domingo, 10 de abril de 2016

Santa Madalena de Canossa

“Façam conhecer Jesus Cristo. Ele não é amado porque não é conhecido”, dizia Madalena Canossa nas regras da Congregação das Filhas da Caridade por ela fundada.

Madalena Gabriela Canossa nasceu em 1º de março de 1774 na cidade italiana de Verona. Madalena era a terceira de seis filhos de uma família muito rica. Seu pai faleceu quando tinha apenas cinco anos e sua mãe abandonou os filhos dois anos depois em busca de um novo casamento. Foram então destinados aos cuidados de uma instituição religiosa.

Madalena, no ano de 1791 aos dezessete anos, sentindo o apelo do coração para se consagrar a Deus, ingressa em um convento carmelita, mas ali descobre não ser seu lugar nem sua vocação e então retorna para sua casa. Ao retornar para sua cidade, foi tomada de pavor pelos conflitos sociais gerados com a Revolução Francesa. Pobreza, miséria, doenças e outras situações motivaram o coração da jovem a ser canal da misericórdia e caridade de Cristo àqueles que sofriam.

Iniciou então a administração do palácio no qual vivia, destinando seus bens não somente à nobreza, mas também ao auxílio dos pobres. Em 1801, acolheu duas jovens que pediam abrigo em seu palácio. Ela não só as abrigou como recolheu muitas outras. Pressentiu que este era o caminho que Deus desejava que ela seguisse e descobriu em Cristo Crucificado o ponto central de sua espiritualidade e de sua missão. Abriu o Palácio dos Canossa e fez dele não uma hospedaria, mas uma comunidade de religiosas, mesmo contrariando seus familiares.
Em 1808, juntamente com suas companheiras, Madalena recebe um mosteiro abandonado no bairro San Zeno. O bairro era muito pobre e a jovem inicia os trabalhos de evangelização, educação e promoção humana com os pobres e necessitados no antigo mosteiro que passou a se chamar Convento de São José. Nasceu a partir daí a Congregação das Filhas da Caridade.
Escreveu as regras da congregação que foram aprovadas em 1831, pelo Papa Leão XII. Em 1831, funda a casa masculina dos Filhos da Caridade em Veneza.

Madalena morreu numa sexta-feira da Paixão, no dia 10 de abril de 1835 na cidade de Verona, foi beatificada em 08 de dezembro de 1941 pelo Papa Pio XII e canonizada pelo Papa João Paulo II em 2 de outubro de 1988.

Santa Madalena legou aos seus Filhos da Caridade a grande herança de viver "dispostos pelo divino serviço a ir a qualquer país, até mesmo o mais remoto".  
As Filhas da Caridade atravessaram o oceano para o Oriente em 1860, atualmente são cerca 4.000, presentes nos cinco continentes; os Filhos da Caridade são cerca 200 e atuam em diversas cidades da Itália e além-mar. Os filhos de Madalena são chamados de Irmãs e Irmãos Canossianos.

Dentre os filhos de Santa Madalena está Santa Josefina Bakhita
  
"Estando eu em oração diante do Santíssimo Sacramento vi, de repente e sem pensar Jesus Cristo Crucificado, todo coberto de chagas e de sangue...” 

“Enquanto recebia a Sagrada Comunhão, fui assaltada por um ímpeto de amor tão repentino – que não sei explicar.”

“Senti um desejo tão forte de morrer e do Paraíso que não sabia o que fazer para não o pedir.”


sábado, 9 de abril de 2016

Beata Margarida Rutan

O testemunho heroico de irmã Margarida chega até nós. Sua total doação da  vida ao Senhor, no serviço aos pobres e doentes, segundo o carisma de São Vicente de Paula e Louise de Marillac , levou-a a morrer no cadafalso da guilhotina durante os terríveis anos da Revolução Francesa , um período marcado por violenta perseguição dos cristãos .

Margarida Rutan nasceu no dia 23 de abril de 1736, em Metz, e foi a oitava de quinze filhos. Margarida foi batizada no mesmo dia de seu nascimento na Igreja de Santo Estevão de Metz.

Seu pai era Carlos Gaspar Rutan e sua mãe Maria Forat. Eram pais exemplares que deram a seus filhos uma religiosidade forte, tanto que outras duas irmãs de Margarida, Francisca e Teresa Antonieta, se tornarem Irmãs nas Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo. Ambas morrem jovens: a primeira em 1764, a segunda em 1770.
Aos 18 anos, Margarida sentiu um forte desejo de dedicar sua vida ao Senhor, e informou à família a decisão de se tornar também religiosa das Filhas da Caridade. Mas não lhe foi concedida autorização até a idade de 21 anos.
Em 23 de abril de 1757, data de seu batismo e seu aniversário de 21 anos, Margarida ingressou na Casa-Mãe do Instituto, em Paris, no subúrbio de Saint-Denis. Em setembro daquele ano, a Irmã Margarida terminou o período de formação inicial e foi enviada pela Comunidade "em missão" a vários hospitais na França, onde ela estaria a serviço dos doentes.
Consta que ela foi enviada a Paris em 1757. Ainda se sentiam os efeitos das grandes festas de canonização de São Vicente de Paulo (1732) e nos 15 anos de estadia em Pau, Irmã Margarida viveu num contexto ainda fortemente impregnado de recordações das virtudes e da santidade do Fundador.

A pedido do Bispo e do administrador do hospital da cidade de Dax, que necessitavam de uma Irmã particularmente hábil e capaz para administrar o hospital, a Superiora decidiu enviar Irmã Margarida. Ela chegou no mês de agosto de 1789. Documentos e testemunhos atestam os dotes de ótima organizadora da nova Superiora, a qual contribuiu para a melhora da estrutura do hospital, pela sua ampliação e pela construção de uma nova capela. Não foi inferior a sua contribuição ao quadro assistencial dos doentes. Diversos soldados, feridos em combate, eram enviados ao hospital e as Filhas da Caridade atendiam-nos com diligência.
Dia a dia a figura da nova Superiora conquistava notoriedade e prestigio, o que a tornava conhecida também dos chefes da Revolução.

Devemos nos recordar que Irmã Margarida chegou a Dax em 1789 na idade de 43 anos, e desenvolveu seus trabalhos nos anos os mais duros e violentos da Revolução Francesa. E ela, como pessoa de proa, foi perseguida pelos revolucionários, pessoas embebidas de ódio contra a Igreja e a monarquia. Em Dax funcionava uma Sociedade Popular, o Comitê de Vigilância e Representantes do Povo, do qual faziam parte personagens animadas de forte ódio contra a Igreja.
Em 3 de outubro de 1793, todas as Irmãs que serviam em hospitais ou escolas, se viram diante da escolha: ou fazer o juramento da nova constituição revolucionária, ou retirar-se do emprego. As Filhas da Caridade do hospital de Dax recusaram o juramento com todas as suas consequências.
Em dezembro 1793, uma delegação da Sociedade Popular da cidade de Dax, expôs ao Comitê de Fiscalização queixa contra o hospital de Dax e a superiora, trazendo várias acusações contra ela.

Irmã Margarida foi acusada de corromper e enfraquecer com a sua falta de civismo os soldados revolucionários e republicanos que foram hospitalizados para tratamento, e foi acusada também por ser reconhecida como nobre e não respeitar os sans-culottes da cidade (assim eram chamados os revolucionário). O Comitê considerou que as acusações tinham fundamento e a declararam antipatriótica, contrária aos princípios da revolução, fanática, supersticiosa e aristocrata.

Irmã Margarida foi colocada na prisão no dia 24 de dezembro de 1793, junto com outras 54 senhoras, no ex-convento das Carmelitas, transformado em prisão feminina, enquanto os homens eram encarcerados no ex-convento dos Capuchinhos.
Em 3 de março de 1794, outras Filhas da Caridade do hospital foram encarceradas, porque demonstraram na sua conduta “aristocracia”, “fanatismo”, “superstição”.

Em 28 de março de 1794, foi feita uma investigação em sua cela, onde foram encontrados folhetos e objetos que, segundo o julgamento dos revolucionários, eram provas de seu espírito antirrepublicano e de seu envolvimento com personagens contrários a revolução.
Na prisão, Irmã Rutan fora mantida em total isolamento e submetida a toda sorte de interrogatórios judiciais, nos quais não lhe foi concedido o direito de se defender. No final do último interrogatório, os juízes emitiram a sentença, que seria executada no mesmo dia. Após a leitura da sentença, a Irmã Margarida queria responder a essas acusações injustas, mas a um sinal do presidente, o rufar de tambores ecoaram tão alto que encobriram a voz dela.

Após quatro meses de cativeiro, a Irmã Margarida foi executada com o Padre Lannelongue, seu companheiro de martírio. A Irmã Margarida teve as mãos atadas atrás das costas e foi em seguida amarrada ao Padre Jean Eutrope Lannelongue. Quando a procissão começou a se mover, a Irmã Margarida cantou o Magnificat. Era a tarde de 9 de abril de 1794, quarta-feira da Semana da Paixão. No domingo seguinte foi a Páscoa da Ressurreição.
Os dois soldados mais próximo da carroça não conseguiam esconder a profunda tristeza pelas duas vítimas inocentes que iam acompanhando ao cadafalso. Margarida, sentindo-se tocada pelo sentimento deles, depois de tentar em vão consolá-los como um sinal de amizade, deu a um o seu relógio e ao outro o seu lenço.

Não baixou os olhos quando guilhotinaram o sacerdote. Aos que sugeriam que ela olhasse em outra direção dizia-lhes: ‘Como acham que vou ter medo de ver morrer um inocente?’

Só reagiu quando o carrasco quis descobrir o seu pescoço. ‘Detenha-se, um homem nunca me tocou!’, disse-lhe. Para muitos condenados os últimos passos foram os mais difíceis de dar (…) Ela caminhou firme, subiu as escadas com passo firme, rezou, se ajoelhou e abaixou a cabeça, pronta para receber o golpe mortal. A cabeça caiu, mas a alma, acompanhada de muitas pessoas pobres que ela serviu, entrou no reino dos céus para receber a palma e a coroa do martírio.
A Irmã Margarida Rutan foi beatificada no dia 19 de junho de 2011, em Dax, França.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Beato Augusto Czartoryski

"Como são amáveis as tuas moradas, ó Senhor do universo! A minha alma suspira e tem saudades dos átrios do Senhor... Um dia em teus átrios vale por mil" (Sl 84, 2.11). O beato Augusto Czartoryski escreveu estas palavras do Salmo como lema de vida sobre a pequena imagem da primeira Missa. Nelas está contido o arrebatamento de um homem que, seguindo a voz do chamado, descobre a beleza do ministério sacerdotal. Ressoa nelas o eco das diversas opções que deve fazer quem descobre a vontade de Deus e deseja cumpri-la. Augusto Czartoryski, jovem príncipe, elaborou um método eficaz de discernimento dos desígnios divinos. Apresentava a Deus na oração todas as perguntas e perplexidades principais e, depois, em espírito de obediência seguia os conselhos dos seus guias espirituais. Compreendeu assim a sua vocação de empreender a vida pobre para servir os mais pequeninos. O mesmo método permitiu-lhe, ao longo de toda a sua vida, realizar tais opções, podendo nós hoje dizer que ele realizou os desígnios da Providência Divina de maneira heroica.
Desejo deixar o exemplo da sua santidade sobretudo aos jovens, que hoje procuram a maneira para decifrar a vontade de Deus em relação à sua vida e desejam comportar-se todos os dias em fidelidade à palavra divina. Meus queridos jovens amigos, aprendei do beato Augusto a pedir ardentemente na oração a luz do Espírito Santo e guias sábias, para que possais conhecer o plano divino na vossa vida e sede capazes de caminhar sempre pelos caminhos da santidade.
Homilia de Beatificação – Papa João Paulo II – 25 de abril de 2004

Nasceu em Paris (França), a 2 de Agosto de 1858. De linhagem nobre, filho do Príncipe Ladislau e da Princesa Maria, do exílio francês procurava restabelecer a unidade da sua pátria polaca, mas os desígnios de Deus para ele eram outros. De saúde sempre frágil, depressa compreendeu que não tinha nascido para a vida abastada da corte.

Um momento decisivo foi o seu encontro com Dom Bosco, em quem identificou o pai da sua alma e o juiz do seu porvir. No jovem Augusto a vocação à vida religiosa esclarecia-se cada vez mais, e o Santo educador passou a ser um ponto de referência no seu discernimento vocacional: 
Em maio de 1883, Dom Bosco estava na França. Foi convidado ao Palácio Lambert pela princesa Margarida de Orléans. Augusto ajuda­va na Missa, e o Santo lhe disse: "Faz muito tempo que desejava co­nhecê-lo", O príncipe ficou eletrizado com aquele encontro. A seguir, foi diversas vezes a Turim, Itália, para visitar Dom Bosco. Pedia-lhe com insistência para fazer parte dos salesianos, mas o Fundador não estava convencido. Augusto falou com o Papa Leão XIII, que convi­dou Dom Bosco a aceitar o príncipe.
Assim, renunciando a todos os seus direitos em favor dos irmãos, no dia 24 de Novembro de 1887 recebeu o hábito talar na Basílica de Maria Auxiliadora, das mãos de Dom Bosco, que faleceria dois meses depois.

Após os estudos de Teologia, completados com grande dificuldade por causa do estado precário da sua saúde e da contrariedade dos familiares e, sobretudo do seu pai (a sua mãe faleceu quando ele tinha seis anos de idade), Augusto recebeu a Ordenação sacerdotal a 2 de Abril de 1892, ocasião esta em que houve uma tácita reconciliação familiar.

Contudo, a sua vida presbiteral só duraria um ano. De fato, faleceu em 8 de Abril de 1893, depois de cinco anos de vida salesiana, que um Purpurado quis descrever com estas palavras:  "A sua conformidade perfeita com a vontade divina na enfermidade fê-lo heroico na paciência e invencível no amor a Deus!".

Os seus restos mortais foram transladados para a Polônia e sepultados no túmulo de família, na cripta paroquial de Sieniawa, onde Augusto tinha recebido a primeira Comunhão e, em seguida, para a igreja salesiana de Przemysl, onde jazem até hoje.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Beato Zeferino Agostini

«O Senhor assistiu-me e deu-me forças» (2 Tm 4, 17). Estas palavras do Apóstolo a Timóteo bem se aplicam ao Padre Zeferino Agostini o qual, embora entre inúmeras dificuldades, jamais perdeu a coragem. Ele é-nos apresentado hoje como humilde e firme testemunha do Evangelho no fecundo período da Igreja de Verona nos meados do século XIX. Sólida foi a sua fé, eficaz a sua ação caritativa e ardente o espírito sacerdotal que o distinguiu.
O amor do Senhor impeliu-o no seu apostolado voltado para os mais pobres, e em particular para a educação cristã das jovenzinhas, especialmente as mais necessitadas. Ele compreendeu bem a importância da mulher como protagonista do saneamento da sociedade, nos seus papéis de educadora para os valores da liberdade, da honestidade e da caridade.
Recomendava às Ursulinas, suas filhas espirituais: «As meninas pobres sejam o mais caro objeto dos vossos cuidados, das vossas atenções. Sensibilizai as suas mentes, educai para a virtude o seu coração, salvai as suas almas do funesto contato do mundo perverso» (Scritti alle Orsoline, 289). Possa o seu exemplo constituir um válido encorajamento para quantos hoje o honram como Beato e o invocam como protetor.

Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação – 25 de outubro de 1988

Zeferino Agostini nasceu em Verona, Itália, no dia 24 de Setembro de 1813. Terminados os estudos teológicos no Seminário diocesano, recebeu a Ordenação sacerdotal a 11 de Março de 1837, tendo iniciado o seu ministério como Vigário cooperador na Paróquia dos Santos Nazário e Celso e Assistente do Oratório dos jovens e da catequese.
Em 1845 assumiu a função de pároco da vasta paróquia dos Santos Nazário e Celso, cargo que o Padre Agostini exerceu durante 51 anos com incansável dedicação, empenhando-se na própria santificação e no trabalho pastoral em favor das almas. No decorrer desses anos não faltaram momentos difíceis e dolorosos, tais como aqueles das três guerras (1848, 1859 e 1866), quando se dedicou ao cuidado dos feridos e, em 1855, também dos afetados pela epidemia da cólera.

A sua vida sacerdotal caracterizou- se ainda como fundador, não por uma opção programada mas devido a uma série de circunstâncias, que o levaram a realizar um desígnio de Deus. De fato, para ter uma ajuda na ação pastoral, especialmente para a população feminina, recorreu a institutos religiosos já existentes, como o das Filhas da Caridade Canossianas. Mas não obteve muito sucesso nesta tentativa, e então dispôs-se a aceitar e acolher as ocasiões que lhe foram apresentadas para levar avante o trabalho pastoral em prol da promoção da juventude feminina. A partir do Oratório para as jovens, por ele animado com o ideal de Santa Angela Mérici, surgiu um grupo de colaboradoras para a Escola da caridade para as jovens. A partir de 1860 algumas dessas colaboradoras iniciaram uma vida em comunidade, e o Padre Zeferino Agostini confiou-as aos cuidados das Irmãs de Maria Menina.

Somente mais tarde, em 1869, amadureceu a convicção de sustentar a obra e de lhe dar uma fisionomia, inspirando-se em Santa Angela Mérici. Nesse ano ele foi encarregado de reconstituir na diocese a «Companhia de Santa Úrsula » e neste âmbito empenhou-se também em formar um pequeno grupo de jovens que tinham resolvido viver em comum e auxiliar no apostolado paroquial. Esta pequenina semente germinou pouco a pouco, e dela surgiu a Congregação das Irmãs Ursulinas Filhas de Maria Imaculada, com o encargo de serem apóstolas na específica missão de fazer «todo o bem possível» ao próximo e em particular às jovens.

A missão de fundador não diminuiu a sua figura de pároco zeloso, mas comportou uma série de problemas econômicos e maiores empenhos. Continuou a dedicar-se ao ministério paroquial, aprimorando-se na obra de catequese, de assistência caritativa e de formação para a vida cristã. Inúmeras foram as suas instruções e pregações, documentadas nos seus manuscritos que testemunham o zelo pela Palavra de Deus e a orientação na vida espiritual de todos, sobretudo dos seminaristas e sacerdotes que a ele recorriam para os exercícios espirituais. O Padre Zeferino faleceu no dia 6 de Abril de 1896, deixando um exemplo a ser seguido e um patrimônio espiritual a ser difundido.

Por tudo isto, o Padre Agostini, sacerdote por vocação, pároco por missão, fundador pela providencial ocasião, oferece um exemplo admirável de vida sacerdotal, de apostolado paroquial e de orientador ao serviço do bem das suas filhas espirituais.

Hoje, a Congregação das Irmãs Ursulinas Filhas de Maria Imaculada estão difundidas em várias dioceses da Itália, em Madagáscar, na Suíça e na América Latina, salientando-se o seu trabalho no Uruguai (1965), no Brasil (1979) em muitas dioceses do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso e do Paraná, e ultimamente no Paraguai (1992), dedicando-se com fidelidade à vivência do próprio carisma inspirado em Santa Angela Mérici e na intuição providencial do Padre Zeferino Agostini, para o bem da juventude feminina.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Beato Mariano da Mata Aparício

O Bem-Aventurado Padre Mariano não fez milagres quando era vivo, nem realizou ações extraordinárias, mas levou uma vida aparentemente comum na enorme e dinâmica cidade de São Paulo, um santo "admirável e imitável", ao gosto do bondoso povo brasileiro. Em sua vida podemos apreciar uma autêntica heroicidade, aquela que tem o amor como motor, até nas mínimas ações.

