sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Mês Missionário Extraordinário: 04 de outubro - Ai de ti, Cafarnaum! Serás elevada até o céu? Lc 10,15


Para uma compreensão mais profunda da missão à qual todos os cristãos são chamados, é útil partir das palavras de Jesus. O discurso com que Jesus acompanha o envio em missão dos discípulos é completado por uma severa admoestação contra as povoações de Corazim e de Cafarnaum, na Galileia.
As povoações da Palestina mencionadas tinham assistido aos milagres com que Jesus acompanhara o seu anúncio do Reino de Deus; em Cafarnaum tinham-se manifestado os primeiros sinais de rejeição do anúncio de Jesus, mas ali Jesus também tinha manifestado o poder do “Reino de Deus” e tinha-se tornado patente a fé de um centurião do exército romano, pagão, mas simpatizante do Judaísmo; de Betsaida provinha Filipe, um dos Doze.

A severa admoestação dirigida por Jesus às povoações da Palestina que tinham sido diretamente beneficiados por Ele e nos quais Ele próprio tinha, inclusive, encontrado respostas de fé surpreendentes, nunca foi uma condenação definitiva e irreversível. No fim do seu discurso aos discípulos enviados em missão, Jesus sublinha a importância da própria missão de evangelização.
Evangelizar e ser evangelizados implica responsabilidades inevitáveis frente ao juízo divino, que na realidade não é antecipado numa condenação precipitada sem possibilidades de recurso, mas que é apresentado como ponto de referência supremo, relativo ao fim dos tempos.
Antes disso, a porta do arrependimento e da conversão sempre esteve aberta, inclusive mediante os misteriosos caminhos da providência e da misericórdia divinas. Jesus identifica-Se com aqueles que enviou e fala explicitamente do risco, nesses casos, de rejeitar o próprio Deus, qualquer que seja o motivo ou a fé religiosa que possa levar alguém a rejeitar a evangelização levada a cabo pelos discípulos de Jesus.

Hoje celebramos:

Mês Missionário Extraordinário: 04 de outubro - São Francisco de Assis

Em 1206, Francisco Bernardone, filho de um rico mercador de Assis, iniciou o seu caminho de profunda conversão e mudou radicalmente o seu estilo de vida. De rapaz despreocupado e vaidoso, enveredou por uma sincera e apaixonada busca de Deus. Cerca de dois anos mais tarde, na sua igrejinha predileta de Santa Maria dos Anjos, ficou profundamente impressionado ao escutar a passagem do Evangelho sobre o envio dos discípulos de Jesus. Quando ouviu que os apóstolos não deviam possuir ouro, nem prata, nem dinheiro, mas apenas pregar o Reino de Deus e a penitência, exclamou, cheio de alegria: “É isto que eu quero, é isto que eu peço, é isto que anseio fazer de todo o coração”. O Evangelho indicou-lhe o caminho, impelindo-o para a missão.

O anúncio do Evangelho era uma consequência natural da total adesão de Francisco a Jesus Cristo. O critério cristológico foi decisivo para o Poverello nos momentos de dúvida e de perplexidade. A sequela Christi implicava não só a pobreza, a itinerância e a fraternidade, mas também o empenho missionário. Francisco desejava ardentemente dedicar-se ao trabalho apostólico até ao sacrifício de si próprio, à maneira de Jesus. O anseio de chegar à conformidade com o Senhor suscitou nele a ideia de levar a Boa Nova aos infiéis.

A novidade do plano missionário concebido por Francisco manifesta-se no título do capítulo XVI da Regola non bollata: “Daqueles que se dirigem aos sarracenos e a outros infiéis”. Com efeito, enquanto naquela época os cruzados investiam “contra” (contra) os muçulmanos, o Poverello envia os seus frades não só “a” (ad) eles, mas envia-os até “entre” (inter), para o meio deles.

Seguidamente, Francisco apresentou duas modalidades de comportamento dos missionários no território muçulmano:
Um modo é que não provoquem litígios ou disputas, mas que se submetam a toda a criatura humana por amor a Deus e confessem que são cristãos. O outro modo é que, quando virem que isso agrada ao Senhor, anunciem a palavra de Deus para que eles creiam em Deus omnipotente, Pai e Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas, e no seu Filho Redentor e Salvador, sejam batizados e se façam cristãos. (Regra non Bollata cap. XVI, 7-10: FF 43)

Nesta passagem vê-se uma nova e original estratégia missionária de Francisco. Em primeiro lugar, destaca-se o testemunho da vida animada pelo amor de Deus. A própria presença deve ser significativa e eloquente. O exemplo de fraternidade constitui o método mais eficaz e credível da evangelização. Os frades devem renunciar, portanto, a toda a pretensão de superioridade e de domínio, respeitar os diversos costumes e inserir-se, como cristãos, no contexto local. Mediante a prática das virtudes cristãs, as testemunhas silenciosas do Evangelho são chamadas a confessar com coragem e humildade a sua fé. A segunda atitude é o anúncio explícito da palavra de Deus, que só poderá ocorrer depois de uma ponderada avaliação das circunstâncias e após uma paciente espera do momento oportuno. O missionário não poderá, então, apropriar-se da Palavra, não poderá ser o usurpador impetuoso da Boa Nova, mas deverá mergulhar na escuta de Deus e perceber a sua vontade.

A ideia da missão está presente na vida de Francisco desde o início da sua conversão. Deriva do desejo de viver o Evangelho e de seguir as pegadas do Divino Mestre. A invenção do presépio para o Natal de 1223, em Greccio, e o dom dos estigmas, manifestam a sua profunda identificação espiritual e corporal com Jesus Cristo, fonte e razão da sua fé e da sua missão. Doente e debilitado pela sua vida de privações, extinguiu-se em Assis, na tarde do dia 3 de outubro de 1226.

A Igreja celebra sua memória no dia 04 de outubro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Mês Missionário Extraordinário: 03 de outubro - O Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. Lc 10,1

O chamado feito por Jesus aos setenta e dois discípulos, representando cada grupo de seis uma das doze tribos do Israel de Deus, tem lugar depois do chamamento dos Doze. Ambas as missões queridas por Jesus são subsidiárias e preparatórias da sua passagem pessoal. A preparação para a missão consiste na pertença à comunidade dos discípulos de Jesus no sentido mais lato do termo, inclusive entre os não-judeus; é a própria pessoa de Jesus que surge como Palavra de Deus.

Na comunidade original dos seus discípulos, o próprio Jesus começa a explicar as Escrituras como um evangelho, visto ser essencial a função de uma leitura das Escrituras, explicada e entendida, na comunidade dos discípulos de Cristo.

Ao confiar aos discípulos a missão de anunciar o Reino de Deus, Jesus também ensina as modalidades da própria missão: a valorização da hospitalidade, mas também a urgência e a prioridade absoluta da missão em relação à cultura da época. É um anúncio de paz, reforçado por gestos a favor tanto dos evangelizadores como dos evangelizados e que tem por objeto a proximidade do Reino de Deus: a chegada do Senhor Jesus e a sua passagem.

Foi assim, então, no mundo da Palestina, e é sempre assim em qualquer parte do mundo e em qualquer época. As instruções de Jesus sobre as atitudes dos discípulos em caso de recusa de hospitalidade ou de rejeição do anúncio do Reino de Deus estão marcadas pela prioridade da missão. Jesus pretende tranquilizar os seus missionários sobre o fato de que a rejeição que possam sofrer já não lhes diz respeito, está completamente nas mãos do Senhor. Até a rejeição e a perseguição de Jesus e por Jesus podem tornar-se oportunidades de configuração dos discípulos missionários com a Páscoa do seu Mestre.

Aos discípulos missionários é pedido que ardam com a mesma paixão e com o mesmo amor pelo mundo, a fim de que todos sejam salvos, partindo em busca dos homens e das mulheres de cada geração, de cada lugar e cidade, para que a ninguém falte quem lhe anuncie o evangelho da salvação.

Hoje celebramos:


Mês Missionário Extraordinário: 03 de outubro - Beato Paulo Manna


“No padre Paulo Manna, apreendemos um reflexo especial da glória de Deus. Gastou toda a sua existência pela causa missionária. De todas as páginas dos seus escritos emerge, viva, a pessoa de Jesus, centro da vida e razão de ser da missão.” Estas palavras de São João Paulo II (Homilia da beatificação de Paulo Manna, 4 de novembro de 2001) reproduzem, sinteticamente, a fisionomia espiritual deste grande apóstolo da evangelização ad gentes, considerado pelos estudiosos, precursor do Concílio Vaticano II.

Paulo António Manna nasceu em Avellino, a 16 de janeiro de 1872, sendo o quinto de seis filhos. Após os estudos elementares e técnicos em Avellino e Nápoles, prosseguiu os seus estudos em Roma. Enquanto tirava o curso de Filosofia na Universidade Gregoriana, sentiu a chamada do Senhor para a vida missionária e entrou no seminário do Instituto para as Missões Estrangeiras em Milão, a fim de estudar Teologia. Foi ordenado sacerdote a 19 de maio de 1894, na catedral de Milão. Destinado pelos superiores à Birmânia (hoje Myanmar), partiu a 27 de setembro de 1895 para a missão de Toungoo.

Embora condicionado por uma saúde precária, dedicou-se com incansável solicitude à evangelização e à promoção humana dos Carianos (em particular dos Ghekhù, sobre os quais escreveria mais tarde uma apreciada monografia). Os esforços das viagens, as febres maláricas e uma tuberculose incipiente forçaram-no à repatriação definitiva a 7 de julho de 1907.

Na Itália, o padre Paulo lançou-se de cabeça numa atividade intensa e diversificada de animação missionária, pondo a render os seus dotes de observador perspicaz da realidade eclesial a nível global, de conferencista, publicista e culto escritor. “Toda a Igreja para todo o mundo” viria a tornar-se no seu lema.
“Alma de fogo”, transferiu para os seus livros a sua ardente visão de fé sobre os múltiplos e complexos problemas da missão ad gentes. Desenvolveu, nesse sentido, uma análise audaz e penetrante, com intuições muitas vezes consideradas “proféticas” pelos especialistas.

Estava profundamente convencido do papel fundamental da oração na vida do missionário.
“Sede homens de vida interior, homens de oração. [...] É importante saber pregar, mas é muito mais importante saber rezar. O missionário que domina bem a língua e que sabe pregar, mas que reza pouco, exporá na perfeição a verdade da nossa santa religião, mas deixará as almas frias. O missionário que tem muita intimidade com Deus na oração, mesmo que não seja feliz na sua exposição, terá sempre o dom de instilar o espírito de Jesus Cristo nas almas, que, aliás, é aquilo que a pregação deve conseguir, em primeiro lugar. O primeiro ensinará Jesus Cristo, o outro torná-lo-á visível. Entendeis a diferença?”
“Se aquele que ensina não é homem de vida interior, a sua língua dirá coisas vazias” (São Gregório).

O padre Paulo Manna morreu em Nápoles, a 15 de setembro de 1952. Os seus restos mortais repousam em Ducenta. Foi beatificado por João Paulo II, a 4 de novembro de 2001.
A Igreja celebra sua memória no dia 15 de setembro.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Mês Missionário Extraordinário: 02 de outubro - “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Mt 18,1

O episódio evangélico, com as palavras de Jesus relativas à necessidade de conversão dos discípulos, tornando-se como crianças, ilumina a profundidade da obra de conversão necessária dentro da própria Igreja para se poder desempenhar a missão a que se é chamada.
A missão pode ser contaminada a partir de dentro da comunidade dos discípulos de Jesus pelas tentações do orgulho, de serem os melhores e do poder, mesmo que esteja envolta numa linguagem religiosa.

Contra a contaminação fatal de qualquer missão, Jesus contrapõe um gesto significativo e um empenho vital: fazerem-se pequenos como as crianças. Quem quer que se sinta chamado a desempenhar uma missão, tanto dentro como fora da Igreja, precisa de passar por uma conversão muito séria: tornar-se como uma criança.

Cada um de nós já foi criança e nunca mais o voltará a ser em sentido puramente humano. Assim, cada discípulo de Jesus, que sente um chamado para determinada missão, deve ter fé em Deus, confiar n’Ele e abandonar-se apenas a Ele. O discípulo missionário deve ter a mesma confiança descomedida que as crianças têm nos seus pais, certas do seu amor e proteção e, portanto, confiantes no presente que, para eles, já é início do futuro.

Trata-se da mesma experiência que Jesus tem como Filho do seu Pai: plenamente consciente da realidade, completamente confiante e disponível para Se abandonar a Ele. Só assim, na total conformação com o próprio Jesus, o discípulo pode avançar para a missão à qual se sente chamado. O cristão que realmente se tornou criança, no sentido entendido por Jesus, aprende com a vida que a fecundidade da sua missão está nas mãos d’Aquele que ressuscitou Cristo da morte e que o envia.
Ai daquela comunidade cristã que considerasse insignificante esta fé, desprezando-a ou tornando-a objeto de compaixão: Cuidado em não desprezar nenhum destes pequeninos, pois Eu digo-vos: os seus anjos, no Céu, estão sempre na presença do meu Pai que está no Céu.
O tornar-se criança oferece ao discípulo missionário a forma da sua relação com Jesus, seu Mestre e Senhor. N’Ele descobre a sua vocação filial, de filho do Pai, e a sua livre obediência, fruto de uma pertença na fé e na missão. Filho no Filho, cada discípulo é missionário porque é enviado a anunciar, sustentado e acompanhado pelos anjos, mensageiros divinos que o mantêm aberto à contemplação, fundamento da sua missão, e aos desafios do mundo, que representam o lugar da sua conversão e do seu testemunho. Como o anjo da guarda ao qual cada um de nós é confiado, o discípulo-criança nunca deixa de contemplar, em Jesus, o rosto do Pai, para descobrir sempre e em cada um o rosto do irmão, a existência da irmã, a amar e salvar.

Hoje celebramos: