
Assim que assumiu foi procurado em Roma por dezenas de parentes. Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de
subvencionar mais os parentes, Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da
Igreja e não de meus parentes”. Não deu "emprego" a nenhum, afirmando
ainda que um parente do papa, se não estiver na miséria, "já está bastante
rico".
Implantou ainda outras mudanças no campo
pastoral, aprovadas no Concílio de Trento: a obrigação de residência para os
bispos, a clausura dos religiosos, o celibato e a santidade de vida dos
sacerdotes, as visitas pastorais dos bispos, o incremento das missões e a
censura das publicações, para que não contivessem material doutrinário não
aprovado pela Igreja. Conseguiu a união dos países católicos, com a conseqüente
vitória sobre os turcos invasores decretou a excomunhão e deposição da própria
rainha da Inglaterra.
Não há virtude que este
grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa
Missa, com o maior recolhimento. Tinha grande devoção a Jesus Crucificado.
Fazia todas as orações aos
pés da imagem do Crucificado, inúmeras vezes o beijava.
Certa vez, quando ia
beijá-lo, conforme o costume, a imagem retirou-se, salvando-o assim de ser
assassinado. Uma pessoa má tinha coberto a imagem com um pó levíssimo e
venenoso.
Numa quinta-feira Santa,
quando realizava a cerimônia do “Lava Pés”, entre os doze pobres havia um,
cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural
repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este
ato, ficou tão comovido, que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.
Pio era tão amigo da oração,
que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos
de todos os príncipes unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida
era-lhe de penitência contínua. Três vezes somente por semana comia carne e
ainda assim em quantidade mínima.
Mostrava grande amor aos
pobres e doentes. Entre os pobres, gozavam de preferência os neófitos.
Seguindo o exemplo do divino
Mestre, perdoava de boa vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da
boca uma palavra áspera.
Pio empregava bem o tempo.
Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às
ocupações do alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e
tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe:
“Deus deu-me este cargo,
não para que vivesse segundo a minha comodidade, mas para que trabalhasse para
o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às
exigências da consciência que às do corpo”.
Pio V morreu em 15 de maio
de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos e três meses. Foi canonizado em
1712, por Clemente XI.
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