terça-feira, 20 de junho de 2017

20 de junho - Beata Margarida Ebner

Lemos em João 16, 28: “Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai”.
Esse grande mistério de Deus ter tomado a forma humana nos deixa perplexos. Depois de haver divinizado o universo por sua encarnação e ressurreição, Jesus atrai tudo a si para entregar ao Pai. Margarida Ebner acreditou nisso com todo o seu coração, fazendo de sua vida uma entrega permanente à vontade do Pai.

Margarida pertencia à aristocracia alemã, muito rica e respeitada. Quando fez quinze anos de idade vestiu o hábito dominicano no Mosteiro de Maria Santíssima em Medingen, na diocese de Augusta.

De 1314 até 1326, sofreu diversas e graves enfermidades, permanecendo a maior parte do tempo confinada em seu leito. Era consolada por Deus e chamada a cumprir em tudo a sua divina vontade. Devido às enfermidades não podia realizar grandes penitências exteriores, ela então, se mortificava no alimento, no porte, no sono, dedicando-se a uma vida de orações inspirada nos ciclos do ano litúrgico e caracterizada pela meditação dos mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Destacou-se pelo silêncio e pela paciência com que suportou suas constantes enfermidades.
     

A política influenciou muito a vida da Beata Margarida. Foi uma contemplativa comprometida com a trama da História. Durante oito anos a Alemanha esteve em guerra de disputa da coroa. Para as monjas de Medingen, e especialmente para Margarida, a pátria e o imperador tinham muito espaço em suas orações. Rogavam com fervor pela volta da paz.
     
Durante o período do Grande Cisma na Igreja Católica, quando havia três diferentes aspirantes ao trono papal, as monjas do Mosteiro de Medingen ficaram leais ao Papa de Roma. Como resultado, a comunidade foi forçada a se dispersar durante a campanha militar do imperador Luis IV contra as forças papais.
     
Em 1324, as monjas saíram do mosteiro devido aquele conflito. Margarida passou dois anos com sua família acompanhada de uma noviça, dentro da segurança dos muros da cidade de Donauworth, antes de poder voltar para o Mosteiro de Maria Medingen. Quando tudo retornou ao normal ela voltou para a clausura daquele mosteiro.
     
Era devotíssima da Eucaristia e do Santo Nome e do Coração de Jesus. E ao constatar que os homens morriam aos milhares por causa da guerra, se dedicou particularmente a realizar sufrágios pelos defuntos.
Em 28 de outubro de 1332, Henrique de Nördlingen visitou o Mosteiro de Maria Medingen. Ali conheceu Margarida e assumiu sua direção espiritual.
     
Margarida Ebner foi, sem dúvida, a figura central do movimento espiritual alemão dos "amigos de Deus", e uma das grandes místicas da região do Reno no século XIV.
O seu diário espiritual, escrito de 1312 até 1348, que chegou até os nossos dias, revela a vida humilde, devotada, caritativa e confiante em Deus de uma religiosa provada por muitas penas e doenças. Ela viveu e morreu no amor de Deus, fiel na certeza de encontrar-se em plena comunhão com seu Filho Jesus, como sempre dizia: "Eu não posso separar-me de ti em coisa alguma".
     
A santa humanidade de Jesus foi o divino objeto da sua constante e amorosa contemplação e nela reviveu os vários mistérios no exercício da virtude, no holocausto ininterrupto dela mesma, no sofrimento interno e externo, todo aceito e ofertado com Jesus, para Jesus e em Jesus.
Depois de duras provações, recebeu a graça do matrimônio espiritual com Jesus, em 01 de novembro de 1347,como narra no seu diário:
“Toda a minha força e todo o meu poder repousam exclusivamente na dulcíssima Humanidade, que é Jesus Cristo".     

Na noite de Pentecostes de 1348, quando entrava no coro para o Ofício solene de Matinas, a Beata teve a impressão de receber uma graça que declarava incapaz de descrever, similar a recebida pelos Apóstolos quando sobre eles pousou o Espírito Santo. O Senhor prometeu assisti-la em seu trânsito com a Virgem Maria e o Apóstolo São João, e fez uma revelação particular a respeito de sua morte.
     
Margarida Ebner morreu aos 60 anos no dia 20 de junho de 1351, no Mosteiro de Medingen, onde foi sepultada. Suas últimas palavras foram: “Demos graças a Deus. Virgem Maria, Mãe de Deus, tem misericórdia de mim”.
Seu corpo se venera na igreja de seu convento, que hoje é habitado pelas franciscanas de Medingen. Seu culto imemorial foi confirmado e ratificado por João Paulo II em 24 de fevereiro de 1979.

Hoje celebramos também a Beata Margarida Ball

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