quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Proclamação de Santa Hildegarda Doutora da Igreja

«Luz do seu povo e do seu tempo»: com estas palavras o Beato João Paulo II, Nosso venerado Predecessor, definiu Santa Hildegarda de Bingen em 1979, por ocasião do 800º aniversário da morte da Mística alemã. E verdadeiramente, no horizonte da história, esta grande figura de mulher se define com clareza límpida por santidade de vida e originalidade de doutrina. Aliás, como para qualquer experiência humana e teologal autêntica, a sua importância supera decididamente os confins de uma época e de uma sociedade e, não obstante a distância cronológica e cultural, o seu pensamento manifesta-se de atualidade perene.
(...)

«Nós, acolhendo o desejo de muitos Irmãos no Episcopado e de inúmeros fiéis do mundo inteiro, depois de ter recebido o parecer da Congregação para as Causas dos Santos, depois de ter reflectido longamente e ter alcançado uma plena e segura convicção, com a plenitude da autoridade apostólica declaramos São João de Ávila, sacerdote diocesano, e Santa Hildegarda de Bingen, monja professa da Ordem de São Bento, Doutores da Igreja universal, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo».
CARTA APOSTÓLICA
Santa Hildegarda de Bingen, 
Monja Professa da Ordem de São Bento,
é proclamada Doutora da Igreja universal
07/10/2012

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Papa Francisco expressa a proximidade da Igreja aos cristãos indefesos e perseguidos.

“Hoje gostaria de assegurar aos indefesos e perseguidos a proximidade: vocês estão no coração da Igreja; a Igreja sofre com vocês e tem orgulho de vocês, orgulho de ter filhos como vocês; vocês são a sua força e o testemunho concreto e autêntico da sua mensagem de salvação, de perdão e de amor. Abraço todos vocês! O Senhor os abençoe e os proteja sempre”.
03/09/2014

O perdão da Igreja

Igreja queimada na Nigéria em 2013
Um dos grandes questionamentos da Igreja primitiva era a respeito do perdão. 
Durante as perseguições, muitos cristão deram a vida pela fé em Jesus Cristo. No entanto tivemos aqueles que não resistiram às torturas, e por medo,  e negaram a sua fé.
Ao fim das perseguições queriam voltar para a Igreja. 
O que fazer?

Lapsi (latim para "caídos") era o nome dado aos cristãos que renegaram sua fé durante as perseguições pelo Império Romano. O termo também engloba os que relaxaram em sua fé e que decidem depois voltar pra ela.

Tipos de Lapsi:

Sacrificati - São os que de fato ofertaram sacrifícios aos ídolos. Cristãos que fizeram sacrifícios, especialmente para os deuses romanos, só receberiam absolvição à beira da morte.

Thurificati - Os que queimaram incenso no altar perante as estátuas dos deuses. Do latim thurificare - "queimar incenso".

Libellatici - São os que falsificaram o atestado (libellus) ou conseguiram um através de suborno às autoridades. O libellus indicava que tinham feito o sacrifício embora, neste caso, os portadores não o fizeram. Uma sanção de dois era imputada como pena. Do latim libellus - "livrinho; carta; certificado".

Acta facientes - São os que mentiram ou de alguma forma salvaram suas vidas. Do latim - "os que fizeram os atos".

Traditores - São os que entregaram às autoridades as Sagradas Escrituras ou artefatos religiosos, ou os que revelaram nomes de outros cristãos. Do latim tradere - "entregar; trair".

Durante a perseguição de Décio, os nomes dos cristãos que demonstraram a sua apostasia por um dos cinco métodos acima entravam para sempre nos registros da corte. Após terem recebido seus atestados, com a certeza de que seus nomes já constavam ali, eles se sentiam seguros de novas perseguições.
A verdade é que a maioria cedia por fraqueza de vontade, pois a maioria queria continuar cristã. Porém, este desejo ia contra a lei da época.

Quando, após a eleição do Papa Cornélio, o padre Novaciano se proclamou antipapa alegando ser o defensor da disciplina rigorista, que se recusava terminantemente a aceitar de volta os lapsi.
Sínodos foram realizados em Roma e em Cartago para discutir a questão. 
A decisão foi admitir os lapsi após uma penitência. 
Sobre a duração dela, os bispos deveriam avaliar as circunstâncias da apostasia, ou seja, se ele foi torturado antes do sacrifício ou se a sua família fora ameaçada. Os que fizeram os sacrifícios de livre vontade (os sacrificati e os thurificati) só receberiam o perdão no leito de morte. Os libellatici poderiam ser admitidos rapidamente.


A decisão do Concílio de Cartago foi aceita por Dionísio de Alexandria, pelo Papa Cornélio e por Cipriano de Cartago. 

São Cornélio e São Cipriano

Unidos pela fé e sangue, encontramos como exemplo de amizade e santidade estas testemunhas de Cristo: São Cornélio – Papa; e São Cipriano – Bispo. Eles foram martirizados no mesmo dia, porém, com diferença de cinco anos.

Cornélio nasceu em Roma. Foi eleito para o pontificado, depois de um período vago na cátedra de São Pedro, devido à violenta perseguição imposta pelo imperador Décio. O papa Cornélio foi eleito quase por unanimidade, menos por Novaciano, que esperava ser o sucessor do Papa Fabiano martirizado. Assim, Novaciano consagrou-se bispo e proclamou-se papa, isto é, anti-papa. Nessa condição, criou-se o primeiro cisma da Igreja. 

