quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

08 de fevereiro - Beata Esperança de Jesus


A Madre Esperança tinha uma “fé ilimitada” com a qual “atravessou as escuras galeria do mal, da incompreensão e da humilhação, saindo purificada e fortalecida em seus propósitos”.  Cardeal Ângelo Amato

A Madre Esperança de Jesus nasceu em Vereda del Molino, Murcia (Espanha) no dia 30 de setembro de 1893, seu nome de batismo foi Maria Josefa Alhama Valera, era a mais velha de nove irmãos de uma humilde família de Siscar e viviam em uma pequena casa construída com barro.

Devido à sua situação de pobreza, não recebeu uma educação escolar. Desde muito jovem serviu na casa de um rico comerciante de Santomera, onde seus filhos lhe ensinaram a ler e escrever, a religiosa sempre recordou este gesto e estava agradecida por isso.

Dos fatos que marcaram sua infância, destacam-se a misteriosa visita que a pequenina recebeu aos doze anos: “Estava na casa do tio Padre, ouvi tocar a campainha, desci e vi uma freira muito bonita, que nunca tinha visto antes. Fiquei admirada por ver que não trazia sacola para receber esmola; pensei, de fato, que fosse uma freira mendicante e lhe disse logo: ‘Irmã, onde guarda as coisas que lhe dou se nem sacola tem?’ E ela respondeu: ‘Menina, não foi para isso que vim’! ‘Mas deverá estar cansada da viagem? Pegue uma cadeira’. ‘Não estou cansada’. ‘Com este calor, deverá ter sede!’ ‘Não tenho sede’. ‘Então o quer de mim?’ E, ela me disse: ‘ Vê, menina: eu vim lhe dizer da parte do bom Deus que tu deverás começar onde eu terminei’. E me falou demoradamente da devoção ao Amor Misericordioso que eu teria de difundir por todo o mundo. Depois de certo momento, me virei e a freira não estava mais”. Esta religiosa era santa Teresinha do Menino Jesus. 

Para a Madre Esperança, Santa Teresa do Menino Jesus era seu exemplo a seguir e continuava sua mensagem de amor misericordioso. O dia da Santa, 15 de outubro de 1914 à idade de 22 anos ingressou na vida religiosa.

Com o passar dos anos, a Madre Esperança foi colocada sob observação do Santo Ofício, porque se tinha notado nela algumas “coisas sobrenaturais” para verificar se estes fatos vinham de Deus ou não. Finalmente decidiram dar-lhe um voto de confiança porque tinha demonstrado sua dedicação ao Senhor e sua boa vontade.

A Madre Geral das Claretianas, em 04 de abril de 1928, escreverá: “De uns tempos para cá, parece que Deus a está conduzindo por uns caminhos de certo modo extraordinários. Houve um período em que o demônio a atormentava, golpeando-a até deixá-la meio morta, como atesta Madre Maria Ana Rué, (a superiora) que a viu e ouviu muitas vezes. Depois, parece que isso acabou, mas quase todas as semanas, nas noites de quinta para sexta-feira, é tomada por um suor de sangue que, às vezes, a deixa tão prostrada de ter de ficar de cama por vários dias. Agora, desde a primeira sexta-feira da quaresma, lhe apareceram nos pés os estigmas, exatamente como em alguns santos. Conservam-se sempre como feridas frescas e, às vezes, perdem muito sangue”.

Desde a Quaresma de 1928, Maria Esperança será agraciada pelos estigmas de Nosso Senhor, sinal visível de sua união com Jesus Cristo.

Madre Esperança recebeu do Senhor Jesus, a missão de fundar uma Congregação, e para poder cumprir sua missão terá que sofrer inúmeras humilhações e contradições. Mas, apesar do ataque do inferno, na noite do Natal de 1930, Madre Esperança funda a Congregação das Servas do Amor Misericordioso, segundo as orientações de Jesus. Também nesta época, ela mandará esculpir conforme as indicações de Jesus, a imagem do Amor Misericordioso. Conforme o impulso do Espírito Santo, a Congregação se espalhará. Sofrerá perseguições, calúnias, divisões... Mas a obra de Deus permanece.

A Madre Esperança tinha experiências místicas e também em várias oportunidades sofria ataques do demônio, que irritado pelos seus frutos espirituais brigava com a religiosa, batia-lhe, dava-lhe empurrões. Em uma ocasião lhe lançou um recipiente térmico de água quente e em outra um livro em chamas.

Esteve marcada por muitas doenças que eram curadas muitas vezes sem explicação médica, mas no dia 8 de fevereiro de 1983, à idade de 90 anos faleceu, vítima de outra doença. Seus restos mortais descansam na cripta do Santuário.

A congregação que Madre Esperança fundou se dedica ao ensino, acolhida e acompanhamento de crianças e jovens. Dão ajuda aos doentes, idosos, pessoas com necessidades especiais e famílias necessitadas.
A religiosa expressou em uma oportunidade que queria “ser como uma batata que desaparece debaixo da terra para dar vida a novos filhos”.
O milagre para a beatificação foi a cura de um menino alérgico a todo tipo de alimento que os médico consideravam de caráter incurável. O milagre aconteceu depois que o menino bebeu a água da fonte do Santuário de Collevalenza fazendo que seus males desaparecessem.
 
O Papa João Paulo II visitou o Santuário do Amor Misericordioso em Collevalenza, Todi (Itália) em 22 de novembro de 1981, em sua primeira visita fora do Vaticano depois do atentado que sofreu em 13 de Maio, para agradecer ao Amor Misericordioso: “viemos em visita a este santuário porque somos devedores à misericórdia de Deus pela nossa saúde”.
O Santuário que a Madre Esperança construiu confiando na Divina Providência e obedecendo à vontade de Deus, depois da inspiração que teve de procurar água no monte onde se sabia que não havia. A religiosa cavou um poço de 122 metros de profundidade onde brotou água e o Senhor Jesus lhe disse: “esta é a água da minha misericórdia”.

Neste lugar construiu piscinas para que os doentes possam banhar-se pedindo a cura tanto física como da alma. Também há uma fonte onde podem beber a água. Perto das piscinas e da fonte se lê uma expressão da religiosa: “Utiliza esta água com fé e amor, certamente te servirá de refrigério para o corpo e de saúde para a alma”.

O Papa Francisco na sua carta apostólica por ocasião da beatificação destacou três méritos da Beata: ser fundadora de duas congregações de vida consagrada, o ser “testemunha da mansidão de Deus, sobretudo, para com os pobres” e o terceiro mérito é ser “promotora da santidade do clero diocesano”.

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