domingo, 2 de junho de 2019

02 de junho - Enquanto os abençoava, separou-se deles e elevava-se ao Céu. Lc 24,51


Neste dia a Igreja celebra a Festa da Ascensão do Senhor. No centro deste dia, encontramos Cristo.

O que nos quer dizer a Festa da Ascensão do Senhor?

Não nos quer dizer que o Senhor foi para um lugar distante dos homens e do mundo. A Ascensão de Cristo não é uma viagem no espaço em direção aos astros mais remotos; porque, no fim, também os astros são feitos de elementos físicos como a Terra.
A Ascensão de Cristo significa que Ele não já pertence ao mundo da corrupção e da morte que condiciona a nossa vida. Significa que Ele pertence completamente a Deus. Ele o Filho Eterno guiou o nosso ser humano até à presença de Deus, levou consigo a carne e o sangue numa forma transfigurada.

O homem encontra espaço em Deus; através de Cristo, o ser humano foi conduzido até ao interior da própria vida de Deus. E dado que Deus abraça e ampara toda a criação, a Ascensão do Senhor significa que Cristo não se afastou de nós, mas que agora, graças ao Seu ser com o Pai, está próximo de cada um de nós, para sempre.

Cada um de nós pode chamá-Lo por tu; todos os podem chamar. O Senhor ouve-nos sempre. Podemos afastar-nos dele interiormente. Podemos viver voltando-lhe as costas. Mas Ele espera-nos sempre, e está sempre perto de nós.
Papa Bento XVI – 07 de maio de 2005

Hoje celebramos:

02 de junho - Santo Eugênio I - Papa


Eugênio I foi o 75º papa da história da Igreja Católica.
Nascido no ano 615 em Roma, Eugênio era descendente de família siciliana e sempre se dedicou à vida religiosa. Foi núncio em Constantinopla e conhecia bem as características da vida bizantina. Era reconhecido e valorizado por seu valor moral e intelectual, homem íntegro na fé. Quando o Papa Martinho I foi exilado em Constantinopla não houve dúvida, Eugênio seria seu sucessor. Porém a situação forçou um fato curioso. O cerco e o exílio sofridos pelo Papa Martinho I deixaram a Igreja Católica e a comunidade cristã carentes de uma liderança efetiva. Cientes da difícil situação vivida pelo papa, Eugênio foi eleito sucessor em 10 de agosto de 654, um ano antes da morte de Martinho I. Em uma carta de julho de 654, Martinho havia mencionado três eclesiásticas oficiais que eram seus adjuntos no governo da Igreja, mas em uma carta de setembro de 655 ele rezou especialmente “para aquele que agora está governando a Igreja”, uma declaração interpretada como aquiescência ou aprovação da eleição de Eugênio. Este teve um fim triste, pois foi perseguido, exilado e deposto pelo imperador Constante II.

  

Eugênio I assumiu o papado reestabelecendo a imagem de um papa presente em meio a um momento conturbado e de perseguições. Ainda que o cristianismo já tivesse se estabelecido como religião oficial do Império Romano, disputas políticas e territoriais acabavam envolvendo a Igreja Católica.
Eugênio I comunicou toda a Europa sobre o sofrido fim de Martinho I e buscou novos rumos de estabilidade para os religiosos. O maior problema que enfrentou durante seu papado foi em relação aos monotelistas.

O Papa Eugênio I administrou as crises de seu papado com autoridade e manteve a unidade da fé. O papa excomungou os monotelistas e condenou a corte bizantina pelo ocorrido com Martinho I. Foi um opositor de Constante II, do qual se livrou em 655 graças ao ataque dos muçulmanos.

Popularmente, Eugênio I era reconhecido como um papa benévolo e afável com todos. Preocupou-se muito com os pobres e deixou a eles todos os seus bens.
Eugênio I faleceu no dia dois de junho de 657 e foi sucedido pelo Papa Vitaliano. Seus restos mortais estão na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

sábado, 1 de junho de 2019

01 de junho - Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Jo 16,23


Há algo de novo, aí há algo que muda: é uma novidade na oração. O Pai nos dará tudo, mas sempre no nome de Jesus.

O Senhor sobe ao Pai, entra no Santuário do céu, abre as portas e as deixa abertas porque Ele mesmo é a porta e intercede por nós, até o fim do mundo, como um sacerdote:
Ele intercede por nós diante do Pai. Isso sempre me agradou. Jesus, na sua ressurreição, teve um corpo belíssimo: as chagas da flagelação, dos espinhos, desapareceram, todas. Desapareceram as marcas dos açoites. Mas Ele quis manter sempre essas chagas, e as chagas são precisamente a sua oração de intercessão ao Pai: Mas… olhe… peça isso em meu nome, olhe!

Essa é a novidade que Jesus nos diz. Diz-nos esta novidade: confiar em sua paixão, confiar em sua vitória sobre a morte, confiar em suas chagas. Ele é o sacerdote e este é o sacrifício: as suas chagas. E isso nos dá confiança, hein! Nos dá a coragem de rezar.
Muitas vezes nos entediamos na oração, observou o Pontífice, que acrescentou: a oração não é pedir isso ou aquilo, mas é a intercessão de Jesus, que diante do Pai lhe mostra as suas chagas:

A oração ao Pai em nome de Jesus faz-nos sair de nós mesmos; a oração que nos entedia está sempre dentro de nós mesmos, como um pensamento que vai e vem. Mas a verdadeira oração é sair de nós mesmos rumo ao Pai em nome de Jesus, é um êxodo de nós mesmos.

Papa Francisco – 11 de maio de 2013

Hoje celebramos:


01 de junho - São Teobaldo Roggeri


São Teobaldo nasceu por volta de 1100 em Vicoforte, então chamado Vico, na província de Asti, e pertencia à família Roggeri, da pequena nobreza local. Ainda criança, ficou órfão de ambos os pais. 
Com a idade de doze anos, sozinho, mudou-se para Alba, onde passou a trabalhar na oficina de um sapateiro que o recebeu em sua casa.

Quando seu benfeitor morreu, a viúva lhe disse que gostaria de vê-lo casado com sua filha Virida, Teobaldo, recusou-se e foi como um peregrino a Santiago de Compostela, mendigando de porta em porta. 

Voltando a Alba, ele decidiu fazer-se carregador, considerado o mais humilde entre os ofícios. Com a renda limitada de seu trabalho, ele ajudava os pobres, dormindo ao ar livre no adro da aldeia.

Um dia, arrependido de ter reagido a uma ofensa, como penitência, começou a dormir na pedra da escadaria da igreja de San Lorenzo, onde também servia como sacristão.

Uma noite, quando ele foi visitar a viúva do sapateiro, ele foi atingido por uma doença grave, como pouco se alimentava, não resistiu e morreu com apenas 50 anos. Era o ano de 1150.

Segundo seus desejos, ele foi enterrado no espaço entre as duas igrejas de San Lorenzo e San Silvestro. Seu culto foi oficialmente reconhecido em 1841.

São Teobaldo Roggeri é considerado o protetor dos sapateiros, carregadores e mendigos


sexta-feira, 31 de maio de 2019

Christus vivit: Christus vivit: Jovens com raízes - Que não te arranquem da terra – nºs 179 a 186


Nºs 179 a 186

Já me aconteceu ver árvores jovens, belas, que elevavam seus ramos sempre mais alto para o céu; pareciam uma canção de esperança. Mais tarde, depois duma tempestade, encontrei-as caídas, sem vida. Estenderam os seus ramos sem se enraizar bem na terra e, por ter poucas raízes, sucumbiram aos assaltos da natureza. Por isso, custa-me ver que alguns propõem aos jovens construir um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora. Com efeito, é impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. É fácil extraviar-se, quando não temos onde agarrar-nos, onde firmar-se.

Pensai bem! Se uma pessoa vos fizer uma proposta dizendo para ignorardes a história, não aproveitardes da experiência dos mais velhos, desprezardes todo o passado olhando apenas para o futuro que essa pessoa vos oferece, não será uma forma fácil de vos atrair para a sua proposta a fim de fazerdes apenas o que ela diz?

Aquela pessoa precisa de vós vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para vos fiardes apenas nas suas promessas e vos submeterdes aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposições. Para isso, precisam de jovens que desprezem a história, rejeitem a riqueza espiritual e humana que se foi transmitindo através das gerações, ignorem tudo quanto os precedeu.

Ao mesmo tempo, os manipuladores servem-se doutro recurso: uma adoração da juventude, como se tudo o que não é jovem aparecesse detestável e caduco. O corpo jovem torna-se o símbolo deste novo culto e, consequentemente, tudo o que tenha a ver com este corpo é idolatrado e desejado sem limites, enquanto o que não for jovem é olhado com desprezo. Mas é uma arma que acaba por degradar os jovens, esvaziando-os de valores reais e utilizando-os para obter benefícios individuais, econômicos ou políticos.

Queridos jovens, não permitais que usem a vossa juventude para promover uma vida superficial, que confunde beleza com aparência.
Sabei, antes, descobrir que há beleza no trabalhador que regressa a casa surrado e desalinhado, mas com a alegria de ter ganho o pão para os seus filhos.
Há uma beleza estupenda na comunhão da família reunida ao redor da mesa e no pão partilhado com generosidade, ainda que a mesa seja muito pobre.
Há beleza na esposa mal penteada e já um pouco idosa, que continua a cuidar do seu marido doente, para além das suas forças e da própria saúde. Embora já esteja distante a lua de mel, há beleza na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida, naqueles velhinhos que caminham de mãos dadas.
Há beleza, para além da aparência ou da estética imposta pela moda, em cada homem e cada mulher que vive com amor a sua vocação pessoal, no serviço desinteressado à comunidade, à pátria, no trabalho generoso a bem da felicidade da família, comprometidos no árduo trabalho, anónimo e gratuito, de restabelecer a amizade social.
Descobrir, mostrar e realçar esta beleza, que lembra a de Cristo na cruz, é colocar as bases da verdadeira solidariedade social e da cultura do encontro.

Atualmente, a par das estratégias do falso culto da juventude e da aparência, promovem-se uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, o medo dos pobres vistos como sujeitos perigosos, e uma série de ofertas que pretendem fazer-vos acreditar num futuro paradisíaco que sempre será adiado para mais tarde.
Não é isto que vos quero propor; e, com todo o afeto que vos tenho, quero advertir-vos para não vos deixardes dominar por esta ideologia que, em vez de vos tornar mais jovens, transformar-vos-á em escravos. Proponho-vos outro caminho, feito de liberdade, entusiasmo, criatividade, horizontes novos, mas cultivando ao mesmo tempo as raízes que nutrem e sustentam.

Nesta linha – quero salientá-lo –, muitos Padres Sinodais, vindos de contextos não ocidentais, assinalam como a globalização seja portadora, nos seus países, de autênticas formas de colonização cultural, que desenraízam os jovens das origens culturais e religiosas donde provêm. Torna-se necessário um esforço da Igreja para os acompanhar nesta passagem, a fim de não perderem os traços mais preciosos da sua identidade

Vemos hoje uma tendência para homogeneizar os jovens, dissolver as diferenças próprias do seu lugar de origem, transformá-los em sujeitos manipuláveis feitos em série. Deste modo, causa-se uma destruição cultural, que é tão grave como a extinção das espécies animais e vegetais. Por isso, numa mensagem aos jovens indígenas reunidos no Panamá, exortava-os: Assumi as vossas raízes! Mas não vos limiteis a isto. A partir destas raízes, crescei, florescei, frutificai.