quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Santos Anjos da Guarda

A memória dos Santos Anjos da Guarda é celebrada desde 1670, data estabelecida pelo Papa Clemente X. O culto dos anjos é antiga tradição que a Igreja herdou do judaísmo.
Os anjos, de fato, são uma presença constante e fundamental na “história da salvação”: é justamente por meio deles que muitas vezes Deus atua e envia mensagens ao povo de Israel; assim acontece no sonho de Jacó, relativo à escada da qual subiam e desciam os anjos, e quando, o mesmo Jacó, lutou contra um anjo, permanecendo ferido no quadril; é um anjo que segura a mão de Abrão que estava para sacrificar o filho.

No livro do Êxodo, no entanto, narra-se que, ao atravessar o Mar Vermelho um anjo protegia os israelitas dos egípcios, o mesmo anjo os guiará depois no deserto.
Lembra-se também os anjos enviados pelo Senhor para salvar Ananias, Azarias e Misael, trancados em uma fornalha ardente pelo rei Nabucodonosor.
A mesma vinda do Salvador é anunciada ao povo de Israel por meio de um anjo, que a tradição associa ao Arcanjo Gabriel. Estes últimos são somente alguns exemplos da vivíssima presença dos anjos no Antigo Testamento. Outros também se encontram no Novo Testamento, como também na vida de muitos santos e beatos.
A Igreja Católica reconhece os nomes dos três arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael – que são explicitamente mencionados na Bíblia.
A existência dos anjos é considerada um artigo de fé da Igreja Católica, manifestado explicitamente no símbolo Niceno-Constantinopolitano, "Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis".
Da criação dos anjos, então, fala-se em ambos os Testamentos, no Novo e no Antigo. Ao longo da história os anjos têm sido objeto de inúmeras considerações teológicas por parte dos Padres e Doutores da Igreja, teólogos e exegetas, entre os quais Hilário de Poitiers, Jerônimo, Agostinho, Cassiano, Boaventura, Bernardo Abade, Cirilo de Jerusalém e Tomás de Aquino.

No catecismo de São Pio X o tema é abordado com especial cuidado e uma clareza única. Os anjos, em essência, são seres imortais e espirituais, com uma inteligência e uma vontade superior à nossa; eles vivem num estado de felicidade perpétua, cujo objetivo principal é a adoração de "Deus em torno de seu trono", a partir do qual são iluminados.

Eles também são chamados de "príncipes da Corte celestial" e "embaixadores da vontade de Deus" e operam de forma invisível entre os homens. O pseudo-Dionísio, o Areopagita, afirma no De celesti hierarchia que os anjos são divididos em três hierarquias, cada uma das quais está dividida em três coros, que, por sua vez, se distinguem entre si pelas suas tarefas, cores, asas e outros sinais distintivos.

Nesta subdivisão estão também os Anjos da Guarda (que se diz serem comandados pelo Arcanjo Rafael), explicitamente mencionado no Salmo 90, que têm a tarefa de guiar e proteger a pessoa a ele confiada. Cada cristão, de fato, tem o seu anjo da guarda, que o protegerá ao longo de toda a sua vida terrena, do nascimento à morte.

O Anjo da Guarda também tem a tarefa de oferecer a Deus as nossas orações, apoiar-nos e proteger-nos dos ataques do diabo, que tenta de qualquer forma fazer-nos o mal e “sujar” a nossa alma para impedir-nos de alcançar a vida eterna. Ele, basicamente, tem uma função salvífica para a nossa alma.


É por isso que muitos papas revelaram a sua profunda devoção pelo anjo da guarda, sugerindo, como também disse Bento XVI, de expressar a sua própria gratidão pelo serviço que ele presta a cada um de nós e de invocá-lo todos os dias, com o “Angelus Dei”, oração que a Igreja, na sua profunda sabedoria, formulou propositalmente, pedindo para iluminar o nosso caminho, para saber discernir a vontade de Deus nos fatos da vida e combater as ciladas do demônio.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O Papa Francisco e Santa Teresinha do Menino Jesus

Durante a Vigília de oração pela paz na Síria, realizada na Praça São Pedro em 7 de setembro de 2014, foram lidos alguns trechos de Santa Teresinha do Menino Jesus.

No dia seguinte, domingo, o Papa Francisco recebeu de presente uma rosa branca, flor que para ele tem um significado especial, pois representa um 'sinal' da intercessão de Santa Teresa, de quem é devoto.

A revelação é do Arcebispo de Ancona-Osimo, Dom Edoardo Menichelli, autorizado pelo próprio Francisco:

 “O Papa me disse que ficou surpreso quando, passeando nos Jardins Vaticanos no domingo, 8 de setembro, recebeu de um jardineiro uma rosa branca, recém-colhida. Uma flor que ele considera como um 'sinal', uma 'mensagem' de Santa Teresinha, ao qual havia se dirigido preocupado, no dia precedente”.

Qual é o significado da rosa branca para o Papa?
No livro entrevista 'El Jesuita', escrito por Sergio Rubin e Franzcesca Ambrogetti. Os dois jornalistas, descrevendo a biblioteca de Bergoglio em Buenos Aires, escreveram:

“Paramos diante dum vaso cheio de rosas brancas em uma prateleira da biblioteca, onde havia uma imagem de Santa Teresinha.”

“Quando tenho um problema – explicou Bergoglio aos dois jornalistas – peço à santa, não para resolvê-lo, mas para pegá-lo na mão e ajudar-me a aceitá-lo, e como sinal, recebo quase sempre uma rosa branca”.


Promessas de Santa Teresinha do Menino Jesus

“Depois da minha morte, farei cair do Céu uma chuva de rosas”.

“Deus há de fazer-me todas as vontades no Céu, em prêmio de eu não ter feito nunca a minha vontade na Terra”.

“Quero passar o Céu, a fazer bem sobre a Terra. Não olharei para as almas somente, mas hei de descer para junto delas. Vai começar a minha missão que é; ensinar os homens a amar a Deus como eu o amo. Só descansarei no fim do mundo quando estiver completo o número dos eleitos. Nunca é demasiada a confiança que se deposita em Deus Infinitamente Bom e Misericordioso. Ninguém me invocará, sem receber resposta”

Santa Teresinha do Menino Jesus

“Gostaria de vos falar hoje de santa Teresa de Lisieux.
Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que viveu neste mundo só 24 anos, no final do século XIX, levando uma vida muito simples e no escondimento, mas que, depois da morte e da publicação dos seus escritos, se tornou uma das santas mais conhecidas e amadas.
A «pequena Teresa» nunca deixou de ajudar as almas mais simples, os pequeninos, os pobres e os sofredores que lhe rezam, mas iluminou também toda a Igreja com a sua profunda doutrina espiritual, a ponto que o Venerável Papa João Paulo II, em 1997, quis atribuir-lhe o título de Doutora da Igreja, além do de Padroeira das Missões, que já lhe tinha sido atribuído por Pio XI em 1927.

O meu amado Predecessor definiu-a «perita da scientia amoris» (Novo millennio ineunte, 27). Esta ciência, que vê resplandecer no amor toda a verdade da fé, Teresa expressa-a principalmente na narração da sua vida, publicada um ano depois da sua morte com o título de História de uma alma. Trata-se de um livro que teve imediatamente um grande sucesso, foi traduzido em muitas línguas e difundido em todo o mundo. Gostaria de vos convidar a redescobrir este pequeno-grande tesouro, este comentário luminoso ao Evangelho plenamente vivido!

De fato, a História de uma alma é uma história maravilhosa de Amor, narrada com tanta autenticidade, simplicidade e vigor que o leitor não pode deixar de se admirar! Mas qual é este Amor que encheu toda a vida de Teresa, desde a infância até à morte? Queridos amigos, este Amor tem um Rosto, tem um Nome, é Jesus!
A Santa fala continuamente de Jesus. Vamos percorrer então as grandes etapas da sua vida, para entrar no coração da sua doutrina:

Teresa nasceu a 2 de Janeiro de 1873 em Alençon, uma cidade da Normandia, na França. É a última filha de Luís e Zélia Martin, esposos e pais exemplares, beatificados juntamente a 19 de Outubro de 2008. Tiveram nove filhos; quatro morreram em tenra idade.
Permaneceram as cinco filhas, que se tornaram todas religiosas. Teresa, com 4 anos, ficou profundamente abalada com a morte da mãe. Então, o pai transferiu-se com as filhas para a cidade de Lisieux, onde se desenvolverá toda a vida da Santa. Mais tarde Teresa, atingida por uma grave doença nervosa, sarou por graça divina, que ela própria define o «sorriso de Nossa Senhora». Recebeu depois a Primeira Comunhão, intensamente vivida, e pôs Jesus Eucaristia no centro da sua existência.

A «Graça do Natal» de 1886 assinala a grande mudança, por ela chamada a sua «total conversão». De fato, ficou totalmente curada da sua hipersensibilidade infantil e começou uma «corrida de gigante».
Aos 14 anos Teresa aproxima-se cada vez mais, com grande fé, de Jesus Crucificado, e começa a ocupar-se de um criminoso, aparentemente desesperado, condenado à morte e impenitente. «Quis impedir-lhe de todas as formas de cair no inferno», escreve a Santa, com a certeza de que a sua oração o teria posto em contacto com o Sangue redentor de Jesus. É a sua primeira experiência fundamental de maternidade espiritual:«Eu tinha tanta confiança na Misericórdia Infinita de Jesus», escreve. Com Maria Santíssima, a jovem Teresa ama, crê e espera com «um coração de mãe».

Em Novembro de 1887, Teresa vai em peregrinação a Roma juntamente com o Pai e a irmã Celina. Para ela, o momento culminante é a Audiência do Papa Leão XIII, ao qual pede a autorização para entrar, apenas com 15 anos, no Carmelo de Lisieux.
Um ano depois, o seu desejo realiza-se: torna-se Carmelita, «para salvar as almas e rezar pelos sacerdotes». Contemporaneamente, começa também a dolorosa e humilhante doença mental do seu pai. É um grande sofrimento que leva Teresa à contemplação da Face de Jesus na sua Paixão. Assim, o seu nome de Religiosa — irmã Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face —expressa o programa de toda a sua vida, em comunhão com os Mistérios centrais da Encarnação e da Redenção.
A sua profissão religiosa, na festa da Natividade de Maria, a 8 de Setembro de 1890, é para ela um verdadeiro matrimônio espiritual na «pequenez» evangélica, caracterizada pelo símbolo da flor: «Que festa bonita a Natividade de Maria para se tornar esposa de Jesus — escreve — Era a pequena Virgem Santa de um dia que apresentava a sua pequena flor ao pequeno Jesus».
Para Teresa ser religiosa significa ser esposa de Jesus e mãe das almas. No mesmo dia, a Santa escreve uma oração que indica toda a orientação da sua vida: pede a Jesus o dom do seu Amor infinito, para ser a mais pequena, e sobretudo pede a salvação de todos os homens: «Que nenhuma alma seja danada hoje».

De grande importância é a sua Oferta ao Amor Misericordioso, feita na festa da Santíssima Trindade de 1895: uma oferenda que Teresa partilha imediatamente com as suas irmãs de hábito, sendo já vice-mestra das noviças.

Dez anos depois da «Graça de Natal», em 1896, vem a «Graça de Páscoa», que abre a última fase da vida de Teresa com o início da sua paixão em profunda união com a Paixão de Jesus; trata-se da paixão do corpo, com a doença que a levará à morte através de grandes sofrimentos, mas sobretudo trata-se da paixão da alma, com uma dolorosíssima prova da fé . Com Maria ao lado da Cruz de Jesus, Teresa vive então a fé mais heroica, como luz nas trevas que lhe invadem a alma.
A Carmelita tem a consciência de viver esta grande prova para a salvação de todos os ateus do mundo moderno, por ela chamados «irmãos». Vive então ainda mais intensamente o amor fraterno: para com as irmãs da sua comunidade, para com os seus dois irmãos espirituais missionários, para com os sacerdotes e todos os homens, sobretudo os mais distantes. Torna-se deveras uma «irmã universal»! A sua caridade amável e sorridente é a expressão da alegria profunda da qual nos revela o segredo: «Jesus, a minha alegria é amar-Te» .

Neste contexto de sofrimento, vivendo o maior amor nas mais pequenas coisas da vida quotidiana, a Santa realiza a sua vocação de ser o Amor no coração da Igreja.
Teresa faleceu na noite de 30 de Setembro de 1897, pronunciando as simples palavras «Meu Deus, amo-Te!», olhando para o Crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O ato de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras «Jesus, amo-Te» estão no centro de todos os seus escritos. O ato de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade. Ela escreve: «Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, / O Espírito de Amor inflama-me com o seu fogo. / É amando-Te que eu atraio o Pai».

Queridos amigos, também nós com santa Teresa do Menino Jesus deveríamos poder repetir todos os dias ao Senhor que queremos viver de amor a Ele e aos outros, aprender na escola dos santos a amar de modo autêntico e total. Teresa é um dos «pequeninos» do Evangelho que se deixam conduzir por Deus às profundezas do seu Mistério. Uma guia para todos, sobretudo para aqueles que, no Povo de Deus, desempenham o ministério de teólogos.
Com a humildade e a caridade, a fé e a esperança, Teresa entra continuamente no coração da Sagrada Escritura que encerra o Mistério de Cristo. E esta leitura da Bíblia, alimentada pela ciência do amor,  não se opõe à ciência acadêmica. De fato, a ciência dos santos,  da qual ela mesma fala na última página da História de uma alma, é a ciência mais nobre: «Todos os santos o compreenderam e de modo mais particular talvez os que encheram o universo com a irradiação da doutrina evangélica. Não é porventura da oração que os Santos Paulo, Agostinho, João da Cruz, Tomás de Aquino, Francisco, Domingos e muitos outros ilustres Amigos de Deus se inspiraram nesta ciência divinaque fascina os maiores gênios?».

Inseparável do Evangelho, a Eucaristia é para Teresa o Sacramento do Amor Divino que se abaixa ao extremo para se elevar até Ele. Na sua última Carta,  sobre uma imagem que representa o Menino Jesus na Hóstia consagrada, a Santa escreve estas palavras simples: «Não posso temer um Deus que para mim se fez tão pequenino! (...) Eu amo-O! De fato, Ele mais não é do que Amor e Misericórdia!».

No Evangelho, Teresa descobre, sobretudo a Misericórdia de Jesus, a ponto de afirmar: «A mim Ele deu a sua Misericórdia infinita, através dela contemplo e adoro as outras perfeições divinas! (...) Então todas me parecem resplandecentes de amor, a própria Justiça (e talvez ainda mais do que qualquer outra) me parece revestida de amor».
Assim se expressa também nas últimas linhas da História de uma alma: «Um só olhar ao Santo Evangelho, imediatamente respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para onde correr... Não é para o primeiro lugar, mas para o último que me oriento... Sim, sinto-o, mesmo se tivesse na consciência todos os pecados que se podem cometer, iria, com o coração despedaçado pelo arrependimento, lançar-me entre os braços de Jesus, porque sei quanto ama o filho pródigo que volta a Ele».

«Confiança e Amor» são, portanto o ponto final da narração da sua vida, duas palavras que como faróis iluminaram todo o seu caminho de santidade, para poder guiar os outros pela sua mesma «pequena via de confiança e de amor» da infância espiritual.
Confiança como a do menino que se abandona nas mãos de Deus, inseparável do compromisso forte e radical do verdadeiro amor, que é dom total de si, para sempre, como diz a Santa contemplando Maria: «Amar é dar tudo, e dar-se a si mesmo».
Assim Teresa indica a todos nós que a vida cristã consiste em viver plenamente a graça do Batismo na doação total de si ao Amor do Pai, para viver como Cristo, no fogo do Espírito Santo, o seu mesmo amor por todos os outros.”

Papa Bento XVI

06/04/2011

terça-feira, 30 de setembro de 2014

São Jerônimo e o Leão

Numa certa tarde, como faziam todos os dias nas horas canônicas, os monges estavam reunidos ouvindo as lições do dia durante.
São Jerônimo estava entre eles e ouvia atento. De repente, todos perceberam que um leão se aproximava. Foi uma correria geral. São Jerônimo manteve a calma: foi o único. Ele levantou-se e foi encontrar-se com aquele hospede não convidado...

Era um animal enorme que usava somente três patas para caminhar. A quarta pata ele a trazia levantada. Claro que o leão não poderia falar, mas dava a impressão de querer comunicar alguma coisa e ofereceu a Jerônimo a pata que trazia levantada. O monge a examinou e percebeu que o animal estava gravemente ferido.

Jerônimo chamou o menos medroso dos monges para ajudá-lo a limpar e cuidar do ferimento que estava em carne viva, infeccionado e ainda cheio de espinhos. Jerônimo tratou do animal, retirou-lhe os espinhos e o medicou com ungüentos. O animal sarou.
Os cuidados oferecidos ao animal amansaram a "besta fera". O leão passou, então a caminhar pacificamente pelo mosteiro. Onde estivesse São Jerônimo, junto estava o animal que se comportava como um animal doméstico.


Jerônimo mostrou aos monges uma primeira lição do episódio: "Pensem sobre isto e vocês poderão encontrar lições de vida. Eu creio que não foi tanto para a cura de sua pata que Deus o enviou até nós, pois, o leão se curaria sem a nossa ajuda. Deus nos enviou esse leão para mostrar quanto a Providencia estava ansiosa para nos prover do que necessitamos para nosso bem."