terça-feira, 2 de junho de 2020

02 de junho - Santos Marcelino e Pedro


Os santos de hoje foram mártires por causa do amor a Jesus e pertenceram ao clero romano no século IV, quando era grande perseguição contra a Igreja de Cristo por parte do Imperador Diocleciano. Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que recolheu, ainda menino, a narração do carrasco dos santos Marcelino e Pedro. O algoz referiu que havia disposto a decapitação dos dois no centro de um bosque justamente para não ficar nenhuma lembrança: ambos tiveram de limpar com as próprias mãos a pequena superfície que ia banhar-se de sangue.

Foi assim que tudo passou:

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.

Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também.
Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.

Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.

Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

02 de junho - Beato Joseph Thao Tiên

Beato Joseph Thao Tiên
Beato Joseph Thao Tiên 

Joseph Thao Tiên nasceu em 5 de dezembro de 1918 em Ban Ten, na província de Houa Phanh, no Laos. Seu pai e seu avô eram cristãos notáveis. Aos onze anos, ingressou na escola de catequistas de montanha em Hữu Lễ, na província de Thanh Hóa, no Vietnã: naquela época, de fato, sua província de origem pertencia ao vicariato apostólico de Phát Diệm e, a partir de 1932, mudou para Thanh Hóa's.

Aluno diligente, foi admitido em 1937 na seção que servia como seminário menor, onde estudou latim e francês. Durante as férias e durante o estágio pastoral, sua vocação emergiu fortalecida: ele se aproximou das pessoas mais humildes e, como catequista talentoso e zeloso, foi apreciado pelos missionários e amado por todos.

De 1942 a 1946, ele estudou no seminário maior de Hanói, o único dos jovens das aldeias das montanhas. Focado nas orações e estudos, prestou pouca atenção à agitação política que, no Natal de 1946, levou ao fechamento do seminário e à dispersão dos estudantes. Ele voltou a Laos a pé, mas o conflito se espalhou por lá também. Portanto, ele continuou seus estudos em Saigon e foi ordenado sacerdote em 6 de junho de 1949.

Em 1 de outubro de 1949, ele pôde retornar à sua terra natal, na missão Sam Neua, mas já a partir do mês seguinte ali se tornou uma zona de guerrilha. De acordo com seus superiores, ele decidiu ficar. Aproveitando um período de paz, ele reorganizou as escolas de Muang Sôi, mas nunca deixou de ser pastor. O povo se reunia para ouvi-lo e admirar como, apesar da situação precária, ele conseguia ser amigo dos pobres.

No Natal de 1952, os guerrilheiros foram vencidos pelos militantes comunistas de Pathet Lao. O pessoal da missão foi evacuado, mas Padre Joseph novamente decidiu ficar: “Permanecerei entre o meu povo. Estou pronto para dar a minha vida pelos meus irmãos e irmãs do Laos", disse ele.

Imediatamente após a Páscoa de 1954, ele foi capturado e condenado por um tribunal popular: seu destino era a prisão e um campo de reeducação. Para fazê-lo ceder à apostasia, ele foi isolado, mas também resistiu à proposta de salvar sua vida se tivesse abandonado o celibato sacerdotal. Dessa maneira, tornou-se um sinal de esperança para todos os seus companheiros de prisão.

Padre Joseph Tiên nunca vacilou, nem um pingo, em sua fidelidade à palavra dada e em sua identificação com Cristo Bom Pastor e com Cristo na cruz.  Ele estava ciente de se expor à morte e a uma morte brutal. No entanto, ele não podia esquecer sua obrigação como sacerdote, escolhido por Jesus para continuar sua missão: ele sabia e esperava que seu testemunho tivesse bons resultados. Além disso, a constância e a fidelidade de sua vida sacerdotal o haviam preparado para o sacrifício supremo. Padre Tiên foi o primeiro de uma longa série de padres martirizados que são modelos de vida e ministério.

Em 2 de junho de 1954, ele foi retirado do campo de Ban Ta Lang, amarrado e escoltado por quatro guardas: logo em seguida, ele foi baleado.

Como protomártir do Laos, ele foi escolhido para liderar uma lista de quinze mártires, entre sacerdotes diocesanos e missionários, e leigos. 

Joseph Thao Tiên e o grupo de 15 mártires do Laos foram beatificados em 11 de dezembro de 2016 em Vientiane, Laos, juntamente com o padre Mario Borzaga OMI e o catequista Paolo Thoj Xyooj.


