sábado, 2 de junho de 2018

02 de junho - Santos Marcelino e Pedro



Os santos de hoje foram mártires por causa do amor a Jesus e pertenceram ao clero romano no século IV, quando era grande perseguição contra a Igreja de Cristo por parte do Imperador Diocleciano. Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio papa Dâmaso, que recolheu, ainda menino, a narração do carrasco dos santos Marcelino e Pedro. O algoz referiu que havia disposto a decapitação dos dois no centro de um bosque justamente para não ficar nenhuma lembrança: ambos tiveram de limpar com as próprias mãos a pequena superfície que ia banhar-se de sangue.

Foi assim que tudo passou:

Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.


Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulinha estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demônio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artêmino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.

Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulinha dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulinha se curou e se converteu também.
Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulinha foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulinha foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.

Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.

Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

02 de junho - Com que autoridade fazes essas coisas? Quem te deu autoridade para fazer isso? Mc 11,28


A autoridade é um tema frequente no Evangelho. Em particular, a de Jesus encontra-se posta em questão, muitas vezes precisamente pelos doutores da lei, fariseus, sacerdotes e escribas: Mas com qual autoridade fazes isto? Diz-nos! Tu não tens autoridade para fazer isto! Nós temos autoridade! No fundo da questão há o problema da autoridade formal e da autoridade real. Enquanto escribas e fariseus tinham autoridade formal, Jesus tinha uma autoridade real. Mas, não porque fosse um sedutor. De fato, se é verdade que Jesus anunciava um ensinamento novo, é também verdade que o próprio Jesus disse que ele ensinava a lei até ao último ponto. A novidade em relação aos doutores da lei era que Jesus ensinava a verdade, mas com autoridade.

Neste ponto, é importante compreender onde está a diferença desta autoridade. Antes de tudo, a autoridade de Jesus era humilde: ele ensinava com humildade. A sua era uma dimensão de serviço, a ponto que ele aconselhava o mesmo aos seus discípulos: “Os chefes das nações oprimem-nas, mas entre vós não seja assim. O maior seja como aquele que serve: faça-se o menor, e então será o maior”. Portanto, Jesus«servia as pessoas, explicava as situações para que compreendessem bem: estava ao serviço das pessoas. Tinha uma atitude de servo, e isto dava autoridade. Pelo contrário, os doutores da lei, tinham uma psicologia de príncipes. E pensavam: Nós somos os mestres, os príncipes, e ensinamos a vós. Não de serviço: nós mandamos, vós obedeceis. Mesmo se as pessoas ouviam e respeitavam, não sentiam que exerciam autoridade sobre eles. Ao contrário, Jesus nunca se fez passar por um príncipe. Era sempre o servo de todos e isto dava-lhe autoridade.

Uma segunda atitude da autoridade de Jesus, era a proximidade. Lê-se no Evangelho: Jesus estava próximo das pessoas, vivia no meio do povo e eles não o deixavam ir. O Senhor não era alérgico às pessoas: tocar os leprosos, os doentes não lhe causava arrepios. E estar próximo das pessoas dá autoridade.

Por fim há uma terceira diferença em relação aos doutores da lei: a coerência. Jesus, era coerente, vivia o que pregava. Havia como que uma unidade, uma harmonia entre o que pensava, sentia e fazia. O que não acontece na atitude dos escribas e fariseus: a sua personalidade estava dividida a ponto que Jesus aconselhava os seus discípulos: “Fazei o que vos dizem, mas não o que fazem”.

Uma autoridade que causa admiração e conquista. A admiração do povo diante de Jesus, porque a sua autoridade era humilde, de serviço, era uma autoridade próxima das pessoas e coerente.


Papa Francisco - 10 de janeiro de 2017

Hoje celebramos:

sexta-feira, 1 de junho de 2018

01 de junho - Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados.Mc 11,25

O que é o perdão? De onde vem ele?

Acusarmo-nos a nós mesmos é o primeiro passo para o perdão: Acusar-se a si mesmo faz parte da sabedoria cristã. Certamente não é sabedoria cristã acusar os outros. Ao contrário, é preciso acusar-se a si mesmo e afirmar: pequei. E quando nos aproximarmos do sacramento da penitência, é preciso ter isto em mente: Deus é grande e concedeu-nos muitas graças mas infelizmente eu pequei, ofendi o Senhor e peço salvação. Mas se vou ao sacramento da confissão, da penitência e começo a falar dos pecados dos outros, não sei o que procuro: certamente não busco o perdão. Aliás procuro justificar-me e ninguém se pode justificar a si mesmo, só Deus nos justifica.

Recordo aquela anedota histórica de uma senhora que se aproximou do confessionário e começou a falar da sogra: sobre o comportamento da sogra e como a fazia sofrer. Passados quinze minutos o confessor disse-lhe: “Senhora, está bem, confessou os pecados da sua sogra, agora confesse os seus”.

Muitas vezes vamos pedir perdão ao Senhor justificando-nos, vendo o que de mau fizeram os outros. Mas a atitude correta é reconhecer que, infelizmente, pequei.

O Senhor perdoa-nos, sempre e não uma só vez. A nós, diz para perdoar setenta vezes sete, sempre, porque ele perdoa sempre: “Perdoo-te, contanto que perdoes os outros”. O perdão de Deus chega até nós com força, contanto que perdoemos os outros. Mas, isto não é fácil porque o rancor faz um ninho no nosso coração e permanece aquela amargura. De fato muitas vezes trazemos em nós a lista do que nos fizeram: fez-me aquilo, fez-me isto. Sem perdoar.

Um confessor disse-me certa vez que se sentiu em dificuldade quando foi administrar os sacramentos a uma idosa que estava para morrer. Confessou os seus pecados e até contou histórias de família. E o sacerdote disse: “Mas a Senhora perdoa estes familiares?” — “Não, não perdoo”. A mulher, estava apegada ao ódio, o diabo tinha-a acorrentado àquele ódio. E desta forma aquela idosa — idosa! — que estava para morrer dizia: “não perdoo”. O confessor procurou falar-lhe de Jesus, que era bom e ela respondia que sim, era bom e assim falando, falando, disse-lhe: “Mas a senhora acredita que Jesus é bom?” — “sim, sim”. E o confessor concedeu a absolvição, mas o ódio escravizava-a.

Perdoo-te, contanto que perdoes os outros: estas são as duas situações que nos ajudarão a compreender o caminho do perdão. E depois devemos glorificar Deus: “Sois grande, Senhor, concedestes-me muitas graças, mas infelizmente pequei. Perdoai-me” — “Sim, perdoo-te, setenta vezes sete, contanto que perdoes os outros”. Que o Senhor nos faça entender tudo isto.

Papa Francisco - 06 de março de 2018

Hoje celebramos:

01 de junho - Santo Aníbal Maria di Francia


“Se alguém me ama, guarda a minha palavra" (Jo 14,23). Nestas palavras evangélicas, está apresentado e delineado o perfil espiritual de Aníbal Maria Di Francia que, o amor ao Senhor, o estimulou a dedicar a existência inteira ao bem espiritual do próximo. Nesta perspectiva, ele sentia sobretudo a urgência de realizar este mandato evangélico: "Por isso, pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara!" (Mt 9, 38).
Aos Padres rogacionistas e às Irmãs Filhas do Zelo Divino, deixou a tarefa de se empenharem com todas as forças, a fim de que a oração pelas vocações fosse "incessante e universal". O Padre Aníbal Maria Di Francia dirige este mesmo convite aos jovens do nosso tempo, resumindo-o na sua exortação habitual: "Apaixonai-vos por Jesus Cristo!".
Desta intuição providencial nasceu no interior da Igreja um grande movimento de oração pelas vocações. Formulo votos de coração para que o exemplo do Padre Aníbal Maria Di Francia oriente e sustente esta ação pastoral também no tempo presente.

Papa João Paulo II – Homilia de Canonização – 16 de maio de 2004

Aníbal Maria Di Francia nasceu em Messina (Itália) aos 5 de julho de 1851. Foram seus pais, a Anna Toscano e o Francisco, marquês de S. Catarina de Jonio, vice-cônsul pontifício e capitão honorário da marinha.
Aníbal, terceiro de quatro filhos, ficou órfão aos 15 meses pela morte prematura do pai. A amarga experiência infundiu-lhe, uma particular ternura e um especial amor para com os órfãos e crianças abandonadas que caracterizaram não só a sua vida, mas todo o seu sistema educativo.

Desenvolveu grande amor a Jesus Sacramentado, tanto que recebeu autorização - excepcional naquele tempo - de comungar diariamente. Muito jovem ainda, diante de Jesus Sacramentado solenemente exposto, recebeu a graça especial que podemos definir como a inteligência do Rogate (Rogai): “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai [Rogate], pois, ao dono da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Mt9, 38; Lc 10, 2). Estas palavras do Evangelho constituíram a intuição fundamental, o carisma ao qual dedicou toda a sua vida.

Dotado de grande genialidade e notáveis capacidades literárias, apenas ouviu o chamado do Senhor, respondeu pronta e generosamente, adaptando os talentos ao seu ministério. Completados os estudos foi ordenado sacerdote. Alguns meses antes se encontrou providencialmente com um mendigo quase cego que lhe proporcionou a oportunidade de entrar em contato com a triste realidade social e moral da periferia mais pobre de Messina, as assim chamadas Casas Avignone que lhe abriu o caminho daquele imenso amor para com os pobres e órfãos que se tornou uma característica fundamental de sua vida. Com o consentimento de seu Bispo foi morar naquele gueto e empenhou todas as suas energias na redenção daqueles infelizes, que aos seus olhos se apresentavam com a imagem evangélica das ovelhas sem pastor. Foi uma experiência marcada por contradições, incompreensões e dificuldades de todo tipo, que superou com grande fé, vendo nos humildes e marginalizados o próprio Jesus Cristo realizando aquilo que definia “espírito de dupla caridade: evangelização e serviço dos pobres”.

No ano de 1882 tiveram início seus orfanatos que em seguida colocou sob a proteção de Santo Antônio de Pádua, daí recebendo o nome de antonianos. Sua preocupação não consistia somente em dar aos órfãos pão e trabalho, mas, sobretudo em proporcionar-lhes educação integral especialmente no aspecto moral e religioso, oferecendo aos assistidos um verdadeiro clima de família que favorecesse o processo formativo de descobrir e realizar o plano de Deus.
Pelo seu espírito missionário desejava abraçar todos os órfãos e pobres do mundo. Mas o que fazer? A palavra Rogate abria-lhe esta possibilidade. Por isso escreveu: “O que é este punhado de órfãos que são evangelizados diante de milhões que se perdem e são abandonados como rebanho sem pastor? Eu procurava uma saída ampla, imensa e a encontrei nas adoráveis palavras de N. S. Jesus Cristo: Rogate ergo... e então me pareceu ter encontrado o segredo de todas as boas obras e da salvação de todos os homens”.

Aníbal tinha intuído que o Rogate não era uma simples recomendação do Senhor, mas um comando explicito e um “remédio infalível”. Razão pela qual seu carisma deve ser considerado princípio animador de uma providencial fundação na Igreja. Outro aspecto a se destacar é que ele antecede o tempo ao considerar como vocações também os leigos engajados, pais, professores e até os bons governantes.

Para realizar na Igreja e no mundo seus ideais apostólicos, fundou duas novas famílias religiosas: em 1887 a Congregação das Filhas do Divino Zelo e, dez anos mais tarde, a dos Rogacionistas.

Quis que os membros dos dois Institutos, aprovados canonicamente aos 6 de agosto de 1926, se empenhassem a viver o Rogate com um quarto voto. Assim o Di Francia escreveu numa suplica de 1909 a S. Pio X: “Dediquei-me desde a minha juventude à santa palavra do Evangelho: Rogate ergo. Nos meus mínimos Institutos de beneficência se eleva oração incessante e cotidiana dos órfãos, dos pobres, dos sacerdotes e virgens consagradas, com as quais se suplicam aos Corações Santíssimos de Jesus e Maria, ao Patriarca São José e aos Santos Apóstolos para que queiram prover abundantemente a Santa Igreja de sacerdotes eleitos e santos, de evangélicos operários da mística messe das almas”.

Para difundir a oração pelas orações promoveu numerosas iniciativas, correspondia-se e teve encontros pessoais com os Sumos Pontífices de seu tempo, instituiu a Sagrada Aliança para o clero e a Pia União da Rogação Evangélica para todos os fiéis. Fundou o jornal com o significativo título “Deus e o Próximo” para envolver os fiéis na vivência dos mesmos ideais.

“É toda a Igreja - escreve - que oficialmente deve rezar para esta intenção, pois a missão da oração para obter bons operários é tal que deve interessar vivamente os bispos, os pastores do místico rebanho, aos quais são confiadas as almas e são hoje os apóstolos de Jesus Cristo”. O Dia Mundial de oração pelas vocações, instituído por Paulo VI em 1964, pode considerar-se a resposta da Igreja à esta sua intuição.

Teve grandíssimo amor ao sacerdócio, convicto de que somente mediante a ação de numerosos e santos sacerdotes é possível salvar a humanidade. Empenhou-se fortemente na formação espiritual dos seminaristas que o Arcebispo de Messina confiou a seus cuidados. Com frequência repetia que sem uma sólida formação espiritual, sem oração, «toda fadiga dos bispos e reitores de seminários se reduz geralmente a um cultivo artificial de padres...». Sua caridade, definida sem cálculos e sem limites, manifestou-se com conotações particulares mesmo para com sacerdotes em dificuldade e irmãs de clausura.

Durante sua vida terrena já se manifestava clara e genuína fama de santidade observável em todos os níveis, de tal modo que, - quando a 1 de junho 1927 morria santamente em Messina, confortado pela presença de Nossa Senhora que muito amara ao longo de sua existência, o povo repetia: “vamos ver o santo que dorme”.
A santidade e missão de Padre Aníbal declarado “insigne apóstolo da oração pelas vocações” são experimentadas hoje profundamente por todos que estão compenetrados das necessidades vocacionais da Igreja.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

31 de maio - Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo


“Isto é o Meu corpo, que será entregue por vós... Este cálice é a Nova Aliança no Meu sangue... Fazei isto em Minha memória” (1Cor 11, 24-25).

A Liturgia atual comemora o grande mistério da Eucaristia com uma clara referência à Quinta-Feira Santa. Na Quinta-Feira Santa, como todos os anos, fazemos memória da Ceia do Senhor. No final da Santa Missa in «Caena Domini» seguiu-se a breve procissão que acompanha o Santíssimo Sacramento até à Capela da reposição, onde permaneceu até à solene Vigília pascal. Hoje, preparamo-nos para uma procissão muito mais solene, que nos levará pelas ruas da Cidade.

Na festividade de hoje, ajudam-nos a reviver os mesmos sentimentos da Quinta-Feira Santa as palavras de Jesus, pronunciadas no Cenáculo: “Tomai, isto é o Meu corpo”, “Isto é o Meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos” (Mc 14, 22.24). Estas palavras, fazem-nos entrar ainda mais no mistério do Verbo de Deus encarnado que, sob as espécies do pão e do vinho, Se doa a cada homem, como alimento e bebida de salvação.

João, no seu Evangelho, oferece uma significativa chave de leitura das palavras do divino Mestre, referindo quanto Ele mesmo disse de Si junto de Cafarnaum: “Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Se alguém comer deste pão, viverá eternamente” (Jo6, 51).

Encontramos assim nas Leituras de hoje o sentido pleno do mistério da salvação. Se a primeira, tirada do Êxodo (cf. Êx 24, 3-8), nos remete à Antiga Aliança estabelecida entre Deus e Moisés, mediante o sangue de animais sacrificados, na Carta aos Hebreus recorda-se “entrou uma só vez no Santo dos Santos, não com o sangue dos carneiros ou dos bezerros, mas com o Seu próprio sangue” (9, 12).

A solenidade de hoje ajuda-nos, portanto, a atribuir a Cristo a centralidade que Lhe compete no desígnio divino para a humanidade, e impele-nos a configurar sempre mais a nossa vida a Ele, Sumo e Eterno Sacerdote.

Mistério da fé! Ao longo dos séculos, a solenidade atual foi objeto de atenção particular nas diversas tradições do povo cristão. Quantas manifestações religiosas surgiram em torno do culto eucarístico! Teólogos e pastores esforçaram-se por fazer compreender, com a linguagem dos homens, o mistério inefável do Amor divino.

Entre estas vozes autorizadas, um lugar especial ocupa o grande Doutor da Igreja, São Tomás de Aquino que, nas composições poéticas, canta com enlevo inspirado os sentimentos de adoração e de amor do crente diante do mistério do Corpo e Sangue do Senhor.
Sim, todo o nosso coração se abandona a Vós, ó Cristo, porque quem acolhe a Vossa palavra, descobre o sentido pleno da vida e encontra a verdadeira.

Brote espontâneo do coração o agradecimento pelo tão extraordinário dom. “Que darei eu ao Senhor por todos os Seus benefícios?  (Sl 115, 12). Cada um de nós pode pronunciar as palavras do salmista, na consciência do inestimável dom que o Senhor nos concedeu com o Sacramento eucarístico.

“Elevemos o cálice da salvação e invoquemos o nome do Senhor”: esta atitude de louvor e de adoração ressoa hoje, nas orações e nos cânticos da Igreja, em todos os cantos da terra.

Repetiremos com devoção:
Povos todos,
proclamai o mistério do Senhor!
Que nos foi dado através de mãe pura
e por todos nós encarnou...
Na noite da ceia com os irmãos
Se encontrou...
Aos Apóstolos admirados
como alimento Se doou.

O Filho de Deus doa-Se a Si mesmo. Sob as espécies do pão e do vinho, dá o Corpo e o Sangue, recebidos de Maria, Mãe virginal. Dá a Sua divindade e a Sua humanidade, para nos enriquecer de modo inexprimível.

Adoremos o Sacramento
que Deus Pai nos doou.
Amém!

Papa João Paulo II – 29 de maio de 1997

Hoje celebramos: