quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Primeira Semana do Advento - Caridade

“A caridade nos permite suportar uns aos outros como se carregássemos nossas próprias cargas. Quando os cervos têm de atravessar um rio, cada um deles carrega em seu dorso a cabeça do anterior. Desse modo, suportando e auxiliando o companheiro, eles são capazes de atravessar a salvo largos rios e alcançar a terra firme.”

Santo Agostinho de Hipona

Beato João Ruysbroeck

Da vida bem simples de João Ruysbroeck pouco há para dizer; da sua obra, pelo contrário, poder-se-ia discutir longamente. 
João van Ruysbroeck conservou o nome da aldeia onde nasceu em 1293. Está a uns 9 Km ao sul de Bruxelas. O pai de João deve ter morrido cedo. Aos onze anos ele foi colocado sob a direção do Mestre João Hinckaert, cônego de Santa Gúdula em Bruxelas. Sua piedosa mãe veio habitar na aldeia vizinha, para estar muitas vezes com o filho querido, que lhe respondeu sempre com a mais terna afeição.
Na escola, João foi aluno medíocre, não se interessando pelos estudos. Mas depois tomou gosto pela teologia e desde que pôde entregou-se a ela exclusivamente. Fez parte do clero de Santa Gúdula, antes mesmo da ordenação sacerdotal, que recebeu em 1318. A mãe, falecida pouco antes, apareceu-lhe depois da primeira Missa ”agradecendo-lhe com rosto tranquilíssimo”, ele então teve a certeza de que, por virtude da Eucaristia celebrada, Deus a tinha libertado da pena a que estivera sujeita até então no purgatório.
Nos seus desejos de vida virtuosa e contemplativa, João Ruysbroeck foi ajudado por outros dois capelães de santa Gúdula. Havia nessa altura, na floresta de Soignes, duas léguas de Bruxelas, uma casa habitada por um piedoso ermitão, Lamberto, que, a pedido dum dos companheiros de João, concordou em se afastar para deixar o posto aos três novos hóspedes. A pequena comunidade ficou constituída em 1343. Em 1350, com a autorização do bispo de que dependia toda a região, os eremitas de Groenendael tomaram o hábito dos cônegos regulares de Santo Agostinho, João Ruysbroeck, eleito prior, ficou ali até à morte.
A vida em Groenendael parece-nos duma simplicidade encantadora. O número de religiosos de coro não passou nunca de vinte. João entregava-se um pouco ao trabalho manual. O seu biógrafo conta que «ele costumava aplicar-se às tarefas mais vis, transportando estrume ou outras cargas grosseiras com toda a humildade… Assim acontecia às vezes que, pelo seu empenho em ajudar os servos, era para eles, sobretudo para os jardineiros – mais estorvo que ajuda. Na verdade, não sabendo distinguir entre ervas más e boas, arrancava as boas ao mesmo tempo que desenraizava as más. E, coisa admirável, embora se aplicasse ao trabalho manual, só raramente era por ele perturbado nos seus exercícios piedosos».
Enquanto uma mão trabalhava, a outra desfiava o terço. Se era desajeitado, amava a natureza e «tinha como hábito, quando sentia a inundação dos raios da luz divina, ir sozinho para o segredo dum bosque. E lá, enquanto o Espírito Santo ditava, ele escrevia tudo o que lhe vinha à mente». Mas, quando se viu estorvado pela velhice, «juntou a si, como ajudante, um dos irmãos do mosteiro, que em pequenas tábuas enceradas copiava os segredos que lhe eram revelados…». 
A sua alma bem-aventurada, em grandes suspiros interiores e em íntimo fervor do coração, desejava, como o veado que suspira pelas fontes das águas interiores, voar para os abraços tão ambicionados do seu Esposo. Por isso, repetindo muitas vezes «Quando chegarei e aparecerei diante da face do meu Deus?» e palavras semelhantes, ele constituía para todos tão grande exemplo de devoção que, se bem estava a chorar por João que ia sair do mundo, melhor era ainda alegrar-se com ele que ia em breve gozar da felicidade eterna, desta bem-aventurança tão desejada. Sabendo pois, que desta doença grave devia em breve morrer, como ele estava ainda deitado no quarto do prior, pediu humildemente que o levassem para a enfermaria comum dos irmãos. Lá, atingido por grave ataque de febre e sofrendo ao mesmo tempo de disenteria, passou na cama quase quinze dias em grande fraqueza.

Por fim, no meio dos irmãos em oração, e depois de se recomendar devotamente a eles, muito presente de espírito e com o rosto radioso, adormeceu felizmente na paz com um suspiro e sem os sinais agonizantes. Era o ano de 1381. Tinha já mais de 88 anos e era padre havia cerca de 64. 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Primeira Semana do Advento - Caridade


"Pertence àquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus armários; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar." 
São Basílio

Beata Maria Rosa Pellesi

Depois de apenas 35 anos da sua morte, a Igreja reconheceu a santidade da Irmã Maria Rosa, professa da Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo e proclama-a Beata.
Dos seus 55 anos de existência, 27 foram vividos na solidão e no sofrimento de um sanatório. Dentro desse claustro, não escolhido nem previsto, aconteceu-lhe de tudo: chorou e sorriu, venceu a monotonia com a escuta e o amor, transformou o ordinário em extraordinário, fez grandes as mínimas coisas. Lá o seu dom nutriu-se da dor, o seu sorriso alimentou-se da doença e a sua felicidade de lágrimas. Livre e grande, desde o início até ao fim, permaneceu-lhe o coração. E isto lhe foi suficiente para voar alto, para sonhar o sol, transfigurar os seus dias e inebriar-se de felicidade e, sem algum rumor, fazer-se santa.

Bruna Pellesi, a futura Irmã. Maria Rosa, nasceu a 11 de Novembro de 1917, em Prignano sulla Secchia (Itália). Desde o princípio, a vida doou-lhe beleza, elegância, bom humor, doçura, alegria e muita paz. Aos 17 anos, chegou também o amor. A sua existência parecia ter tomado o caminho da plena realização e da felicidade. O binômio amor-felicidade era o sonho que perseguia com todo o seu entusiasmo. Mas deste mesmo sonho, Deus, com toda a exuberância do seu amor, dispôs para ela de um modo inesperado. Parecia que os dois sonhos se encontravam ou se chocavam, dois protagonistas, duas realizações. Começou nela a luta "difícil e profunda" para os reconduzir à unidade. Ouvia a voz do Senhor que a convidava a deixar tudo para O seguir.
Tratava-se de fazer as contas com dois "galanteios", para decidir se, e por quem, se deixar seduzir. No fim, tratou-se de uma escolha de êxito previsto, pois, em todo o caso, teria sido um ceder ao amor e cair nos braços do amado.
Contudo, este novo amor configurou-se como chamada e pressentimento de um misterioso dom. Bruna acabou cedendo ao amor, àquele amor maior e que se sente com mais força. Com um sonho a realizar, chegou à casa das Irmãs Franciscanas de Santo Onofre em Rímini. Por sugestão da própria Irmã Maria Rosa, atualmente, aquelas irmãs chamam-se Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo.
O coração faz as suas escolhas sofridas, que só o amor maior consegue explicar e permite realizar. E a Ir. Maria Rosa, aos 22 anos, sem hesitação, obedeceu a este imperativo absoluto.
De 1940 a 1942 permaneceu em formação. Foram os anos do silêncio e da fadiga, da sementeira e da expectativa. O trabalho era interior, desenvolvido nas profundezas. Dessa sementeira feita em profundidade e no escondimento, ver-se-iam os frutos mais tarde. De fato, quando a tempestade da dor a surpreendeu, suportou o choque sem esmorecer, perdendo algumas folhas, mas nunca a raiz e a serenidade.
No mês de Novembro de 1945, entrou definitivamente no sanatório devido à tuberculose que a tinha contagiado. Tinha apenas 27 anos: 22 dos quais transcorridos em família e 5 no convento. Ela ainda não sabia, mas restavam-lhe exatamente outros 27, que seriam vividos inteiramente no sanatório. A sua vida, portanto, foi claramente dividida pela metade. Os primeiros 27 anos, maravilhosos como os lírios do campo, foram um sonho e passaram rapidamente. Os outros 27, pesados e intermináveis, entrelaçados do início ao fim com a doença, serviram-lhe para se realizar.
Ambos foram ligados pela mesma força: fazer a vontade de Deus e fazer-se santa a qualquer preço. Este foi o tesouro que, com fadiga e sem deixar ver, procurou, encontrou e conservou. Fê-lo entre lágrimas e sorrisos, densas sombras e fendas de luz, às vezes suspensa entre o céu e a terra, grandeza e pobreza, oscilando sem parar dos abismos aos cimos, mas sempre com as mesmas invencíveis paixão e paciência.
Contudo, o que é mais curioso em toda esta vicissitude é que a Beata Irmã Maria Rosa passou a sua vida a falar de alegria, de paz, de serenidade, de amor e de felicidade para descrever a sua experiência: sentia-se "quase atordoada de alegria" por um "dom tão grande"; "não pude deixar de chorar pensando na bondade misericordiosa de Deus"; a saúde era muito precária, mas ela dizia "o meu coração canta e sou muito feliz!".
No dia 1 de Dezembro de 1972, Irmã Maria Rosa fechou os olhos para este mundo. Fechou-os na terra para os abrir no céu. O seu sorriso celeste transfigurou a noite sem fim do calvário na manhã do oitavo dia e no alvorecer da esperança!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Primeira Semana do Advento - Caridade


Primeira Semana do Advento - Caridade
"A fé e a caridade são o princípio e o fim da vida. Ambas unidas são o próprio Deus; delas derivam todas as outras virtudes que conduzem à perfeição. Quem professa a fé não peca e quem possui a caridade não odeia ninguém. Pelo fruto se conhece a árvore, do mesmo modo, os que professam ser de Cristo, reconhecem-se pelas suas obras. O que interessa agora, não é apenas fazer profissão de fé, mas perseverar na prática da fé até o fim." 
Santo Inácio de Antioquia