sábado, 2 de novembro de 2019

02 de novembro - E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Jo 6,39


Hoje comemoramos todos os fiéis defuntos, que "nos precederam com o sinal da fé e dormem o sono da paz".

É muito importante que nós cristãos vivamos a relação com os defuntos na verdade da fé, e olhemos para a morte e para o além à luz da Revelação. Já o apóstolo Paulo, escrevendo às primeiras comunidades, exortava os fiéis a "não estar tristes como os outros que não têm esperança". É necessário também hoje evangelizar a realidade da morte e da vida eterna, realidades particularmente sujeitas a crenças supersticiosas e a sincretismos, para que a verdade cristã não corra o risco de se misturar com mitologias de vários tipos.

A fé cristã é também para os homens de hoje uma esperança que transforma e ampara a sua vida?
E mais radicalmente:  os homens e as mulheres desta nossa época ainda desejam a vida eterna? Ou tornou-se, porventura, a existência terrena o seu único horizonte?

Todos queremos a "vida bem-aventurada", a felicidade, queremos ser felizes. Não sabemos bem o que seja e como seja, mas sentimo-nos atraídos por ela. Esta é uma esperança universal, comum aos homens de todos os tempos e lugares. Vida Eterna  é a plenitude de vida e de alegria:  é isto que esperamos e aguardamos do nosso ser com Cristo.

Renovamos hoje a esperança da vida eterna fundada realmente na morte e ressurreição de Cristo. "Ressuscitei e agora estou sempre contigo", diz o Senhor.

Mas a esperança cristã não é apenas individual, é sempre também esperança para os outros.
Assim a oração de uma alma peregrina no mundo pode ajudar outra alma que se está a purificar depois da morte. Eis por que hoje a Igreja nos convida a rezar pelos nossos queridos defuntos e a visitar os seus túmulos nos cemitérios. Maria, estrela da esperança, torne mais forte e autêntica a nossa fé na vida eterna e ampare a nossa oração de sufrágio pelos irmãos defuntos.

02 de novembro - Fiéis Defuntos


Hoje, Dia dos Fiéis Defuntos, recordemos a importância da oração, da penitência e das obras de misericórdia. A Indulgência Plenária para os entes queridos é uma ação de "valor infinito” que podemos buscar nesses dias.

O que é Indulgência Plenária:
O Catecismo da Igreja Católica explica que a indulgência "é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos".
As indulgências, que podem ser parciais ou plenárias, podem ser lucradas para si mesmos ou pela alma de um falecido. Não se pode lucrar por outra pessoa viva.

Um pedacinho de divino enxertado na terra. No fundo, basta pouco para escancarar o tesouro dos “bens espirituais e sobrenaturais” que constituem a riqueza da vida cristã.

A chave para obter a Indulgência Plenária é um gesto de humildade, simples e poderoso como o colocar-se de joelhos e:
- Reconciliar-se com Deus através do Sacramento da Confissão,
- Participar da Missa e receber a Comunhão,
- Professar o Credo,
- Rezar segundo as intenções do Papa.

Como todo ato que incide na esfera religiosa, as ações que a Igreja convida a realizar nestes dias permitem “robustecer a fé”.
A Indulgência plenária é em particular um dom a ser oferecido “com grande generosidade”, aos entes queridos, aos irmãos que, ultrapassando o limiar do tempo, nada mais podem para si mesmos, mas muito ainda podem receber da nossa caridade. Desse modo, nossa relação de amor com eles continua e se reforça”.

Nestes dias, no confessionário, quantas ocasiões de consolação, de encorajamento, quantas lágrimas podem ser enxugadas.

Corramos ao confessionário!

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

01 de novembro - A Lei permite curar em dia de sábado, ou não? Lc 14,3


Um sábado Jesus estava em casa de um dos chefes fariseus para almoçar; e eles observavam-no para ver o que fazia. Sobretudo, procuravam surpreendê-lo em erro, até armando-lhe ciladas.

Mas eis que entra em cena um doente. A este ponto Jesus dirige aos fariseus uma pergunta: É lícito ou não curar ao sábado? É lícito praticar o bem ao sábado? Ou não? E não praticar o bem sempre é praticar o mal? É uma pergunta simples, mas, como todos os hipócritas, eles calaram-se. De resto, nunca respondiam quando Jesus os punha diante da verdade, permaneciam de boca fechada, mas depois falavam mal pelas costas e procuravam pôr Jesus em dificuldade.

Na prática, estas pessoas eram tão apegadas à lei que tinham esquecido a justiça e o amor. Este modo de viver afastava-os do amor e da justiça. Mas eram os modelos. Para esta gente Jesus tem uma só palavra: hipócritas! Com efeito, não se pode ir por todo o mundo procurando prosélitos e depois fechar a porta. Para o Senhor, eram homens que fechavam sempre as portas da esperança, do amor, da salvação.

A este ponto devemos perguntar: qual é o caminho para ser fiéis à lei sem descuidar a justiça e o amor?
Eis os dois caminhos que temos diante de nós. O primeiro é o de quem diz: Sou apegado à letra da lei; não se pode curar ao sábado; não posso ajudar; tenho que ir para casa e não posso ajudar este doente. O segundo é o de quem se compromete a fazer de modo que, como escreve são Paulo, a vossa caridade cresça cada vez mais em sabedoria e em pleno discernimento: este é o caminho da caridade, do amor à verdadeira justiça que a lei contém.
Papa Francisco – 31 de outubro de 2014

Hoje celebramos:

01 de novembro - Olhe para o Céu!


A Solenidade de Todos os Santos é uma ocasião propícia para elevar o olhar das realidades terrenas, cadenciadas pelo tempo, para a dimensão de Deus, a dimensão da eternidade e da santidade. A Liturgia de hoje nos recorda que a santidade é a vocação originária de cada batizado.

Cristo, com efeito, que com o Pai e com o Espírito é o único Santo, amou a Igreja como sua esposa e entregou-se por ela, com a finalidade de a santificar. Por este motivo, todos os membros do Povo de Deus são chamados a tornar-se santos, segundo a afirmação do apóstolo Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (ITs 4, 3).

Portanto, somos convidados a olhar para a Igreja não no seu aspecto apenas temporal e humano, marcado pela fragilidade, mas como Cristo a quis, ou seja, comunhão dos santos.

No Credo professamos a Igreja santa, santa porque é o Corpo de Cristo, é instrumento de participação nos santos Mistérios — em primeiro lugar, a Eucaristia — e família dos Santos, a cuja salvaguarda somos confiados no dia do Batismo.
Hoje veneramos precisamente esta inumerável comunidade de Todos os Santos que, através dos seus diferentes percursos de vida, nos indicam vários caminhos de santidade, associados por um único denominador comum: seguir Cristo e conformar-se com Ele, fim último da nossa vicissitude humana. Com efeito, todas as condições de vida podem tornar-se, mediante a obra da graça e com o compromisso e a perseverança de cada um, caminhos de santificação.

Papa Bento XVI – 01 de novembro de 2011


Como dizia São João Paulo II, estes dias ‘nos convidam a dirigir o olhar ao Céu, destino da nossa peregrinação terrena. Lá nos espera a festiva comunidade dos Santos. Lá nos reencontraremos com os nossos queridos defuntos’, pelos quais agora se eleva a nossa oração. Vivemos o mistério da comunhão dos santos com a esperança que brota da ressureição do Senhor, nosso Jesus Cristo.

Papa Francisco – 30 de outubro de 2019

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Mês Missionário Extraordinário: 31 de outubro - Wanda Maria Błeńska


Wanda Maria Błeńska nasceu a 30 de outubro de 1911 em Poznan (Polônia), e em 9 de dezembro do mesmo ano foi batizada. Em virtude da doença que atingiu a sua mãe, a família mudou-se para Puszczykowo, mas seu estado de saúde não melhorou.
Contando apenas quinze meses, a pequena Wanda ficou órfã de mãe. Em 1920, com o seu pai e o seu irmão Roman, mudou-se de novo, desta vez para Torun. Aí, fez a Primeira Comunhão e frequentou a escola média feminina estatal. Em 1928, passou no exame de maturidade e recebeu o diploma do ensino secundário.
Em seguida deu o primeiro passo para realizar o seu sonho, regressando a Poznan para estudar na Faculdade de Medicina. Embora ainda tivesse de esperar muitos anos para partir em missão, enquanto estudava envolveu-se muito no ambiente missionário, tanto em Poznan como a nível nacional.

Inicialmente fazia parte da Secção Missionária do movimento de Sodalicja Marianska, depois teve a ideia de fundar um Círculo Acadêmico Missionário.

Durante vários anos participou nos congressos missionários nacionais e internacionais. Em 1931, tornou-se membro do conselho de administração do grupo missionário de Poznan.
Em 1932, Wanda recebeu, do Papa Pio XI, o diploma para difundir a Pontifícia Obra da Propagação da Fé. Wanda licenciou-se em Medicina a 20 de junho de 1934. Depois de ter terminado os estudos, começou a trabalhar, primeiro no hospital municipal, depois, até ao fim da guerra, no Instituto Nacional da Higiene. Em 1942, incorporou-se nas fileiras da organização militar secreta Gryf Pomorski, que mais tarde passaria a integrar a Armia Krajowa (o Exército Nacional, principal movimento de resistência da Polônia ocupada; em 1978, Wanda receberia a condecoração da Cruz de Armia Krajowa).

A 23 de junho de 1944, dia do seu onomástico, Wanda foi presa pela sua atividade conspiratória. Na prisão foi condenada à morte, mas, ao fim de dois meses de prisão, viria a ser libertada. Depois da guerra, Błeńska assumiu a direção de um dos hospitais de Torun e trabalhou no Departamento de Higiene de Danzig. Em 1946, decidiu ir visitar o seu irmão Roman, moribundo, que estava na Alemanha. Não tendo recebido o seu passaporte, tomou um navio para Lubeque, onde, depois de ter viajado escondida no depósito de carvão, se encontrou com o seu irmão. Após a morte de Roman, já não conseguiu regressar à Polônia. Ficou na Alemanha, onde trabalhou em hospitais militares polacos.

Em 1947 frequentou o curso de Medicina Tropical, em Hamburgo, quando conheceu um missionário da Congregação dos Padres Brancos, que lhe falou dos seus planos de construção de um leprosário em Fort Portal, no Uganda.

Em 1950, a Dra. Błeńska foi convidada pelo bispo local para trabalhar no Uganda e, em março desse mesmo ano, deu início ao seu serviço no hospital de Fort Portal. Infelizmente, porém, o leprosário nunca viria a ser construído. Os hospitais de Nyenga e Buluba, construídos nos anos trinta pela Madre Kevin, representavam, no Uganda, os primeiros centros de tratamento da lepra. Durante anos trabalharam aí apenas enfermeiros e técnicos de laboratório. Faltavam os médicos. A 24 de abril de 1951, Błeńska chegou a Buluba, junto ao lago Vitória, e começou a trabalhar no hospital de São Francisco, onde permaneceria por mais quarenta anos como médica e missionária leiga.

Chamavam-lhe a «Mãe dos Leprosos». Graças ao seu trabalho, ajudou a superar o estigma social em relação aos leprosos e empreendeu muitas ações destinadas a recuperar a sua dignidade. Examinava-os sem luvas, não querendo que se sentissem discriminados, calçando-as apenas quando alguma ferida estava aberta ou quando operava.
Passados anos, contaria: Antes de mais, queria fazer com que os meus pacientes se habituassem à sua doença e se familiarizassem com ela, para reduzir o seu medo. Tal como acontece com qualquer outra doença, também com a lepra os pacientes precisam de se familiarizar. Estes doentes são pobres. Há sempre muita gente que os faz aperceber-se do seu medo. Por vezes cria-se um ambiente de medo, porque o medo difunde-se, é contagioso. Eu dizia sempre a todos: “Olhem para mim, porventura os meus dedos têm chagas?” Sempre mantive os habituais princípios higiênicos: depois de ter examinado um paciente, lavava as mãos. Contudo, lavava-as não só depois de examinar alguém com lepra, mas depois de cada paciente... a fim de que todos pudessem ver que esse gesto faz parte dos hábitos de qualquer médico.

Wanda Błeńska regressou à Polônia em 1992, mas durante mais dois anos ainda viajou entre as suas duas pátrias (Polônia e Uganda). Estabeleceu-se definitivamente em Poznan no ano de 1994. Foi ao Uganda pela última vez em 2006.

Apesar da sua idade avançada, participou na vida missionária da Igreja até ao fim da sua vida. Até aos noventa e três anos ensinou no Centro de Formação Missionária de Varsóvia.

Quando falo com os jovens, digo sempre: “Se tens alguma ideia boa e luminosa, cultiva-a! Não a deixes adormecer, não a rejeites! Mesmo que pareça impossível de alcançar e demasiado difícil, não desanimes. Deves cultivar os teus sonhos!”

Wanda Błeńska morreu em Poznan a 27 de novembro de 2014, com cento e três anos de idade. Atualmente, a arquidiocese de Poznan está recolhendo todo o material relativo à vida e à santidade da Dra. Wanda Błeńska para dar início ao seu processo de beatificação.