sexta-feira, 2 de agosto de 2019

02 de agosto - Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família! Mt 13,57


Gostaria de falar brevemente sobre o trecho evangélico que nos diz que nenhum profeta é bem aceito pelo seu povo, que o viu crescer. Com efeito, depois de Jesus, com quase trinta anos, ter deixado Nazaré e já há algum tempo pregava e fazia curas noutras partes, regressou uma vez à sua terra e pôs-se a ensinar na sinagoga. Os seus concidadãos ficaram admirados pela sua sabedoria e, conhecendo-o como o filho de Maria, o carpinteiro que viveu no meio deles, em vez de o receber com fé ficaram escandalizados com Ele. Este fato é compreensível, porque a familiaridade a nível humano torna difícil ir além e abrir-se à dimensão divina. Eles têm dificuldade de acreditar que este Filho de um carpinteiro seja Filho de Deus. O próprio Jesus dá como exemplo a experiência dos profetas de Israel, que precisamente na sua pátria tinham sido objeto de desprezo, e identifica-se com eles. Devido a este fechamento espiritual, Jesus não pôde realizar em Nazaré milagre algum. Apenas curou alguns enfermos, impondo-lhes as mãos. Com efeito, os milagres de Cristo não são uma exibição de poder, mas sinais de amor de Deus, que se realiza onde encontra a fé do homem na reciprocidade. Escreve Orígenes: Do mesmo modo que para os corpos existe uma atração natural da parte de uns para com os outros, como o ferro atrai o ímã... também tal fé exerce uma atração sobre o poder divino.

Portanto, parece que Jesus se resigna — como se diz — ao mau acolhimento que encontra em Nazaré. Ao contrário, no final da narração encontramos uma observação que diz precisamente o contrário. Escreve o Evangelista que Jesus se admira com a incredulidade deles. À admiração dos cidadãos, que se escandalizam, corresponde a maravilha de Jesus. Também Ele, num certo sentido, se escandaliza! Não obstante saiba que profeta algum é bem aceite na pátria, todavia o fechamento do coração do seu povo permanece para Ele obscuro, impenetrável: como é possível que não reconheçam a luz da Verdade? Por que não se abrem à bondade de Deus, que quis partilhar a nossa humanidade? Com efeito, o homem Jesus de Nazaré é a transparência de Deus, n’Ele Deus habita plenamente. E enquanto nós procuramos sempre outros sinais, outros prodígios, não nos apercebemos de que o verdadeiro Sinal é Ele, Deus feito carne, é Ele o maior milagre do universo: todo o amor de Deus contido num coração humano, num rosto de homem.

Aquela que compreendeu deveras esta realidade foi a Virgem Maria, bem-aventurada porque acreditou. Maria não se escandalizou com o seu Filho: a sua admiração por Ele é cheia de fé, de amor e de alegria, ao vê-lo tão humano e ao mesmo tempo tão divino.

Papa Bento XVI – 08 de julho de 2012

Hoje celebramos:

02 de agosto - Beato Zeferino Gimenez Malla


Zeferino Gimenez Malla nasceu no dia 26 de agosto de 1861, na região da Catalunha, Espanha. Era filho de ciganos que viviam naquela região. Entre os ciganos era conhecido pelo apelido de "El Pelé". Sua família era pobre e ficou mais pobre ainda quando seu pai a deixou para se unir a outra mulher. Por causa desse abandono do pai, Zeferino precisou confeccionar e vender cestas de vime para ajudar no sustento da casa e não teve condições de à escola.
Ao completar vinte anos, Zeferino mudou-se para Barbastro. Lá, casou-se com uma jovem chamada Teresa Gimenez Castro, seguindo a tradição cigana, sem recorrer a um rito religioso. Com o passar do tempo, viram que não poderiam ter filhos. Por isso, adotaram uma menina chamada Pepita, sobrinha de Teresa. Educaram-na no amor e na fé cristã.

Analfabeto e sem profissão fixa, Zeferino tinha talento para lidar com cavalos e mulas e ganhava a vida fazendo isso. Porém, a caridade de seu coração abriria para ele uma porta de prosperidade. Numa estrada que chegava em Barbastro, havia um homem tuberculoso, tossindo sangue e sofrimento. O homem agonizava na estrada e todos recusavam-se a ajudá-lo por medo da terrível e contagiosa tuberculose. Zeferino, porém, ao vê-lo, teve compaixão e, sem medo, levou para sua casa. Lá, cuidou do desconhecido como se este fosse o próprio Cristo. Quando o homem melhorou de saúde, revelou sua identidade: era um milionário, dos mais poderosos da região.

O respeito e a caridade cristã demonstrados por Zeferino tocaram profundamente o coração daquele homem. Por isso, tendo seu coração transformado pela caridade de um cigano, ele fez questão de recompensar Zeferino, dando a ele uma valiosa gratificação em dinheiro. Com o montante, Zeferino iniciou um negócio pequeno. Rapidamente, porém, o negócio prosperou e ele se tornou um comerciante autônomo seguindo sua tradição cigana.

Algum tempo depois, por causa de sua habilidade nos negócios, Zeferino estava rico. Porém, mesmo rico, nunca deixou de praticar a caridade para com os necessitados. Seguindo a origem nômade dos ciganos, iniciou a pregar o Evangelho nas estradas e aldeias, especialmente entre os ciganos, sem fazer distinção. Nunca deixava de socorrer os que precisavam. Socorria os ciganos em necessidade, mas não só. Estava sempre disposto a socorrer e atender a todos, independentemente de raça, cor, credo ou condição. Levava sempre consigo o Santo Rosário. Rezava-o constantemente e ensinava os outros a rezá-lo.
O Bem-aventurado Zeferino era um grande devoto de Nossa Senhora. Além disso, tinha uma vida eucarística profunda, com missas e comunhão diárias. Em 1912 ele oficializou seu casamento religioso. Então, passou a frequentar reuniões da Ordem Terceira de São Francisco, especialmente a "Quarta-feira eucarística". Daí nasceu uma profunda amizade com os franciscanos. Estes testemunhavam que Zeferino era um cigano alegre, comunicativo, caridoso, modelo de santidade e virtude.

Com o objetivo de dar mais eficiência e organização à caridade que brotava de seu coração, Zeferino tornou-se confrade da Sociedade São Vicente de Paulo. De fato, ele viu que esta maravilhosa sociedade, sem alardes, dá uma enorme eficiência à caridade para com os pobres.
Além de Vicentino, Zeferino passou a dar encontros de catequese às crianças ciganas e não-ciganas. As crianças amavam seus ensinamentos, pois ele conhecia passagens da Bíblia de cor e as contava com inspiração e amor, arrebatando os pequenos corações. Nessas catequeses Zeferino plantou a semente do Reino dos Céus em centenas de crianças, na esperança de que elas se tornassem adultos cristãos, honestos e caridosos.

No ano 1936, a guerra civil espanhola se alastrou. Em 2 de agosto Zeferino foi preso quando tentou libertar um sacerdote que tinha sido preso por um grupo de anarquistas. Na ocasião, Zeferino tinha setenta e cinco anos. Ele foi preso e condenado ao fuzilamento. Porém, sob a mira dos fuzis, ergueu a cabeça, ergueu o rosário que sempre trazia consigo e gritou com voz forte e sem medo: "Viva Cristo Rei!" Assim, ele foi morte e sepultado numa cova junto com vários outros condenados. Por isso, seu corpo nunca foi encontrado.

No ano 1997, o Papa João Paulo II celebrou uma missa solene em Roma, na qual declarou que Zeferino Gimenez Malla é bem-aventurado. Milhares de ciganos de todas as partes do mundo foram à cerimônia e se alegraram por ter um representante tão digno de seu povo elevado às honras dos altares. Na ocasião, a festa litúrgica de Zeferino Gimenez Malla foi marcada para o dia 2 de agosto, dia de seu falecimento.

Na sua homilia o Papa João Paulo II declarou:
Chamei-vos amigos (Jo 15, 15). Também em Barbastro o cigano Zeferino Gimenez Malla, conhecido como el Pelé, morreu pela fé na qual tinha vivido. A sua vida mostra como Cristo está presente nos diversos povos e raças e que todos são chamados à santidade, a qual se alcança conservando os Seus mandamentos e permanecendo no Seu amor. El Pelé foi generoso e acolhedor para com os pobres, embora ele mesmo fosse pobre; honesto na sua atividade; fiel ao seu povo e à sua raça calé; dotado de uma inteligência natural extraordinária e do dom do conselho. Foi sobretudo um homem de profundas crenças religiosas.

A frequente participação na Santa Missa, a devoção à Virgem Maria com a recitação do rosário e a pertença a diversas associações católicas ajudaram-no a amar a Deus e ao próximo com integridade. Assim, ainda que com o risco da própria vida, não hesitou em defender um sacerdote que ia ser preso, razão por que o levaram para o cárcere, onde não abandonou nunca a oração, sendo depois fuzilado enquanto estreitava o rosário nas suas mãos. O Beato Zeferino Gimenez Malla soube semear concórdia e solidariedade entre os seus, servindo de mediador também nos conflitos que às vezes se verificavam nas relações entre camponeses e ciganos, demonstrando que a caridade de Cristo não conhece limites de raças nem de culturas. Hoje el Pelé intercede por todos diante do Pai comum, e a Igreja propõe-no como modelo a seguir e como demonstração significativa da universal vocação à santidade, especialmente para os ciganos que com ele têm estreitos vínculos culturais e étnicos.



quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Agosto Mês Vocacional: Escutar, Discernir e Viver


Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus conosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria.

Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade.
Estes três aspetos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, ali, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la “hoje”.

Escutar:

O chamado do Senhor não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito.
Não poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para nós, se ficarmos fechados em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever conosco.

Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel.
Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada. À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito.

Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção, e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro imperceptível da brisa divina.

Discernir:

Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: “O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor”.

De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida.
Em particular, descobrimos que a vocação cristã tem sempre uma dimensão profética. Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação. Como um vento que levanta o pó, o profeta perturba a falsa tranquilidade da consciência que esqueceu a Palavra do Senhor, discerne os acontecimentos à luz da promessa de Deus e ajuda o povo a vislumbrar, nas trevas da história, os sinais duma aurora.

Também hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de ler por dentro a vida e individuar onde e para que o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão.

Viver:

Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente “cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir”.
A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.

Realmente este hoje proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a descer para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão. O Senhor continua ainda a chamar para viver com Ele e segui-Lo numa particular relação de proximidade ao seu serviço direto. E, se fizer intuir que nos chama a consagrar-nos totalmente ao seu Reino, não devemos ter medo. É belo – e uma graça grande – estar inteiramente e para sempre consagrados a Deus e ao serviço dos irmãos!

O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso eis-me aqui, nem nos assustar com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto.
Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no hoje que Deus nos concede.

Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho.

Papa Francisco - 3 de dezembro de 2017


01 de agosto - Assim, pois, todo mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. Mt 13,52


O momento presente oferece numerosas novas oportunidades para dar testemunho de Cristo e dos renovados desafios para a Igreja. Como o sábio pai de família, que "tira coisas novas e velhas do seu tesouro", temos necessidade de considerar com discernimento as mudanças que estão a verificar-se na sociedade, e nisto os fiéis buscam a orientação da Igreja. Devemos ajudá-los a reconhecer a incapacidade que a cultura secular e materialista tem de suscitar satisfação e alegria autênticas. A Igreja tem a coragem de lhes falar da alegria que provém do anúncio de Cristo e de uma vida levada em conformidade com os seus mandamentos. Recorda-lhes que os nossos corações foram criados para o Senhor e que estão inquietos, enquanto não descansam nele (cf. Santo Agostinho).

Com muita frequência, o testemunho contracorrente oferecido pela Igreja é entendido de modo equívoco, como se fosse algo atrasado e negativo para a sociedade contemporânea. Eis por que motivo é importante pôr em evidência a Boa Nova, a mensagem evangélica que dá vida e a dá em abundância.

Embora seja necessário falar vigorosamente contra os males que nos ameaçam, contudo temos o dever de corrigir a ideia de que o catolicismo é meramente "uma coletânea de proibições". Aqui são necessárias uma catequese sólida e uma atenta "formação do coração", e devemos estar comprometidos seriamente na educação dos jovens. É necessário evitar apresentações superficiais do ensinamento católico, pois somente a plenitude da fé pode comunicar o poder libertador do Evangelho. Mediante o exercício da vigilância sobre a qualidade dos programas de estudo e dos livros de texto utilizados, e através da proclamação da doutrina da Igreja na sua integridade, assumimos a nossa responsabilidade de "anunciar a palavra... oportuna e inoportunamente... com toda a magnanimidade e doutrina".

Papa Bento XVI – 28 de outubro de 2006

Hoje celebramos:


01 de agosto - Beato Emerico de Quart

O Beato Emerico nasceu no castelo de Quart em meados do século XIII, era filho do nobre James II e quando jovem, ansioso por estudar teologia, foi enviado para a universidade, talvez de Turim, onde obteve o grau de doutor. 

No final de seus estudos, ele retornou ao castelo de Quart, mas não se sentindo adequado às vaidades do mundo, retirou-se para um lugar, agora chamado Valsainte, a uma hora do castelo, para levar uma vida solitária, dedicada à contemplação e à oração. Neste lugar foi construído um oratório que lembra as penitências de Emerico e é um destino de peregrinações. 
Uma lenda antiga diz que os joelhos do santo ajoelhado em oração ainda são reconhecíveis nas pedras próximas ao oratório.

Não está claro se após o período eremita, ele entrou nos Cânones de Santo Orso, ou como um subdiácono no Capítulo da Catedral, no entanto, dedicou-se totalmente à salvação das almas, despertando uma admiração geral, a ponto de ao morrer o bispo Nicola I Bersatori (1301) os dois capítulos o escolheram como sucessor. 

Foi consagrado bispo no final de 1301, em Biella, pelo bispo de Vercelli Aimone di Challant. Seu trabalho foi muito vasto, ele nomeou bons mestres da escola, admitiu ao sacerdócio somente homens dignos e julgou clérigos, aplicou a lei de residência, deu sua renda na esmola, mantendo para si o estritamente necessário para viver, ajudando no entanto as igrejas da diocese. 

Emerico demonstrou uma grande firmeza na defesa dos direitos e deveres temporais impostos por sua diocese; ele tinha um espírito forte e brilhante, de caráter dócil, tratável, mas inflexível ao mal, de maneiras tão educadas e amáveis ​​que todos se deliciavam. 

No campo espiritual, visitou toda a diocese, convocou o Sínodo diocesano de 1307, revitalizou a religião, construiu numerosas igrejas, estabeleceu a "festum conceptionis Virginis Mariæ" em 1311. Escreveu o precioso "Censura do Liber" em 1305, uma descrição fiel e surpreendente dos costumes feudais no vale de Aosta, muito útil para os historiadores medievais. 

Seu episcopado durou de 1302 a 1313, quando Emerico morreu em 1 de setembro de 1313 e foi enterrado na catedral. Vários milagres ocorreram através de sua intercessão ao longo dos séculos, fizeram-no considerado abençoado pelos fiéis e pelo clero.

Em 1551, as relíquias foram exumadas e colocadas em um relicário; os bispos de Aosta sempre aprovaram o culto do bem-aventurado Emerico, mas somente em 14 de julho de 1881, por decreto do Papa Leão XIII, após um julgamento canônico regular, o culto e o título de Beato foram oficialmente confirmados. 

Desde tempos imemoriais, os doentes, especialmente crianças, foram levadas ao seu túmulo para receber a bênção, ele é particularmente invocado nas causas difíceis e é venerado acima de tudo em sua paróquia de origem de Quart, onde sua festa está marcada para o dia 1º de setembro, enquanto o Martyrologium Romanum a coloca no dia 1º de agosto.