terça-feira, 21 de março de 2017

21 de março - Santa Benedita Cambiagio Frassinello

“Ó luz ditosa, invade no íntimo o coração dos teus fiéis". As palavras da Sequência constituem uma bonita síntese de toda a existência de Benedita Cambiagio Frassinello e explicam a sua extraordinária riqueza espiritual.

Orientada pela graça divina, a nova Santa preocupou-se em cumprir com fidelidade e coerência a vontade de Deus. Com confiança ilimitada na bondade do Senhor, abandonava-se à sua "Providência amorosa", profundamente convencida de que, como gostava de repetir, é preciso "fazer tudo por amor a Deus e para Lhe agradar". Eis a preciosa herança que Santa Benedita Cambiagio Frassinello deixa às suas filhas espirituais, e que hoje é proposta a toda a Comunidade cristã.
Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 19 de maio de 2002

Em Benedita Cambiagio Frassinello (1791-1858) a Igreja nos mostra um exemplo de Santa, esposa, madre, religiosa e fundadora.

Ela deixou-se conduzir pelo Espírito através da experiência matrimonial, a de educadora, e a de consagração religiosa, até fundar junto com o marido uma congregação que é o único caso na história da Igreja.

Benedita Cambiagio Frassinello nasceu em Langasco (Gênova) no dia 2 de outubro de 1791. Os pais dela são: José e Francisca Ghiglione e é batizada dois dias depois. Ainda menina, a família se muda para Pavia.
Recebe dos pais uma profunda educação cristã que enraíza nela os princípios da fé formando assim um caráter forte e perseverante. Perto dos vinte anos, vive uma experiência interior muito forte que a leva a uma vida intensa de oração e penitência e sente o desejo de abandonar tudo para se consagrar inteiramente a Deus.

Em 7 de fevereiro de 1816, casa-se com João Batista Frassinello, um jovem que chegou de Gênova com os pais.
O caminho de Benedita à procura da bondade de Deus é bastante difícil, sentindo interiormente o desejo por uma vida virginal desde a adolescência. Vive no matrimônio dois anos, e depois tem a alegria de realizar, nesse estado, o aspecto profundo e sublime da virgindade espiritual. De acordo com o marido, atraído pela santidade de Benedita, segue o ideal dela e moram juntos como irmãos.
Preocupam-se com singular amor pela irmã Maria, gravemente doente de câncer intestinal e hospedada na casa deles.

Benedita e José experimentam então uma maternidade e paternidade espirituais sobrenaturais, na fidelidade ao amor conjugal sublimado.
Em 1825, quando Maria morre, João Batista Frassinello entra na comunidade religiosa dos Somascos e Benedita na comunidade das Irmãs Ursulinas de Capriolo.

Em 1826, por problemas de saúde, Benedita retorna a Pavia. Sarada milagrosamente por São Jerônimo Emiliani, começa a se ocupar das jovens e crianças com a aprovação do bispo D. Luís Tosi.
Precisando de ajuda, que seu pai não dá a ela, o bispo chama João Batista; ele deixa o noviciado e volta para a esposa-irmã, renovando juntos o voto de castidade perfeita nas mãos do bispo.
Os dois se dedicam generosamente na acolhida e na educação humana e cristã das jovens e crianças pobres e abandonadas.
A obra de Benedita se introduz na vida social de Pavia num período no qual a instituição escolar é acolhida como uma verdadeira colaboradora para o bem da sociedade.

É a primeira mulher da cidade e do Estado a advertir essa necessidade e o governo austríaco reconheceu e deu para ela o título de “Promotora de Pública Educação”.
É ajudada por algumas jovens e voluntárias, para as quais prepara um estatuto aprovado pelas Autoridades Eclesiásticas. Une ao ensinamento escolar a formação catequética e o trabalho. São estas as “armas” das quais se serve para transformar as jovens e crianças em modelos de vida cristã e assegurar desse modo a verdadeira formação delas.
A constante dedicação de Benedita nasce e cresce do fervor eucarístico e da contemplação do crucifixo, segura de que Deus é o seu sustento e a sua válida defesa.

Na sua vida não faltam experiências místicas, que se repetem particularmente nas festas litúrgicas, mas isto não interfere nos compromissos cotidianos da Madre. Por amor das jovens e crianças está disposta a qualquer sacrifício pessoal ou dos bens materiais, até da fama, mostrando assim a incomparável grandeza de “pedagogia do Evangelho”.

A particularidade da Obra e o programa educativo de Benedita são duramente criticados pela oposição de alguns poderosos, que se sentem contrariados nos torpes desejos, e também pela incompreensão de algumas pessoas do próprio clero.
Em julho de 1838 Benedita cede a sua Instituição ao Bispo D. Luís Tosi e, com o marido e cinco irmãs, deixa Pavia e muda para Ligúria.

Em Ronco Scrivia inicia uma escola para jovens, e funda a congregação das “Irmãs Beneditinas da Providência” para as quais escreve as Regras e Constituições. As mesmas revelam o desenvolvimento do seu carisma, estendendo a todas as jovens e crianças a educação, a instrução e a formação cristã com o inconfundível espírito de ilimitada confiança e abandono na Divina Providência, de amor a Deus através da pobreza e a caridade.
O Instituto das Irmãs Beneditinas da Providência desenvolve-se rapidamente. Em 1847, estabelece-se também em Voghera. Esta obra, 40 anos depois da morte de Benedita, por iniciativa do Bispo vira um instituto independente. Nesta circunstância as irmãs assumem o nome de “Irmãs Beneditinas da Divina Providência” em memória da fundadora delas, Benedita Cambiagio.

Em 1851, Benedita retorna a Pavia, para outra cidade desta província.
Em 1857, abre uma escola na cidade de Valpolcevera chamada S. Quirico.

No dia 21 de março de 1858, Benedita morre santamente em Ronco Scrivia, no dia e hora por ela previstos. Ao redor dela acorre um grande número de pessoas para uma última manifestação de estima e chorar aquela que consideravam uma Santa.

Benedita pode ser proposta como modelo e intercessora:
– às pessoas consagradas: para imitar a Cristo no abandono a amorosa Providência;
– aos esposos: na total partilha para uma mais profunda maternidade e paternidade;
– aos jovens: Cristo fonte de alegria e ideal de vida;
– aos educadores: prevenir, compreender, abrir horizontes;
– às famílias que experimentam momentos de dificuldades: para que saibam aceitar as dificuldades quando obrigados a se mudar do lugar de origem; a acolher na família a doença e ajudar eles a morrer serenamente.



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