segunda-feira, 1 de maio de 2017

01 de maio - São José Operário

Aparentemente não há muito que se falar sobre São José, mas isso não é verdade. Há muito que se falar desse homem que foi o Pai adotivo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Patriarca da Sagrada Família, o Protetor da Igreja e que recebeu tantos outros títulos. Muitos papas já afirmaram que, depois da Virgem Maria, São José é o maior de todos os santos.

O Papa Pio XI, na encíclica em que trata do comunismo, Divini Redemptoris, de 19 de março de 1937, propõe São José como modelo para os trabalhadores, para os operários.
Até então não havia a festa litúrgica de São José Operário e foi somente Pio XII que, em 1955, instituiu essa festa.

A Igreja aponta-nos São José como o modelo de trabalhador em todas as espécies; e de modo especial também Jesus, pois o Mestre passou Sua juventude na carpintaria do seu pai adotivo e legal. Isso para nos mostrar a grandeza, dignidade e importância do trabalho. O Filho de Deus humanado trabalhou com mãos humanas. São Paulo disse aos tessalonicenses que “quem não quer trabalhar que não coma”.

José e Jesus foram executores de um trabalho braçal, simples e rude, para nos ensinar que todo trabalho é digno, bom e santificador. São José Maria Escrivá de Balaguer, criou o “Opus Dei” com a meta: “santificar o trabalho e ser santificado por ele”. Como disse Confúcio, “o trabalho é a sentinela da virtude”, e os santos disseram que “o ócio é a oficina do diabo”.

A preguiça gera muita dor. A lei do trabalho é uma lei de Deus, e quem a desobedece sofre e faz outros sofrerem: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado …” (Gn 3,19).
O nosso Catecismo ensina que:
“O trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC § 378).

O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. 
Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. 

Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. 
Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.


Papa Bento XVI – março de 2006

01 maio - Divina Pastora

O pastoreio era uma profissão quase obrigatória entre os povos antigos, porque as famílias, em grande parte, possuíam seus rebanhos, mesmo que fossem pequenos, que necessitavam ser protegidos contra os ataques de animais ferozes e até de ladrões.

A Bíblia tem inúmeras referências aos pastores, inclusive os profetas utilizaram a imagem dos pastores para falar do Messias.

Inicialmente chamada de "Virgen Zagala" (que significa: "a pastora que cuida do seu rebanho"), esta invocação simboliza uma mãe que cuida de seus filhos. Segundo a tradição, em Sevilha, na Espanha, um capuchinho de nome frei Isidoro, após uma grande procissão com a imagem de Maria, à noite, em oração, decidiu agradecer a Deus pelo constante aumento de fiéis nas procissões. Naquela mesma noite, recebeu a visita da Mãe de Deus em trajes de pastora, cercada de ovelhas, que lhe disse: “Queres fazer chegar os pecadores a Jesus? Faze-me conhecida do mundo, sob os trajes de pastora, que os homens acorrerão ao meu Filho quais dóceis ovelhas” era o dia 08 de setembro de 1703 – data na qual se comemora a festa da Natividade de Nossa Senhora. Ela apareceu sentada numa rocha, vestida como uma pastora e num local onde pastavam algumas ovelhas e trazia um cajado na mão, símbolo do pastoreio materno, da mãe que cuida de seus filhos. Desde logo Frei Isidoro, tornou-se num grande divulgador desta devoção.

Eram numerosos os pastores nessa época, e a devoção à Divina Pastora difundia entre eles a paciência, piedade e a convicção de que o ofício era uma nobre ocupação. Eles podiam contar com o exemplo e a proteção de Maria. 

Se entendermos o vocábulo pastora como aquela que cuida e guia o seu rebanho, a Virgem Maria foi a Pastora do Verbo que se encarnou, dando-lhe o primeiro templo que Deus habitou sobre a Terra: o Seu ventre. Também foi Pastora ao dar-lhe seu coração: a primeira escola do menino-Deus. Terminada sua missão terrena, foi depois Pastora nossa, desde o momento da Assunção de seu corpo e alma ao céu. 

Hoje, também nós, podemos nos sentir seguros, porque, como amável pastora, ela nos indica o caminho certo da oração que nos faz encontrar Jesus.

Oração
Oh Divina Pastora, levai-me a Jesus, o Bom Pastor, para que nada me falte. Fazei-me repousar em verdes pastagens.
Conduzi-me junto às águas refrescantes.
Restaurai as forças de minha alma.
Levai-me pelos caminhos retos, por amor ao nome de Jesus.
Ainda que atravesse o vale escuro, que eu nada tema, pois estais comigo.
Que o Vosso cajado seja meu amparo.
Amém!



01 de maio - Mês de Maria


Meio-dia. vejo a igreja aberta e entro.
Mas não é para rezar, ó Mãe, que estou aqui dentro.
Não tenho nada a pedir, nada para te dar.
Venho somente, Mãe para te olhar...
Olhar-te, chorar de alegria, sabendo apenas isto:
eu sou teu filho e tu estás aqui, Mãe de Jesus Cristo!
Ao meno por um momento, enquanto tudo para,
quero estar neste lugar em que estás, Maria.
Nada dizer, olhar simplesmente teu rosto,
e deixar o coração cantar ao seu gosto.
Nada dizer, somente cantar, 
porque o coração está transbordando...
Paul Claudel


No centro de nossa fé está Jesus Cristo. Ser cristão é fazer o que ele fez e amar o que ele amou. Pouco antes de sua morte, ao final, depois de uma convivência de três anos com os apóstolos, disse-lhes: "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo" (Jo 15,12). Portanto, seria errado amar Nossa Senhora mais do que Jesus a amou aqui na terra. Enquanto, porém, não amá-la como Jesus a amou não atingimos o ideal.  

Durante este mê de maio vamos recordar alguns títulos que exaltam as qualidades de Maria. 

domingo, 30 de abril de 2017

30 de abril - Beato Bento de Urbino

O Beato Bento de Urbino é, ainda hoje, modelo de oração constante, de contemplação, de austeridade, de presença salvífica junto dos irmãos e anunciador da Palavra de Deus, sobretudo, junto dos irmãos mais pobres e humildes.

Nasceu em Urbino a 23 de Setembro de 1560 no seio de uma família nobre. Recebeu no Batismo o nome de Marcos. Ficou órfão aos 10 anos de idade. Profundamente inteligente e com gosto pelo estudo, foi enviado, primeiro para Perusa, e depois para Pádua onde se doutorou em Direito, depois de um curso brilhante, tendo apenas 22 anos.

Passou a viver em Roma na corte do Cardeal João Jerônimo Albani, porém, teve de se afastar dali devido a dificuldades de índole familiar. Entretanto, ia amadurecendo a sua vocação religiosa e, saturado da vida mundana que se respirava à sua volta, ao fazer 23 anos, pediu para entrar na Ordem dos Capuchinhos. A sua constituição frágil e delicada criou-lhe grandes obstáculos, que venceu com a sua constante insistência e com as belíssimas qualidades morais de que se encontrava adornado.

Foi admitido à profissão na Ordem dos Capuchinhos em 1585, com o nome de Frei Bento de Urbino. Completados os estudos sacerdotais, foi ordenado presbítero. Aprovado para o ofício da pregação, bem depressa se entregou a esse ministério com grande fervor de espírito e simplicidade de palavra, atraindo a todos pela sua modéstia, por uma grande alegria de espírito unida à oração constante, à pobreza e austeridade.

Em 1599 foi escolhido para integrar o grupo de capuchinhos enviados à Boemia sob a direção de São Lourenço de Brindisi para aí defender e difundir a fé católica no meio dos Ussitas e Luteranos. Exerceu, ali, uma qualificada e prodigiosa atividade. Porém, por motivos de saúde e pela dificuldade em falar a língua local, teve de voltar para o seu país. Novamente na sua terra, retomou o apostolado, tendo como preferidos os lugares e as pessoas mais humildes e mais pobres. Dedicou-se também à educação da juventude e viveu uma vida de ascese. Foi escolhido Guardião e posteriormente Definidor da sua Província.

Extremamente humilde, fugia de tudo aquilo que pudesse trazer-lhe motivo de honra ou de glória. A sua meditação preferida era a Paixão de Jesus. Amava a Virgem Maria com ternura filial, preparando-se sempre para as suas festas com uma novena de orações e de jejum. A sua oração era contínua. Sendo Guardião, jamais dispensou os seus irmãos das duas horas de meditação.

Com paciência e resignação, suportou as doenças que martirizavam o seu frágil corpo, ao ponto de ficar reduzido a pele e ossos. Flagelava-se com disciplinas de ferro e levava apertado à cintura o cilício. Era extremamente frugal na sua alimentação. Viajava a pé e descalço. Dormia muito pouco. Consagrava horas sem conta à oração, à pregação e ao confessionário. Para ele sofrer era uma alegria. O sofrimento considerava-o como uma identificação com o Senhor Crucificado; a dor via-a como semente de felicidade eterna. Com muita antecedência previu a sua morte que ele mesmo anunciou, esperando-a com serenidade e alegria, à maneira do Pai São Francisco, para dela voar para o céu.

Sentindo próxima a última hora, pediu o viático e a unção dos doentes que recebeu com piedade. Na tarde de 30 de Abril de 1625, plácida e serenamente, entregou o seu espírito nas mãos do Senhor, em Fossombrone, no Convento de Montesacro onde ainda hoje se conserva o seu corpo. Tinha 65 anos de idade dos quais 41 passados na Ordem Capuchinha no exercício das mais heroicas virtudes.
O seu funeral constituiu uma solene manifestação de piedade e veneração. Os milagres logo tornaram célebre o seu sepulcro. Por isso mesmo, o Papa Pio IX beatificou-o em Roma a 15 de Janeiro de 1867.
Para todos, o Beato Bento de Urbino é, ainda hoje, um modelo de oração constante, de contemplação, de austeridade, de presença salvífica junto dos irmãos e anunciador da Palavra de Deus, sobretudo, junto dos irmãos mais pobres e humildes.

ORAÇÃO

Senhor, nosso Deus, que glorificais sempre a santidade dos que Vos servem fielmente, despertai em nós o mesmo amor à Cruz e o mesmo zelo pelo ministério da Palavra, que tão maravilhosamente ardia no coração do Beato Bento de Urbino. Por Nosso Senhor.

sábado, 29 de abril de 2017

29 de abril - Santa Catarina de Sena

Canonizada em 1461 por Pio II, Caterina di Iacopo di Benincasa, que não tinha aprendido a ler nem a escrever, foi em 4 de outubro de 1970, solenemente proclamada doutora da Igreja por Paulo VI.

Catarina era a vigésima terceira de uma família de vinte e cinco irmãos.  Nasceu em 25 de março de 1347, em Sena, na Itália.  Seu pai Iacopo,era um homem piedoso e caridoso…Lapa, era excelente mãe. Amava os filhos com fervor e ternura: a perfeita mamma popular, à italiana. Na velhice, a exemplo da filha Catarina, tornou-se terciária dominicana.

Quando Catarina tinha seis anos, voltava com o irmão Stefano da casa da irmã mais velha, Bonaventura. As duas crianças subiam a ladeira, a Valle Piata, erguendo os olhos para o cimo da Igreja de São Domingos, dos irmãos pregadores, a menina de repente viu diante de si “suspenso no ar, um trono de grande beleza, ornado com uma magnificência majestosa. Nesse trono, como um imperador ornamentado à maneira pontifical, tiara na cabeça, estava sentado o Senhor Jesus Cristo, Salvador do mundo. Perto dele estava Pedro, o príncipe dos apóstolos, Paulo e o santo evangelista João.”
Diante dessa visão, a menina ficou como que grudada ao solo, olhar fixo, olhando amorosamente seu Salvador e Senhor, que para mostrar seu amor assim se mostrava. Com os olhos fixados na menina, olhos cheios de majestade, e com um sorriso doce, ele ergueu a mão direita e, fazendo o sinal da cruz, como fazem os prelados, concedeu-lhes o dom de sua benção eterna.

Tomada de um zelo ainda infantil, ela saiu pela porta de Sant’ Ansano, refugiou-se em uma gruta e pôs-se a rezar com fervor; ei-la a erguer-se “lentamente no ar, até a altura máxima permitida pela gruta”, para assim permanecer até cerca de três horas da tarde.

Catarina tinha então sete anos (1354). Seu espírito amadurecera. Já nesta altura, quando tomava uma decisão, nada detinha sua vontade. Sua vocação se afirmava. Para não mais recuar, precisava engajar-se para sempre. Certo dia, em um lugar retirado, ela se ajoelhou, instalou um longo silêncio no coração e, em seguida, em voz alta, dirigindo-se à Virgem Maria, pronunciou as seguintes palavras:
“Bem-aventurada e Santa Virgem, vós que sois a primeira entre todas as mulheres, que consagrastes perpetuamente vossa Virgindade ao Senhor, por graça de quem vos tornastes a Mãe de seu único Filho, suplico vossa incomparável clemência que, sem olhar meus méritos nem minha indignidade, dignai-vos conceder-me a imensa graça de me dar por Esposo Aquele que desejo com todas as forças da minha alma, vosso Santíssimo Filho, o único Senhor, Jesus Cristo. Eu vos prometo, a ele e a vós, jamais escolher nenhum outro esposo e tudo fazer para conservar intacta minha pureza.”

Depois deste voto, tudo passou a indicar o progresso feito por Catarina na via da santidade, a fim de preservar a pureza de seu corpo e de seu espírito. Seu pendor para a mortificação acentuou-se a tal ponto que atingiu proporções inquietantes: a recusa em comer carne (disfarçadamente ela repassava os pedaços a seu irmão Stefano, ou jogava-se para os gatos); as flagelações, sozinha ou com as amiguinhas; o interesse intenso pela severidade da ascese dos santos famosos. 

Catarina guardava, porém, em segredo o voto de consagrar sua vida a Deus. Tinha então treze anos.
A morte de sua irmã Bonaventura fez redobrar o empenho da família Benincasa em encontrar um marido para Catarina. Catarina recusava categoricamente esse destino que, aos olhos das pessoas ao redor, se impunha sem discussão a uma jovem que caminhava para seus quinze anos.
O furor dos Benincasa ultrapassou os limites. Reprovação, imprecações, insultos grosseiros, sarcasmos, ameaças, insultos de todo tipo…. Assim, maltratada pelos seus, feita de empregada, alvo constante de sarcasmos, Catarina, no frescor de sua imaginação, teve uma ideia preciosa que a ajudou a suportar suas desgraças.

Transformada em serviçal para todo tipo de tarefas, pôs-se na cabeça que seu pai representava Jesus Cristo em pessoa, que sua mãe era a própria Maria, a gloriosa Mãe de Deus, e que as demais pessoas de casa eram apóstolos e discípulos do Senhor. Desse modo, ao servir a mesa, ela se imaginava servindo ao seu Divino Esposo, enquanto, ao cozinhar, ocupava-se dos santos mistérios. Com isso ela fazia reinar a alegria a si mesma e ao redor.


Um sonho lhe mostrou o caminho que se abria diante dela. São Domingos de Gusmão apareceu-lhe em pessoa durante o sono. Tendo à mão um lírio de brancura radiante e, dobrado sob o braço o hábito das Irmãs Dominicanas da Penitencia, bastante numerosas então em Sena, ele lhe disse: “não deves temer nenhum obstáculo, pois, segundo teu desejo, eu te asseguro que vestiras este habito.”
Diante de toda a família reunida, Catarina revelou seu voto de virgindade e proclamou sua decisão irrevogável de se entregar a Deus. Serva junto aos seus, até o fim de seus dias, ou jogada à rua, se assim o quisessem, o Esposo “tão rico e poderoso” que ela escolhera nunca a abandonaria.

Lapa estava horrorizada e desesperada com isso. Suspirava, arranhava o rosto, arrancava os cabelos. “Minha pobre filha”, gritava ela, “eu te vejo morta, vais acabar te matando, não há a menor dúvida! Pobre de mim! Quem roubou minha filha?! Que fiz para merecer tamanha desgraça?.

Aos quinze anos, Catarina ingressou na Ordem Terceira de São Domingos. Durante as orações contemplativas, envolvia-se em êxtase, de tal forma que só esse fato possibilitou que convertesse centenas de almas durante a juventude. Já adulta e atuante, começou por ditar cartas ao povo, orientando suas atitudes, convocando para a caridade, o entendimento e a paz. Foi então que enfrentou a primeira dificuldade que muitos achariam impossível de ser vencida: o cisma católico.

Dois papas disputavam o trono de Pedro, dividindo a Igreja e fazendo sofrer a população católica em todo o mundo. Ela viajou por toda a Itália e outros países, ditou cartas a reis, príncipes e governantes católicos, cardeais e bispos, e conseguiu que o papa legítimo, Urbano VI, retomasse sua posição e voltasse para Roma. Fazia setenta anos que o papado estava em Avignon e não em Roma, e a Cúria sofria influências francesas.



Outra dificuldade, intransponível para muitos, que enfrentou serenamente e com firmeza, foi a peste, que matou pelo menos um terço da população européia. Ela tanto lutou pelos doentes, tantos curou com as próprias mãos e orações, que converteu mais algumas centenas de pagãos. Suas atitudes não deixaram de causar perplexidade em seus contemporâneos. Estava à frente, muitos séculos, dos padrões de sua época, quando a participação da mulher na Igreja era quase nula ou inexistente.

Em 1º de abril, um domingo de Ramos, ela assistiu à missa celebrada por frei na Capela de Santa Cristina. Depois da comunhão, entrou em êxtase. Seu corpo prostrado levantou-se aos poucos, pôs-se de joelhos, os braços se abriram em cruz, o rosto se iluminou. Permaneceu assim por muito tempo, retesada, de olhos fechados; em seguida, de repente caiu como que ferida de morte, antes de recuperar logo depois as forças. “Então”, prosseguiu frei Raimundo, ela me chamou e me disse em voz baixa: Saiba, padre, que pela misericórdia do Senhor, levo no corpo esses estigmas. Vi o Senhor pregado na cruz vir até mim em meio a uma grande luz. O arrebatamento da minha alma, desejosa de ir ao Criador foi tamanho que meu corpo foi obrigado a subir. Daí essas cicatrizes de suas santas chagas; vi descer na minha direção cinco raios de sangue, dirigidos para minhas mãos, meus pés e meu coração.

Catarina de Sena morreu no dia 29 de abril de 1380, após sofrer um derrame aos trinta e três anos de idade. Depois de acusar de suas faltas, Catarina recebeu a absolvição pela segunda vez em nome da indulgência que lhe concedera o papa Urbano VI. Em seguida, rezou ardentemente, olhos detidos no crucifixo, fazendo as últimas recomendações a seus discípulos. Teve ainda forças para abençoar os que se encontravam ao redor, assim como amigos que estavam ausentes. Em meio a suas últimas palavras retornou à imagem que lhe era muito cara: o sangue, símbolo da graça do Cristo.
Barduccio Canigiani assim relatou seus últimos instantes: “Assim ela chegava ao fim tão desejado, sempre rezando.
E dizia: “Senhor, tu me chamas para que eu vá a ti, e eu vou; por certo não por causa dos meus méritos, mas graças somente a tua misericórdia. É ela que te peço em nome do sangue dulcíssimo de teu Filho." E clamou várias vezes: “O sangue, o sangue”. Em seguida, falando com grande doçura: “Pai, em tuas mãos coloco minha alma e meu espírito… Era domingo, anterior à Ascensão, 29 de abril de 1380, por volta de meio-dia.”
Sua cabeça está em Sena, onde se mantém sua casa, e seu corpo está em Roma, na Igreja de Santa Maria Sopra Minerva.