcebispo da Cantuária, primeira diocese fundada por ele.

Agostinho morreu no dia 26 de maio de 604, sendo sepultado na igreja da Cantuária, que hoje recebe o seu nome e ainda guarda suas relíquias. 

27 de maio - Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade. Jo 17,17


Na liturgia de hoje continuamos com a Oração Sacerdotal de Jesus. No centro desta prece de intercessão e de expiação a favor dos discípulos encontra-se o pedido de consagração; Jesus diz ao Pai: “Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. Consagra-os na verdade. A tua palavra é verdade. Como Tu me mandaste para o mundo, também Eu os enviei para o mundo; por eles consagro-me a mim mesmo, a fim de que também eles sejam consagrados na verdade”.

Pergunto: o que significa consagrar neste caso? Antes de tudo, é necessário dizer que só Deus é propriamente Consagrado, ou Santo. Portanto, consagrar quer dizer transferir uma realidade — uma pessoa ou coisa — para a propriedade de Deus. E nisto estão presentes dois aspectos complementares: por um lado, tirar das coisas comuns, segregar, pôr de lado do ambiente da vida pessoal do homem, para ser doado totalmente a Deus; e por outro, esta segregação, esta transferência para a esfera de Deus tem o significado próprio de envio, de missão: precisamente porque é doada a Deus, a realidade, a pessoa consagrada existe para os outros, é doada ao próximo.

Doar a Deus quer dizer não existir mais para si mesmo, mas para todos. É consagrado aquele que, como Jesus, é segregado do mundo e posto à parte para Deus, em vista de uma tarefa e precisamente por isso está plenamente à disposição de todos. Para os discípulos, consistirá em continuar a missão de Jesus, ser doados a Deus para estarem assim em missão para todos. Na noite de Páscoa, o Ressuscitado, aparecendo aos seus discípulos, dir-lhes-á: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio”.

Papa Bento XVI – 25 de janeiro de 2012

Hoje celebramos: