segunda-feira, 8 de junho de 2015

São Medardo

São Medardo

Nasceu em 456 em Salencia, Picardia , França, filho de uma familia nobre, jovem piedoso e brilhante estudante.

Educado em Saint-Quentin e freqüentemente acompanhava seu pai em viagens de negócios a Vermand e a Tournai e freqüentava as escolas de lá.
Atraído pela vida religiosa, foi ordenado com a idade 33 anos.

Sua vida é rica de anedotas, que o mostram como um homem tolerante para com as fraquezas humanas, generoso no dar e sábio nas repostas.
Contam que um ladrão roubou-lhe uma vaca, mas o chocalho, apesar de envolvido em trapos, se pôs a tocar. Medardo acordou, fez silenciar o chocalho e deixou ir embora o ladrão com a sua vaca.
Outra historia fala que diante de um ataque de abelhas, ele ordenou que voltassem imediatamente à colméia e elas obedeceram.
Testemunhas o viram ficar sem comer para alimentar os famintos e, certa feita, tirou a roupa do corpo para dá-la a um velhinho cego e quase despido que lhe pediu uma esmola.

Com relutância aceitou ser Bispo de Vermand em 530 e em 531 moveu sua Sé para Noyon, que estava mais distante das brigas de fronteiras. Bispo de Tournai em 532 e uniu as duas Dioceses e esta união durou até 1146.

Ele foi o bispo que colocou o véu de freira a Santa Radegunda: ela era a rainha, casada com o Rei Clotário, que tinha assassinado o próprio irmão. Abandona então, o marido e pede para ser acolhida num mosteiro para ser consagrada a Deus. Aquela situação delicada não intimidou Medardo, que colocou sua vida em jogo para amparar a rainha cristã, que por motivos políticos fora obrigada a coabitar com um rei pagão. O Bispo Medardo a acolheu e depois de muita reflexão impôs-lhe o véu beneditino.

Medardus era um dos mais notáveis bispos de seu tempo e era muito venerado no norte e nordeste da França e logo tornou-se um herói com inúmeras lendas.

Todo ano, no dia de sua festa, em Rosiére uma jovem era escolhida como a mais exemplar da região e escoltada por 12 rapazes e 12 garotas para a igreja onde ela era coroada com rosas e recebia uma quantidade em dinheiro.
Era uma espécie de bolsa escolar, e teria sido instituída por São Medardo, quando bispo.

A tradição diz que se no dia de sua festa chover, os próximos 40 dias choverão e se o tempo estiver bom, os próximos 40 dias terão um clima bom.


Faleceu em 8 de junho de 545 em Noyon e suas relíquias forma trasladadas para uma propriedade real perto de Crouy, na entrada de Soissons e uma Abadia Beneditina foi construída sobre seu túmulo.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

São Francisco Caracciolo



Seu primeiro e verdadeiro nome era Ascânio, era um italiano descendente, por parte de mãe, de santo Tomás de Aquino, portanto, como ele, tinha vínculos com a elite da nobreza. Nasceu próximo de Nápoles, na Vila Santa Maria de Chieti, em 13 de outubro de 1563. A família, muito cristã, preparou-o para a vida de negócios e da política, em meio às festas sociais e aos esportes.

Na adolescência, decidiu pela carreira militar. Aos 21 anos, foi acometido por uma enfermidade terrível na pele, semelhante a lepra, e todos acreditavam ser incurável. Então fez a Deus esta promessa: “Se me curas desta enfermidade, dedicarei minha vida ao sacerdócio e ao apostolado”.
Curado milagrosamente, decidiu cumprir com sua promessa, indo para Nápoles e a outros lugares. Assim ordenou-se sacerdote com o nome de Francisco Caracciolo, e uniu-se a um grupo de apostolado que se dedicava a atender a presidiários.
Em 1588 um grande apóstolo chamado João Adorno, dispôs edificar uma comunidade religiosa, dedicando a metade do tempo à oração e a outra metade ao apostolado.

Para isto mandou uma carta a um Ascânio Caracciolo, pedindo-lhe conselhos sobre este projeto e propondo-lhe sua colaboração. Porém, sucedeu que os que levavam a carta equivocaram-se de destinatário e em vez de entregá-la ao outro Ascânio (seu homônimo) entregaram-na a Francisco Caracciolo, que ao lê-la sentiu que esta comunidade era o que ele havia desejado por muitos anos.
Com João Adorno fundou a nova congregação, que além dos votos comuns de pobreza, castidade e obediência, teve um quarto voto: o de não aceitar dignidade alguma eclesiástica. 

Notável pelo seu trabalho junto aos pobres , era um fazedor de milagres e tinha o dom da profecia, e era um pregador muito popular em sua região, curava várias doenças apenas com sua benção e o sinal da cruz. O Papa Paulo V desejava que ele fosse Bispo, mas recusou repetidamente, citando a o voto da Congregação que proibia aceitar qualquer alta posição na Igreja. 

Durante uma estada com os padres do Oratório caiu gravemente enfermo e veio a falecer. Seu copo foi transportado para Nápoles e sepultado na igreja de Santa Maria Maior. O primeiro de seus numerosos milagres foi a de um aleijado, durante seu funeral. Foi canonizado a 24 de maio de 1807. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

São Carlos Luanga e companheiros

O continente africano só foi aberto aos europeus depois da metade do século XIX. Antes disso, as relações entre as culturas davam-se de forma violenta, principalmente por meio do comércio de escravos. Portanto, não é de estranhar que os primeiros missionários encontrassem, ali, enorme oposição, que lhes custava, muitas vezes, as próprias vidas.
No século XIX, Buganda era um reino independente ao norte do Lago Vitória, no centro da África. Ele se tornaria depois uma das quatro províncias do protetorado inglês de Uganda. Monarquia hereditária de tipo africano, seu monarca tinha direito de vida e morte sobre seus súditos. Governo organizado, o que era raro naquele continente, Buganda surpreendeu os europeus.
Cerca de três mil pessoas viviam no conjunto do palácio real, incluindo 400 pajens encarregados dos ofícios mais diversos ligados ao monarca. Tais pajens eram escolhidos pelos chefes locais entre os mais inteligentes e bem apessoados meninos de 12 anos do reino, e quando atingiam os 20 anos de idade passavam para a guarda pessoal do rei.
Os primeiros missionários católicos chegaram ao reino em 1878, os “Missionários da África” ou “Padres Brancos” franceses, sendo cortesmente recebidos pelo rei, Mutesa I, como o foram também protestantes e muçulmanos.
A pregação começou por Uganda, onde conseguiu chegar a “Padres Brancos”, congregação fundada pelo cardeal Lavigérie. Posteriormente, somaram-se a eles os padres combonianos. A maior dificuldade era mostrar a diferença entre missionários e colonizadores.

Os “Padres Brancos” abriram um orfanato que se tornou o núcleo da futura cristandade, mas ficaram desapontados com o fraco interesse do povo. Também os órfãos se mostraram muito arredios e difíceis de educar. De modo que, em 1882, os missionários tiveram que se retirar do país. Deixaram, entretanto, alguns conversos que não só perseveraram, mas começaram a fazer apostolado por sua conta.
Quando faleceu Mutesa I em 1884, subiu ao trono seu filho Muanga II, de 18 anos. Este não tinha o senso político do pai e era dado às práticas homossexuais, utilizando para suas ações os pajens da corte. Apesar disso, Muanga pediu que voltassem ao reino os missionários, aos quais tinha admirado em sua infância. Eles o fizeram somente dois anos depois, tendo a alegria de encontrar um núcleo de aproximadamente duzentos conversos entre rapazes e moças do palácio real, os “rezadores”, como eram chamados.

O rei Muanga tentou seduzir Muafa. Este era um dos jovens pajens que se recusou ao pecado da prática homossexual, dizendo que seu corpo era templo do Espírito Santo. Muanga soube que o rapaz estava sendo catequizado por outro pajem, Denis Sebuggwawo, de 17 anos, recém-batizado. Mandou-o vir à sua presença e o interrogou sobre o que estava ensinando a Muafa. Denis respondeu corajosamente que lhe ensinava a única Religião verdadeira. Enfurecido, Muanga matou-o com uma lançada no pescoço. São Denis foi, assim, o segundo mártir de Buganda.
Durante a noite que se seguiu ao martírio, Carlos Luanga, que tinha ficado encarregado dos pajens cristãos desde a morte de José, viu que as coisas tomavam um rumo muito perigoso e resolveu batizar quatro pajens ainda catecúmenos ­– inclusive Kizito, de apenas 13 anos – e recomendar-lhes perseverança na fé.
No dia seguinte, Muanga se reuniu com seu conselho e foi decidido exterminar de vez aqueles “fanáticos”, que não obedeciam mais ao rei. Muanga chamou os 100 carrascos reais, convocou todos os pajens para comparecer à sua presença, e disse-lhes: “Os que rezam, vão para aquele lado. Os que não rezam, fiquem aqui junto a mim”.
Carlos Luanga levantou-se, tomou Kizito pela mão e foi se colocar no local indicado para os “rezadores”. Seguiram-no mais doze, todos com menos de 25 anos de idade. Muanga perguntou-lhes se eles pretendiam permanecer cristãos. Todos responderam corajosamente que sim, e foram condenados à morte. O rei mandou vir também um soldado que se tinha tornado católico, Tiago Buzabaliawo, oferecendo-lhe o perdão se apostatasse. Tiago recusou-se terminantemente, e foi engrossar o cortejo dos confessores da fé. Foi também condenado um chefe tribal, André Kagwa, que tinha convertido toda sua família e muitos conhecidos; e Matias Kalemba, juiz suplente num tribunal de província, que primeiro se tinha tornado muçulmano, depois anglicano, convertendo-se finalmente para a verdadeira Religião.

Tranquilidade ante a perspectiva do martírio

A execução seria em Namungongo, a 60 km de distância. Em cada encruzilhada era imolado um cristão aos deuses locais.
Os condenados passaram perto da casa dos “Padres Brancos”. O Pe. Lourdel, que tinha batizado a vários deles, ficou pasmo diante da tranquilidade e alegria com que se dirigiam ao local do suplício, inclusive o menino Kizito. Quando o sacerdote ergueu sua mão para dar-lhes a absolvição, Tiago Buzabaliawo ergueu suas mãos imobilizadas apontando para o céu, como que a dizer que lá esperava o sacerdote.
Chegados ao local da imolação, os prisioneiros foram atados fortemente, divididos em grupos e trancados em cabanas, amarrados a postes. Os mais velhos de cada grupo encorajavam os mais novos a perseverarem. Assim permaneceram durante uma semana, até que uma gigantesca fogueira terminou de ser montada.
Em 3 de junho, dia da Ascensão, os pajens foram deitados de costas em esteiras de caniço seco, com as mãos amarradas, e colocados na fogueira.
Um dos pajens, Mubaga Tuzinde, de 17 anos, filho do carrasco-mor, teve que enfrentar a pressão do pai, que insistia em que apostatasse. Como Mubaga se mantivesse firme na fé, o pai mandou dar-lhe violenta pancada na nuca para matá-lo antes de pô-lo na fogueira.
Sem prantos nem gritos, mas rezando em alta voz, os mártires entregaram suas almas a Deus, dizendo aos seus carrascos: “Vocês podem matar nosso corpo, mas não nossa alma, que a Deus pertence”.
Os carrascos ficaram perplexos com a atitude tranquila e alegre dos mártires frente à morte, comentando entre si: “Nós já matamos muita gente, mas a nenhum como estes, que não gemem nem choram, nem dizem más palavras. Tudo o que ouvimos é um suave murmúrio de preces. Eles rezam até morrer”.
Entretanto, para Carlos Luanga fora preparada morte ainda mais terrível: ser assado vivo a fogo lento! Um dos pajens católicos, dos três que por motivos ignorados foram poupados, declarou que um dos carrascos separou Carlos Luanga dos outros, dizendo:“Ele será minha vítima”. Carlos foi deitado numa pira em que o fogo foi mantido bem baixo para o ir queimando lentamente. O fogo porém consumiu-lhe as pernas sem tocar no resto do corpo.


O último mártir foi um pajem de nome João Maria, decapitado no dia 27 de janeiro de 1887. No total foram 22 mártires que foram beatificados por Bento XV e canonizados por Paulo VI no dia 18 de outubro de 1964, na presença dos padres do Concílio Vaticano II, e o próprio Paulo VI consagrou em 1969 o altar do grandioso santuário que surgiu em Namugongo, onde os três pajens guiados por Carlos Lwanga quiseram rezar até a morte.




terça-feira, 2 de junho de 2015

Santos Potínio, Blandina e Companheiros

Em 177 começou em Lyon uma perseguição contra os cristãos, de acordo com os decretos do imperador Marcos Aurélio. O Martirológio Romano recorda no dia 2 de junho um grupo de 48 mártires mortos mais ou menos ao mesmo tempo em ódio à fé cristã, seja em Lyon ou em Vienne, mas que são chamados normalmente de Mártires de Lyon.
     
Seu glorioso martírio é narrado por testemunhas da época, absolutamente confiáveis; a história completa está contida em uma carta que a Igreja da Gália enviou, logo após os eventos, à Igreja de Esmirna, aos cristãos da Ásia e da Frígia, e que o historiador Eusébio de Cesareia incluiu integralmente em sua "História Eclesiástica", que chegou assim até nós.
     
Referido grupo é liderado por São Potínio, Bispo nonagenário, e o segundo nome é o de Blandina, que era uma escrava cristã que foi presa juntamente com sua senhora. Blandina era originária da Ásia Menor, mais especificamente a região central da atual Turquia. Apesar dos temores que os outros cristãos alimentavam com relação à sua fidelidade na fé, ela mostrou uma firmeza bastante extraordinária ao enfrentar o martírio, em que não lhe foi poupada a crueldade. Ela repetia: "Eu sou um cristã e entre nós não há mal nenhum".
     
Ela foi conduzida inicialmente ao anfiteatro Trois Gaules, que ainda existe na cidade de Lyon, França, e foi pendurada em um poste em forma de cruz; ela rezou em voz alta e as feras não a atacaram. Em seguida, ela foi levada para a arena, juntamente com outros fiéis, sobreviventes de várias torturas, onde ela foi forçada a testemunhar a terrível morte de seus companheiros, enquanto ela superava mais uma vez o tormento da grelha ardente.
     
Ficando sozinha, caiu sobre ela a ferocidade pagã: desnuda e coberta com uma rede foi exposta às vaias dos espectadores e à fúria de um touro, que a golpeou com os chifres, jogou-a para o ar várias vezes e, finalmente, foi morta pela espada. Os pagãos mesmos declararam que jamais uma mulher sofrera tantos e tão duros tormentos.
     
Santa Blandina, escrava na vida, mas mártir heroica e gloriosa na morte, é representada na arte, ao longo dos séculos, com os atributos de seu suplício: a rede, o touro, a grelha e o leão. Blandina é a santa padroeira da cidade de Lyon. É também, com Santa Marta, padroeira das empregadas. Ela é comemorada dia 2 de junho junto com os outros mártires de Lyon.
 
Etimologia: Blandina, diminutivo de Blanda, do latim Blandus = branda, suave, meiga.

Hoje a Igreja celebra também Santos Pedro e Marcelino Clique aqui


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Santo João Batista Scalabrini

JOÃO BATISTA SCALABRINI nasceu em Fino Mornasco (Itália), no dia 8 de Julho de 1839. Terminado o curso de Filosofia e Teologia no Seminário de Como, recebeu a Ordenação sacerdotal a 30 de Maio de 1863. Nos primeiros anos de sacerdócio foi professor e depois reitor do Seminário; em seguida assumiu a paróquia de São Bartolomeu. Com apenas 36 anos de idade foi consagrado Bispo de Placência, no dia 30 de Janeiro de 1876.
A sua atividade pastoral e social foi bastante vasta: realizou pessoalmente cinco visitas pastorais às 365 paróquias da diocese, muitas delas localizadas longe e em situações de difícil acesso; celebrou três Sínodos, um deles dedicado ao culto eucarístico para incentivar a adoração perpétua; reorganizou os Seminários, cuidando da reforma dos estudos eclesiásticos; foi infatigável na administração dos sacramentos, na pregação e na educação do povo ao amor ativo à Igreja e ao Papa, no culto da verdade, da unidade e da caridade. Nesta virtude, em particular, desvelou-se na assistência aos doentes de cólera, na visita às famílias empobrecidas e na generosidade ao perdão.
Definido por Pio IX «apóstolo do catecismo », quis que este fosse ensinado em todas as paróquias, incentivando a catequese dos adultos; fundou a primeira revista catequética italiana.
Impressionado, desde o início do seu episcopado, pelo desenrolar dramático da emigração italiana, Dom Scalabrini fez-se apóstolo dos milhões de italianos que abandonavam a própria pátria. Com a aprovação de Leão XIII, no dia 28 de Novembro de 1887 fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos (Escalabrinianos), para a assistência religiosa, moral, social e legal dos emigrantes.
Em 1895 fundou, com esta mesma finalidade, a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos, e abriu o campo da emigração também para as Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração.

A enorme atividade de Dom Scalabrini tinha origem e encontrava inspiração profunda na ilimitada fé em Jesus Cristo, presente na Eucaristia e em oferta contínua na Cruz; extraordinária também foi a sua devoção a Nossa Senhora, sempre recordada nas suas homilias e muitas vezes visitada nos santuários marianos.
Morreu no dia 1 de Junho de 1905, tendo pronunciado estas palavras: «Senhor, estou pronto, vamos!».
De fato tinha cumprido o seu programa: «Fazer-se tudo para todos».

Foi canonizado pelo Papa Francisco em 09 de outubro de 2022


Neste dia a Igreja celebra também São Justino