quinta-feira, 23 de março de 2017

23 de março - São Turíbio Afonso de Mongrovejo


Apóstolo e padroeiro do Peru, exemplo de Pastor e missionário com uma vida contemplativa, ascese rigorosa e zelo apostólico, como Arcebispo de Lima, capital do Vice-Reinado do Peru.

Podemos dizer que São Turíbio de Mongrovejo era um privilegiado: nada lhe faltava material ou familiarmente, nasceu no ano de 1538 na Espanha, cresceu muito bem educado dentro de uma formação cristã e humana, estudou Direito e prestou muitos serviços nessa área, sempre buscando dar testemunho cristão no ambiente em que se encontrava. Preparava-se para começar atuar na área de Direito.

Durante este tempo recebeu a nomeação para o Santo Ofício em Granada, indicado por Felipe II para ser arcebispo de Lima, antes de se tornar padre. Teve assim, de receber uma a uma todas as ordens de uma só vez até finalizar com a do sacerdócio, para em 1580, ser consagrado Arcebispo da Cidade dos Reis, chamada depois Lima, atual capital do Peru. Isso ocorreu porque apesar de ser tonsurado, isto é, ter o cabelo cortado como os padres, ainda não pertencia ao clero.

Estava com quarenta e um anos de idade e a partir desse momento nasce um dos maiores apóstolos da História da Igreja.

Chegando à América espanhola em 1581, ficou espantado com a miséria espiritual e material em que viviam os índios. Aprendeu sua língua e passou a defendê-los contra os colonizadores, que os exploravam e maltratavam. Era venerado pelos fiéis e considerado um defensor enérgico da justiça, diante dos opressores.

Apoiado pela população, organizou as comunidades de sua diocese e depois reuniu assembleias e sínodos, convocando todos os habitantes para a evangelização. Sob sua direção, foram realizados dez concílios diocesanos e os três provinciais que formaram a estrutura legal da Igreja da América espanhola até o século XX. Inclusive, o Sínodo Provincial de Lima, em 1582, foi comparado ao célebre Concílio de Trento. Conta-se que neste sínodo, com fina ironia, Turíbio desafiou os espanhóis, que se consideravam tão inteligentes, a aprenderem uma nova língua, a dos índios.
Quando enviou um relatório ao rei Felipe II, em 1594, dava conta de que  havia percorrido quinze mil quilômetros e administrado o sacramento da crisma a sessenta mil fiéis. Aliás, teve o privilégio e a graça de crismar três peruanos, que depois se tornaram santos da Igreja: Rosa de Lima, Francisco Solano e Martinho de Porres. 

Calcula-se que percorreu a pé ou a cavalo, mais de quarenta mil quilômetros visitando os mais longínquos lugarejos de sua diocese, entre neves dos Andes e desertos tórridos do Pacífico, administrando o sacramento da confirmação a noventa mil pessoas. Como principal chefe da Igreja da América, dedicou-se a aplicar a reforma de Trento, enfrentando a vice-reis e o próprio rei.
  
Eis uma de suas frases mais freqüentes: “O tempo não é nosso e dele haveremos de dar conta”.

Turíbio fundou o primeiro seminário das Américas e pouco antes de morrer doou suas roupas, inclusive as do próprio corpo, aos pobres e aos que o serviram, gesto, que revelou o conteúdo de toda sua vida.

Faleceu no dia 23 de março de 1606, na pequena cidade de Sanã, Peru. Foi canonizado em 1726, pelo Papa Bento XIII, que declarou São Turíbio de Mongrovejo "apóstolo e padroeiro do Peru".

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