
Querendo
ouvir mais uma vez o Evangelho, Francisco e Bernardo abriram o livro sagrado e
se deram com estas palavras: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens,
dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu” (Mt 19,21). Pela segunda vez
abriram o livro e se deparam com o seguinte: “Se alguém quer vir após mim,
negue a si mesmo, e tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Pela
terceira vez abrem o livro e eis que encontram o seguinte: “Não possuais ouro
nem prata, nem tragais dinheiro nas vossas cintas” (Mt 10,9).
O bispo de
Assis, com prudência humana, disse a Francisco que não seria possível a vida de
seus irmãos em tão rigorosa indigência. Francisco respondeu: “Senhor bispo, se
possuíssemos bens, seríamos obrigados a possuir também armas para os defender e
proteger. De toda a propriedade resultariam discussões com o vizinho, que
prejudicariam o amor a Deus e aos homens; portanto, para conservarmos esse amor
intacto e puro, estamos absolutamente decididos a nada querer possuir neste
mundo.”
Indo por uma
rua, Francisco censurou um religioso, que repelira asperamente um mendigo, que
de maneira impertinente e com insistência pedia esmolas, mostrando sua extrema
pobreza. Francisco se ajoelhou e pediu perdão ao mendicante. Voltou-se para o
religioso e disse: “Irmão, quando vires um pobre, pensa que estás diante de um
espelho do Senhor e de sua pobre mãe.”
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