sexta-feira, 30 de agosto de 2019

30 de agosto - Santa Margarida Ward


“O que caracteriza o homem, o que ele tem de mais íntimo no seu ser e na sua personalidade, é a capacidade de amar, de amar profundamente, de se dedicar com aquele amor que é mais forte do que a morte e que continua na eternidade.

O martírio dos cristãos é a expressão e o sinal mais sublime deste amor, não só porque o mártir se conserva fiel ao seu amor, chegando a derramar o próprio sangue, mas também porque este sacrifício é feito pelo amor mais nobre e elevado que pode existir, ou seja, pelo amor d'Aquele que nos criou e remiu, que nos ama como só Ele sabe amar, e que espera de nós uma resposta de total e incondicionada doação, isto é, um amor digno do nosso Deus.

Na sua longa e gloriosa história, a Grã-Bretanha, Ilha de Santos, deu ao mundo muitos homens e mulheres, que amaram a Deus com este amor franco e leal. Por isso, sentimo-Nos feliz por termos podido incluir hoje, no número daqueles que a Igreja reconhece publicamente como Santos, mais quarenta filhos desta nobre terra, propondo-os, assim, à veneração dos seus fiéis, para que estes possam haurir, na sua existência, um vívido exemplo.

Quem lê, comovido e admirado, as atas do seu martírio, vê claramente e, podemos dizer, com evidência, que eles são os dignos émulos dos maiores mártires dos tempos passados, pela grande humildade, simplicidade e serenidade, e também pelo gáudio espiritual e pela caridade admirável e radiosa com que aceitaram a sentença e a morte."

Papa Paulo VI – Homilia de canonização

Margarida Ward nasceu em Congleton, Cheshire, em torno de 1550, no seio de uma distinta família inglesa. Pouco se sabe de sua vida, somente que nos últimos anos viveu na casa da nobre senhora Whitall, da qual era dama de companhia.

Margarida era católica, e soube que haviam prendido o sacerdote Guilherme Watson, que estava encarcerado e era submetido a contínuas torturas. Estava em curso a perseguição da sanguinária rainha Elizabeth I contra os católicos, e a tortura era uma prática usual. Margarida decidiu visitá-lo repetidas vezes, para ajudá-lo e confortá-lo.

Watson, que escreveu a obra conhecida como "Quodlibets", já tinha estado preso uma primeira vez, porém logo, em um momento de debilidade pelas torturas sofridas, tinha consentido participar do culto protestante, e por isso fora libertado. Porém amargamente arrependido desta ação, se retratou publicamente e declarou ser católico, e foi novamente preso e levado para a prisão de Bridewel.

Depois de várias visitas, que suavizaram a vigilância do carcereiro, Margarida levou uma corda para ele poder escapar. Na hora fixada, o barqueiro que se havia comprometido a transportar o sacerdote rio abaixo, se negou a levar a cabo seu trabalho. Em sua angústia, Margarida confiou seu problema ao jovem John Roche (ou Neele), que se comprometeu a ajudá-la. Preparou um bote e trocou de roupa com Watson, que pode fugir. Porém a roupa traiu John Roche e a corda convenceu o carcereiro que Margarida Ward havia sido o instrumento da fuga do prisioneiro. Ambos foram detidos.

O Venerável Robert Southwell escreveu ao Padre Acquaviva, S.J.:
"Foi açoitada e suspensa pelos punhos, só tocava o solo com as pontas dos dedos de seus pés, durante tanto tempo, que ficou inválida e paralisada, porém estes sofrimentos reforçaram em grande medida a gloriosa mártir em sua luta final".

A dama não só confirmou plenamente tudo quanto tinha feito, como negou revelar onde o fugitivo estava escondido; não quis pedir perdão à rainha, nem aderir ao culto protestante, condições que lhe eram impostas para obter a liberdade. Ela estava convencida de que não havia ofendido a soberana, e considerava coisa absolutamente contrária à sua genuína fé católica o assistir às funções de um culto herético.

Foi julgada e condenada à morte em Newgate por alta traição. Imolou sua vida pela fé católica que não quis abjurar, e caminhou para o patíbulo em Tyburn no dia 30 de agosto de 1588.

Ricardo Leigh, sacerdote, e os leigos Eduardo Shelley, Ricardo Martin, ingleses, e John Roche, irlandês, e Ricardo Lloyd, galês, foram seus companheiros de martírio. O primeiro por ser sacerdote e os outros por terem dado hospitalidade a sacerdotes. Todos eles foram beatificados em 1929 pelo Papa Pio XI, e Margarida foi canonizada em 25 de outubro de 1970 pelo papa Paulo VI entre os 40 mártires da Inglaterra e Gales.


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