sábado, 4 de março de 2017

04 de março - Beata Maria Luisa Lamoignon

“A Beata Madre Maria Luisa fez frutificar os seus dotes naturais e da graça, falando a língua da caridade evangélica, que convida concretamente a dar de comer aos famintos, de beber aos sedentos, a servir e a ajudar os pobres, instruir os ignorantes, educar os pequenos nas vias da virtude”. 
Terna e sensível, mas ao mesmo tempo uma natureza “forte, generosa, capaz dos mais duros e dos maiores empreendimentos” era dotada de um julgamento sólido e pleno de “sabedoria e bondade”. 
Cardeal Angelo Amato – Homilia de Beatificação – 27 de maio de 2012

Embora tenha sido beatificada como religiosa fundadora, Madre Maria Luisa se santificou em vários estados de vida: jovem de inteligência brilhante, esposa de coração generoso, mãe extremosa, religiosa exemplar, fundadora. 

Maria Luisa Elisabeth de Lamoignon nasceu em Paris, França, no dia 3 de outubro de 1763. Seu pai era então Guarda dos Selos da França sob Luís XVI. Ela tinha três irmãs e quatro irmãos. Crescendo em uma família aristocrática, ela recebeu uma boa educação.

O Padre Plácido Levé, jesuíta, que foi seu primeiro biografo, escrevia em 1857: “Muito jovem, aos prazeres brilhantes que atraiam suas irmãs, ela preferia uma vida retirada e estudiosa. A oração era o principal atrativo e o mais caro alimento de sua alma. O estudo era sua maior ocupação. Seu espírito vivo e penetrante se abria sem dificuldade a todo o conhecimento. Ela cultivava as artes com o mesmo sucesso e o mesmo gosto. Aluna de Rameau, este a admirava e ia à sua casa, dizia ele, não para aperfeiçoá-la na arte do cravo, mas para ouvi-la tocar e se exercitar com ela”.

Segundo o costume da época, casou-se muito jovem com o Conde Molé de Champlâtreux, Francisco Eduardo Molé de Champlâtreux. "Meus pais me uniram ao homem o mais virtuoso como também o melhor”, escreveu ela. Assumindo as obrigações de sua posição – a fortuna dos esposos Molé era imensa – ela fez, de acordo com seu marido, a escolha de uma simplicidade de vida e do serviço dos pobres.

O casal teve cinco filhos, três deles falecidos em tenra idade. Ela teve que suportar uma das maiores dores: o esposo foi guilhotinado injustamente durante o Terror, o período mais terrível da Revolução Francesa. O casal fora aprisionado, mas ela foi liberada devido ao seu estado de saúde. O esposo foi guilhotinado no dia de Páscoa de 1794. No mesmo ano ela enfrentou a morte de sua filha de quatro anos. Além disso, seus bens foram confiscados pela Revolução. Ela enfrentou a miséria, a fome e as provações da alma.

Após o choque brutal causado pela morte de Francisco Eduardo, a chaga de seu coração cicatrizou docemente, sem que Luísa Elisabeth, que se tornaria mais tarde Madre Maria Luisa, se esquecesse de seu esposo diante de Deus. “Todos os dias eu renovo a Deus o sacrifício inicial”, assegurava a seu filho, lhe indicando o retrato de seu pai. No testamento que escreveu em 1810, ela diz: “Ao me separar de vocês, meus queridos filhos, para me revestir de um retiro profundo, eu fiz a Deus o maior sacrifício”.

Ficando sozinha, seu coração foi consolado pelo Senhor, que havia sacrificado o Seu Filho dileto, e perdoou os assassinos do marido. Foi assim que se aproximou ainda mais da Cruz, de quem se sentia filha, e, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, a amar “os seus que estavam no mundo, até o fim”. Isto ela pedia às suas Irmãs das Filhas da Caridade, congregação por ela fundada: formar-se segundo o modelo de Maria aos pés da Cruz.

Em abril de 1803 chegando a Vannes, Mons. de Pancemont, Bispo de Vannes, ficou condoído com a situação das meninas abandonadas, e convidou Maria Luisa a dirigir uma obra de caridade e de educação, que ele chamara Casa do Pai Eterno.

No dia 21 de novembro de 1803, Festa da Apresentação de Maria no Templo, Madame Molé foi oficialmente nomeada superiora da Casa em presença de Mons. de Pancemont. A partir de então ela passou a ser conhecida como Madre Maria Luisa. As religiosas tomam a denominação de Irmãs da Caridade de São Luís.

Ela escolheu São Luís IX como protetor de sua fundação por ser ele o patrono da França. À sua Congregação, que deve trabalhar junto aos mais humildes, ela dá por guia o santo que oferece os mais belos exemplos de uma vida comprometida com o temporal: “Um místico que mantinha os pés na terra, brilhava das mais belas virtudes humanas: lealdade, coragem, senso de honra, equidade, franqueza e delicadeza. Um místico cuja fé intrépida se refletia nos atos os mais simples e no dever de cada dia”.

Ela mandou instalar oficinas de tecelagem mecânicas para fiação de algodão, o trabalho da lã e a fabricação de rendas, porque tem gosto pelo progresso e sonhos de tornar essas oficinas modelos de sua espécie. É um sucesso! As pessoas se apressam para admirar o trabalho e especialmente para ver a transformação social das meninas. "As crianças mudam visivelmente". Falam do Pai Eterno por toda a região, e outras cidades também querem ter uma Casa de educação social segundo aquele modelo.

Em 1º de março de 1816, os estabelecimentos de educação gratuita e de caridade legalmente fundados em Vannes e em Auray por Madre São Luís são aprovados.

Madre Maria Luisa convidava suas Irmãs a "considerar Maria como o modelo no qual nos devemos formar", não A separando jamais de seu Filho, nem de sua missão. Sua piedade mariana ia o mais das vezes a Nossa Senhora das Dores que, "malgrado a ternura de seu coração, consentiu no sacrifício e na morte de seu Filho”, Nossa Senhora da Compaixão, próxima de todos os calvários do mundo,“cheia de zelo pelos interesses de Deus e pela salvação dos homens”.

Madre Maria Luisa não para: em 1816 abre uma casa de caridade em Pléchâtel, e em 1818 uma casa de retiro espiritual em Auray, depois, em 1820, um noviciado em Saint Gildas de Rhuys. Como Santa Teresa d’Ávila ela funda sobre os alicerces da caridade e da confiança. Tudo é por Deus.
No dia 3 de novembro de 1824, a fundadora adquiriu a Abadia de Rhuys, onde as Irmãs se instalaram em maio de 1825.

Estreitando ao peito o crucifixo do qual não se separava jamais, Madre Maria Luisa morreu em Vannes, no dia 4 de março de 1825, rodeada das filhas de sua alma. Ela morreu suavemente, como uma criança que adormece no regaço de sua mãe; apagou-se a lâmpada luminosa de caridade e bondade, capaz de indicar a todos o caminho a seguir, como só os Santos o sabem.

A notícia correu por toda a cidade de Vannes. A multidão se comprimiu na capela do Padre Eterno para ver a santa, e foi na capela do Seminário Maior que teve lugar as exéquias. Ainda hoje ela repousa na capela do jardim do Padre Eterno de Vannes.
Madre Maria Luisa foi beatificada em Vannes pelo delegado do Papa Bento XVI, no dia 27 de maio de 2012.
Quase dois séculos após o seu falecimento, a Congregação das Irmãs da Caridade de São Luís conta com 145 casas: França, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Haiti, Madagascar, etc.
"Tudo é grande quando é feito com amor."


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