segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

03 de dezembro - Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. Mt 8,10

Começamos nestes dias um novo caminho de Igreja, um caminho do povo de Deus rumo ao Natal. E caminhamos para o encontro do Senhor. De fato, o Natal é um encontro: não só um evento temporal ou uma recordação de algo bom. O Natal é algo mais. Nós vamos por esta estrada para encontrar o Senhor. Portanto, no período do Advento caminhamos para o encontrar. Encontrá-lo com o coração, com a vida; encontrá-lo vivo, como ele é; encontrá-lo com fé.

Na verdade, não é fácil viver com a fé. Recordemos o episódio do centurião que, segundo a narração do evangelho de Mateus, se prostrou diante de Jesus para lhe pedir que curasse o seu servo. O Senhor, na palavra que ouvimos, admirou-se com este centurião.

Ficou surpreendido com a sua fé. Percorreu um caminho para se encontrar com o Senhor. Mas tinha-o feito com fé. Por isso não só se encontrou com o Senhor, mas sentiu a alegria de ter sido encontrado pelo Senhor. Este é precisamente o encontro que desejamos, o encontro da fé.

Encontrarmo-nos com o Senhor, mas deixar também que ele nos encontre. É muito importante! Portanto, comecemos este caminho com a oração, a caridade e o louvor, de coração aberto, para que o Senhor se encontre conosco. Mas, por favor, que nos encontre disponíveis, abertos!
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Papa Francisco – 02 de dezembro de 2013


domingo, 2 de dezembro de 2018

02 de dezembro - Beata Maria Angela Astorch


Hoje a Igreja eleva à glória dos altares e propõe à imitação do povo fiel, Maria Angela Astorch, novo exemplo de santidade amadurecida nas terras da Espanha.
Pertence à família das religiosas Clarissas Capuchinhas.
Nas sucessivas etapas como simples religiosa, jovem mestra de noviças, responsável da formação das professas e abadessa, deixa em redor, em Barcelona, Saragoça, Sevilha e Murcia, uma esteira admirável de fidelidade à sua própria consagração e de amor à Igreja.

A sua inteligência não comum sabe apoiar-se na solidez da palavra revelada e dos escritores eclesiásticos, que estuda e conhece em profundidade. Isto leva-a a um firme conhecimento teórico e prático dos caminhos da espiritualidade, que vive em íntima união com a Igreja, sobretudo através da liturgia, dos textos sagrados e do oficio divino. Até ao ponto de podermos indicá-la como a mística do breviário.

Nas suas tarefas de formadora emprega "o nobre estilo" que Deus usa com ela mesma. Sabe, por isso, respeitar a individualidade de cada pessoa, ajudando-a ao mesmo tempo a "caminhar ao passo de Deus", que é diferente em cada um. Assim a profunda compreensão não se torna tolerância inerte.
Maria Angela Astorch é pois uma figura digna de ser vista hoje atentamente. Para que nos ensine a respeitar os caminhos do homem, abrindo-os aos caminhos de Deus.

Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 23 de maio de 1982

Nasceu no seio de boa família, sendo a mais nova de quatro irmãos. Seu pai, Cristóvão Cortey, era livreiro de profissão e sua mãe, Catarina Astorch, era herdeira de Pedro Miguel Astorch, com a condição de conservar o sobrenome na sua descendência. Ambos morreram num período de quatro anos, deixando Maria Ângela órfã, passa a ser cuidada por uma ama em Sarriá.

Em 1599, como resultado de uma intoxicação, foi dada por morta. Sua irmã Isabel Astorch, que era monja em um mosteiro de capuchinhas recém-fundado em Barcelona, junto com a fundadora do mesmo, Ângela Serafina Prat, foram ao enterro. Em meio dos preparativos, Maria Ângela retornou à vida, e o milagre foi atribuído às orações de Ângela Serafina.

A partir de então Maria Ângela passou a ter uma maturidade precoce e uma grande capacidade que faziam pensar em uma menina superdotada. Aprendeu a ler e a fazer trabalhos manuais, tinha grande amor pela leitura, especialmente por livros em latim.


Com a idade de 11 anos, ingressou no Mosteiro de Santa Margarida de Barcelona, fundado por Madre Ângela Serafina Prat. Com essa idade ela já dominava os seis tomos do Breviário em latim.

Não obstante sua maturidade precoce, Maria Ângela teve que esperar até os 16 anos para fazer o noviciado canônico. Foi um tempo de espera muito provado pela incompreensão e inveja da mestra, que chegou aos maus tratos, pois, devido sua maturidade e cultura, fora encarregada de dar alguma formação a suas companheiras. Finalmente Madre Ângela Serafina depôs a mestra e colocou Isabel Astorch, irmã de Maria Ângela, em seu lugar.

Aos 17 anos ela emitiu a profissão e com 20 anos foi eleita membro do conselho da comunidade.
Em 19 de maio de 1614, Maria Ângela, com cinco religiosas, partiu para a fundação em Zaragoza, que foi inaugurada em 24 de maio do mesmo ano.

Durante os anos em que permaneceu em Zaragoza ela exerceu o cargo de mestra de noviças; mestra de jovens professas; e abadessa, para o que teve que pedir dispensa a Roma, pois não tinha a idade canônica mínima.

Nesta época também se dedicou a escrever pequenas obras de caráter espiritual. Um dos seus maiores triunfos foi conseguir, em 1627, a aprovação de Urbano VIII para as Constituições que regeriam a vida das Capuchinhas de Zaragoza, e dos mosteiros que dele se originaram, durante três séculos.
Outra das obras de Irmã Maria Ângela era o atendimento a todos quantos se acercassem do mosteiro pedindo conselho ou buscando consolo. Entre estes estavam alguns bispos e o Cardeal Teodoro Trivulzio, vice-rei de Aragão, com quem manteve uma relação epistolar após o seu regresso para a Itália.

Um de seus confessores mandou-a ler os místicos em voga naquele tempo, para ver se com algum deles ela se sentia identificada: Santa Teresa de Jesus, São João da Cruz, São Tomas de Jesus. A resposta de Maria Ângela foi negativa. Sua experiência é mais próxima a de Santa Gertrudes de Helfta. Sua espiritualidade litúrgica mereceu de João Paulo II a alcunha de mística do Breviário em sua beatificação. Além disto, era especial seu culto e devoção pela Eucaristia e a Missa; bem como uma grande devoção à Paixão e ao Coração de Jesus.

Em 9 de junho de 1645, acompanhada de outras quatro religiosas, seguiu para Murcia, inaugurando em 29 de junho do mesmo ano o Mosteiro da Exaltação do Santíssimo Sacramento. Ali exerceu os cargos de mestra de noviças e de abadessa. Entre suas discípulas estava Irmã Úrsula Micaela Morata, que em 1672 seria a fundadora do Mosteiro de Alicante.

Durante os anos em que ela viveu em Murcia teve que enfrentar momentos difíceis, especialmente a peste de 1648 e as inundações do Rio Segura em 1651 e 1653.

Em 1655 deixou de escrever preparando-se para sua morte. A partir de 1660 foi perdendo suas faculdades até acabar em um estado infantil. Em 1661 renunciou ao cargo de abadessa. Em 21 de novembro de 1665 sofreu uma hemiplegia, recobrando plenamente suas faculdades mentais. Morreu no dia 2 de dezembro do mesmo ano, cantando o Pange Lingua e após receber os sacramentos. Tinha 75 anos de idade.

A cidade de Murcia participou de seu enterro, pois o povo tinha uma grande estima pela Madre Fundadora, como era popularmente conhecida.
     


02 de dezembro - Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem. Lc 21.36

Na liturgia de hoje a felicidade prometida por Deus é anunciada em termos de justiça. O Advento é o tempo para preparar os nossos corações a fim de acolher o Salvador, isto é, o único Justo e o único Juiz capaz de dar a cada um a sorte que merece. Em todos os lugares, muitos homens e mulheres têm sede de respeito, justiça, equidade, sem avistar no horizonte qualquer sinal positivo. Para eles, o Salvador vem trazer o dom da sua justiça. Vem tornar fecundas as nossas histórias pessoais e coletivas, as nossas esperanças frustradas e os nossos votos estéreis. E manda-nos anunciar sobretudo àqueles que são oprimidos pelos poderosos deste mundo, bem como a quantos vivem vergados sob o peso dos seus pecados: Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome com o qual será chamada: “Senhor-nossa justiça”. Sim, Deus é Justiça! Por isso mesmo nós, cristãos, somos chamados a ser no mundo os artesãos duma paz fundada na justiça.

A salvação que esperamos de Deus, tem igualmente o sabor do amor. Na verdade, preparando-nos para o mistério do Natal, assumimos de novo o caminho do povo de Deus para acolher o Filho que nos veio revelar que Deus não é só Justiça mas é também e antes de tudo Amor. Em todos os lugares, mas sobretudo onde reinam a violência, o ódio, a injustiça e a perseguição, os cristãos são chamados a dar testemunho deste Deus que é Amor. A este respeito, deve permanecer presente no nosso horizonte como um farol o testemunho dos pagãos sobre os cristãos da Igreja Primitiva: “Vede como se amam, amam-se verdadeiramente”.

Por fim, a salvação anunciada por Deus reveste o caráter duma força invencível que triunfará sobre tudo. De fato, depois de ter anunciado aos seus discípulos os sinais tremendos que precederão a sua vinda, Jesus conclui: Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima. Esta convicção dá ao crente serenidade, coragem e a força de perseverar no bem frente às piores adversidades. Mesmo quando se desencadeiam as forças do mal, os cristãos devem responder ao apelo, de cabeça erguida, prontos a resistir nesta batalha em que Deus terá a última palavra. E será uma palavra de amor e de paz.

Oxalá o Senhor nos torne a todos “firmes (...) e irrepreensíveis na santidade diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos”. Reconciliação, perdão, amor e paz! Amém.
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Papa Francisco – 29 de novembro de 2015


sábado, 1 de dezembro de 2018

01 de dezembro - Santo Edmundo Campion


“E pelo que diz respeito à Companhia de Jesus, é preciso que saibais que fizemos um pacto - todos os jesuítas do mundo, cujo número deve ultrapassar os cálculos da Inglaterra - de levar com alegria as cruzes que puserdes sobre nós e de nunca desesperar da vossa conversão, enquanto tivermos um só homem para ser despedaçado nos vossos suplícios ou definhar e morrer nas vossas masmorras. O custo está calculado, a empresa começou: é Deus e é impossível resistir. Assim foi implantada a fé e assim tem que ser restaurada."

Os séculos XVI e XVII foram tempos difíceis para a Igreja na Inglaterra. Em 1534, Henrique VIII se autonomeou Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra e declarou réu de morte a quem não reconhecer essa autoridade. Ao ano seguinte, foram decapitados dois dos mais proeminentes opositores ao Ato de Supremacia: São John Fisher e São Thomas More. Os mosteiros, conventos e confrarias foram dissolvidos. Uma implacável perseguição se desatou contra os que permaneciam fiéis ao Papa.

Foi nessas circunstâncias históricas que nasceu em Londres, no dia 25 de janeiro de 1540, Edmundo Campion. Filho de pais abastados, o pequeno Edmundo era dotado de inteligência ímpar e de grande facilidade para o estudo das letras, o que fazia abrir-se diante dele um futuro brilhante. Inebriado pelas possibilidades de uma brilhante carreira, deixou-se levar pelos acontecimentos e prestou o Juramento de Supremacia em 1564, reconhecendo a rainha como governadora suprema da Igreja na Inglaterra. Quatro anos mais tarde, recebeu das mãos do bispo anglicano de Gloucester a ordenação diaconal.
Entrementes, o futuro mártir dedicara- se aos estudos de filosofia aristotélica, de teologia natural e dos Santos Padres, e não tardou a tomar consciência de sua falta. Profundamente perturbado pelos remorsos, procurou um sacerdote católico, fez uma boa confissão e assumiu publicamente sua condição de filho da Igreja.

Tinha clara noção de que sua atitude o obrigaria a abandonar a carreira acadêmica, mas não hesitou em fazer este sacrifício. Também não ignorava que, se permanecesse na Inglaterra nessas circunstâncias, estaria exposto a grandes riscos. Por isso deixou Oxford e mudou-se em 1569 para Dublin.
Dois anos depois, voltou à Inglaterra com o nome de Mr. Patrick e disfarçado de lacaio. Chegou a Londres a tempo de testemunhar o juízo de um dos primeiros mártires de Oxford. Percebeu, então, o quanto a Santa Igreja em sua nação necessitava de almas dispostas a uma doação total, para sustentar na Fé os católicos e manter o estandarte da catolicidade erguido naquela terra.

Este fato despertou em sua alma a vocação ao sacerdócio, com a disposição de sacrificar tudo, inclusive a vida, se preciso fosse, em defesa da Igreja de Cristo. O martírio passou a fazer parte de suas cogitações e de seu futuro.

Após muitas peripécias, conseguiu chegar ao seminário de Douai. Neste seminário, que foi ponto de partida para muitos santos e mártires, ele estudou Teologia, Exegese e Divindade. A cópia da Suma Teológica usada por Campion em seus estudos existe até hoje, mostrando as anotações por ele feitas à margem do argumento de São Tomás sobre o "batismo de sangue", isto é, o martírio.

Martírio parecia ser o único tema de conversa no seminário de Douai, naquela época. Todos se julgavam indignos de tão grande privilégio, mas contavam com o auxílio da graça. Convictos da realidade expressa na famosa frase de Tertuliano: "O sangue dos mártires é semente de cristãos", estavam realmente dispostos a tudo.

Santo Edmundo permaneceu aí nove anos e recebeu as ordens menores e o subdiaconato. Mas tinha o coração sempre atormentado por ter prestado o Juramento de Supremacia. Partiu então para Roma, como peregrino, e solicitou ingresso na Companhia de Jesus.  
Começou para Santo Edmundo uma fase de intensas atividades de apostolado. Era constantemente chamado para pregar e atender Confissões nas cidades próximas, e não deixava de dar assistência aos fiéis nos hospitais e nas prisões.

Um dia, recebeu uma carta do Cardeal Allen, comunicando-lhe que havia organizado uma incursão de missionários na Inglaterra e que ele, padre Edmundo, fazia parte do grupo. "O Geral acedeu às nossas súplicas; o Papa, verdadeiro pai de nosso país, consentiu; e Deus nos permitiu que nosso querido Campion, com seus dotes extraordinários de sabedoria e graça, nos fosse afinal restituído". Aproximava-se o almejado martírio... Seus companheiros do Colégio de Praga deram-lhe um pergaminho com a profética inscrição: "Padre Edmundo Campion, mártir".

Em 18 de abril de 1580, partiu de Roma, com a bênção do Papa Gregório XIII, uma pequena caravana de missionários, entre eles três jesuítas: padre Robert Persons, superior, padre Edmundo Campion e o irmão Ralph Emerson. Receberam estes, também, a bênção de São Felipe Neri, no Oratório, e os incentivos de São Carlos Borromeu em Milão, por onde passaram.

Sua missão era puramente espiritual: procurar as ovelhas perdidas, recuperar os católicos que vacilavam ou contemporizavam sob o regime persecutório, afervorar as almas fiéis. Jamais poderiam imiscuir-se em problemas políticos, menos ainda participar de confabulações, ou mesmo simples conversas, contrárias à rainha.

Não foi sem grandes riscos e dificuldades que conseguiram cruzar o Canal da Mancha e entrar disfarçados em Dover, pois espiões ingleses em Roma haviam enviado notícias da sua partida, e em toda a Inglaterra a força policial estava mobilizada para impedir a entrada desses "fora da lei" em seu território.

Os católicos ingleses, animados pela chegada dos sacerdotes, encarregaram- se de hospedá-los e dar-lhes condições de exercer seu ministério apostólico. Puderam eles, assim, durante mais de um ano, desempenhar suas funções sacerdotais, sempre em situação de risco. Disfarces, nomes falsos, precários esconderijos, apreensões nos momentos de buscas policiais, tudo isso fazia parte da rotina dos heroicos missionários.

Refugiado em York, padre Campion escreveu, em latim, sua mais famosa obra: Decem Rationes (As dez razões para ser católico), logo divulgada por todo o país. No dia 29 de junho de 1581, apareceram sobre os bancos da igreja de Santa Maria de Oxford 400 exemplares dessa obra, lá deixados por uma mão desconhecida...
Em resposta a essa audaciosa iniciativa dos missionários, a rainha ofereceu grande soma pela captura deles, sobretudo do padre Campion. Em 16 de julho, festa da Virgem do Carmo, ele e o irmão Emerson estavam em uma casa de Lyford Grange, para ministrarem os Sacramentos. Disfarçado entre os fiéis, entrou lá um espião, chamado George Eliot. Tal qual Judas o Infame, saiu logo depois de receber a Sagrada Comunhão, para denunciar os missionários a quem lhe pagava o salário de seu vil ofício.

Não tardaram a chegar os agentes do governo, que vasculharam a casa e prenderam os ministros de Deus. Amarrados aos cavalos e cavalgando de costas, foram conduzidos a Londres, onde entraram sob manifestações de escárnio. No chapéu do padre Edmundo estava afixada uma inscrição: "Campion, o jesuíta sedicioso".

Num ridículo julgamento realizado em Westminster, no dia 20 de novembro, é decretada a sentença de morte na forca, seguida de estripação e esquartejamento. Santo Edmundo e seus companheiros condenados, o padre Sherwin e o também jesuíta Briant, acolheram-na com o cântico jubiloso do Te Deum laudamus e de um versículo do salmo 117: "Este é o dia que o Senhor fez: seja para nós dia de alegria e felicidade" (v. 24).
George Eliot, o delator, procurou o santo missionário no calabouço para pedir-lhe perdão. E foi perdoado imediatamente.
Caía uma chuva fina e fria sobre Londres, na manhã de 1º de dezembro de 1581. Os três condenados foram conduzidos ao patíbulo amarrados numa esteira de vime arrastada por cavalos. Ao passar o arco de Newgate, Santo Edmundo conseguiu erguer a cabeça o suficiente para saudar uma imagem de Nossa Senhora que ali se encontrava em seu nicho.

Chegando a Tyburn, onde estavam levantadas as forcas, Campion subiu com toda a firmeza que lhe permitiam seus membros deslocados pelas torturas. Ouviu-se um murmúrio de admiração entre espectadores, seguido de um longo silêncio. Começou ali uma nova colheita de conversões.

Já com a corda colocada no pescoço, o padre Campion foi pela última vez interrogado por um conselheiro da rainha, que lhe exigiu uma confissão pública de suas "traições".  A História registra suas derradeiras palavras: "Se ser católico é ser traidor, me confesso como tal. Mas se não, tomo a Deus - ante cujo Tribunal vou agora apresentar-me - como testemunha de que em nada ofendi a rainha, nem a Pátria, nem qualquer pessoa, para merecer o título ou a morte como traidor".
Rezou por fim o Pai-Nosso e a Ave Maria, e pediu aos católicos presentes que rezassem o Credo enquanto ele expirava. Entregou, assim, sua alma ao Criador, como mártir da fidelidade à Cátedra de Pedro. 

01 de dezembro - Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem. Lc 21,36

Se vivermos unidos a Jesus, se formos fiéis a Ele, seremos capazes de enfrentar com esperança e serenidade também a passagem da morte. Uma pessoa tende a morrer como viveu. Se a minha vida foi um caminho com o Senhor, um caminho de confiança na sua misericórdia incomensurável, estarei preparado para aceitar o momento derradeiro da minha existência terrena como o definitivo abandono confidente nas suas mãos acolhedoras, à espera de contemplar o seu rosto face a face. Esta é a coisa mais bonita que nos pode acontecer: contemplar face a face aquele rosto maravilhoso do Senhor, vê-lo como Ele é, belo, repleto de luz, cheio de amor e de ternura. Nós vamos até àquele ponto: ver o Senhor!

Neste horizonte compreende-se o convite de Jesus a estar sempre pronto e vigilante, consciente de que a vida neste mundo nos é concedida também para preparar a outra vida, com o Pai celestial. E para isto existe um caminho seguro: preparar-se bem para a morte, permanecendo próximo de Jesus.
Esta é a segurança: preparo-me para a morte, permanecendo perto de Jesus. E como estou próximo de Jesus? Mediante a oração, os Sacramentos e também na prática da caridade. Recordemos que Ele está presente nos mais frágeis e necessitados. Ele mesmo se identificou com eles, na famosa parábola do juízo final, quando diz: “Tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e acolhestes-me; estava nu e vestistes-me; enfermo e visitastes-me; estava na prisão e viestes visitar-me... Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”.
Portanto, uma vida segura significa recuperar o sentido da caridade cristã e da partilha fraternal, cuidar das chagas corporais e espirituais do nosso próximo. Quem pratica a misericórdia não teme a morte. Concordais? Digamo-lo juntos, para não o esquecer: Quem pratica a misericórdia não teme a morte! E por que não teme a morte? Porque a encara nas feridas dos irmãos, superando-a com o amor de Jesus Cristo.

Papa Francisco – 27 de novembro de 2013