sexta-feira, 24 de abril de 2020

24 de abril - Santa Salomé


Hoje segundo o Martirológio Romano, celebramos Santa Salomé, que assim diz: comemoração das santas mulheres Maria de Cleofas e Salomé, que junto com Maria Madalena foram ao túmulo do Senhor na manhã da Páscoa para ungir seu corpo e primeiro ouviram o anúncio de sua ressurreição.

Salomé é mencionada no Evangelho de São Marcos, como segue: E encontravam-se também ali algumas mulheres vindas de longe, entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria mãe de Tiago menor e de José, e Salomé; as quais já o seguiam quando ele estava na Galileia. 
Bem como no seguinte trecho: E tendo passado o dia de sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus.

A tradição identifica Santa Salomé com a mulher que por duas vezes é citada por São Mateus como a mulher de Zebedeu e mãe dos Apóstolos Tiago e João. Foi uma das três Marias que ajudaram Jesus durante o início de seu ministério e O acompanharam nas suas viagens e testemunharam a sua crucificação, a retirada do corpo, e a sua Ressurreição. Diz os Evangelhos que ela pediu a Jesus para colocá-la e seus filhos com Ele em Seu Reino no céu.

A legenda relata que, após a Ascenção do Senhor, Salomé fez uma longa peregrinação com São Demétrio e outro discípulo, e chegou próximo de Veroli, Itália, para ali anunciar o Evangelho. Cansada da viagem, a Santa pediu hospitalidade a um pagão, depois batizado com o nome de Mauro, a pouca distância das muralhas da cidade. Os seus companheiros entraram na cidade e foram martirizados. Salomé permaneceu na casa de Mauro após convertê-lo ao Cristianismo e faleceu cerca de seis meses depois.

Com reverência Mauro deu sepultura a Santa, e sobre a urna contendo seus restos mortais, inscreveu as seguintes palavras: "Hae sunt reliquiae B. Mariae Matris apostolorum Jacobi et Joannis". Receoso de ser aprisionado e martirizado, Mauro encontrou refúgio na Gruta de Paterno, onde morreu.

Algum tempo depois alguns pagãos encontraram a urna contendo as relíquias da Santa e informaram ao governante. Este, acreditando tratar-se de um tesouro, mandou abri-la e ali foram encontrados os restos da Santa, mas, sem prestar atenção na epígrafe, ordenou que com desprezo fossem jogados na praça.

Entrementes, um grego, após ter lido a inscrição, pensou em salvar o precioso tesouro e à noite recolheu furtivamente todos os ossos, os envolveu em um pano e os levou fora da cidade. Ali, sobre a pedra e numa carta escreveu as palavras: "Maria Mater Joannis Apostoli et Jacobi ene ista". Escondeu tudo em um lugar secreto, pensando levar as relíquias para sua pátria, depois que retornasse de uma viagem a Roma. O homem, entretanto, não pode concretizar o seu projeto e as relíquias foram encontradas em 1209 por um certo Tomás, a quem São Pedro e Santa Salomé apareceram em sonho revelando o local da sepultura.

As relíquias foram encontradas no dia 25 de maio daquele ano, e três dias depois visitaram o local o Bispo de Penne, o abade de Casamari e o abade de Santa Anastásia em Roma, com alguns de seus monges. Quando as relíquias foram erguidas para que a multidão que afluíra ao local pudesse vê-las, de um osso da tíbia viu-se sair sangue, como se a carne não tivesse se separado do osso seco depois de tantos anos. Diante daquilo, o povo deu graças ao Senhor.


24 de abril - Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam. E fez o mesmo com os peixes. Lc 6,11


A leitura do Evangelho de hoje, leva-nos a meditar sobre a multiplicação milagrosa, em que cinco pães de cevada e dois peixes foram suficientes para dar de comer a uma multidão de cinco mil homens. Jesus quer fazer o povo compreender o significado profundo do prodígio que realizou: saciando de modo milagroso a sua fome física, prepara-os para aceitar o anúncio segundo o qual Ele é o pão que desceu do céu, que sacia de modo definitivo.

Também o povo judeu, durante o longo caminho no deserto, tinha experimentado um pão descido do céu, o maná, que o conservara em vida até à chegada à terra prometida. Pois bem, Jesus fala de si mesmo como do verdadeiro pão que desceu do céu, capaz de manter em vida não por um momento ou durante um trecho do caminho, mas para sempre. Ele é o alimento que dá a vida eterna, porque é o Filho unigênito de Deus, que se encontra no seio do Pai, vindo para doar ao homem a vida em plenitude, para introduzir o homem na vida do próprio Deus.

No pensamento judaico era claro que o verdadeiro pão do céu, que alimentava Israel, era a Lei, a palavra de Deus. Agora Jesus, manifestando-se como o pão do céu, dá testemunho de ser a Palavra de Deus encarnada, através da qual o homem pode fazer da vontade de Deus o seu alimento, que orienta e sustém a sua existência.

Santo Agostinho comenta: “Estavam distantes daquele pão celeste, e eram incapazes de sentir fome dele. A boca do seu coração estava enferma... Com efeito, este pão exige a fome interior do homem”. Somente quem é atraído por Deus Pai, quem o ouve e se deixa instruir por Ele pode acreditar em Jesus, encontrá-lo e alimentar-se dele para ter a vida em plenitude, a vida eterna. Santo Agostinho acrescenta: “O Senhor... afirmou que é o pão descido do céu, exortando-nos a crer nele. Com efeito, comer o pão vivo significa acreditar nele. Quem crê, come; é saciado de modo invisível, e igualmente de modo invisível renasce. Ele renasce a partir de dentro e, no seu íntimo, torna-se um homem novo”.

Hoje celebramos:




quinta-feira, 23 de abril de 2020

23 de abril - O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. Aquele que acredita no Filho possui a vida eterna. Jo 3,35-36


Temos necessidade não só do pão material, mas precisamos de amor, de significado e de esperança, de um fundamento seguro, de um terreno sólido que nos ajude a viver com um sentido autêntico também na crise, nas obscuridades, nas dificuldades e nos problemas quotidianos.

A fé oferece-nos precisamente isto: é um entregar-se confiante a um Tu, que é Deus, o qual me confere uma certeza diversa, mas não menos sólida do que aquela que me deriva do cálculo exato ou da ciência. A fé não é simples assentimento intelectual do homem a verdades particulares sobre Deus; é um gesto mediante o qual me confio livremente a um Deus que é Pai e que me ama; é adesão a um Tu que me dá esperança e confiança.

O próprio Deus que nos é indicado em Cristo, mostrou o seu rosto e fez-se realmente próximo de cada um de nós. Aliás, Deus revelou que o seu amor pelo homem, por cada um de nós, é incomensurável: na Cruz, Jesus de Nazaré, o Filho de Deus que se fez homem, mostra-nos do modo mais luminoso até que ponto chega este amor, até ao dom de si mesmo, até ao sacrifício total. 
Com o mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, Deus desce até ao fundo na nossa humanidade, para a restituir, para a elevar à sua altura. A fé é crer neste amor de Deus que não diminui diante da maldade do homem, perante o mal e a morte, mas é capaz de transformar todas as formas de escravidão, oferecendo a possibilidade da salvação.

Papa Bento XVI – 24 de outubro de 2012

Hoje celebramos:


23 de abril - Beata Teresa Maria da Cruz (Teresa Manetti)


Teresa Adelaide Cesira Manetti nasceu numa família humilde em San Martino, em Campo Bisenzio (Florença, Itália), em 2 de março de 1846. A Fundadora das Carmelitas Terceiras de Santa Teresa era conhecida pelo apelido carinhoso de Bettina, dado por seu pai.

Ficou órfã de pai muito cedo e logo conheceu a dureza da vida. Apesar disso, ajudava aos pobres, privando-se até do que lhe era mais necessário. Era uma jovem alegre, vivaz, com caráter generoso, gostava de ser admirada e de chamar atenção, com seus belos olhos azuis e cabelos castanhos encaracolados. Gostava de inventar moda e suas companheiras a acompanhavam.

Aos 19 anos compreendeu que Jesus a queria para si. Desapegada de suas vaidades, das ilusões do mundo, decide mudar de vida. Foi muito criticada pelas pessoas, mas isso não a perturbava, o que ela queria era ser toda de Jesus. Passou a dedicar-se aos mais necessitados.

Em 15 de julho de 1874, juntamente com duas amigas, que agora a seguiam para fazer o bem, retirou-se numa casinha no campo situada à beira de um rio de Bisenzio, onde começou uma vida de oração, penitência e caridade. Ali “oravam, trabalhavam e reuniam algumas jovens para educá-las com boas leituras e ensinar-lhes a doutrina cristã”.
Naqueles anos, foram de muita importância as sugestões e os conselhos do jovem pároco, Pe. Ernesto Jacopozzi, que acompanhou as atividades de Bettina até 1894.

Em 16 de julho de 1876, foram admitidas na Ordem Terceira do Carmelo Teresiano, e mudou seu nome para Teresa Maria da Cruz.

Em 1877, uma mãe doente disse a Bettina que morreria feliz se ela cuidasse de suas crianças e ela viu nesse pedido um sinal de Deus. E a partir desse momento as mãos postas em oração se abriram para o serviço. Após receberem as primeiras órfãs, o número delas foi crescendo dia a dia. Aquelas meninas abandonadas eram seu “maior tesouro”.

Em 12 de julho de 1888, as 27 primeiras religiosas vestiram o hábito da Ordem das Carmelitas Descalças, às quais se haviam juntado em 12 de junho de 1885.
O sucesso da Congregação levou a Madre, com a ajuda de Deus e do povo de San Martino, a realizar seu sonho: construir um grande convento e uma igreja (1880-1887). As atividades do Instituto se ampliaram e novas sedes foram abertas na Toscana, e depois em toda a Itália e em outras partes do mundo.

