sábado, 4 de julho de 2020

04 de julho - Os discípulos de João aproximaram-se de Jesus e perguntaram: 'Por que razão nós e os fariseus praticamos jejuns, mas os teus discípulos não?' Mt 9,14

O Evangelho narra que, enquanto Jesus se encontra à mesa, os fariseus e os seguidores de João Batista perguntam-lhe por que motivo os seus discípulos não jejuam como eles. Jesus responde que os convidados para as bodas não podem jejuar, enquanto o esposo estiver com eles; jejuarão quando o esposo for tirado do meio deles. Ao dizê-lo, Cristo revela a sua identidade de Messias, Esposo de Israel, vindo para as núpcias com o seu povo. Aqueles que O reconhecem e O acolhem com fé estão em festa. No entanto, Ele deverá ser rejeitado e morto precisamente pelos seus: naquele momento, durante a sua paixão e a sua morte, chegará a hora do luto e do jejum.

Que nos sirva de guia e mestra Maria Santíssima que, quando Jesus se dirigiu decididamente rumo a Jerusalém, para ali padecer a Paixão, O seguiu com fé total. Como "odre novo", recebeu o "vinho novo" trazido pelo Filho para as bodas messiânicas. E assim aquela graça que Ela, com instinto de Mãe, tinha pedido para os esposos de Caná, Ela mesma foi a primeira a recebê-la aos pés da Cruz, graça esta derramada do Coração trespassado do Filho, encarnação do amor de Deus pela humanidade

Papa Bento XVI – 26 de fevereiro de 2006

Hoje celebramos:
Santa Isabel de Portugal
Santo Antônio Daniel
Beato Pier Giorgio Frassati
Beato José Kowalski
Beata Maria Crucifixa Curcio
Beata Catarina Jarrige


sexta-feira, 3 de julho de 2020

São Tomé Apóstolo - Vídeo



Meu Senhor e meu Deus!!!

03 de julho - São Tomé - Apóstolo

Este santo apóstolo é conhecido pela sua proverbial incredulidade quando recebeu a notícia da ressurreição de Jesus.

"A incredulidade de Tomé não foi um acaso, mas prevista nos planos de Deus. O discípulo, que, duvidando da Ressurreição do mestre, pôs as mãos nas chagas do mesmo, curou com isso a ferida da nossa incredulidade." 

 São Gregório Magno

Tomé, sempre presente nas quatro listas contempladas pelo Novo Testamento, ele, nos primeiros três Evangelhos, é colocado ao lado de Mateus (Mt 10, 3; Mc3, 18; Lc 6, 15), enquanto nos Atos está próximo de Filipe (At 1, 13). O seu nome deriva de uma raiz hebraica, ta'am, que significa "junto", "gêmeo". De fato, o Evangelho chama-o várias vezes com o sobrenome de "Dídimo" (Jo 11, 16; 20, 24; 21, 2), que em grego significa precisamente "gêmeo". Não é claro o porquê deste apelido.

Sobretudo o Quarto Evangelho oferece-nos informações que reproduzem alguns traços significativos da sua personalidade. O primeiro refere-se à exortação, que ele fez aos outros Apóstolos, quando Jesus, num momento crítico da sua vida, decidiu ir a Betânia para ressuscitar Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém (Mc 10, 32). Naquela ocasião Tomé disse aos seus condiscípulos: "Vamos nós também, para morrermos com Ele" (Jo 11, 16).

Esta sua determinação em seguir o Mestre é deveras exemplar e oferece-nos um precioso ensinamento: revela a disponibilidade total de aderir a Jesus, até identificar o próprio destino com o d'Ele e querer partilhar com Ele a prova suprema da morte. De fato, o mais importante é nunca se separar de Jesus. Por outro lado, quando os Evangelhos usam o verbo "seguir" é para significar que para onde Ele se dirige, para lá deve ir também o seu discípulo.

Uma segunda intervenção de Tomé está registrada na Última Ceia. Naquela ocasião Jesus, predizendo a sua partida iminente, anuncia que vai preparar um lugar para os discípulos para que também eles estejam onde Ele estiver; e esclarece: "E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho"(Jo 14, 4). É então que Tomé intervém e diz: "Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?" (Jo 14, 5). Na realidade, com esta expressão ele coloca-se a um nível de compreensão bastante baixo; mas estas suas palavras fornecem a Jesus a ocasião para pronunciar a célebre definição: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14, 6). Portanto, Tomé é o primeiro a quem é feita esta revelação, mas ela é válida também para todos nós e para sempre. Todas as vezes que ouvimos ou lemos estas palavras, podemos colocar-nos com o pensamento ao lado de Tomé e imaginar que o Senhor fala também conosco como falou com ele.

Ao mesmo tempo, a sua pergunta confere também a nós o direito, por assim dizer, de pedir explicações a Jesus. Com frequência nós não o compreendemos. Tenhamos a coragem para dizer: não te compreendo, Senhor, ouve-me, ajuda-me a compreender. Desta forma, com esta franqueza que é o verdadeiro modo de rezar, de falar com Jesus, exprimimos a insuficiência da nossa capacidade de compreender, ao mesmo tempo colocamo-nos na atitude confiante de quem espera luz e força de quem é capaz de as doar.

Depois, muito conhecida e até proverbial é a cena de Tomé incrédulo, que aconteceu oito dias depois da Páscoa. Num primeiro momento, ele não tinha acreditado em Jesus que apareceu na sua ausência, e dissera: "Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito" (Jo 20, 25). No fundo, destas palavras sobressai a convicção de que Jesus já é reconhecível não tanto pelo rosto quanto pelas chagas. Tomé considera que os sinais qualificadores da identidade de Jesus são agora sobretudo as chagas, nas quais se revela até que ponto Ele nos amou. Nisto o Apóstolo não se engana. Como sabemos, oito dias depois Jesus aparece no meio dos seus discípulos, e desta vez Tomé está presente. E Jesus interpela-o: "Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!" (Jo 20, 27). Tomé reage com a profissão de fé mais maravilhosa de todo o Novo Testamento: "Meu Senhor e meu Deus!"(Jo 20, 28).

A este propósito, Santo Agostinho comenta: Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado. O evangelista prossegue com uma última palavra de Jesus a Tomé: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crerão" (Jo 20, 29). Esta frase também se pode conjugar no presente; "Bem-aventurados os que creem sem terem visto".

Uma última anotação sobre Tomé é-nos conservada no Quarto Evangelho, que o apresenta como testemunha do Ressuscitado no momento seguinte à pesca milagrosa no Lago de Tiberíades (Jo 21, 2). Naquela ocasião ele é mencionado inclusivamente logo depois de Simão Pedro: sinal evidente da grande importância de que gozava no âmbito das primeiras comunidades cristãs. Com efeito, em seu nome foram escritos depois os Atos e o Evangelho de Tomé, ambos apócrifos, mas, contudo, importantes para o estudo das origens cristãs.

Por fim recordamos que segundo uma antiga tradição, Tomé evangelizou primeiro a Síria e a Pérsia depois foi até à Índia ocidental (Atos de Tomé 1-2 e 17ss.), de onde enfim alcançou também a Índia meridional, onde, segundo a mesma tradição, foi martirizado.

 Papa Bento XVI – Audiência Geral, 27 de setembro de 2006

 


03 de julho - Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!"Jo 20,28

O Evangelho nos apresenta o apóstolo Tomé: ele queria ver a marca dos pregos nas mãos de Jesus e, depois de ter visto, acreditou.