02 de junho - Então Jesus disse: 'Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.' Mc 12,17

O tema enfrentado por Jesus na liturgia de hoje é o do tributo a César: uma questão “espinhosa”, a respeito da legalidade ou não de pagar o imposto ao imperador de Roma, a quem estava submetida a Palestina naquela época. Portanto, a pergunta que lhe foi dirigida: “É permitido ou não pagar o imposto a César?” constitui uma cilada para o Mestre. Com efeito, de acordo com a resposta que tivesse dado, seria acusado de ser a favor ou contra Roma.

Mas também neste caso, Jesus responde com calma e aproveita a pergunta maliciosa para dar um ensinamento importante, elevando-se acima da polêmica e das posições opostas. Diz aos fariseus: “Mostrai-me a moeda do tributo”. Eles mostram-lhe um denário e Jesus, observando a moeda, pergunta: “De quem é esta imagem e esta inscrição?” Os fariseus respondem: “De César”. Então Jesus conclui: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Por um lado, intimando que se restitua ao imperador aquilo que lhe pertence, Jesus declara que pagar o imposto não é um gesto de idolatria, mas um ato devido à autoridade terrena; por outro — e é aqui que Jesus dá o “golpe de asa” — evocando o primado de Deus, pede que se lhe dê aquilo que lhe pertence como Senhor da vida do homem e da história.

A referência à imagem de César, gravada na moeda, diz que é justo sentir-se a pleno título — com direitos e deveres — cidadãos do Estado; mas simbolicamente faz pensar na outra imagem que está gravada em cada homem: a imagem de Deus. Ele é o Senhor de tudo, e nós, que fomos criados “à sua imagem”, pertencemos sobretudo a Ele.

Da pergunta que lhe fazem os fariseus, Jesus extrai uma interrogação mais radical e vital para cada um de nós, uma pergunta que podemos fazer a nós mesmos: a quem pertenço?

À família, à cidade, aos amigos, à escola, ao trabalho, à política, ao Estado?

Sim, sem dúvida. Mas antes de tudo — recorda-nos Jesus — tu pertences a Deus.

Esta é a pertença fundamental. Foi Ele que te deu tudo aquilo que és e que tens. Por conseguinte, podemos e devemos levar a nossa vida, dia após dia, no reconhecimento desta nossa pertença fundamental e na gratidão do coração ao nosso Pai, que cria cada um de nós singularmente, irrepetível, mas sempre segundo a imagem do seu amado Filho Jesus. É um mistério maravilhoso!

Papa Francisco – 22 de outubro de 2017

Hoje celebramos:

 

 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

01 de junho - Bem-aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja


“A Mãe de Deus é o modelo e a figura da Igreja, na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava santo Ambrósio”. Lumen Gentium

Comecemos a partir do primeiro aspecto: Maria, como modelo de fé. Em que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: uma jovem judia que, com todo o seu coração, esperava a redenção do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo, que Ela mesma ainda não conhecia: no desígnio de amor de Deus, estava destinada a tornar-se a Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-lhe “cheia de graça”, revelando-se este desígnio. Maria responde “sim” e, a partir daquele momento, a fé de Maria recebe uma luz nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela recebeu a carne e em quem se realizam as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, pois nela está concentrado precisamente todo o caminho, toda a senda daquele povo que esperava a redenção, e neste sentido Ela é o modelo da fé da Igreja, que tem como fulcro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.

Como viveu Maria esta fé? Viveu-a na simplicidade dos numerosos trabalhos e preocupações de cada mãe, como prover a comida, a roupa, os afazeres de casa... Precisamente esta existência normal de Senhora foi o terreno onde se desenvolveram uma relação singular e um diálogo profundo entre Ela e Deus, entre Ela e o seu Filho. O “sim” de Maria, já perfeito desde o início, cresceu até à hora da Cruz. Ali a sua maternidade dilatou-se, abarcando cada um de nós, a nossa vida, para nos orientar rumo ao seu Filho. Maria viveu sempre imersa no mistério do Deus que se fez homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração, à luz do Espírito Santo, para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus.
Podemos interrogar-nos: deixamo-nos iluminar pela fé de Maria, que é nossa Mãe? Ou então pensamos que Ela está distante, que é demasiado diversa de nós? Nos momentos de dificuldade, de provação, de obscuridade, olhamos para Ela como modelo de confiança em Deus que deseja, sempre e somente, o nosso bem? Pensemos nisto, talvez nos faça bem voltar a encontrar Maria como modelo e figura da Igreja nesta fé que Ela tinha!