Em 27 de fevereiro de 1904, o Papa São Pio X aprovou o Instituto com o nome de Carmelitas Terceiras de Santa Teresa.
Madre Teresa Maria da Cruz com grande alegria viu o Instituto estender-se até a Síria e o Monte Carmelo, na Palestina.

O nome “da Cruz” assentava muito bem à Madre; frequentemente ela dizia: “Tritura-me, Senhor, espreme-me até a última gota!” Sua caridade não tinha limites. Entregava-se a todos e em tudo, esquecendo-se sempre de si mesma. O bispo Andrés Casullo, que a conhecia muito bem, afirmava a seu respeito: “Ela deixava de viver a própria vida para fazer o bem”.
Em 1908, Madre Teresa Maria da Cruz foi atacada por uma terrível doença que, apesar dos cuidados, levou-a a morte terrena no dia 23 de abril de 1910. Ela havia completado a subida de seu Calvário, depois de passar por noites escuríssimas: estava preparada pela graça de Deus. Faleceu enquanto repetia uma vez mais: “Ó meu Jesus, eu quero sofrer mais...” E murmurava em êxtase: “Está aberto!... Já vou!”

O Papa São João Paulo II a beatificou em 19 de outubro de 1986, e em sua homilia ele disse:
A característica particularmente evidente de Teresa Maria era a alegria. Mulher de excepcional ternura e equilíbrio materno, sua palavra de sabedoria, seu próprio olhar e atitude sabia instilar em todos tanta luz, tanto conforto e tanta esperança, que era continuamente procurada por pessoas de todas as esferas da vida e condições, que chegavam a esperar por horas, para serem recebidos por ela em seu pequeno mosteiro, às margens do Bisenzio, para ouvir suas palavras de fé que sabiam transfigurar o sofrimento e restaurar a paz.

Mas a alegria de Teresa Maria não era a alegria ilusória deste mundo. Essa alegria foi o resultado de um preço alto, que além disso ela pagou de bom grado, porque impulsionada pelo amor a Cristo e às almas. Ela tinha muito a sofrer: de críticas a calúnias; do martírio de um tumor maligno que a devorava com sofrimentos terríveis, à angústia de uma "noite escura" de fé, que sentia nas fibras mais íntimas de seu espírito. Mas em tudo isso perfeitamente abandonada nas mãos de Deus, ela sabia viver em paz e parecia quase repetir as palavras de Paulo quando ele disse: "Transbordo de alegria em toda tribulação" (2 Cor 7, 4).

Aqui está a alegria que a nova Beata nos ensina. Uma alegria que é verdade, que é plenitude, que é fecunda e que nos abre para a vida divina. Hoje precisamos muito dessa alegria. É a alegria que nos chega da cruz, aquela cruz com a qual ela queria marcar seu nome religioso. Aquela cruz sagrada que em Florença também dá nome a uma praça, um monumento, ao mesmo tempo, de história, arte, cultura e fé.



quarta-feira, 22 de abril de 2020

22 de abril - Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Jo 3,17


Para saber quem é Jesus, o primeiro passo é conhece-Lo. Conhecer Jesus é o que fazemos todos nós quando pegamos o Evangelho, quando levamos as crianças ao catecismo, quando as levamos à missa, mas é só o primeiro passo.

O segundo é professar Jesus.
E isso nós, sozinhos, não podemos fazer. Somente podemos professar Jesus com a força de Deus, com a força do Espírito Santo. Ninguém pode dizer Jesus na confissão e confessá-Lo sem o Espírito. Nós não podemos confessar Jesus sem o Espírito. Por isso, a comunidade cristã deve buscar sempre a força do Espírito Santo para professar Jesus, para dizer que Ele é Deus, que Ele é o Filho de Deus.

Aceitar o caminho de Jesus até a cruz.
Mas qual é a finalidade da vida de Jesus, por qual motivo Ele veio? Responder a esta pergunta significa realizar a terceira etapa no caminho do conhecimento de Cristo. Jesus começou a ensinar aos apóstolos que deveria sofrer, morrer e depois ressuscitar.

Professar Jesus é professar a Sua morte, a Sua ressurreição; não é professar: “Tu és Deus” e parar ali. Não: “Viestes por nós e morreste por mim. E ressuscitastes e nos deste a vida, nos prometeste o Espírito Santo para nos guiar”. Professar Jesus significa aceitar o caminho que o Pai escolheu para Ele: a humilhação. Paulo, escrevendo aos Filipenses, diz: “Deus enviou o Seu Filho, o qual aniquilou a si mesmo, se fez servo, humilhou a si mesmo, até a morte e morte de cruz”.


Hoje celebramos: