quarta-feira, 24 de julho de 2019

24 de julho - Santa Cunegundes (Kinga)


Cunegundes ou Kinga nasceu na família real húngara da dinastia dos Arpádios. Era filha de Bela IV, Rei da Hungria, e de Teodora Laskarysa. Era irmã da Beata Iolanda e de Santa Margarida da Hungria.

Cunegundes foi educada cristãmente na corte. Aos 16 anos casou-se com Boleslau IV, Rei da Polônia. A semente de santidade lançada no coração de Kinga na casa paterna encontrou na Polônia um terreno fértil onde se desenvolver.

Em 1239, ela chegou a Wojnicz, e foi depois para Sandomierz. Kinga teve um vínculo cordial com a mãe do seu futuro esposo, Grzymislawa, e com a sua filha Salomé. Ambas se distinguiam por uma profunda religiosidade, por uma vida ascética e pelo amor à oração, pela leitura da Sagrada Escritura e das vidas dos santos. A companhia cordial destas damas, especialmente nos primeiros e difíceis anos da sua permanência na Polônia, teve uma grande influência sobre Kinga. O ideal da santidade amadureceu sempre mais no seu coração.

Buscando modelos a imitar, escolheu como especial padroeira, a sua santa parente, princesa Santa Edviges da Silésia. Desejando dar à Polônia um santo que pudesse tornar-se um exemplo de amor à Pátria e à Igreja, juntamente com o Bispo de Cracóvia, e com o marido, empenhou-se na canonização do mártir da Cracóvia, Dom Estanislau de Szczepanów, bispo assassinado em 1079, alcançando seu objetivo em 1253.

Ela desejava consagrar-se a Deus de todo o coração mediante o voto de virgindade. Por isso, ao se casar com o príncipe Boleslau convenceu-o a participar de sua escolha por uma vida virginal para a glória de Deus e, depois de uma prova de dois anos, os esposos confiaram ao Bispo Prandota o voto de castidade perpétua. Boleslau mereceu assim o epíteto de o Casto.

Este modo de vida, hoje difícil de ser compreendido, era profundamente arraigado na tradição da Igreja primitiva. Santa Kinga é um exemplo de que tanto o matrimônio como a virgindade vivida em união com Cristo, podem tornar-se uma via de santidade. O matrimônio é a via da santidade, até mesmo quando se torna o caminho da cruz.

A santa rainha levava uma vida penitente e mortificada: visitava as igrejas desde a madrugada, a pé, enfrentando as intempéries; atendia os enfermos nos hospitais; usava cilício sob as vestes principescas. Ela fez-se terceira franciscana e usou publicamente o hábito da instituição.

O convento de Clarissas de Stary Sacz, ao qual Santa Kinga deu início e onde concluiu a sua vida após o falecimento de seu esposo em 1279, testemunham ainda hoje como ela apreciava a castidade e a virgindade.

Há ainda outra característica que a identifica: como princesa, ela soube ocupar-se das coisas de Deus também neste mundo. Ao lado do esposo participou no governo, demonstrando firmeza e coragem, generosidade e solicitude pelo bem do país e dos súditos. Durante as insurreições, na luta pelo poder num reino dividido em regiões e as devastadoras invasões dos Tártaros, Santa Kinga soube enfrentar as necessidades do momento.

Esforçou-se zelosamente pela unidade da herança dos Piast e para reconstruir o país das ruínas não hesitou em doar tudo o que recebera em dote de seu pai para atingir esse objetivo. A ela se deve também o prodigioso descobrimento de sal-gema em Bochnia e de Wieliczka nos arredores de Cracóvia, resultado de sua preocupação pelas necessidades dos seus súditos.

As suas antigas biografias testemunham que o povo a chamava de consoladora, médica, santa mãe. Renunciando à maternidade natural, tornou-se verdadeira mãe de muitos. O desenvolvimento cultural da nação também lhe é devedor: à sua pessoa e ao convento local está ligado o nascimento de verdadeiros monumentos da literatura, como o primeiro livro escrito em língua polaca: Zoltarz Dawidów - Saltério de David.

Quando seu esposo faleceu, em 1279, foi-lhe pedido que tomasse o poder. Ela recusou e recolheu-se em Stary Sacz, onde viveu ainda 13 anos.
"Venho para servir. Esquecei quem fui: só há de novo contar a comunidade uma irmã a mais", dissera ela ao entrar para o convento.

Ela costumava lavar a louça, tratar das enfermas e varrer. Foi escolhida abadessa, pois dera bom exemplo em tudo: tratara a louça com benignidade, as enfermas com caridade e o pó com severidade. Atribuiu-se às suas orações a descoberta de água no interior do mosteiro, que antes devia ser trazida de fora. A sua bondade transpôs os muros do convento: ela construiu edifícios piedosos, foi benfeitora dos franciscanos e resgatou prisioneiros na Turquia.
     
Em 1287 a Polônia foi invadida pelos tártaros. Cunegundes e as setenta Irmãs precisaram abandonar o mosteiro e refugiar-se no castelo de Pyiemin. Mas, os tártaros chegaram ao seu refúgio e as irmãs, assustadas, se lançaram aos pés de sua madre. Tal qual o milagre de Santa Clara em Assis, aqui também os invasores foram detidos por uma força invisível. Passado o perigo, algum tempo depois as irmãs voltaram ao mosteiro.

Depois de um ano de enfermidade, confortada com aparição de São Francisco, Cunegundes morreu aos 68 anos a 24 de julho de 1292.
O Papa Alexandre VIII aprovou o seu culto em 1690.
Em 3 de julho de 1998 um milagre obtido por sua intercessão foi reconhecido, o que possibilitou a sua canonização.

Em 16 de junho de 1999 o Papa João Paulo II a canonizou em Stary Sacz, na homilia ele disse:
Os Santos não passam. Os Santos vivem dos Santos e têm sede de santidade.
Se hoje estamos a falar da santidade, do desejo e da obtenção da santidade, seria necessário perguntar-nos como formar ambientes que favoreçam a sua aspiração. O que fazer a fim de a família, a escola, o ambiente de trabalho, o escritório, as aldeias, as cidades e por fim o país inteiro se tornem uma morada de santos, que influenciem mediante a sua bondade, a fidelidade ao ensinamento de Cristo, o testemunho da vida quotidiana, alimentando o crescimento espiritual de cada homem? Santa Kinga e todos os Santos e Beatos do século XIII respondem: é preciso o testemunho. É necessária a coragem, para não esconder a própria fé. É preciso, enfim, que nos corações dos crentes exista aquele desejo de santidade, que forma não só a vida privada, mas influi sobre a sociedade inteira.

24 de julho - O semeador saiu para semear. Mt 13,3

Hoje Jesus dirige-se à multidão com a célebre parábola do semeador. Trata-se de uma página de certo modo autobiográfica, porque reflete a própria experiência de Jesus, da sua pregação: Ele identifica-se com o semeador, que difunde a boa semente da Palavra de Deus, e dá-se conta dos vários efeitos que ela alcança, segundo o tipo de acolhimento reservado ao anúncio.

Há quem ouve superficialmente a Palavra, mas não a acolhe; há outros que a recebem no momento, mas não têm constância e perdem tudo; há depois aqueles que são dominados pelas preocupações e seduções do mundo; e há enfim quantos ouvem de modo receptivo, como o terreno bom: aqui a Palavra produz fruto em abundância.

Mas este Evangelho insiste também sobre o método da pregação de Jesus, ou seja, precisamente sobre o uso das parábolas. Por que lhes falas mediante parábola? — perguntam os discípulos. E Jesus responde, apresentando uma distinção entre eles e a multidão: aos discípulos, isto é àqueles que já se decidiram a segui-lo, Ele pode falar do Reino de Deus abertamente, mas aos demais, ao contrário, deve anunciá-lo com parábolas, precisamente para estimular a decisão, a conversão do coração; com efeito, pela sua própria natureza as parábolas exigem um esforço de interpretação, interpelam a inteligência mas também a liberdade.

São João Crisóstomo explica: Jesus pronunciou estas palavras com a intenção de atrair a Si os seus ouvintes e de os estimular, assegurando que, se O procurarem, Ele curá-los-á.
No fundo, a verdadeira Parábola de Deus é o próprio Jesus, a sua Pessoa que, no sinal da humanidade, esconde e ao mesmo tempo revela a divindade. Deste modo, Deus não nos obriga a crer nele, mas atrai-nos a Si com a verdade e a bondade do seu Filho encarnado: Com efeito, o amor respeita sempre a liberdade.

Papa Bento XVI – 10 de julho de 2011

Hoje celebramos:


terça-feira, 23 de julho de 2019

23 de julho - Beata Filomena de São Francisco de Paula


Irmã Filomena de São Francisco de Paula nasceu em 28 de setembro de 1895 em Barcelona, ​​filha do trabalhador Francisco Ballesta e Carmen Gelmà. Foi batizada em 1º de outubro do mesmo ano, com o nome de Ana Rosa Teresa Ballesta  e Gelmà. Com a morte de seus pais, foi mantida em um orfanato até 1916, comportando-se de maneira exemplar e se aproximando dos sacramentos. Aos dezoito anos, ela pediu para entrar no convento dos Mínimos como uma oblata e irmã conversa: ela fez sua primeira profissão em 14 de novembro de 1916, levando o nome de Irmã Filomena de São Francisco de Paula; em novembro de 1920 ela fez seus votos solenes. 

Juntamente com Ir. Maria de Sant'Enrico, ela foi designada como irmã cozinheira.
Uma irmã que a conhecia, irmã Concepción de Jesus, declarou: Ela era muito obediente da Santa Regra, trabalhadora e muito caridosa, humilde e penitente. Na cozinha, ela preparava as refeições com grande cuidado, como ela dizia: "Se eles são bem alimentados, eles terão mais força para servir ao Senhor". Irmã Teresita do Menino Jesus confirmou: Ela era muito caridosa, trabalhadora, sempre era vista fazendo alguma coisa. Agora que penso nisso, agora que sou mais velha, ela tinha uma virtude especial, eucarística e mariana. 

Com a eclosão da guerra civil espanhola, ela foi forçada a deixar o convento e, juntamente com oito irmãs e Lucrecia Garcia Solanas, uma irmã de sangue de uma delas, refugiaram-se em um prédio próximo, a Torre Arnau. 

Às três e meia da madrugada de 23 de julho, alguns milicianos, informados pelo porteiro do convento Esteban, atacaram a torre em busca de dez freiras. Entrando na sala de jantar, viram nove mulheres que recitavam o terço e perguntaram quem entre elas era a superior, para obter dela os valores do convento. 

As nove freiras e Lucrecia foram jogadas em um caminhão e, depois de serem espancadas, torturadas e mortas. Na época do martírio, a Irmã Filomena tinha quarenta e um anos, dos quais dezenove anos de vida religiosa. Juntamente com suas companheiras de martírio, ela foi beatificada em Tarragona em 13 de outubro de 2013, incluídas em um grupo maior de quinhentos e vinte mártires que morreram durante a guerra civil espanhola.

23 de julho - Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Mt 12,48


Na vida fragmentada de hoje, onde nos arriscamos a perder o fio à meada, é essencial o abraço da Mãe.
Há tanta dispersão e solidão por aí! O mundo está todo conectado, mas parece cada vez mais desunido. Precisamos nos confiar à Mãe.

Na Sagrada Escritura, Ela abraça muitas situações concretas e está presente onde há necessidade: vai encontrar a prima Isabel, socorre os esposos de Caná, encoraja os discípulos no Cenáculo... Maria é remédio para a solidão e a desagregação.
É a Mãe da consolação, a Mãe que “consola”: está com quem se sente só. Ela sabe que, para consolar, não bastam as palavras; é necessária a presença. E Maria está presente como mãe.
Permitamos-lhe que abrace a nossa vida. Na Salve Rainha, chamamos Maria de vida nossa: parece exagerado, porque a vida é Cristo, mas Maria está tão unida a Ele e tão perto de nós que não há nada melhor do que colocar a vida em suas mãos e reconhecê-la vida, doçura e esperança nossa.
Papa Francisco – 01 de janeiro de 2019

Hoje celebramos:

segunda-feira, 22 de julho de 2019

22 de julho - Beato Agostinho de Biella


Agostinho nasceu na cidade de Biella em 1430 no seio da nobre família Fangi. Entrou muito jovem no convento dominicano, aberto pouco antes, na sua cidade natal.
Ordenado sacerdote, dedicou-se zelosamente ao ministério do confessionário e na direção espiritual de todos que o buscavam. Desenvolveu, durante toda a sua vida, no segredo do confessionário, o mais precioso ministério, sendo por assim dizer, esta a sua pregação.

Diretor de almas, douto e santo, o seu exemplo era o seu maior aliado, pois que incitava à virtude aqueles que o frequentavam e até mesmo aqueles que de perto ou de longe o conheciam.
Visitava assiduamente os doentes, levando-lhes não só a sua palavra iluminada, mas também a sua inquebrantável caridade. Dotado de carismas excepcionais, celebrava quase quotidianamente a santa Missa com efusão de abundantes lágrimas e tinha para com a Virgem Maria uma terna devoção.

A sua simplicidade de vida material e espiritual permitiam-lhe lutar vitoriosamente contra os assaltos do demônio, dos quais muitas vezes eram vítimas os seus dirigidos. Beneficiado igualmente com o dom de operar milagres e, enquanto foi prior do mosteiro de Soncino chamou à vida uma criança que tinha morrido sem ser batizada.

Agostinho foi prior em diversos mosteiros, onde se preocupou a restituir a regra da observância que, naquele século, renascia nas diversas Províncias da Ordem, graças ao trabalho e cuidados de muitos santos e zelosos religiosos.

A fama dos milagres que lhe eram atribuídos depressa se tornou para ele um sofrimento, porque numerosos eram aqueles que o procuravam: esta publicidade não o agradava e acabou mesmo por obrigá-lo a retirar-se para o mosteiro de São Domingos de Veneza onde passou dez anos escondido.

Homem de profunda vida interior, se bem que de saúde frágil, domesticou a candura da sua bela alma por intermédio de penitências e severas austeridades. A sua mortificação foi premiada com o dom de uma altíssima contemplação. Ninguém conseguia distrai-lo do seu recolhimento interior, ninguém, nem mesmo as mais agudas dores.
Como Jó foi atingido por uma doença que deixou o seu corpo coberto de feridas, aquele corpo já exausto pelas penitências a que era submetido com grande regularidade. Quando o médico praticou no seu corpo, a sangue frio, múltiplas incisões, Agostinho permanecia insensível a tudo, o que maravilhou o médico que não esperava encontrar no seu paciente uma tão grande coragem.
Este Santo religioso faleceu em Veneza no dia 22 de julho de 1493. Depois de ter recebido os Sacramentos da Igreja, ajoelhou-se no seu leito e exclamou: “Deus seja louvado, louvado seja o Altíssimo”.

Em 1496 o seu túmulo foi aberto e constatou-se que o corpo estava intacto, o que veio corroborar a sua fama de santidade. O Beato Pio IX confirmou o seu culto a 5 de setembro de 1872.