No aconchego de uma família eminentemente cristã, na localidade de Barrio de la Puebla, Espanha, no dia 31 de dezembro de 1905, nasceu o menino Mariano. Os pais, Manuel e Martina, foram educando e formando a consciência do filho Mariano e dos outros sete irmãos (três homens e quatro mulheres), semeando com a palavra e o testemunho de uma vida autenticamente cristã, a semente da fé e do amor, que seriam depois a essência da vida daquele menino. Nesse ambiente familiar e cristão, não foi difícil surgir a vocação para a vida sacerdotal e religiosa agostiniana; vocação ainda reforçada pelo incentivo dos outros três irmãos, que também tinham abraçado a Ordem Agostiniana.

Em 1921, ingressou no seminário agostiniano de Valladolid, Espanha, completando assim o marco agostiniano mais precioso daquela família abençoada. Em 25 de julho de 1930 é ordenado Sacerdote. Estava pronto para iniciar a sua missão e coroar sua vocação de modo definitivo. Padre Mariano era sacerdote e agostiniano. Estava preparado para os grandes desafios que a obediência deveria encomendar-lhe na Espanha e, a partir do dia 21 de agosto de 1931, em terras brasileiras.

No Brasil atuou na paróquia de Taquaritinga. Em 1933, foi transferido para o Colégio de Santo Agostinho, em São Paulo, onde foi professor, secretário e ecônomo. Entre 1945 e 1948, foi superior da Vice-Província Agostiniana do Brasil. Em 1949, foi para o Colégio de Engenheiro Schmidt, sendo diretor por três anos e professor e conselheiro da Vice-Província até 1960. A seguir, transferiu-se novamente para o Colégio de Santo Agostinho, em São Paulo, onde permaneceu até o fim da vida.

O exemplo dos tios sacerdotes e religiosos penetrou no mais íntimo dos lares das quatro irmãs, de tal maneira que, anos depois, também três sobrinhos e três sobrinhas abraçariam a vida religiosa agostiniana. Como gostava o Padre Mariano de viver intensamente essa feliz realidade agostiniana, que tanto enriquecia e unia aquelas quatro famílias!
Para os sobrinhos, o Padre Mariano era o "tio". Assim o chamavam com muito carinho. Dois deles acompanhariam os últimos momentos da sua vida aqui na terra, vindos da Colômbia e do Peru, onde realizavam o seu trabalho pastoral e missionário, como religioso e religiosa agostinianos.

A natureza contagiava Padre Mariano. O seu divertimento eram o cultivo e o cuidado das plantas e das flores. Falava com elas, acariciava as suas folhas, emocionava-se diante delas. Cada planta, mesmo a mais raquítica e menos vistosa, para nós sem valor, era para Padre Mariano uma exaltação da beleza da criação. Tinha o seu jardim no terraço do Colégio. Permanecia ali nos seus momentos de relaxamento. Essa sensibilidade adquiria uma dimensão portentosa quando se tratava da família, dos amigos, dos ex-alunos, dos sofredores, dos mais necessitados. É difícil esquecer aquele momento, quando recém-operado de catarata em Belo Horizonte, em visita realizada à igreja, emocionado exclamou ao ver a imagem de Nossa Senhora da Consolação: "Estou vendo as suas cores". Acolhia com alegria, entregava-se com generosidade, acompanhava com espírito samaritano, servia com o coração aberto. Possuía um coração verdadeiramente sensível. Os seus grandes amores eram: a Eucaristia, Nossa Senhora, as crianças, os pobres, os enfermos. As suas maiores paixões: a natureza, a família, as oficinas de Santa Rita de Cássia, as vocações agostinianas.

De caráter firme, mas generoso, espontâneo, desprendido e muito sensível diante da dor; de talante samaritano e autêntico servidor, Padre Mariano terá a sua vida marcada pelo amor aos que sofrem. Verdadeiro mensageiro do amor, levará aos doentes o conforto da sua presença e da sua palavra de esperança. Não importavam as deficiências auditivas e visuais que o acompanharam durante muitos anos da sua vida. O amor era mais forte, a caridade o impelia, "a morte não espera" dizia, a solidão aumenta a dor. Sem preocupações de horários, Padre Mariano saía pela cidade de São Paulo, com o seu "fusca", sem pensar em riscos, enfrentando desafios, mas animado por uma alegria interior e levando um raio de esperança aos doentes e aos que precisavam do seu amor, assim como o incentivo da sua presença e da sua palavra às Associadas das Oficinas de Caridade de Santa Rita de Cássia.

Verdadeiro mensageiro do amor, alegrou muitos lares, confortou muitas vidas, foi portador de esperança para muitos desanimados. Sua maneira de falar e sua figura austera, o carinho que colocava no que realizava e o sacrifício da sua vida, transformada num contínuo ato de amor, fizeram de Padre Mariano um autêntico apóstolo da caridade.
Os doentes eram o seu ponto forte: uma necessidade de um doente antepunha-se a tudo. Nunca tinha preguiça para deixar o que quer que fosse, de dia e de noite, para atender os doentes. Ao saber que numa família havia algum doente, lá estava ele a confortar o enfermo e os familiares. Era muito conhecido no Hospital do Câncer, por exemplo. A sua presença lá era um bálsamo, onde levava a comunhão e os demais sacramentos. Gozava já a fama de santo, assemelhando-se a Cristo, semeando coragem e entrega total a Deus.

Como Cristo, Padre Mariano foi o cordeiro levado ao matadouro e imolado, sem se queixar, sem murmurar, crucificado no seu leito de dor. Numa tarde de 1983, Padre Mariano sentou-se numa escada do Colégio, fato absolutamente inusitado para quem mantinha sempre uma postura composta, sem afetação.
Perguntado por que ele se sentara ali, respondeu: "Estou sentindo como se um gato me arranhasse o estômago..." Era o câncer.
Aceitou e suportou a doença com grande resignação. Sofria grandes dores, mas esquecia-se de si, para preocupar- se apenas com os outros doentes do Hospital do Câncer, onde fora internado. Apesar dos atrozes sofrimentos, conservava uma constante alegria. Seus gestos de amor para com os visitantes, o pessoal de serviço e os demais enfermos, eram causa de admiração para todos eles. Faleceu no dia 5 de abril de 1983.

O milagre para a beatificação
No dia 26 de abril de 1996, João Paulo Polotto, de seis anos de idade, aluno do colégio agostiniano de São José do Rio Preto (SP), foi atropelado por um caminhão
que o projetou a vários metros de distância. Sofreu fratura no
osso parietal direito e lesão na base do osso temporal esquerdo. Seu estado era gravíssimo, com sangramentos na região do ouvido esquerdo, nariz e boca. O médico, Dr.  Odérzio Marcato, constatou também um afundamento do crânio.  João Paulo entrou no hospital de Jaú (SP) com o diagnóstico de traumatismo crânio encefálico grave,  paralisia esquerda, batimentos cardíacos lentos, respiração vagarosa até parar, globo ocular projetado para a frente.
Enfim, estava em estado de coma. Alguns minutos após o acidente, os padres do Colégio agostiniano   e  vários familiares começaram a pedir a intercessão do Padre Mariano, para obter o estabelecimento do menino.  E este se recuperou
tão  rapidamente que, dez dias depois, o médico que o tinha atendido no hospital foi visitá-lo e o  encontrou perfeito, brincando com os colegas, andando de patins, sem nenhuma sequela do trágico desastre, como se nada tivesse acontecido.