segunda-feira, 26 de março de 2018

26 de março - Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres? Jo 12,5


Este trecho do Evangelho mostra a paciência que Jesus tem com Judas. Nessa passagem, o apóstolo critica a escolha de Maria, irmã de Lázaro, de ungir os pés de Jesus com meio litro de precioso perfume, defendendo que o melhor seria vendê-lo e dar o dinheiro aos pobres. Porém, o evangelista ressalta que a Judas não interessavam os pobres, mas o dinheiro que roubava.

Jesus não lhe disse ‘Você é um ladrão’. Com amor, foi paciente, procurando atraí-lo a Si com a Sua paciência, com o Seu amor. Fará bem a nós pensar, nesta Semana Santa, na paciência que Deus tem conosco, com as nossas fraquezas, com os nossos pecados.

Pensemos em um relacionamento pessoal nesta Semana Santa: como tem sido, na minha vida, a paciência de Jesus comigo? Somente isso. Depois, sairá, do nosso coração, uma só palavra: ‘Obrigado, Senhor! Obrigado pela Sua paciência’.


Papa Francisco - 25 de março de 2013 




26 de março - São Bercario


Nascido em Aquitânia por volta de 620, afilhado de San Nivardo, Bercario (Bercherio), teve uma primeira formação na escola de São Remaclo, e depois, abraçou a vida monástica sob as regras de São Columbano, na abadia de Luxeuil, no tempo do santo abade Valberto. 
Nivardo, que se tornou bispo de Reims, confiou-lhe a fundação do Mosteiro de Hautvillers (Marna), do qual Bercario foi o primeiro abade e onde elaborou uma regra que foi uma síntese das regras de São Columbano e de São Bento. 

Ele ergueu alguns edifícios para clausura e duas igrejas, dedicadas, respectivamente, ao apóstolo Pedro e à Virgem Maria. Pouco depois de 673, ele fundou na região do Der um mosteiro de virgens, povoado por escravas resgatadas (Puellemontier, Upper Marne), e depois, não muito longe, erigiu uma abadia de homens (Montier-en-Der), para onde se transferiu, abandonando a direção de Hautvillers, e que rapidamente se tornou famosa e próspera. 

É possível que Bercario tenha doado para a abadia a propriedade familiar que ele possuía no sul do Loire. A igreja abacial foi dedicada aos santos apóstolos Pedro e Paulo. Depois ele fez peregrinações a Roma e à Terra Santa, de onde trouxe relíquias preciosas. De Roma, entre outras coisas, ele trouxe o famoso díptico de marfim, um dos quais atualmente é mantido em Paris e o outro em Londres. 

Um monge, Daguino, que era seu afilhado, e foi expulso por Bercario como punição por uma falta grave, esfaqueou o abade em uma quinta-feira santa de 685 ou, mais provável, o 696. O abade magnanimamente perdoou seu atacante e morreu três dias depois, na manhã da Páscoa. 

Ele foi considerado mártir e homenageado com este título, não só na sua abadia, mas também nas dioceses de Troyes, Reims, Châlons-sur-Marne e Langres. 

Diante da ameaça das invasões normandas do século IX, os monges levaram as relíquias do Bercario para a Borgonha, mas depois as trouxeram de volta em 924. Enquanto isso, uma grande parte da cabeça do Bercario foi preservada na antiga igreja colegiada de Châteauvillain, dedicada ao abade mártir: esta relíquia, infelizmente, desapareceu, como a própria igreja, durante a Revolução Francesa. 




domingo, 25 de março de 2018

Semana Santa



Com o Domingo de Ramos iniciamos a Semana Santa – centro de todo o Ano Litúrgico – na qual acompanhamos Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que pode querer dizer viver a Semana Santa para nós?
O que significa seguir Jesus em seu caminho no Calvário para a Cruz e a ressurreição?

Em sua missão terrena, Jesus percorreu os caminhos da Terra Santa; chamou 12 pessoas simples para que permanecessem com Ele, compartilhando o seu caminho e para que continuassem a sua missão; escolheu-as entre o povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à pobre viúva, aos poderosos e aos indefesos; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, consolou, compreendeu; doou esperança; levou a todos a presença de Deus que se interessa por cada homem e cada mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para cada um de seus filhos. Deus não esperou que fôssemos a Ele, mas foi Ele que se moveu para nós, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, Ele se move para nós.

Jesus viveu a realidade cotidiana do povo mais comum: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou diante do sofrimento de Marta e Maria pela morte do irmão Lázaro; chamou um cobrador de impostos como seu discípulo; sofreu também a traição de um amigo. Nele Deus nos doou a certeza de que está conosco, em meio a nós. “As raposas – disse Ele, Jesus – as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). Jesus não tem casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão é abrir a todos as portas de Deus, ser a presença do amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalem para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida.

Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice “por nós”. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte (Is 53,12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; certamente não esconde a sua profunda inquietação humana diante da morte violenta, mas se confia com plena confiança ao Pai. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz Jesus “me amou e entregou a si mesmo” (Gal 2,20).

Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou a si mesmo por mim. Cada um pode dizer este “por mim”.

O que significa tudo isto para nós?

Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não somente com a emoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos outros, para ir para as periferias da existência, mover-nos primeiro para os nossos irmãos e as nossas irmãs, sobretudo aqueles mais distantes, aqueles que são esquecidos, aqueles que tema mais necessidade de compreensão, de consolação, de ajuda. Há tanta necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho.

Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: “Mas, padre, não tenho tempo”, “tenho tantas coisas a fazer”, “é difícil”, “o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?”

Sempre nos contentamos com alguma oração, com uma Missa dominical distraída e não constante, com qualquer gesto de caridade, mas não temos esta coragem de “sair” para levar Cristo. Somos um pouco como São Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de doação de si, de amor para todos, o Apóstolo o leva para o lado e o repreende. Aquilo que diz Jesus perturba os seus planos, parece inaceitável, coloca em dificuldade as seguranças que se havia construído, a sua ideia de Messias. E Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). 

Deus pensa sempre com misericórdia: não se esqueçam disso. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o retorno do filho e vai ao seu encontro, vê-lo vir quando ainda é distante…

O que isto significa? 

Que todos os dias ia ver se o filho retornava a casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração no terraço de sua casa. Deus pensa como o samaritano que não passa próximo à vítima olhando por outro lado, mas socorrendo-a sem pedir nada em troca; sem perguntar se era judeu, se era pagão, se era samaritano, se era rico, se era pobre: não pergunta nada. Não pergunta essas coisas, não pergunta nada. Vai em seu auxílio: assim é Deus. Deus pensa como o pastor que doa a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias – que pena tantas paróquias fechadas! – dos movimentos, das associações, e “sair” de encontro aos outros, fazer-nos próximos para levar a luz e a alegria da nossa fé. 

Sair sempre! E isto com amor e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, mas em seguida é Deus que os orienta e torna fecunda cada ação nossa.

Desejo a todos viver bem estes dias seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

Papa Francisco – 27 de março de 2013

25 de março - Domingo de Ramos


O Evangelho, proclamado antes da procissão apresenta Jesus que desce do Monte das Oliveiras montado num jumentinho, sobre o qual ainda ninguém se sentara; evidencia o entusiasmo dos discípulos, que acompanham o Mestre com aclamações festivas.

Mas este Jesus, cuja entrada na Cidade Santa estava prevista precisamente assim nas Escrituras, não é um alguém que vive de ilusões, que apregoa ilusões, um vendedor de fumaça. Longe disso! É um Messias bem definido, com a fisionomia concreta do servo, o servo de Deus e do homem que caminha para a paixão; é o grande Padecente da dor humana.
Assim, enquanto festejamos o nosso Rei, pensemos nos sofrimentos que Ele deverá padecer nesta Semana. Pensemos nas calúnias, nos ultrajes, nas ciladas, nas traições, no abandono, no julgamento iníquo, nas bastonadas, na flagelação, na coroa de espinhos... e, por fim, no caminho da cruz até à crucifixão.

Entretanto, Jesus tinha dito claramente aos seus discípulos que tudo isso haveria de acontecer: “Se alguém quer vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”. Nunca, portanto, prometeu honras nem sucessos. Os Evangelhos são claros. Sempre avisou os seus amigos de que a sua estrada era aquela: a vitória final passaria através da paixão e da cruz.
E, para nós, vale o mesmo. Para seguir fielmente a Jesus, peçamos a graça de o fazer não por palavras mas com as obras, e ter a paciência de suportar a nossa cruz: não a recusar nem jogar fora, mas, com os olhos fixos n’Ele, aceitá-la e carregá-la dia após dia.

E este Jesus, que aceita ser aclamado, mesmo sabendo que O espera o “crucifica-o!”, não nos pede para O contemplarmos apenas nos quadros, nas fotografias, ou nos vídeos que circulam na rede. Não. Está presente em muitos dos nossos irmãos e irmãs que hoje, sim hoje, padecem tribulações como Ele: sofrem com um trabalho de escravos, sofrem com os dramas familiares, as doenças... Sofrem por causa das guerras e do terrorismo, por causa dos interesses que se movem por detrás das armas que não cessam de matar. Homens e mulheres enganados, violados na sua dignidade, descartados.... Jesus está neles, em cada um deles, e com aquele rosto desfigurado, com aquela voz rouca, pede para ser enxergado, reconhecido, amado.

Finalmente, não há outro Jesus: é o mesmo que entrou em Jerusalém por entre o acenar de ramos de palmeira e oliveira. É o mesmo que foi pregado na cruz e morreu entre dois malfeitores. Não temos outro Senhor para além d’Ele: Jesus, humilde Rei de justiça, misericórdia e paz.

Papa Francisco - 09 de abril de 2017

Hoje celebramos:
São Dimas - O Bom Ladrão
Beata Josafata Hordashevska




25 de março - Santa Lúcia Filippini


Lucia Filippini nasceu em Tarquínia, perto de Roma, em 13 de janeiro de 1672, quinta e última filha, com menos de um ano ficou órfã de mãe e aos sete anos de pai, quando foi viver com seus tios, sendo dócil, obediente e muito amável.  Seu amor a Jesus na Eucaristia era tão grande que não passava dia sem que O fosse visitar no tabernáculo.

Com o consentimento dos tios, foi acolhida no mosteiro beneditino para estudar, onde recebeu ótima educação com as irmãs Beneditinas e começou a se despontar com o seu talento de catequista, já que conseguia transmitir a beleza dos santos mistérios da nossa fé Católica principalmente às crianças. A experiência com a catequese das crianças era mais do que um desenvolver do dom, mas um despontar de um carisma que marcou profundamente a história de Lúcia. 

Nos finais de 1600 o Cardeal Marcantonio Barbarigo teve a inspiração de fundar escolas católicas em toda diocese, enviou Lúcia para formação intelectual e religiosa com as Irmãs Clarissas, e por fim deu-lhe a missão de realizar este projeto.

Santa Lúcia aceitou o desafio e a cruz por amor ao Senhor e pela formação de catequistas e professoras. Aconteceu então uma ampla ação de apoio humano e espiritual dos jovens, dedicando-se também ao melhoramento da condição feminina e ao restabelecimento moral e cultural do clero e do povo. Precisamente para esta finalidade foram constituídas, por volta de 1692, as "Escolas da Doutrina Cristã" para as jovens do povo, na perspectiva do saneamento da família e da sociedade.

Desta forma, surgiu um corpo de professoras válido e estável, capaz de realizar, com fidelidade e criatividade, aquele projeto de intervenção educativo que o Cardeal Barbarigo e a jovem Lúcia Filippini idealizaram. As suas discípulas estão hoje em vários Países do mundo com amor ao serviço do Evangelho, atentas às necessidades dos pequeninos, dos pobres e dos que sofrem, procurando inspirar no ministério educativo em Jesus Mestre, num estilo de seguimento que faz apelo ao amor esponsal. Continuam por este caminho, cooperando na difusão do Evangelho da caridade nos novos âmbitos de apostolado que o Senhor as confia.

A experiência, maturada do instituto durante longos anos de serviço a Cristo e à Igreja constitui hoje, um feliz preliminar para uma época de vida consagrada e apostólica ainda mais fecunda. 
Santa Lúcia por 40 anos dedicou-se a este apostolado que não a livrou de calúnias e males morais, que soube enfrentar na força da oração e providentes irmãos, até pegar uma doença que a levou com 60 anos para a Casa do Pai no dia 25 de março de 1732.

Foi beatificada pelo Papa Pio XI em 1926 e caninizada pelo mesmo Papa em 1930.

Pensamentos de Santa Lúcia Filippini:

"O amor é uma força que atrai e conquista os corações: a caridade é o efeito do amor que leva à conquista das almas.”

“Deus nos chamou para servi-Lo nos pobres, nos sofredores, nos necessitados, a trabalhar para o advento do Reino de Cristo no mundo; continuemos…Enquanto vivemos, devemos combater, vigiar, sobretudo orar para que no mundo não nos prenda com suas seduções. Em nome do Senhor, sempre para a frente.”

 “Jesus morreu por nós, mas nós ainda não morremos por Ele.”

"Desejaria ardentemente multiplicar-me para gritar por todos os lados e para dizer a todas as pessoas: Amai, amai muito o Senhor!”

 "No mundo há necessidade de compreensão e caridade”.

“Exorto-vos, caras filhas, a conduzir uma vida digna da Vocação, para a qual fostes chamadas; com total humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos reciprocamente e na caridade, solícitas em conservar a unidade de espírito. Aonde fordes, levai o sorriso de Maria.”