sábado, 25 de janeiro de 2020

25 de janeiro - Beato Henrique Suso


Henrique Suso nasceu na ilha de Constança, na Alemanha, no dia 21 de março de 1295, foi um dos principais representantes do movimento religioso, que floresceu na região do rio Reno, no início do século XIV. Religioso dominicano, escritor e místico, se tornou um dos teólogos alemães mais conhecidos, pela característica da singular doçura de sua espiritualidade e pela clareza do conceito transmitido de que a vida interior é acessível a todas as almas seguidoras da Paixão de Jesus Cristo.

Seu pai era um rico comerciante, não muito religioso, da nobre dinastia dos Berg, e sua mãe, uma senhora muito pia, era da tradicional família cristã dos Suese ou Suso, forma latina do nome. Henrique preferiu manter o sobrenome da mãe. Desde a infância foi educado pelos dominicanos, demonstrando sua vocação religiosa já nesta época. Aos treze anos, ingressou como noviço no convento de São Nicolau, desta Ordem, em Constança, período em que desenvolveu muito, sua espiritualidade.

Aos dezesseis anos, viveu um período de fé incerta, o qual superou através da somatória das penitências rigorosas com as orações contemplativas. Dois anos depois, coroou sua completa conversão, marcando com ferro em brasa o nome de Jesus, no lado esquerdo do peito. Isto ocorreu, após uma experiência mística, na qual, viu um anjo unindo o seu coração ao do Cristo. A partir de então, seu zelo se traduziu numa entrega espiritual mais prudente; Deus o fez compreender que a melhor mortificação consistia em aceitar com resignação as provas enviadas por Ele.

No convento dominicano em Constança, fez os estudos preparatórios, filosóficos e teológicos. Depois foi enviado para o Colégio Geral de Estrasburgo e finalmente para a universidade de Colônia, completar seus estudos sob a orientação de Mestre Eckhart. Ao invés de uma carreira brilhante eclesiástica, preferiu retornar para Constança, em 1329, como professor de Teologia no colégio dos dominicanos. Ali, durante os sete anos seguintes, escreveu suas obras mais importantes: o Livro da Sabedoria Eterna e o Livro da Verdade. Narrou com simplicidade e clareza os mistérios da alma, que desvendava através dos seus colóquios íntimos com Cristo, veiculados pelas orações silenciosas e experiências contemplativas. Nos seus escritos refere-se a Deus numa linguagem próxima a do amor dos namorados, plena de sensualidade.

Em 1336, Henrique sentiu que era hora de partir para o apostolado peregrino. Viajou por toda Alemanha, passando pela Suíça e Países Baixos, tornando-se um incansável pregador itinerante do nome de Cristo. Durante quatro anos, até 1943 foi o diretor geral do convento alemão de Turgovia. Depois foi transferido para o de Ulm, no qual permaneceu até morrer, em 25 de fevereiro de 1366.

Ele não foi sepultado no cemitério comum aos padres dominicanos, mas na cripta da igreja daquele convento. Até o final de 1531, sobre a sua lápide ardia uma chama atestando o seu culto. Depois seus restos mortais foram destruídos pelos protestantes, mas a sua lembrança se manteve e foram muitos os Santos que se inspiraram no seu exemplo para a busca da espiritualidade. O Papa Gregório XVI, beatificou Henrique Suso em 1831.

Suas principais obras incluem sua autobiografia A Vida do Servo, O Livro da Eterna Sabedoria, e O Livro da Verdade. Ficou conhecido como o trovador entre os místicos germânicos por suas visões e descrições metafóricas.

"Prefiro ser neste mundo o verme mais miserável da terra, pela vontade de Deus, do que um serafim no céu, pela minha própria vontade".

"Se estais doentes, regozijai-vos, porque o Senhor está pensando em vós".

"Na verdade, é tão grande e preciosa a graça de sofrer, que não a merecemos".

"É propício que eu ame o Senhor e, qualquer coisa que eu saiba ser Seu maior desejo, é aquilo que eu vou fazer".

"Para o enfermo, a mais bela das ocupações deve ser a dos atos de resignação enquanto espera pacientemente o socorro do Céu".

"O sofrimento é o exercício mais salutar que Deus impõe à nossa alma e ao nosso corpo. É mais difícil sofrer com paciência e em silêncio do que fazer milagres, mesmo o de ressuscitar os mortos".