Apesar da sua incredulidade, temos de agradecer a Tomé, pois a ele não bastou ouvir dizer dos outros que Jesus estava vivo, e nem sequer com poder vê-Lo em carne e osso, mas quis ver dentro, tocar com a mão nas suas chagas, os sinais do seu amor. O Evangelho chama Tomé de “Dídimo”, ou seja, gêmeo; e nisso ele é verdadeiramente nosso irmão gêmeo. Pois também a nós não basta saber que Deus existe: um Deus ressuscitado, mas longínquo, não preenche a nossa vida; não nos atrai um Deus distante, por mais que seja justo e santo. Não: Nós também precisamos “ver a Deus”, tocar com a mão” que Ele tenha ressuscitado, e ressuscitado por nós.

Como podemos vê-Lo? Como os discípulos: por meio das suas chagas. Olhando por ali, compreenderam que Ele não os amava de brincadeira e que os perdoava, embora entre eles houvesse quem O tivesse negado e O tivesse abandonado. Entrar nas suas chagas significa contemplar o amor sem medidas que brota do seu coração. Esse é o caminho. Significa entender que o seu coração bate por mim, por ti, por cada um de nós. Queridos irmãos e irmãs, podemos nos considerar e chamar-nos cristãos, e falar sobre muitos belos valores da fé, mas, como os discípulos, precisamos ver Jesus tocando o seu amor. Só assim podemos ir ao coração da fé e, como os discípulos, encontrar uma paz e uma alegria mais fortes que qualquer dúvida.

Tomé, depois de ter visto as chagas do Senhor, exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!” Queria chamar a atenção para esse pronome que Tomé repete: meu. Trata-se de um pronome possessivo e, se refletimos sobre isso, podia parecer fora do lugar referi-lo a Deus: como Deus pode ser meu? Como posso fazer que o Todo-poderoso seja meu? Na realidade, dizendo meu, não profanamos a Deus, mas honramos a sua misericórdia, pois foi Ele que quis “fazer-se nosso”. E, como numa história de amor, dizemos-Lhe: Fizestes-vos homem por mim, morrestes e ressuscitastes por mim e agora não sois somente Deus; sois o meu Deus, sois a minha vida. Em vós encontrei o amor que eu procurava e muito mais, como nunca teria imaginado.

Papa Francisco – 08 de abril de 2018

Hoje celebramos:
SãoTomé – Apóstolo
SãoLeão II – Papa
BeataMaria Ana Mogas Fontcuberta

 


03 de julho - São Raimundo Gayrard

Raimundo Gayrard nasceu em Tolouse, na França, por volta da metade do século XI. Segundo a tradição, São Raimundo foi colocado a serviço da igreja de São Saturnino, exercitando-se no ministério do canto. Não obstante seu serviço na igreja, ele permaneceu como simples leigo.

Basílica de São Saturnino
Narra-se que São Raimundo contraiu um matrimônio, mas sua esposa veio a falecer logo após as núpcias. Provando uma grande tristeza, ele tomou então a decisão de não mais se casar, dedicando sua vida ao total serviço do próximo, verdadeiro salvador de seus concidadãos, ele construiu duas pontes sobre os Hers, cujas frequentes inundações eram um obstáculo à passagem de homens e mercadorias.

Distribuiu seus bens entre os pobres e fundou um pequeno centro de caridade, voltado à hospedagem dos mais pobres. Sua obra mais importante foi a reconstrução da igreja de São Saturnino, pois tendo alguma competência na área da arquitetura, São Raimundo acabou assumindo a direção do canteiro de obras, dando um grande impulso à reconstrução da igreja.

A um certo ponto, sua vida foi inteiramente devotada à essa construção, a ponto de pedir aos cônegos de poder ser aceito entre eles. Ao final, os cônegos não só o aceitaram, como o elegeram superior do capítulo.

Infelizmente ele não pôde ver sua obra terminada, já que no dia 3 de julho de 1118, ele entregava sua alma para Deus. Após os funerais, ele foi sepultado no asilo que havia fundado. Logo, muitas notícias de milagres ocorridos junto ao seu túmulo começaram a se espalhar, de modo que grande número de peregrinos acorria a esse local em visitação devota. Em 1652, o Papa Inocêncio III reconheceu oficialmente seu culto de veneração.