Tomás Holland
nasceu em 1600, em Sutton, em Lancashire (Inglaterra), e se formou nos colégios
ingleses de Saint-Omer e de Valladolid. Em 1623, quando o Príncipe de Gales,
Carlos Stuart, chegou a Madrid para pedir a mão da Infanta Maria, foi escolhido
para lhe dar as boas-vindas em nome dos estudantes ingleses, o que ele fez num
discurso em latim, “que, segundo disseram, deixou sua alteza e sua comitiva
satisfeitos”. Holland dominava muito bem o francês, o flamengo e o espanhol, da
mesma forma que o latim, e em razão de seu saber e de sua bondade, foi
cognominado de Biblios Pietatis, “a biblioteca da bondade”, por seus colegas.
Ingressou na
Companhia de Jesus e foi enviado para a missão inglesa, em 1635. Exerceu o
ministério com muitos frutos durante sete anos, embora tivesse uma saúde
precária, que foi ainda mais agravada pelas condições de vida de um sacerdote
missionário em Londres, naqueles tempos. Ele dedicava todo o seu tempo livre à
oração e isso explica por que aqueles que se aproximaram dele experimentaram
imediatamente como uma atmosfera sobrenatural.
No dia 4 de outubro
de 1642, foi preso sob suspeita de ser padre, e dois meses mais tarde foi
levado a julgamento em Old Bailey, sob a acusação de ser sacerdote vindo do
estrangeiro. As provas de quatro testemunhas contra ele foram bastante inconsistentes;
mas ao recusar prestar o juramento de que não era sacerdote, os jurados o
consideraram culpado, veredicto este que não satisfez ao prefeito de Londres e
a outros membros da magistratura, de modo que o representante do escrivão pronunciou
a sentença com relutância: foi condenado à morte no dia 20 de dezembro. Ao
ouvir a sentença ele responde: “Deo Gratias!”
Muitas pessoas
visitaram o Padre Holland no cárcere durante os dois dias anteriores à sua
execução, entre elas, o Duque de Vendôme, que se ofereceu para interceder a
favor dele, oferta essa que foi recusada. No domingo, ele ouviu muitas
confissões e pôde celebrar a missa, o que ele fez novamente no dia seguinte,
momentos antes de ser levado para Tyburn.
O mártir, então,
declarou abertamente perante o povo que era católico, sacerdote jesuíta, e orou
em alta voz pelo rei e pelos seus súditos, “para cuja prosperidade e conversão à fé
católica, se eu tivesse tanta vida quantos cabelos tenho na cabeça, gotas de
água no oceano ou estrelas no firmamento, eu as sacrificaria todas com a maior
boa vontade”. Depois, ofereceu sua vida a Deus,
perdoou a todos, deu ao carrasco o pouco dinheiro que tinha, recebeu absolvição
de um irmão padre escondido na multidão e foi enforcado enquanto este lhe segurava
as mãos. Ele tinha quarenta e oito anos de idade,
dezenove dos quais vividos na Companhia de Jesus. Ele foi beatificado pelo papa Pio XI em 1929.
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