Por que falar dos santos? São amigos a quem recorro quando necessito, irmãos mais velhos a quem peço conselhos. Converso com eles como pessoas a quem tenho afeição e que conheço pessoalmente. Na vida dos santos eu reconheço a mim e a minha história.Eles passaram pelas mesmas dificuldades humanas. Assim, eu posso rezar, pedindo sua intercessão diante de minhas dificuldades particulares. Conhecer um santo é conhecer um amigo. Você ouve falar sobre ele e pensa: gostaria de conhecer esta pessoa
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sábado, 12 de dezembro de 2020
Encontro Vocacional - Ousar a Vida
terça-feira, 8 de dezembro de 2020
08 de dezembro - Santa Narcisa de Jesús Martillo Morán
domingo, 6 de dezembro de 2020
Segundo Domingo do Advento
"Está
escrito no livro do profeta Isaías: 'Eis
que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. Esta é a voz daquele que grita no deserto: 'Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!''
Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados." Mc 1,2-4
Neste tempo em que vivemos, as
verdades eternas sobre as quais queremos refletir são: primeiro, que todos
somos mortais e ‘não temos aqui cidade permanente’; segundo, que a vida do fiel
não termina com a morte porque nos aguarda a vida eterna; terceiro, que não
estamos sós no pequeno barco do nosso planeta, porque a ‘Palavra se fez carne e
veio morar entre nós’. A primeira dessas verdades é um objeto de experiência,
as outras duas são objetos de fé e esperança.
Olhar a vida do ponto de
observação da morte dá uma ajuda extraordinária para viver bem. Está angustiado
por problemas e dificuldade? Vá à frente, coloque-se no ponto certo: olhe estas
coisas do leito de morte. Como gostaria de ter agido? Qual importância daria a
estas coisas? Tem uma discórdia com alguém? Olhe a coisa do leito de morte. O
que gostaria de ter feito então: ter vencido, o ter se humilhado? Ter
prevalecido, ou ter perdoado? O pensamento da morte nos impede de nos apegarmos
às coisas, de fixar aqui na terra a morada do coração, esquecendo de que não
temos aqui cidade permanente.
Por que ter medo da morte?
Jesus não veio para “libertar os que, por medo da morte, estavam a vida toda
sujeitos à escravidão” (Hb 2,15)? Sim, mas é preciso ter conhecido este medo,
para dele sermos libertados. Jesus veio para ensinar o medo da morte eterna
àqueles que não conheciam além do medo da morte temporal. A ‘segunda morte’,
assim a chama o Apocalipse (Ap 20,6); ela é a única que merece realmente o nome
de morte, porque não é uma passagem, uma Páscoa, mas um terrível terminal. É para
salvar os homens desta desgraça que devemos voltar a pregar sobre a morte.
“Senhor, para os que creem
em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo
mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”.
Fr. Raniero
Cantalamessa, OFMCap
quarta-feira, 2 de dezembro de 2020
Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: n.º 87
87. O ser humano está feito de tal maneira que não se realiza, não se desenvolve, nem pode encontrar a sua plenitude a não ser no sincero dom de si mesmo aos outros. E não chega a reconhecer completamente a sua própria verdade, senão no encontro com os outros: Só comunico realmente comigo mesmo, na medida em que comunico com o outro. Isso explica por que ninguém pode experimentar o valor de viver, sem rostos concretos a quem amar. Aqui está um segredo da existência humana autêntica, já que a vida subsiste onde há vínculo, comunhão, fraternidade; e é uma vida mais forte do que a morte, quando se constrói sobre verdadeiras relações e vínculos de fidelidade. Pelo contrário, não há vida quando se tem a pretensão de pertencer apenas a si mesmo e de viver como ilhas: nestas atitudes prevalece a morte.
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
Fratelli tutti - Capítulo 2 - Um estranho no caminho: O próximo sem fronteiras n.ºs 80 a 83
80. Jesus propôs esta parábola para responder a uma pergunta: “Quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29). A palavra próximo na sociedade do tempo de Jesus costumava indicar a pessoa que está mais vizinha, mais próxima. Pensava-se que a ajuda devia encaminhar-se em primeiro lugar para aqueles que pertencem ao próprio grupo, à própria raça. Para alguns judeus de então, um samaritano era considerado um ser desprezível, impuro, e, por conseguinte, não estava incluído entre o próximo a quem se deveria ajudar. O judeu Jesus transforma completamente esta impostação: não nos convida a interrogar-nos quem é vizinho a nós, mas a tornar-nos nós mesmos vizinhos, próximos.
81. A proposta é fazer-se presente a quem precisa de ajuda, independentemente de fazer parte ou não do próprio círculo de pertença. Neste caso, o samaritano foi quem se fez próximo do judeu ferido. Para se tornar próximo e presente, ultrapassou todas as barreiras culturais e históricas. A conclusão de Jesus é um pedido: “Vai e faz tu também o mesmo” (Lc 10, 37). Por outras palavras, desafia-nos a deixar de lado toda a diferença e, em presença do sofrimento, fazer-nos vizinhos a quem quer que seja. Assim, já não digo que tenho próximos a quem devo ajudar, mas que me sinto chamado a tornar-me eu um próximo dos outros.
82. O problema é que Jesus destaca explicitamente que o homem ferido era um judeu – habitante da Judeia –, enquanto aquele que se deteve e o ajudou era um samaritano – habitante da Samaria –. Este detalhe reveste-se duma importância excecional ao refletirmos sobre um amor que se abre a todos. Os samaritanos habitavam numa região que fora contagiada por ritos pagãos, o que – aos olhos dos judeus – os tornava impuros, detestáveis, perigosos. De facto, um antigo texto hebraico, que menciona as nações odiadas, refere-se à Samaria afirmando até que nem sequer é um povo, e acrescenta que é “o povo insensato que habita em Siquém” (Eclo 50, 25.26).
83. Isto explica por que uma mulher samaritana, quando Jesus lhe pediu de beber, tenha observado: “Como é que Tu, sendo judeu, me pedes de beber a mim que sou samaritana?” (Jo 4, 9). E noutra ocasião, ao procurar acusações que pudessem desacreditar Jesus, a coisa mais ofensiva que encontraram foi dizer-Lhe: “tens um demônio” e “és um samaritano” (Jo 8, 48). Portanto, este encontro misericordioso entre um samaritano e um judeu é uma forte provocação, que desmente toda a manipulação ideológica, desafiando-nos a ampliar o nosso círculo, a dar à nossa capacidade de amar uma dimensão universal capaz de ultrapassar todos os preconceitos, todas as barreiras históricas ou culturais, todos os interesses mesquinhos.

