quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Santa Francisca Xavier Cabrini


Entre 1901 e 1913, emigraram para a América quase cinco milhões de italianos, dos quais mais de três milhões vieram do sul. A verdadeira doença social, um dreno, como diziam vários políticos e sociólogos. Juntamente com os dramas que a emigração despertava, vale a pena recordar uma santa italiana, que olhou para este fenômeno com olhos muito humanas, uma cristã, merecendo, assim, o título de "mãe de emigrantes": Madre Francisca Xavier Cabrini, que fundou o Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus.

Filha de família pobre, cresceu em meio à miséria que pairava, em meados do século XIX, no norte da Itália. Franzina, de saúde fraca, não conseguiu ser aceita nos conventos. Apesar disso, era dona de uma alma grandiosa, digna de figurar entre os santos. Assim pode ser definida santa Francisca Cabrini, com sua vida voltada somente para a caridade e o bem do próximo.

Francisca Cabrini foi a penúltima de quinze filhos de Antônio e Estela, camponeses muito pobres na pequena Santo Ângelo Lodigiano, região da Lombardia. Nascida em 15 de julho de 1850, desde pequena se entusiasmava ao ler a vida dos santos. Seu preferido era São Francisco Xavier, a quem venerou tanto que assumiu seu sobrenome, se auto-intitulando Xavier. Sua infância e adolescência foram tristes e simples, cheia de sacrifícios e pesares.

Quando pequena, Chiquinha (como era conhecida) gostava de brincar de barquinhos e de colher violetas. Quando adolescente, era franzina e muito tímida.

Mais tarde disse: " Quem diria que eu fui por tanto tempo tão tímida? Não ousava levantar os olhos, por medo de faltar de modéstia. - Chegou o dia, porém em que compreendi que , na verdade, devia tê-los bem aberto para o bem do Instituto. E nada mais pôde me intimidar."

Francisca, porém, gostava tanto de ler e se aplicava de tal forma nos estudos que seus pais fizeram o possível para que ela pudesse tornar-se professora.

Mal se viu formada, porém, encontrou-se órfã. No prazo de um ano perdeu o pai e a mãe. Enquanto lecionava e atuava em obras de caridade em sua cidade, acalentava o sonho de entregar-se de vez à vida religiosa. Aos poucos, foi criando coragem e, por fim, pediu admissão em dois conventos, mas não foi aceita em nenhum. A causa era a sua fragilidade física. Mas também influiu a displicência e o egoísmo do padre da paróquia, que a queria trabalhando junto dele nas obras de caridade da comunidade.

Francisca, embora decepcionada, nunca desistiu do sonho. Passado o tempo, quando já tinha trinta anos de idade, desabafou com um bispo o quanto desejava abraçar uma obra missionária e esse a aconselhou: “Quer ser missionária? Pois se não existe ainda um instituto feminino para esse fim, funde um”.

Foi, exatamente, o que ela fez.
Com o auxílio do vigário, em 1877 fundou o Instituto das Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, que colocou sob a proteção de São Francisco Xavier. Ainda: obteve o apoio do papa Leão XIII, que apontou o alvo para as missões de Francisca:
“O Ocidente, não o Oriente, como fez são Francisco”.

Era o período das grandes migrações rumo às Américas por causa das guerras que assolavam a Itália. As pessoas chegavam aos cais do Novo Mundo desorientadas, necessitadas de apoio, solidariedade e, sobretudo, orientação espiritual. Francisca preparou missionárias dispostas e plenas de fé, como ela, para acompanhar os imigrantes em sua nova jornada.

Tinham o objetivo de fundar, nas terras aonde chegavam, hospitais, asilos e escolas que lhes possibilitassem calor humano, amparo e conforto.
Como uma pessoa que pensava muito nas crianças ela já pensava em montar um orfanato. Em março de 1889 ela já tinha o terreno que queria. Apesar de toda fragilidade e saúde precária, nos próximos 30 anos ela viajou pelos Estados Unidos fundando escolas, orfanatos e hospitais. Nada a fazia parar.

Em trinta anos de intensa atividade, Francisca Cabrini fundou sessenta e sete Casas na Itália, França e nas Américas, no Brasil inclusive. No dia 11 de junho de 1894, numa audiência com o Papa ela recebeu a aprovação para uma expedição que desejava fazer para o Brasil. Em 1896 ela montou um colégio em Lima (no Peru). Na mesma ocasião esteve no Equador e na Argentina.
Mais de trinta vezes cruzou os oceanos aquela “pequena e fraca professora lombarda”, que enfrentava, destemida, as autoridades políticas em defesa dos direitos de seus imigrantes nos novos lares.

Madre Cabrini com 57 anos e com a saúde debilitada não se deu por vencida e voltou a viajar. Ao invés de ficar na Itália, resolveu vir ao Brasil. Aqui já havia uma casa que tinha sido aberta por um grupo de irmãs da Argentina.
         
No ano de 1908 ela enfrentava uma epidemia e uma perseguição no Rio de Janeiro. Não se deixou abater e ainda teve forças para procurar um terreno na Tijuca para abrir o Colégio Regina Coeli, onde hoje funciona o Centro de Formação e Espiritualidade Cabriniano.
Depois de um ano no Rio de Janeiro,  Madre Cabrini volta aos Estados Unidos para percorrer suas obras. Vai para a Itália e o Papa Pio X, com um decreto de 16 de julho de 1910, confirma Madre Cabrini como Superiora Geral vitalícia.
Em dezembro de 1911, com as poucas forças que lhe restam, resolve voltar aos Estados Unidos, onde ainda tem forças para reerguer o Hospital Columbus de Nova Iorque. Amplia e constrói escolas e orfanatos.

Madre Cabrini, como era popularmente chamada, morreu em Chicago, Estados Unidos, em 22 de dezembro de 1917. Solenemente, seu corpo foi transportado para Nova York, onde o sepultaram na capela anexa à Escola Madre Cabrini, para ficar mais próxima dos imigrantes.

Canonizada em 1946, santa Francisca Xavier Cabrini é festejada no mundo todo, no dia de sua morte, como padroeira dos imigrantes.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Beato Pedro Friedhofen

"O amor de Cristo nos impulsiona", diz o Apóstolo Paulo. O mesmo amor de Cristo foi o que levou o novo Beato Pedro Friedhofen, com a idade de trinta anos, para dedicar totalmente sua vida a Deus e ao serviço dos doentes. Ele próprio, de saúde pobre e fraco, abandonou sua profissão de limpa-chaminés e procurou um novo começo com sua convicção religiosa e seu ardente amor pelos outros. Ele viu as necessidades dos homens desenraizados, doentes e que precisavam de ajuda e reconheceu a sua vocação apostólica e caritativa. Então, fundou, em 1850, a Congregação dos Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora, com a tarefa de servir a Deus nos pobres, nos doentes e nos idosos.

A Divina Providência tinha preparado Pedro Friedhofen através de uma dura escola da vida, para reconhecer os sinais dos tempos na grande revolução social do século XIX e a responder no espírito do Evangelho. Como um órfão, ele teve de conhecer pessoalmente, já em sua infância a dor e as necessidades materiais. Sua casa paterna e pátria do Reno transmitiu uma religiosidade profunda, especialmente uma veneração fervorosa para a Imaculada Virgem Maria. Já na época de seus estudos, ele foi animado por um grande zelo apostólico. Reunindo jovens com os mesmos ideais na escola de São Luiz para levá-los a uma vida devota de acordo com o Evangelho. Neste apostolado dos jovens, em busca da santidade pessoal e zelo e na ajuda aos vizinhos necessitados, ele amadureceu gradualmente sua vocação religiosa que se desenvolveu totalmente na fundação da sua congregação cujos ideais são: seguir Cristo mais de perto possível, para levar os homens a Cristo, incutindo o amor de Maria nos corações dos homens e servir aos doentes com amor cristão.

O trabalho da fundação de sua ordem foi acompanhado por grandes dificuldades e provações em que o bem-aventurado Pedro Friedhofen virou homem de fé inabalável e confiança na Providência de Deus e na ajuda de Maria. Nestas fontes sobrenaturais de força foram baseados sua extraordinária determinação e perseverança, graças as quais, apesar da doença física sempre a piorar, ele percebeu seu propósito e deu forma e diretiva espiritual ao seu pedido nas próximas serviço ditada pelo amor.

"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica ele só; mas se morrer, produz muito fruto"(Jo 12, 24). A semeadura do abençoado Pedro Friedhofen, incluindo muitas provações e sacrifícios pessoais, caiu em boa terra, que trouxe recompensas muito além de sua morte precoce - com a idade de apenas 41 anos - para os dias de hoje. Hoje, os Irmãos da Misericórdia operam em vários países europeus, Brasil e Malásia. Seus hospitais e suas casas para os idosos não são apenas uma expressão de solidariedade humana para com os pobres e necessitados, mas são um sinal concreto de seu discipulado de Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir, e que se sente como feito a si mesmo o que fazemos para o menor de seus irmãos.

Em Pedro Friedhofen a Igreja venera hoje um homem cuja vida e programa de trabalho são surpreendentemente atuais, como é a boa notícia do próprio Jesus Cristo. Como um irmão de misericórdia, ele abaixou-se ao amor de Cristo nos necessitados que precisavam de sua ajuda. Sua preocupação não é dirigida apenas para a doença física, mas à necessidade do homem em sua totalidade, especialmente as suas necessidades morais e espirituais. O nosso tempo precisa de tais modelos de homens que cuidam desta forma das necessidades e fraquezas dos outros e mostra-lhes o caminho para Aquele que suportou todas as nossas dores e nos redimiu com a sua morte e ressurreição . Que a vida e obra do Beato Pedro Friedhofen também sejam um modelo agora e estímulo para muitos homens. Amém.”

Papa João Paulo II - Homilia de Beatificação – 23 de junho de 1985

Pedro Friedhofen nasceu em Weitersburg em 1819, perto de Coblence, às margens do rio Reno. Órfão de pai e mãe desde muito pequeno, ele precisou começar a trabalhar muito jovem: aos 15 anos era limpador de chaminés. Pedro precisou ajudar a família de seu irmão, Tiago, que morreu deixando viúva e onze filhos. Profundamente tocado pela miséria dos doentes e idosos que visitava durante o serviço de limpeza de chaminés, aos 30 anos, Pedro decidiu entregar-se inteiramente a Deus e ao serviço dos doentes, para os quais fundou, em 1850, a Congregação dos Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora.

Em 1851, Pedro se instalou em Coblence onde a confiança da população e dos médicos contribuiu para a expansão da obra desses « Irmãos dos doentes », como são chamados até hoje na Suíça. Pedro é apelidado de « o bom samaritano ». Sua grande atividade esgotou-o fisicamente, levando-o a falecer com apenas 41 anos, vítima de tuberculose, em 21 de dezembro de 1860.

Atualmente, os Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora estão presentes na Europa, na América Latina e na Ásia, dirigindo hospitais, asilos para pessoas idosas e centros de reabilitação. 
  
”Nosso trabalho deve ser fruto de nossa inteligência, mas ainda mais da piedade e da paciência. Se soubermos sofrer e nos calar, experimentaremos o auxílio de Deus.”


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

São Domingos de Silos

Nascido no ano 1000 em Riojas, Espanha de no seio de uma família pobre e cristã. Quando menino foi pastor de ovelhas. Já desse período se conta que era bondoso ao extremo, oferecia leite de ovelha para alimentar os caminhantes pobres. Ao mesmo tempo, gostava muito de estudar, motivo que levou seus pais a entregá-lo ao padre da paróquia onde moravam. Ele criara uma escola ao lado da igreja.

Foi educado como monge no Monastério de San Mollan de Cogolla . Ordenado padre, posteriormente foi Abade do Mosteiro. Quando completou trinta anos, foi encarregado de restaurar e reabrir o Mosteiro de Santa Maria, havia muito tempo fechado. Para isso tornou-se esmoleiro, trabalhou como operário, fez de tudo um pouco para conseguir recursos e poder receber os candidatos à vida monástica. A surpresa veio, quando viu que, entre eles, estava seu próprio pai, além de alguns parentes. O Rei  Garcia II de Navarro ordenou que ele desse as terras do monastério e Domingos recusou sendo ele e outros monges retirados da casa a força. 

Ele procurou proteção no Rei Ferdinando I de Castilha. Encontraram uma  casa no velho mosteiro de São Sebastião em Silos, diocese de Burgos onde Domingos foi indicado  Abade. Fundado em 954 a casa estava caindo aos pedaços, só tinha 6 monges e estava péssima tanto financeiramente quanto espiritualmente. Domingos mudou totalmente a estrutura espiritual da casa e rearranjou a suas finanças e reconstruiu sua estrutura.

Criou um escritório onde ele traduzia vários livros e em breve a sua biblioteca era uma das melhores da Espanha  e o mosteiro era um centro espiritual renomado pelos seus livros, arte impressa, trabalhos em prata e caridade aos pobres. A abadia reconstruída existe até hoje e é considerada uma dos grandes tesouros da arquitetura espanhola. Em pouco tempo haviam tantos monges que ele teve que ampliar a casa para abrigá-los. 

São  Domingos curou vários apenas com sua benção e oração. Ele conseguiu ajuda de patronos ricos para o monastério e arrecadou fundos para pagar o resgate de cristãos presos pelos Mouros. 

Um dos mais amados santos espanhóis tem varias igrejas e mosteiros dedicados a ele desde 1085.O mosteiro que ele reconstruiu hoje é chamado de Mosteiro de São Domingos.
Muitos milagres foram atribuídos a sua intercessão após sua morte especialmente com relação a faixa de Abade de São Domingos, que dizem que quando colocada na cama das rainhas, elas ficavam grávidas. Outras rainhas usavam a faixa durante o parto como garantia de um bom parto.

A beata Joana  Aza de Gusmão orou no seu santuário para conceber um filho que ela chamou de Domingos e que se tornou o notável  São Domingos Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos.


Domingos de Silos, faleceu em 10 de dezembro de 1073, em Silos, de causas naturais.

Ele é o padroeiro contra a hidrofobia, prisioneiros, cães  raivosos e pastores.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Beato Urbano V - Papa


O Papa Urbano V assumiu o cargo em 1362, numa época em que a Europa sofria agitações sociais muito intensas. Numa tentativa de manter o pontífice longe das intrigas e das lutas políticas e revolucionárias, que dominavam Roma, a sede da Igreja fora transferida para Avignon, na França. 

Urbano era monge beneditino e pertencia a uma nobre família francesa. Quando jovem estudou ciências jurídicas e depois lecionou direito em Montpellier e na própria Avignon. Um dia, trocou a laureada toga pelo humilde hábito de monge, chegando a ocupar altos cargos dentro da Ordem beneditina.
Sua biografia é cheia de adjetivos elogiosos: "professor emérito, estudioso de renome, abade de iluminada doutrina e espiritualidade". Por tudo isso foi escolhido pelo Papa Inocêncio IV para desempenhar missões diplomáticas delicadas. Pelo mesmo motivo, quando Inocêncio morreu, foi eleito seu sucessor, mesmo não sendo cardeal nem bispo.Consagrado bispo em Avignon, no mesmo dia, 6 de novembro de 1362, recebia a tiara com o nome de Urbano V. 
Seu pontificado durou somente oito anos, mas caracterizou-se, segundo os registros oficiais, pela sábia administração, pelo esforço de renovar os costumes e pela nobreza de intenções. 

Ele reformou a disciplina eclesiástica e reorganizou a corte pontifícia de maneira que fosse um exemplo de vida cristã, cortando pela raiz muitos abusos. Mas também se preocupava com a instrução do povo. Era o período do humanismo e o ex-professor de direito não mediu esforços para promover as ciências e criar novos centros de estudos. A pedido do rei da Polônia, ergueu e fundou a universidade da Cracóvia e, na universidade de Montpellier, fundou um colégio médico, ajudando pessoalmente estudantes pobres.

No terreno político e militar seu trabalho também foi reconhecido. Organizou uma cruzada contra os turcos muçulmanos que ameaçavam a Europa. No plano missionário, enviou numerosos grupos de religiosos às regiões européias ainda necessitadas de evangelizadores, como a Bulgária e a Romênia. Além de organizar uma expedição missionária para levar a palavra aos mongóis da longínqua Ásia.
O grande sonho do Papa Urbano V, porém, era levar de volta a sede da Igreja para Roma. Conseguiu isso, em outubro de 1367, sendo recebido com entusiasmada aclamação popular. Foi o primeiro a se estabelecer no palácio ao lado da Basílica de São Pedro, no Vaticano. E, desde então, se tornou a residência oficial dos pontífices. 



Poucos dias depois “Roma estava toda cheia de obras”, como escrevia Coluccio Salutati. Muito mais que à restauração das coisas materiais, o santo pontífice olhou para a reconstrução espiritual da Igreja, promovendo a unidade entre os cristãos, que pareceu realizar-se através da união da Igreja grega com a latina em 1369. 



Mas a paz durou pouco. Alguns anos depois Urbano V foi novamente obrigado a deixar Roma, não obstante as súplicas e as exortações de tantos, entre os quais santa Brígida, que alcançando-o junto ao lago de Bolsena, lhe predisse que em breve morreria, se voltasse para Avignon.

Morreu de fato a 19 de dezembro daquele mesmo ano. Esta nova escolha, motivada por situações históricas particulares, não depõe contra os grandes méritos do seu pontificado, que durou oito anos, ao qual se atribuiu reforma eficaz dos costumes e incremento particular da doutrina cristã e dos estudos em geral.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Nossa Senhora do Ó

A festa de hoje é conhecida na liturgia com o nome de “Expectação do parto de Nossa Senhora”, e entre o povo com o título de “Nossa Senhora do Ó”. 
Os dois nomes têm o mesmo significado e objetivo: os anelos santos da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido.
Anelos de milhares e milhares de gerações que suspiraram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva, e que se recolhem e concentram no Coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos.
A Expectação (expectativa) do parto não é simplesmente a ansiedade, natural na mãe jovem que espera o seu primogênito; é o desejo inspirado e sobrenatural da “bendita entre as mulheres”, que foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos homens. Ao esperar o seu Filho, Nossa Senhora ultrapassa os ímpetos afetivos de uma mãe comum e eleva-se ao plano universal da Economia Divina da Salvação do mundo.
As antífonas maiores que põe a Igreja nos lábios dos seus sacerdotes desde hoje até a Véspera do Natal e começam sempre pela interjeição exclamativa Ó (“Ó Sabedoria… vinde ensinar-nos o caminho da salvação”; “Ó rebento da Raiz de Jessé… vinde libertar-nos, não tardeis mais”; “Ó Emanuel…, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus”), como expoente altíssimo do fervor e ardentes desejos da Igreja, que suspira pela vinda de Jesus, inspiraram ao povo espanhol a formosa invocação de “Nossa Senhora do Ó”. É ideia grande e inspirada: a Mãe de Deus, posta à frente da imensa caravana da humanidade, peregrina pelo deserto da vida, que levanta os braços suplicantes e abre o coração enternecido, para pedir ao céu que lhe envie o Justo, o Redentor.
A festa de Nossa Senhora do Ó foi instituída no século VI pelo décimo Concílio de Toledo, assim ficou sendo na Espanha e passou a muitas Igrejas da França, e também no Brasil.
Nossa Senhora do Ó, rogai por nós!