Durante a perseguição do imperador Décio, em 249, grande número de fiéis e sacerdotes, até mesmo bispos, fraquejaram perante as torturas e renunciaram à fé cristã. Por esses atos ficaram conhecidos como "cristãos lapsos". 
 
A Igreja, então, mergulhou, definitivamente, na polêmica do "lapso", criando o seu primeiro grande cisma, isto é, uma divisão entre o clero. Não se sabia que atitude tomar contra os fiéis que abandonavam a fé e depois desejavam voltar para o seguimento de Cristo. 

Novaciano, o anti-papa e seus partidários, começaram uma forte corrente a favor da não-reconciliação dos desertores. Já na África, um certo Felicíssimo era completamente contra tal atitude, rogando pela clemência e reintegração do rebanho desgarrado. Assim, liderados, novamente, pelo bispo Cipriano, Novaciano foi perdendo força. 

Segundo os partidários de Novaciano, Cornélio teria adotado um discurso e uma postura muito indulgente, boa e compreensiva para com os desertores da fé católica. Atitudes que lhe valeram grandes atribulações e incompreensões. Mas a toda essa oposição contou sempre com o apoio incondicional e fiel do bispo Cipriano de Cartago no norte da África. 
 
Com a morte do imperador Décio, em combate, foi sucedido por Galo, que voltou com as perseguições. Assim, o papa Cornélio acabou preso e exilado para um lugar que hoje se chama Cività-Vecchia, em Roma. 
 
No exílio, o papa Cornélio passou os últimos dias da sua vida. Onde encontrava um pouco de alegria era nas cartas que recebia do bispo Cipriano, seu admirador e amigo de fé, muito preocupado em mandar-lhe algumas palavras de consolo. 
 
Morreu em junho de 253, sendo sentenciado ao martírio por ordem daquele imperador, por não aceitar prestar culto aos deuses pagãos. Foi sepultado no Cemitério de São Calisto.
A festa litúrgica do santo papa Cornélio foi colocada, no calendário da Igreja, no dia 16 de setembro, junto com a de são Cipriano, que depois também foi martirizado pela fé em Cristo.

Cipriano era filho de uma nobre e rica família africana de Cartago, capital romana no norte da África. 
Foi considerado um dos personagens mais empolgantes e importantes do século III. Primeiro pelo destaque alcançado como advogado, quando ainda era pagão. Depois por ser considerado um mestre da retórica e defensor irrestrito da unidade da Igreja. Mas o fator principal foi sua conversão ao cristianismo, já na maturidade, entre os trinta e cinco e quarenta anos de idade, causando um grande alvoroço e espanto na sociedade da época. 
 
Cipriano não deixou apenas sua vida de pagão, mas também distribuiu quase toda a sua fortuna entre os pobres, renunciando à ciência profana da qual se alimentara até então. Com muito pouco tempo, foi ordenado sacerdote e, por eleição direta do clero e do povo, imediatamente substituiu o bispo de Cartago logo após sua morte. Cipriano o fez contrariando seu próprio desejo, mas em obediência à Igreja. 
 
Nos anos de 249 a 258, durante o episcopado de Cipriano, a Igreja africana passou por sérios problemas. Os imperadores Valeriano e Décio empreenderam uma perseguição sem tréguas aos cristãos. Além disso, uma grande e terrível peste atacou o norte da África, causando muitas mortes e sofrimento. Como se não bastasse, a Igreja ainda se agitava com problemas doutrinários, internamente. 
 
Em Roma, fora eleito o papa Cornélio, com amplo apoio dos bispos liderados por Cipriano, que apreciava muito a conduta de seu colega bispo, com o qual trocava muita correspondência. 
 
Uma outra controvérsia, que assolava a Igreja na época, era a validade ou não dos batismos realizados por hereges. Essa era a única divergência que existia entre o papa Cornélio e o bispo Cipriano. O papa, seguindo a tradição da doutrina, considerava válidos os batismos, já o bispo dizia que "não se pode dar a fé a quem não a tem". Assim, a questão permaneceu sem solução. 
 
Em 258, ainda com a perseguição contra a Igreja, Cipriano foi denunciado e sentenciado à morte por decapitação. As atas escritas revelam que nesse dia, quando o pró-cônsul determinou a sentença, as únicas palavras proferidas por Cipriano foram "Graças a Deus!" 
Foi executado no dia 14 de setembro de 258. 
 
São Cipriano deixou-nos inúmeros escritos, entre os quais oitenta e uma cartas que se tornaram uma fonte de informação preciosa da vida eclesiástica daquele tempo.
A Igreja declarou-o padroeiro da África do Norte e da Argélia, sendo sua festa litúrgica marcada para o dia 16 de setembro, quando se comemora a festa do santo papa Cornélio, o amigo de fé que ele tanto defendeu.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Graças concedidas aos devotos de Nossa Senhora das Dores

Santo Afonso Maria de Ligório nos diz que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu, aos devotos de Nossa Senhora das Dores as seguintes graças: 
 
Eis as Graças:

1ª – Que aquele devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer antes de sua morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados.


2ª - Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá nos seus corações a memória de Sua Paixão dando-lhes depois um competente prêmio no Céu. 

3ª - Jesus Cristo guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte. 

4ª - Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que deles disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.