25 de janeiro - Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ At 22,7

O encontro com Jesus na estrada para Damasco transforma radicalmente a vida de São Paulo. A partir de então, para ele, o sentido da existência já não está em confiar nas próprias forças para observar escrupulosamente a Lei, mas em aderir com todo o seu ser ao amor gratuito e imerecido de Deus, a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Conhece, assim, a irrupção duma vida nova, a vida segundo o Espírito, na qual, pelo poder do Senhor ressuscitado, experimenta perdão, confidência e conforto. E Paulo não pode guardar para si mesmo esta novidade: é impelido pela graça a proclamar a feliz notícia do amor e da reconciliação que Deus oferece plenamente em Cristo à humanidade.

Para o Apóstolo dos Gentios, a reconciliação do homem com Deus, da qual foi feito embaixador, é um dom que vem de Cristo. “O amor de Cristo impele-nos para a reconciliação”. “O amor de Cristo”: não se trata do nosso amor por Cristo, mas do amor que Cristo tem por nós. Da mesma forma, a reconciliação para a qual somos impelidos não é simplesmente iniciativa nossa: é primariamente a reconciliação que Deus nos oferece em Cristo. Antes de ser esforço humano de crentes que procuram superar as suas divisões, é um dom gratuito de Deus. Como resultado deste dom, a pessoa perdoada e amada é chamada, por sua vez, a proclamar o evangelho da reconciliação em palavras e obras, a viver e dar testemunho duma existência reconciliada.

Nesta perspectiva, podemos hoje perguntar-nos: Como é possível proclamar este evangelho de reconciliação depois de séculos de divisões? O próprio Paulo nos ajuda a encontrar o caminho. Ele sublinha que a reconciliação em Cristo não se pode realizar sem sacrifício. Jesus deu a sua vida, morrendo por todos. De modo semelhante os embaixadores de reconciliação, em seu nome, são chamados a dar a vida, a não viver mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles. Como ensina Jesus, só quando perdemos a vida por amor d’Ele é que verdadeiramente a temos ganha. É a revolução que Paulo viveu, mas é também a revolução cristã de sempre: deixar de viver para nós mesmos, buscando os nossos interesses e promoção da nossa imagem, mas reproduzir a imagem de Cristo, vivendo para Ele e de acordo com Ele, com o seu amor e no seu amor.

Papa Francisco – 25 de janeiro de 2017

Hoje celebramos:

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

24 de janeiro - Beato Luiz Prendushi


O Beato Luiz Prendushi nasceu em Shkoder, na Albânia, em 24 de janeiro de 1896. Aos doze anos, mudou-se para a Itália e ingressou no seminário menor no Piemonte. Foi ordenado sacerdote em 12 de março de 1921 e retornou à sua terra natal no mesmo ano.

Há uma nota interessante sobre a viagem do padre Luiz Prendushi da Itália para a Albânia. O navio em que ele estava viajando foi atingido por uma grande tempestade e parecia estar afundando. Os passageiros em pânico começaram a chorar de medo, mas o padre Luiz não entrou em pânico. Quando perguntado como ele poderia estar tão calmo nessas ocasiões, ele respondeu: "Não tenho motivos para ter medo. Esta é a minha força", disse ele, apontando para as Escrituras. "Calma, hoje não vamos nos afogar".

Chegando à Albânia, o Padre Luiz Prendushi trabalhou como sacerdote da diocese de Sapë, na Albânia, e foi designado como pároco em Ipeshkvninë. Esta paróquia possuía uma área de serviço bastante ampla. O padre Luiz costumava sair por lá durante dias, visitando seu povo a pé. As pessoas em aldeias remotas como Mazrek, Nënshat, Shllak, Dardhë, Koman, KACE, Narac e Shelqet sempre se lembrarão do Padre Luiz Prendushi, pároco que os serviu com devoção.

Quando o regime comunista chegou ao poder na Albânia, o Padre Luiz Prendushi foi convidado pelo bispo a fugir para a Itália. Ele recusou porque não queria deixar as pessoas em sua paróquia. Ele foi capturado pelo exército comunista em 8 de dezembro de 1946, sob acusações falsas que os comunistas sempre usavam para prender padres católicos: era espião do Vaticano.

O padre Luiz Prendushi foi executado publicamente em 24 de janeiro de 1947 em Shelqet, Shkodrë, Albânia. As execuções públicas eram frequentemente realizadas pelo regime comunista para aterrorizar os cristãos e aqueles que eram leais a Cristo.

Ele foi beatificado com 38 mártires da Albânia em 5 de novembro de 2016 pelo Papa Francisco. A sua festa é celebrada em 24 de janeiro, de acordo com o dia de seu martírio; e no dia da festa com os mártires da Albânia em 5 de novembro. 


24 de janeiro - Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar. Mc 3,14


Há uma palavra, no trecho evangélico de hoje, que chama a atenção: Jesus “elegeu”. E esta palavra aparece duas vezes. “Elegeu doze, aos quais chamou apóstolos”. E depois continua: “elegeu doze” e chama-os pelo nome, um depois do outro. Por conseguinte, Jesus, entre tantas pessoas que o seguiam “chamou a si os que queria”. E constituiu doze, aos quais chamou apóstolos. Com efeito, havia outros e o Evangelho a um certo ponto fala de setenta e dois. Mas estes eram outra coisa.

Os doze são constituídos para que andem com Ele e para os enviar a pregar com o poder de expulsar os demónios. É o grupo mais importante que Jesus escolheu, “para que andassem com Ele”, mais próximos, “e para os enviar a pregar” o Evangelho. E com o poder de expulsar os demônios. Precisamente aqueles doze são os primeiros bispos, o primeiro grupo de bispos.

Estes doze eleitos estavam cientes da importância desta eleição, a ponto que depois de Jesus ter subido ao céu, Pedro falou aos outros e explicou-lhes que, considerando a traição de Judas, era necessário fazer algo. E assim entre aqueles que tinham andado com Jesus, do batismo de João até à ascensão, escolheram uma testemunha “conosco” — diz Pedro — da Ressurreição. Eis que o lugar de Judas foi ocupado, foi preenchido por Matias.

Os apóstolos são as colunas da Igreja. E os bispos são colunas da Igreja. Aquela eleição de Matias foi a primeira ordenação episcopal da Igreja.

Nós bispos temos esta responsabilidade de ser testemunhas: de que o Senhor Jesus está vivo, ressuscitou, caminha conosco, nos salva, deu a sua vida por nós, é a nossa esperança, nos acolhe sempre e nos perdoa. Eis o testemunho. Por conseguinte, a nossa vida deve ser assim: um testemunho, um verdadeiro testemunho da ressurreição de Cristo.
O bispo tem a obrigação de andar com Jesus. Sim, é a primeira obrigação do bispo: andar com Jesus. Isto é verdade a ponto que quando surgiu, nos primeiros tempos, o problema que os órfãos e as viúvas não eram bem cuidados, os bispos — estes doze — reuniram-se, e pensaram no que fazer. E introduziram a figura dos diáconos, dizendo: “que os diáconos se ocupem dos órfãos e das viúvas. Enquanto aos doze, diz Pedro, competem duas tarefas: a oração e o anúncio do Evangelho.
Por conseguinte, a primeira tarefa do bispo é estar com Jesus na oração. Com efeito a primeira tarefa do bispo não é fazer planos pastorais... não! É rezar: esta é a primeira tarefa. Enquanto a segunda tarefa é ser testemunha, ou seja, anunciar: anunciar a salvação que o Senhor Jesus nos trouxe.

Papa Francisco – 22 de janeiro de 2016

Hoje celebramos:


quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

23 de janeiro - Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. Mc 3,7


No trecho evangélico, uma multidão com um entusiasmo fervoroso, seguia Jesus calorosamente e vinha de todas as partes. Muitos percorriam este caminho a pé para encontrar o Senhor. E perante esta insistência surge uma pergunta: Por que vinha esta multidão? Por que este entusiasmo? As motivações podem ser multíplices: havia doentes que queriam ser curados, mas havia também numerosos que iam para o ouvir. Aliás, estas pessoas gostavam de ouvir Jesus, porque não falava como os seus doutores, mas com autoridade. Isto mexia com o coração. Certamente era uma multidão que vinha espontaneamente.

Portanto, esta gente ia porque sentia algo. E eram tão numerosos que Jesus teve que pedir uma barca e afastar-se um pouco da margem do rio, para que não o esmagasse. Mas qual era o verdadeiro motivo, o profundo? Ninguém pode vir ter comigo se não o atrair o Pai. Com efeito, se é verdade que esta multidão ia ter com Jesus porque necessitava ou porque alguns eram curiosos o motivo real encontra-se no fato de que esta multidão era atraída pelo Pai. Era o Pai que atraía as pessoas a Jesus. E Cristo não ficava indiferente, como um mestre estático que proferia as suas palavras e depois lavava as mãos. Não! Esta multidão mexia com o coração de Jesus.

Portanto, o Pai, através do Espírito Santo, atrai as pessoas a Jesus. É inútil ir procurar todas as argumentações. Qualquer motivo pode ser necessário, mas não é suficiente para fazer levantar um dedo. Não podes mover-te dar um passo só com as argumentações apologéticas. Ao contrário, o que é deveras necessário e decisivo é que seja o Pai quem te atrai a Jesus.

Papa Francisco – 19 de janeiro de 2017

Hoje celebramos: