sábado, 2 de maio de 2020

02 de maio - Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” Jo 6, 67


Hoje meditamos a reação do povo e dos próprios discípulos, escandalizados com as palavras do Senhor, a ponto que muitos, depois de o terem seguido até então, exclamam: "Duras são estas palavras! Quem pode escutá-las?"  A partir de então "muitos dos Seus discípulos retiraram-se e já não andavam com Ele", e acontece sempre de novo a mesma coisa, em diversos períodos da história. Poderíamos esperar que Jesus procure maneiras para se fazer compreender melhor, mas Ele não abranda as suas afirmações, aliás dirige-se diretamente aos Doze, dizendo: "Também vós quereis retirar-vos?"

Esta pergunta provocatória não se destina só aos ouvintes daquela época, mas atinge os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje muitos permanecem "escandalizados" diante do paradoxo da fé cristã. Os ensinamentos de Jesus parecem "duros", demasiado difíceis de aceitar e de pôr em prática. Então há quem rejeita e abandona Cristo; há quem procura "adaptar" a sua palavra às modas dos tempos desvirtuando o seu sentido e valor. "Também vós quereis retirar-vos?". Esta preocupante provocação ressoa no nosso coração e espera de cada um uma resposta pessoal; trata-se de uma pergunta feita a cada um de nós. Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-lO enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente.

“Também vós quereis retirar-vos?" Pedro responde à pergunta de Jesus em nome dos Apóstolos, dos crentes de todos os séculos: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna; e nós acreditamos e sabemos que és o Santo de Deus".
Queridos irmãos e irmãs, também nós podemos e queremos repetir a resposta de Pedro neste momento, conscientes da nossa fragilidade humana, dos nossos problemas e dificuldades, mas confiantes no poder do Espírito Santo, que se exprime e se manifesta na comunhão com Jesus.

Papa Bento XVI – 23 de agosto de 2009

Hoje celebramos:


sexta-feira, 1 de maio de 2020

01 de maio - Não é ele o filho do carpinteiro? Mt 13,55


A expressão quotidiana do amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José.
Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o filho do carpinteiro, tinha aprendido o ofício de seu pai putativo.
Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro.

O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial.
No crescimento humano de Jesus em sabedoria, em estatura e em graça teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que o trabalho é um bem do homem, que transforma a natureza e torna o homem, em certo sentido, mais homem. 
Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; ... é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas.

Papa São João Paulo II – Redemptoris Custos

Hoje celebramos:


01 de Maio - São José Operário



Sobre a Devoção a São José

As razões pelas quais o abençoado José deve ser considerado um patrono especial da Igreja, e porque a Igreja, por sua vez, espera muito de sua tutela e patrocínio, decorrem principalmente do fato de ser o esposo de Maria e o pai adotivo de Jesus. 
Dessas fontes fluiu sua dignidade, sua santidade, sua glória. É verdade que a dignidade da Mãe de Deus atinge tão alto que nada pode existir mais sublime; mas, porque entre a Santíssima Virgem e José um vínculo conjugal foi fortalecido, não há dúvida de que, com a mais alta dignidade, pela qual a Mãe de Deus supera todas as criaturas, ele se aproximou mais do que qualquer outro. Visto que o casamento é o mais alto consórcio e amizade - ao qual a própria comunhão de bens está ligada -, segue-se que, se Deus deu José como marido à Virgem, Ele foi dado não apenas como parceiro de vida, testemunha da virgindade e guardião da honestidade, mas também para participar, através do pacto conjugal, da grandeza dele. 

Ele se impõe entre todos por sua augusta dignidade, pois, por disposição divina, era guardião e, na crença dos homens, pai do Filho de Deus. De onde se seguiu que a Palavra de Deus se submeteu a José, o obedeceu e lhe deu a honra e reverência que os filhos devem a seus próprios pais. 
A partir dessa dupla dignidade, seguiu-se a obrigação que a natureza impõe aos chefes das famílias, de modo que José, na época, era o guardião legítimo e natural, chefe e defensor da Sagrada Família. E durante todo o curso de sua vida, ele cumpriu totalmente essas acusações e responsabilidades. Dedicou-se com grande amor e preocupação diária a proteger sua esposa e o Filho Divino; regularmente, através de seu trabalho, recebia o necessário para a comida e as roupas de ambos. Ele cuidou da segurança da criança quando ameaçada pelo ciúme de um monarca e encontrou um refúgio para eles; nas misérias da jornada e na amargura do exílio, ele sempre foi a companhia, ajuda e apoio da Virgem e de Jesus. 
Agora, o lar divino que Jose dirigia com a autoridade de um pai, continha em si a Igreja que mal emergia. Pelo fato de que a Virgem Maria é a Mãe de Jesus Cristo, ela é a Mãe de todos os cristãos a quem ela deu à luz no Monte Calvário, em meio às dores supremas da Redenção.

Jesus Cristo é de alguma forma o primogênito dos cristãos, que por adoção e redenção são seus irmãos. E por essas razões, o Santo Patriarca vê a multidão de cristãos que compõem a Igreja como especialmente confiada aos seus cuidados, essa família ilimitada, espalhada por toda a terra, em quem, já que ele é o marido de Maria e o pai de Jesus Cristo mantém alguma autoridade dos pais. 

Portanto, é conveniente e altamente digno do bem-aventurado José que, assim como ele costumava proteger a família de Nazaré em todos os momentos, protege agora e defende com seu patrocínio celestial a Igreja de Cristo. Como ele é o marido de Maria e o pai de Jesus Cristo, ele mantém alguma autoridade parental.


Vocês entendem, Veneráveis ​​Irmãos, que essas considerações são confirmadas pela opinião de um grande número de Padres, e que a sagrada liturgia reafirma que o José dos tempos antigos, filho do patriarca Jacó, era um tipo de São José, e o primeiro por sua glória, prenunciava a grandeza do futuro guardião da Sagrada Família. E certamente, além do fato de ter recebido o mesmo nome - um ponto cuja relevância nunca foi negada - conhecemos bem as semelhanças que existem entre eles; Principalmente, que o primeiro José ganhou o favor e a benevolência especial de seu senhor e que, graças à administração de José, sua família alcançou prosperidade e riqueza; que - ainda mais importante - presidiu o reino com grande poder e, numa época em que as colheitas fracassavam, Ele proveu todas as necessidades dos egípcios com tanta sabedoria que o rei decretou para ele o título de "Salvador do mundo". É por isso que podemos prefigurar o novo no antigo patriarca.

E assim como o primeiro foi a causa da prosperidade dos interesses domésticos de seu mestre e, ao mesmo tempo, prestou grandes serviços a todo o reino, o segundo, destinado a ser a guardião da religião cristã, deve ser considerado como protetor e defensor da Igreja, que é verdadeiramente a casa do Senhor e o reino de Deus na terra. 

Essas são as razões pelas quais homens de todos os tipos e nações devem abordar a confiança e a tutela do abençoado José. Os pais encontram em José a melhor personificação da solicitude e vigilância dos filhos; cônjuges, um exemplo perfeito de amor, de paz, de fidelidade conjugal; as virgens, ao mesmo tempo, encontram nele o modelo e protetor da integridade virginal. Os nobres do nascimento aprenderão com José como guardar sua dignidade, mesmo em infortúnios; os ricos entenderão, com suas lições, quais são os bens que serão desejados e obtidos com o preço de seu trabalho. Quanto aos trabalhadores, artesãos e pessoas de menor grau, recorrer a São José é um direito especial e seu exemplo é para sua imitação particular. 

Para José, de sangue real, unido em casamento à maior e mais santa das mulheres, considerado o pai do Filho de Deus, passou a vida trabalhando e ganhou com o cansaço do artesão o apoio necessário para sua família. É verdade, então, que não há nada de vergonhoso na condição dos mais humildes, e o trabalho do trabalhador não é apenas não desonroso, mas, se ele une virtude, pode ser singularmente enobrecido. José, contente com seus poucos bens, passou nas provas que acompanham uma fortuna tão escassa, iminentemente, imitando seu Filho, que assumiu a forma de servo, sendo o Senhor da vida, se submeteu a si próprio. livre arbítrio à desapropriação e perda de tudo.

Por meio dessas considerações, os pobres e aqueles que vivem com o trabalho de suas mãos devem ser bondosos e aprender a ser justos. Se eles conquistam o direito de deixar a pobreza e adquirir um nível melhor por meios legítimos, a razão e a justiça os sustentam para mudar a ordem estabelecida, em primeira instância, pela Providência de Deus. Mas o recurso à força e às brigas por meio de conflitos e desordens para obter tais fins são loucuras que apenas agravam o mal que tentam suprimir. Que os pobres, então, para serem sábios, não confiem nas promessas dos homens belicosos e revoltados, mas no exemplo e no patrocínio do abençoado José, e na caridade materna da Igreja, que todos os dias têm maior compaixão por eles.

Papa Leão XIII – 15 de agosto de 1889

Oração a São José
A você, abençoado São José, chegamos em nossa tribulação e, depois de implorar a ajuda de sua esposa mais santa, também solicitamos com confiança seu patrocínio.
Com a caridade que você uniu à Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus, e pelo amor paterno com o qual abraçou o Menino Jesus, humildemente lhe imploramos que retorne olhos benignos à herança que Jesus Cristo adquiriu com seu Sangue e com o seu amor. Poder e alívio ajudam nossas necessidades.
Protege, ó depositário mais providente da família divina, a descendência escolhida de Jesus Cristo. Afaste de nós, ó pai amoroso, este flagelo de erros e vícios. Ajude-nos propício do céu, nesta luta contra o poder das trevas; e como você salvou a vida ameaçada do Menino Jesus da morte, agora defende a santa Igreja de Deus das insidias hostis e de todas as adversidades.
E para cada um de nós, nos proteja com seu constante patrocínio, para que, a seu exemplo, e sustentado por sua ajuda, possamos viver e morrer santos e alcançar a felicidade eterna no céu. 
Amém

Papa Leão XIII – 15 de agosto de 1889






Carta do Papa Francisco para o Mês de Maio



CARTA DO PAPA FRANCISCO
A TODOS OS FIÉIS PARA O MÊS DE MAIO DE 2020

Queridos irmãos e irmãs!

Já está próximo o Mês de Maio, no qual o povo de Deus manifesta de forma particularmente intensa o seu amor e devoção à Virgem Maria. Neste mês, é tradição rezar o Terço em casa, com a família; dimensão esta – a doméstica –, que as restrições da pandemia nos «forçaram» a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual.

Por isso, pensei propor-vos a todos que volteis a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podeis fazê-lo juntos ou individualmente: decidi vós de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para bem o fazer: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação.


Além disso, ofereço-vos os textos de duas orações a Nossa Senhora, que podereis rezar no fim do Terço; eu mesmo as rezarei no Mês de Maio, unido espiritualmente convosco. Junto-as a esta Carta, para que assim fiquem à disposição de todos.

Queridos irmãos e irmãs, a contemplação do rosto de Cristo, juntamente com o coração de Maria, nossa Mãe, tornar-nos-á ainda mais unidos como família espiritual e ajudar-nos-á a superar esta prova. Eu rezarei por vós, especialmente pelos que mais sofrem, e vós, por favor, rezai por mim. Agradeço-vos e de coração vos abençoo.

Roma, São João de Latrão, na Festa de São Marcos Evangelista, 25 de abril de 2020.

Francisco



Oração a Maria

Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que o providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.
Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amem.

À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.


Oração a Maria

«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».

Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiamo-nos sob a vossa proteção.
Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.
Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.
Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.
Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.
Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.
Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e económicas com clarividência e espírito de solidariedade.
Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do género no futuro.
Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.
Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.
Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amem.


quinta-feira, 30 de abril de 2020

30 de abril - Eu sou o pão da vida. Jo 6,48


Entre as palavras de vida eterna, pronunciadas pelo Filho de Deus, particular significado têm as palavras sobre o Pão da Vida. Recorda-as a liturgia com a passagem do sexto capítulo do Evangelho segundo João.
Diz Cristo: "Eu sou o pão da vida: o que vem a Mim jamais terá fome e o que acredita em Mim jamais terá sede".
Assim, pois, "nem só de pão vive o homem": nem só de alimento material.

Pelo contrário, com a força da palavra "que sai da boca de Deus", torna-se Pão Cristo mesmo: o Verbo Encarnado. Torna-se Pão: alimento das almas, alimento para a vida eterna.
Eis o que diz aos Seus ouvintes: "Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão que vem do Céu, pois o pão de Deus é o que desce do Céu e dá vida ao mundo".

Assim, pois, nem só de pão material vive o homem. Indispensável é a palavra de Deus, e o Pão que, com a força desta palavra, se torna Corpo de Cristo: alimento de vida eterna.

Na liturgia eucarística estão preparadas para nós duas mesas: a mesa da Palavra de Deus e a mesa do Corpo e do Sangue do Senhor. Pedimos que todos se aproximem dignamente destas duas mesas, recebendo o alimento da Vida Eterna. Rezamos para que em nós e em toda a Igreja cresça e se aprofunde a vida eucarística.
Papa São João Paulo II – 01 de agosto de 1982

 Hoje celebramos: