terça-feira, 4 de setembro de 2018

04 de setembro - Beata Catarina Mattei


Nascida em junho de 1486, Catarina Mattei era filha do ferreiro Jorge Mattei e sua esposa Billia Ferrari, que já tinham tido cinco filhos do sexo masculino antes dela nascer. A cidade em que nasceu, Racconigi, era importante na indústria de transformação. No campo, os bichos-da-seda eram obtidos a partir de casulos de seda, cujos filamentos eram então trabalhados na cidade. Entre os trabalhadores também estava Catarina Mattei, apreciada como tecelã.

O fato de ela ter vindo ao mundo em uma cabana miserável, um mero abrigo aberto a todos os ventos, parecia simbólico, pois ao longo de sua vida, a jovem teve que lutar contra a pobreza, a doença, o egoísmo e a incompreensão; mas na ordem espiritual, por outro lado, foi enriquecida por alguns dos mais extraordinários favores que Deus concedeu aos homens. Afirma-se que, desde os cinco anos de idade, Catarina acreditava sinceramente que estava casada com o Menino Jesus, por uma promessa feita pela Santíssima Virgem e que a própria Criança lhe dera como patronos e protetores especiais São Jerônimo, São Catarina de Sena e São Pedro Mártir. Um dia, aos nove anos de idade, ela começou a chorar sem encontrar qualquer consolo, simplesmente por causa do cansaço causado pelo trabalho contínuo e pelo estado deplorável de sua casa; mas depois foi visitada novamente pelo Menino Jesus, que a deixou consolada e até feliz com a sua sorte.

Na festa de Santo Estêvão do ano de 1500, a jovem rezava diante da imagem daquele santo e recordou que, como os apóstolos, nos primeiros tempos da Igreja, haviam confiado ao diácono o cuidado das mulheres cristãs, quando o próprio Estêvão apareceu para ela, falou palavras de encorajamento e prometeu que o Espírito Santo viria sobre ela de alguma forma. Então, ela sentiu que três raios de luz a penetraram, enquanto uma voz misteriosa dizia: "Eu vim para fazer minha morada em você; limpar, iluminar, iluminar e animar sua alma”. Depois que Catarina fez um voto de virgindade, os ritos de noivado se repetiram, e no dedo da menina apareceu a marca de um anel e ela sofreu as dores físicas da coroação de espinhos e outros estigmas da Paixão de Nosso Senhor.

Parece que ela inicialmente se dirigiu a uma comunidade local dos Servitas para tentar a vida religiosa. Em 1509, aos 23 anos, começou a frequentar um pequeno convento dominicano, colocado sob a direção espiritual de um ilustre pregador: o Padre Domenico Onesti de Bra. Mas, em breve, em torno dela começam rumores. Conhecendo sua intensa vida de oração, alguns falam sobre fatos sobrenaturais que acompanhariam essas devoções, mal interpretando suas palavras. Outros falam sobre exibicionismo, ou pior. Então, em 1512, ela foi intimada a comparecer perante o Tribunal do Bispo em Turim. Catarina vai, escuta, responde e volta para sua cidade serena e tranquila.

Em 1514, aos 28 anos, a Ordem Dominicana acolheu-a canonicamente como terciária em Racconigi. Ela estava cada vez mais em conformidade com a espiritualidade dominicana do tempo, com toda a sua tensão resultante da influência de Savonarola, a reforma interna da Igreja (Jerônimo Savonarola fora condenado à fogueira por heresia em Florença quando Catarina tinha 12 anos). A tudo isso se misturava o aditivo do conflito frequente entre Ordens religiosas, que juntas chegavam a dividir os fiéis e a preocupar os governantes.

Resultado: em 1523, Catarina Mattei recebeu a ordem de deixar Racconigi: Bernardino I de Savoia, o sucessor de Cláudio, tratou-a como um perigo público. Ela se instalou na vizinha Caramagna, levando uma vida comum com outras duas terciárias. Por um momento, mesmo os dominicanos estavam proibidos de visitá-la. Entretanto, os pregadores falavam dela nas suas andanças pela Itália. Assim, sua fama também chegou a Mirandola, em Modena, a um ilustre personagem entre os leigos católicos envolvidos na reforma da Igreja: Conde Francisco Pico.
O Conde Francisco Pico foi o homem que no Concílio de Latrão V (1512-17) apresentou ao Papa Leão X um plano de reforma dos costumes na Igreja. Ele também se interessou por Catarina, primeiro escrevendo e depois encontrando-se várias vezes com ela no Piemonte e em Emilia. Ele também escreveria uma biografia dela com foco nos fenômenos de "iluminação" sobre os quais ela falava com ele.

Catarina morreu em 04 de setembro de 1547 na casa de Caramagna. Mas seu corpo - como ela havia disposto - foi transferido para Garessio, pátria do dominicano Pedro Martire Morelli, que foi seu último confessor. Ele ainda hoje se encontra em Garessio, na Igreja da Assunção da Virgem Maria. Em sua cidade natal, Racconigi, vive e ainda opera a Irmandade da Beata Catarina, e anualmente sua memória é celebrada na igreja dedicada a ela.

Catarina já tinha um grande desejo de sofrer por Cristo desde a juventude. Toda a sua vida passou sob o signo da cruz, da pobreza, da doença e de muitas privações e também por muitas calúnias, inclusive de suas irmãs da ordem (dominicanos) e também por seus superiores, que por causa de seus carismas (dom da profecia, estigmatização, bilocação) invejavam e tentaram difamá-la. 

O Papa Pio VII, em 9 de abril de 1808, ratificou seu culto concedendo-lhe Missa e Ofício próprios.


04 de setmbro - Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem. Lc 4,36


No centro da narração de hoje encontra-se o evento do exorcismo, através do qual Jesus é apresentado como profeta poderoso em palavras e ações.

Ele entra na sinagoga de Cafarnaum no dia de sábado e começa a ensinar; as pessoas ficam admiradas com as suas palavras, porque não eram palavras comuns, não se assemelhavam com o que eles normalmente ouviam. Com efeito, os escribas ensinavam, mas sem ter autoridade própria. Ao contrário, Jesus ensina como alguém que tem autoridade, revelando-se assim como o Enviado de Deus, e não como um simples homem que tem que fundar o seu ensinamento unicamente nas tradições precedentes. Jesus tem plena autoridade. A sua doutrina é nova e o Evangelho diz que as pessoas comentavam: “Um ensinamento novo, dado com autoridade”.

Ao mesmo tempo, Jesus revela-se poderoso também nas obras. Na sinagoga de Cafarnaum há um homem possuído por um espírito imundo, que se manifesta gritando estas palavras: Que tens que ver conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem és: o santo de Deus. O diabo diz a verdade: Jesus veio para destruir o diabo, para destruir o demónio, para o vencer. Este espírito imundo conhece o poder de Jesus e proclama também a sua santidade. Jesus repreende-o dizendo-lhe: Cala-te, e sai dele. Estas poucas palavras de Jesus são suficientes para obter a vitória sobre Satanás, o qual sai daquele homem depois de o sacudir com força e dando um grande grito.

Este fato impressiona muito os presentes; todos são tomados pelo medo e perguntam uns aos outros: Que é isto? Até manda nos espíritos impuros e eles obedecem-lhe! O poder de Jesus confirma a autoridade do seu ensinamento. Ele não pronuncia apenas palavras, mas age. Assim manifesta o projeto de Deus com as palavras e com o poder das obras. Com efeito, no Evangelho vemos que Jesus, na sua missão terrena, revela o amor de Deus tanto com a pregação como com numerosos gestos de atenção e socorro aos doentes, aos necessitados, às crianças, aos pecadores.

Jesus é o nosso mestre, poderoso em palavras e obras. Jesus comunica-nos toda a luz que ilumina o caminho, por vezes escuros, da nossa existência; comunica-nos também a força necessária para superar as dificuldades, as provas, as tentações. Pensemos na grande graça que é para nós ter conhecido este Deus tão poderoso e bondoso! Um mestre e um amigo, que nos indica o caminho e cuida de nós, sobretudo quando estamos em necessidade.

Papa Francisco – 28 de janeiro de 2018

Hoje celebramos:



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

03 de setembro - Veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Lc 4,16


Imaginemos que entramos também nós na sinagoga de Nazaré, a aldeia onde Jesus cresceu até cerca de trinta anos. O que ali acontece é um evento importante, que delineia a missão de Jesus. Ele levanta-se para ler a Sagrada Escritura. Abre o rolo do profeta Isaías e lê o trecho onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres”. Em seguida, após um momento de silêncio cheio de expectativa por parte de todos, diz, entre a estupefacção geral: “Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir”.

Evangelizar os pobres: esta é a missão de Jesus, segundo quanto Ele diz; esta é inclusive a missão da Igreja, e de cada batizado na Igreja. Ser cristão e ser missionário é a mesma coisa. Anunciar o Evangelho, com a palavra e, antes ainda, com a vida, é a finalidade principal da comunidade cristã e de cada seu membro. Observa-se aqui que Jesus dirige a Boa Nova a todos, sem excluir ninguém, aliás privilegiando os mais distantes, os sofredores, os doentes, os descartados da sociedade.

Questionamo-nos: o que significa evangelizar os pobres? Significa em primeiro lugar aproximar-nos deles, significa ter a alegria de os servir, de os libertar da opressão, e tudo isto em nome e com o Espírito de Cristo, porque é Ele o Evangelho de Deus, é Ele a Misericórdia de Deus, é Ele a libertação de Deus, é Ele quem se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. O texto de Isaías, enriquecido com pequenos ajustes introduzidos por Jesus, indica que o anúncio messiânico do Reino de Deus que veio entre nós se destina de maneira preferencial aos marginalizados, aos prisioneiros, aos oprimidos.

Provavelmente no tempo de Jesus estas pessoas não estavam no centro da comunidade de fé. Podemos perguntar-nos: hoje, nas nossas comunidades paroquiais, nas associações, nos movimentos, somos fiéis ao programa de Cristo? A evangelização dos pobres, levar-lhes a boa nova, é a prioridade? Atenção: não se trata só de fazer assistência social, tampouco atividade política. Trata-se de oferecer a força do Evangelho de Deus, que converte o coração, sara as feridas, transforma as relações humanas e sociais segundo a lógica do amor. Com efeito, os pobres estão no centro do Evangelho.

Papa Francisco – 24 de janeiro de 2016

Hoje celebramos:


03 de setembro - Beata Brígida de Jesus Morello


“O Senhor é misericordioso e compassivo, tardo na ira e grande no Seu amor”. Estas palavras, que a Liturgia de hoje apresenta no Salmo responsorial, sustentaram e orientaram a heroica fidelidade ao Evangelho da Beata Brígida de Jesus Morello, religiosa e fundadora das Irmãs Ursulinas de Maria Imaculada. As vicissitudes da sua diversificada existência - primeiro como jovem rica de virtudes humanas e espirituais, sucessivamente como esposa fiel e sábia, depois como viúva cristã e, por fim, como pessoa consagrada e guia das suas Irmãs - refletem com particular nitidez o confiante abandono da nova Beata à misericórdia de Deus, que é “tardo na ira e grande no Seu amor”.

Foi nesta escola que a Beata Brígida de Jesus aprendeu a lição fundamental do amor que se despende na dedicação quotidiana ao serviço do próximo. Numa época em que os ideais da feminilidade não eram muito considerados, a Beata Morello pôs em relevo sem fragor o valor da mulher na família e na sociedade. Apaixonada de Deus, esteve por isso sempre disponível a abrir o coração e os braços aos irmãos e irmãs necessitados. Enriquecida de dons místicos e, ao mesmo tempo, provada por longos e graves sofrimentos, não deixou de ser para os seus contemporâneos uma autêntica mestra de vida espiritual e um exemplo significativo de admirável síntese entre vida consagrada e empenho social e educativo.

Nos seus escritos transparece um convite constante à confiança em Deus. Gostava de repetir: “Confidência, confidência, coração grande! Deus é nosso Pai e nunca nos abandonará!”
Não é porventura singularmente atual esta mensagem que a nova Beata nos propõe? Esta nossa irmã na fé, hoje elevada às honras dos altares, recorda-nos com vigor que amar a Deus é o segredo de todo o verdadeiro e eficaz empenho social em favor dos irmãos.

Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 15 de março de 1998

Brígida Morello foi uma mulher de seu tempo, o século XVII: uma mulher de grande fé que soube ver nos acontecimentos históricos, e sobretudo nos que se relacionavam a ela, como viver a santa vontade de Deus. 

“Deus é nosso Pai e nunca nos abandonará”. Esta segurança de ser amada como filha, gratuita e incondicionalmente, motivou-a a entregar seu carinho ao próximo.

Brígida nasceu em 17 de junho de 1610 em São Miguel de Pagana (Gênova), na Costa de Levante, sexta de onze filhos, cresceu em um lar intensamente cristão. Aos 23 anos, em 14 de outubro de 1633, se casou com Mateus Zancano, de Cremona, e se estabeleceu com seu marido em Salsomaggiore (Parma), onde foi reconhecida por suas virtudes.

Aos 27 anos, em 11 de novembro de 1637, ficou viúva, quando fez o voto de castidade, desejando tornar-se religiosa, porém não obteve sucesso ao desejar entrar entre as capuchinhas da localidade devido ao fato de ser viúva.

Em 1640 se transferiu para Piacenza, onde os jesuítas se tornaram seus diretores espirituais, guiando-a sempre e a mantendo na via da perfeição, especialmente por parte do Padre Antônio Morando, seu confessor e primeiro biógrafo. 

Margarida de Médici, duquesa de Parma e Piacenza, queria dotar Piacenza de um Instituto de Ursulinas para a educação da juventude feminina, similar ao que existia em Parma. Para isto, em setembro de 1646, Brígida Morello acolheu algumas jovens mulheres em sua casa, sob a denominação de Santa Úrsula, dando assim início, em 17 de fevereiro de 1649, Quarta-feira de Cinzas, com cinco companheiras, a uma nova família de Ursulinas, sob a direção dos jesuítas.

Entretanto, Brígida não foi a primeira superiora, pois em 1665 ela foi eleita como tal, sendo confirmada em 1670 e em 1675. Suas precárias condições de saúde não a impediram governar por extensos períodos, inclusive da cama, sua Congregação de Ursulinas de Maria Imaculada.

Durante os longos anos de doença e de sofrimentos físicos e interiores, a Beata dirigia com frequência o olhar orante para o Crucifixo que levava sempre consigo. A oração da Beata Brígida dirigia-se com frequência para a terra dos Balcãs, invocando ao Senhor a conversão de todos e a paz para “o universo mundo”.

Brígida faleceu no dia 3 de setembro de 1679, em Piacenza, e foi enterrada na igreja local de São Pedro; hoje não existem rastros de seu túmulo, mas há um certo número de cartas, alguns escritos autobiográficos e edificantes, documentos dos quais se pode tirar uma visão exata das experiências espirituais da fundadora.

Somente nos anos 1927-28 se celebrou em Piacenza o processo ordinário para sua beatificação. O decreto sobre a heroicidade de suas virtudes se obteve em 29 de abril de 1980. Em 15 de março de 1998 o papa João Paulo II a beatificou.


domingo, 2 de setembro de 2018

02 de setembro - São Salomão Leclercq


Os Santos são homens e mulheres que se entranham profundamente no mistério da oração. Homens e mulheres que lutam mediante a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo; lutam até ao fim, com todas as suas forças; e vencem, mas não sozinhos: o Senhor vence neles e com eles. Também estas sete testemunhas, que hoje foram canonizadas, travaram o bom combate da fé e do amor através da oração. Por isso permaneceram firmes na fé, com o coração generoso e fiel. Que Deus nos conceda também a nós, pelo exemplo e intercessão delas, ser homens e mulheres de oração; gritar a Deus dia e noite, sem nos cansarmos; deixar que o Espírito Santo reze em nós, e orar apoiando-nos mutuamente para permanecermos com os braços erguidos, até que vença a Misericórdia Divina.

Papa Francisco – Homilia de Canonização – 16 de outubro de 2016

Em 1745, na França, na cidade de Boulognesur-Mer, nasceu Nicolás Leclercq, futuro Irmão Salomão, filho de uma família abastada e que vendia vinhos, licores, sal e madeiras. Seus pais, profundamente religiosos, transmitem ao filho sólidos valores cristãos; acostumam-no à oração cotidiana, ao conhecimento da Palavra de Deus e à devoção à Virgem Maria.

O clima espiritual da família influi na opção de Nicolás de consagrar-se a Deus. Mais adiante escreveria sobre sua mãe: “tinha o desejo de me ver servir a Deus e de me assegurar a salvação eterna”.

Na “Boulogne”, Nicolás matriculou-se na escola dos Irmãos das Escolas Cristãs que havia recebido a visita de La Salle, fundador dos Irmãos em 1716. Nesta escola, em 1757, enquanto a guerra dos Sete Anos entre a França e a Inglaterra, espalhava terror, Nicolás recebeu sua Primeira Eucaristia.

Terminados seus estudos, Nicolás tem sua primeira inspiração de seguir a vocação religiosa, mas não obteve permissão até a idade de 22 anos. Por isso, enquanto esperava e, devido à guerra e à situação econômica, foi obrigado a trabalhar na empresa familiar

Na festa da Ascensão, 17 de maio de 1768, Nicolás recebe o hábito dos Irmãos, assumindo o nome de Irmão Salomão. Naquela ocasião, o novo Irmão promete permanecer fiel à sua vocação até a morte

Depois de um ano de Noviciado, o irmão Salomão recebe a tarefa de ensinar às crianças menores. Desempenha esta tarefa por nove anos, tornando-se pouco a pouco um professor muito experiente. Sua sala de aula contava com nada menos que 130 alunos!

Com a ideia de aperfeiçoar sua didática, entre 1769 e 1770, passa um ano em Ruão fazendo Cursos de Pedagogia.

Em 1772, Irmão Salomão é nomeado vice-diretor do Noviciado de Maréville e, no ano seguinte diretor. Escreve uma carta a sua irmã pedindo que reze para que Deus lhe conceda as luzes necessárias para guiar os noviços no caminho da perfeição

Em junho de 1777, o Irmão Salomão, graças a seus estudos comerciais e de contabilidade, é nomeado Ecônomo de Maréville. Ocupa-se dos problemas práticos, da alimentação para seus coirmãos, da manutenção da casa e da propriedade da instituição. Aceitou a obediência, embora tivesse preferido dedicar-se às atividades espirituais.

Em 1787, o Irmão Salomão se torna o Secretário do Capítulo Geral da Congregação e logo depois Secretário do Superior Geral Irmão Agathão.

No dia 14 de julho de 1789, com a tomada da Bastilha, inicia-se a Revolução Francesa. O furor dos revolucionários se volta também contra os sacerdotes e religiosos que são obrigados a prestar juramento à constituição Civil, negando a autoridade do Papa. Quem se negava a jurar é encarcerado

Entre o dia 9 e o 10 de agosto, é também preso o rei Luis XVI e encarcerado na Prisão do Templo. Será guilhotinado na manhã do dia 21 de janeiro de 1793.

Na noite entre o 15 e o dia 16 de agosto, uns cinquenta revolucionários invadem a casa dos Irmãos da rua Nova. Levam preso o Irmão Salomão e o conduzem a cadeia do Carmelo.

No dia anterior havia escrito uma longa carta a sua irmã Maria, na qual, entre outros assuntos se lê: “Soframos agradecidos e alegremente as cruzes e as penas que Deus nos envie”.

Em carta à Família Leclercq, um irmão Lassalista, dizia: "No dia 15, 50 homens da Guarda Nacional invadiram a casa onde residia o Irmão Salomão, revistaram tudo durante quatro horas e, afinal, levaram o Irmão preso e o encarceraram na igreja dos Carmelitas, juntamente com uma centena de outras pessoas. Consegui falar com ele, mas por pouco tempo, pois os guardas nos obrigavam a comunicar-nos em voz forte e por tempo bem limitado. O Irmão Salomão está muito bem disposto e aceita, muito agradecido a Deus, a ocasião de poder sofrer algo por Ele. As prisões continuam se multiplicando; cabeças são cortadas sem parar. Esta é a situação atual." 

No dia dois de setembro de 1792, o Irmão Salomão é convocado perante o júri, para um simulacro de julgamento. Todas as pessoas que haviam recusado prestar o Juramento da Constituição Civil do Clero foram trucidadas. No meio dessa hecatombe, tombou o Irmão Salomão Leclercq. Não havia ainda completado 47 anos de vida.
O local do massacre foram os jardins e os pátios do Convento dos Carmelitas, na porta dos fundos da igreja.

Uma simples lápide de mármore recorda o fato, acontecido a 2 de setembro de 1792, com os dizeres em latim: "Aqui foram trucidados". 

O milagre para obter sua canonização, foi o caso de Maria Alejandra Hernández, venezuelana. Em 2007, ao jogar perto do orfanato onde vivia, foi mordida por uma serpente venenosa. Conduzida ao hospital, não tinham expectativas de salvar sua vida: os médicos pensavam em amputar a perna e, mesmo assim, informaram às Servas do Santíssimo Sacramento, que dirigiam o orfanato, só um milagre poderia salvá-la.
As irmãs, juntamente com suas crianças, começaram a rezar na capela onde mantinham uma imagem do Beato Salomão, onde os Lassalistas tinham uma casa de formação.
Depois de duas horas que as freiras e os órfãos começaram a rezar, a perna de Maria Alejandra recuperou a cor e, em pouco tempo, ela se recuperou.

O Beato Salomão Leclercq foi canonizado pelo Papa Francisco em 16 de outubro de 2016.