Venhamos ao segundo aspecto: Maria, modelo de caridade. De que modo Maria é para a Igreja exemplo vivo de amor? Pensemos na sua disponibilidade em relação à sua prima Isabel. Visitando-a, a Virgem Maria não lhe levou apenas uma ajuda material — também isto — mas levou-lhe Jesus, que já vivia no seu ventre. Levar Jesus àquela casa significava levar o júbilo, a alegria completa. Isabel e Zacarias estavam felizes com a gravidez, que parecia impossível na sua idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e que se manifesta na caridade gratuita, na partilha, no ajudar-se, no compreender-se.
Nossa Senhora quer trazer também a nós, a todos nós, a dádiva grandiosa que é Jesus; e com Ele traz-nos o seu amor, a sua paz e a sua alegria. Assim a Igreja é como Maria: a Igreja não é uma loja, nem uma agência humanitária; a Igreja não é uma ONG, mas é enviada a levar a todos Cristo e o seu Evangelho; ela não leva a si mesma — seja ela pequena, grande, forte, ou frágil, a Igreja leva Jesus e deve ser como Maria, quando foi visitar Isabel. O que lhe levava Maria? Jesus. A Igreja leva Jesus: este é o centro da Igreja, levar Jesus! Se, por hipótese, uma vez acontecesse que a Igreja não levasse Jesus, ela seria uma Igreja morta! A Igreja deve levar a caridade de Jesus, o amor de Jesus, a caridade de Jesus.

Falamos de Maria, de Jesus. E nós? Nós que somos a Igreja? Qual é o amor que levamos aos outros? É o amor de Jesus que compartilha, perdoa e acompanha, ou então é um amor diluído, como se dilui o vinho que parece água? É um amor forte ou frágil, a ponto de seguir as simpatias, procurar a retribuição, um amor interesseiro? Outra pergunta: Jesus gosta do amor interesseiro? Não, não gosta, porque o amor deve ser gratuito, como o seu. Como são as relações nas nossas paróquias, nas nossas comunidades? Tratamo-nos como irmãos e irmãs? Ou julgamo-nos, falamos mal uns dos outros, cuidamos cada um dos próprios «interesses», ou prestamos atenção uns dos outros? São perguntas de caridade!
E, brevemente, um último aspecto: Maria, modelo de união com Cristo. A vida da Virgem Santa foi a existência de uma mulher do seu povo: Maria rezava, trabalhava, ia à sinagoga... Mas cada gesto era realizado sempre em união perfeita com Jesus. Esta união alcança o seu apogeu no Calvário: aqui Maria une-se ao Filho no martírio do coração e na oferenda da sua vida ao Pai, para a salvação da humanidade. Nossa Senhora fez seu o sofrimento do Filho, aceitando com Ele a vontade do Pai naquela obediência fecunda, que confere a vitória genuína sobre o mal e a morte.

É muito bonita esta realidade que Maria nos ensina: estarmos sempre unidos a Jesus. Podemos perguntar: recordamo-nos de Jesus só quando algo não funciona e temos necessidades, ou a nossa relação é constante, uma amizade profunda, mesmo quando se trata de o seguir pelo caminho da cruz?
Peçamos ao Senhor que nos conceda a sua graça, a sua força, a fim de que na nossa vida e na existência de cada comunidade eclesial se reflita o modelo de Maria, Mãe da Igreja. Assim seja!

Papa Francisco – 23 de outubro de 2013



01 de junho - Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, este é o teu filho". Jo 19,26


Nos anos da minha juventude, tive receio que o culto a Maria, dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Sob a orientação sábia de São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado sobre a verdadeira devoção à Virgem Santíssima compreendi que, quando se vive o mistério de Maria em Cristo, esse risco não subsiste. O pensamento mariológico do Santo, de fato, está radicado no Mistério trinitário e na verdade da Encarnação do Verbo de Deus.

A Igreja, desde as suas origens, e sobretudo nos momentos mais difíceis, contemplou com particular intensidade um dos acontecimentos da Paixão de Jesus Cristo, referido a São João: "Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de Cleofas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali de pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: "Mulher, eis o teu filho!". Depois, disse ao discípulo: "Eis a tua mãe!". E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua".

Ao longo da sua história, o Povo de Deus experimentou esta doação feita por Jesus crucificado: a doação da sua Mãe. Maria Santíssima é verdadeiramente a nossa Mãe, que nos acompanha na nossa peregrinação de fé, esperança e caridade rumo à união cada vez mais intensa com Cristo, único salvador e mediador da salvação.

Como se sabe, no meu brasão episcopal, que é a ilustração simbólica do texto evangélico acima citado, o mote Totus tuus está inspirado na doutrina de São Luís Maria Grignion de Montfort. Estas duas palavras exprimem a pertença total a Jesus por meio de Maria: "Tuus totus ego sum, et omnia mea tua sunt", escreve São Luís Maria; e traduz: "Eu sou todo teu, e tudo o que é meu te pertence, meu amável Jesus, por meio de Maria, tua Santa Mãe"

Papa São João Paulo II – 08 de dezembro de 2003

Hoje celebramos: