sexta-feira, 20 de julho de 2018

20 de julho - Santa Margarida de Antioquia da Pisídia


Santa Margarida de Antioquia da Pisídia é também conhecida como Santa Marina no Oriente.

Ela nasceu em Antioquia (Pisídia) e era filha de Teodósio, patriarca dos gentios. Foi criada por uma ama cristã, à quem ela afeiçoou-se muito (na atual Turquia), e quando adulta resolveu ser batizada e dedicar-se à uma vida cristã, contrariando profundamente os objetivos de seu pai que mais tarde, pretendia casá-la com um homem abastado, de posses e de preferência, pagão.

Certo dia, quando tinha quinze anos, Santa Margarida guardava as ovelhas de sua ama e nesse momento, o prefeito Olíbrio passou por lá e reparou imediatamente em sua presença. Olíbrio disse que Margarida era tão bela como uma pérola, ele não sabia que margarida em latim quer dizer, pérola.
O prefeito, fascinado com a beleza da jovem, e para grande contentamento de seu pai, propôs-lhe casamento e exigiu-lhe que renunciasse ao cristianismo e claro, aos seus votos de virgindade.
Santa Margarida negou ambas as propostas, o que fez com que tanto o prefeito, como o seu próprio pai, a odiassem severamente. A jovem foi presa e só teria sua liberdade de volta se aceitasse a proposta de casamento e a renúncia ao Cristo. Tendo dito não novamente ao prefeito e sobretudo, afirmando que jamais abandonaria o Cristo e nem renunciaria aos seus votos de virgindade, Santa Margarida sofreu atrozes torturas e seu martírio foi de uma grande crueldade.

O martírio da jovem Margarida foi tão terrível e de resultados tão fantásticos que se tornou uma das páginas da tradição cristã mais transmitida através dos séculos. Justamente por ter sido tão cruel, o povo apegou-se de tal forma ao sofrimento da jovem que, com o tempo, acrescentaram-se fatos lendários à sua narrativa.

O certo foi que primeiro ela foi levada à presença do juiz, que por sinal, também era o prefeito e, diante dele, negou-se a abandonar a fé cristã. Foram horas de pressão e tortura psicológica que, por fim, viraram tortura física. Margarida foi açoitada, depois teve o corpo colocado sobre uma trave e rasgado com ganchos de ferro. Dizem que a população e até mesmo os carrascos protestaram contra a pena decretada.

No dia seguinte, ela apareceu, sem o menor sinal de sofrimento, na frente do governante, que, irado com o estranho fato, determinou que ela fosse assada viva sobre chapas quentes. Novamente, a comoção tomou conta de todos, pois nem assim a jovem morria ou demonstrava sofrer.

Além de todos esses sofrimentos impostos à jovem, a tradição conta que Margarida foi visitada no cárcere pelo demônio. Num primeiro momento, ele apareceu como um belo homem tentando-a seduzir mas Santa Margarida desmascarou-o logo e disse-lhe: "Fora daqui, Miserável!"
Diante dessas palavras, o demônio perdeu sua forma humana e mostrou-se no lagarto que era antes de fugir dali humilhado pela Luz da jovem virgem.

Contudo, o demônio tinha a firme intenção de "perder" a jovem e por isso, ele apareceu mais uma vez na prisão diante de Santa Margarida. Desta vez, porém, o demônio apresentou-se na forma de um dragão que a engoliu. Firmando o crucifixo que carregava sempre consigo contra o corpo do dragão, Santa Margarida rasgou-lhe o corpo pelo interior e saiu de dentro do dragão, libertando-se através da barriga da criatura. O demônio acuado, ferido e vendo-se incapaz de qualquer mal contra Santa Margarida, decidiu então, deixá-la em paz.

Mais tarde, essa parte da tradição foi considerada muito espetacular e o dragão passou à ser representado por um lagarto ou um cachorro preto que Santa Margarida manteria preso à uma corrente ou ainda, esmagado sob seus pés.

Se São Miguel Arcanjo e São Jorge matam o dragão, é dito de Santa Margarida que somente ela têm o poder de domá-los...
Porém, se o demônio resolveu desistir, essa não era a intenção do prefeito! Ao contrário, ele infligiu-lhe ainda mais torturas e Santa Margarida foi, então, jogada nas águas de um rio gelado.
Mais uma vez, pelo poder do Cristo sobre ela, a virgem saiu viva das águas geladas do rio, tendo as correntes arrebentadas e nenhum sinal das torturas aplicadas. Ao ver isso, a população ficou admirada e muita gente ajoelhou-se, converteu-se e até se ofereceu para morrer no lugar dela. Mas o prefeito enfurecido mandou que a decapitassem.

No momento de sua decapitação, o carrasco pôs-se à chorar, recusando-se em consumar o ato. Santa Margarida o consolou, dizendo que o perdoava e que este ato não era seu desejo e sim de homens que tinham poder sobre ele. Em lágrimas, o carrasco cortou-lhe a cabeça e pediu perdão ao Cristo antes de cair morto diante da multidão que assistia à cena.

O pai de Santa Margarida, assim que a cabeça de sua filha foi decapitada, foi atingido por um raio e morreu imediatamente. Vendo a cena, o prefeito Olíbrio procurou fugir e cavalgou alguns metros antes que um outro raio o atingisse, matando-o na hora.

Santa Margarida morreu no dia 20 de julho de 290, com a idade de quinze anos. Há uma variante que ela teria morrido com 16 anos... O seu corpo foi recolhido e levado para um lugar seguro, onde foi enterrado pelos cristãos convertidos, passando a ser venerada em todo o Oriente. Um cristão conhecido como Theotime teria relatado todos esses fatos por estar presente e teria dito também que, antes de ser decapitada, ela pediu ao Cristo que todas as mulheres em trabalho de parto ou que tivessem dado à luz recentemente pedissem por sua intercessão que ela as ajudaria e aliviaria suas dores.

O corpo de Santa Margarida foi levado à Constantinopla. No século X, sua relíquia foi trasladada para a Itália pelos cruzados e desde então seu culto se difundiu também em todo o Ocidente.
Santa Margarida de Antioquia era uma santa muito querida por Joana d'Arc e foi ela quem apareceu à santa guerreira, juntamente com Santa Catarina de Alexandria, seguida pelo Arcanjo Miguel para anunciar sua missão de salvar a França.




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