sábado, 25 de novembro de 2017

25 de novembro - São Pedro de Alexandria

O século III talvez tenha sido o mais trágico palco em que se desenrolou o drama da perseguição e extermínio de cristãos. As grandes perseguições vinham através do imperador romano, tirano, cruel e violento. Defender o cristianismo, naqueles tempos, era atrair para si a ira dos poderosos, no mínimo a prisão e o trabalho escravo, quando não o exílio e, quase sempre, a morte. E assim, como o Povo de Deus nunca temeu sacrificar-se em nome da fé em seu Redentor, foi um tempo em que floresceram milhares de mártires.

Um deles foi Pedro, patriarca de Alexandria, que foi consagrado no ano 300. Era admirado por todos de seu tempo, por seu vasto saber científico e filosófico e pelo profundo conhecimento das Sagradas Escrituras.

Sob sua responsabilidade estavam as igrejas do Egito, da Tebaida e da Líbia, todos territórios de muita perseguição ao seu rebanho. Mas quanto maior o perigo, mais firmeza demonstrava Pedro. Consolava os perseguidos, acolhia e protegia os que mais sofriam, dava exemplos diários de coragem e perseverança.

Porém o patriarca Pedro não enfrentou somente as feras do paganismo. Também teve de lutar contra as forças opositoras que surgiram dentro da própria Igreja cristã, corroendo-a internamente. Enfrentou tudo com tolerância e benevolência, mas com firmeza. Apenas exigiu que os bispos vivessem com o mesmo rigor a fé cristã e a mesma retidão de caráter e disciplina de vida que ele próprio se impunha, não almejando, apenas, posição e os bens materiais. 

Os bispos Melécio e Ário logo começaram um movimento radical contra ele, visando o seu afastamento e o seu posto episcopal. Pedro, então, convocou um Concílio e ambos foram afastados da Igreja. Aí começou a verdadeira guerra contra o patriarca.

Os dois bispos negaram-se a reconhecer o poder do Concílio, continuaram suas atividades episcopais e, em represália, passaram a pregar contra a Igreja. Isso causou um cisma na Igreja, isto é, uma divisão que durou cento e cinquenta anos e que ficou conhecido como o "Cisma Meleciano". Então, denunciado por Ário, Pedro acabou preso e condenado à morte. Aliás, o imperador aproveitou-se da situação para eliminar aquela incômoda liderança e autoridade católica.

A antiga tradição diz que, na véspera da execução, Cristo apareceu-lhe numa visão, na forma de um menino que tinha a túnica rasgada de alto a baixo. Disse-lhe que o responsável por aquilo era Ário, que dividira sua Igreja ao meio.

 Assim, antes de morrer, ele viu sua doutrina confirmada. Foi decapitado em 25 de novembro de 311 por opor-se ao cisma de Melécio e pela fé em Cristo.

Ele é venerado como santo pelas Igrejas Copta, Católica, e Ortodoxa.
O historiador Severus de Ashmumeen, do décimo século, conta como o Patriarca teria sido preso durante a perseguição de Diocleciano. Quando o imperador foi informado sobre isto, ordenou que Pedro fosse decapitado. 

Isto foi impedido de imediato por um número grande de cristãos que se reuniram junto à prisão desejando morrer pelo seu Patriarca. 

Os soldados retardaram a execução, temendo um massacre da multidão ou criar uma revolta.
Pedro, temendo pela vida do seu povo, teria sugerido aos soldados um plano para tirá-lo da prisão através de um buraco na parede apontado por ele. Desta forma, ele poderia ser tirado para fora receber sua sentença.

Severus de Ashmumeen descreve o momento do martírio do Patriarca:
E ele vestiu o seu omofório e descobriu seu pescoço, que era puro diante de Deus, e disse a eles: 
"Façam como foi ordenado a vocês".
Mas os soldados temeram que problemas surgissem por causa dele. Assim olharam um para outro, e nenhum deles ousou cortar a cabeça dele, por causa do medo no qual eles tinham caído.
Então deliberaram e disseram: "Quem cortar sua cabeça receberá de nós cinco denários." 
Eles eram seis, e um deles tinha um pouco de dinheiro. Assim ele tirou cinco e vinte denários e disse: "O que subir até ele e cortar sua cabeça, receberá este dinheiro de mim e dos outros quatro." 
Assim um dos homens foi adiante, criou coragem e cortou a cabeça do santo mártir e patriarca Pedro.



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

24 de novembro - São Crisógono de Aquileia

Crisógono é definido como "vir christianissimus" (verdadeiro cristão). E de tal maneira coerente com a própria fé, que não se deixou seduzir pelo cargo honorífico do consulado — que lhe fora oferecido pelo imperador Diocleciano em pessoa, quando estava de passagem por Aquileia, com a condição de que renegasse a Cristo e queimasse alguns grãos de incenso no altar de Júpiter. Ante sua recusa, o “cristianíssimo” Crisógono foi preso na casa de um certo Rufino, que o devia manter confinado à espera de um processo. Rufino terminou sendo convertido por seu prisioneiro, e compartilhou com ele a mesma sorte, isto é, a decapitação.

Desde o princípio, a devoção a este mártir de Aquileia foi transferida para Roma, onde há uma igreja dedicada em seu nome em Trastevere. Esta igreja ("Titulus Chrysogoni") foi mencionada pela primeira vez nos atos do Concílio de Roma de 499, mas provavelmente data do século IV. É possível que o fundador da igreja tenha sido um tal Chrysogonus e que, por conta da similaridade entre os nomes, a igreja rapidamente tenha se tornado o centro da devoção do mártir de Aquileia. De forma similar, a veneração de Anastácia de Sirmio fora transplantada para Roma. É também possível, porém, que, desde o início, por alguma razão desconhecida, a igreja tenha sido consagrada em nome de São Crisógono e tenha sido batizada em sua homenagem de fato.

Por volta do século VI surgiu a legenda do mártir que fez dele um romano e o ligou à história de Santa Anastácia, uma maneira de evidenciar a veneração de Crisógono na igreja romana que leva seu nome. De acordo com esta legenda, Crisógono, inicialmente um funcionário do vigário da cidade (vicarius Urbis), era um professor cristão de Anastácia, a filha do nobre romano Pretextato. Atirado na prisão durante a perseguição de Diocleciano, ele confortou a aflita Anastácia com suas cartas. Por ordem de Diocleciano, Crisógono foi arrastado à presença do imperador em Aquileia, condenado à morte e decapitado. Seu cadáver, atirado ao mar, apareceu numa praia e foi enterrado pelo já idoso sacerdote Zoilo, que também é o santo padroeiro de Zadar. Na legenda, a morte do santo teria ocorrido em 23 de novembro.

A Igreja Católica comemora o santo no dia 24 de novembro, o aniversário da dedicação da igreja que leva seu nome.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

23 de novembro - São Columbano

"Se tirarem a liberdade de alguém, tiram-lhe a dignidade."

Hoje gostaria de falar do santo abade Columbano, o irlandês mais conhecido do início da Idade Média: com razão ele pode ser chamado um santo "europeu", porque como monge, missionário e escritor trabalhou em vários países da Europa ocidental. Juntamente com os irlandeses do seu tempo, ele estava consciente da unidade cultural da Europa. Numa sua carta, escrita por volta do ano 600 e dirigida ao Papa Gregório Magno, encontra-se pela primeira vez a expressão "totius Europae - de toda a Europa", referindo-se à presença da Igreja no Continente (cf. Epistula I, 1).

Columbano nasceu por volta do ano 543 na província de Leinster, no sudeste da Irlanda. Educado na própria casa por ótimos mestres que o iniciaram no estudo das artes liberais, confiou-se depois à guia do abade Sinell da comunidade de Cluain-Inis, na Irlanda setentrional, onde pôde aprofundar o estudo das Sagradas Escrituras. Com cerca de trinta anos entrou no mosteiro de Bangor no nordeste da ilha, onde era abade Comgall, um monge muito conhecido pela sua virtude e pelo seu rigor ascético. Em total sintonia com o seu abade, Columbano praticou com zelo a severa disciplina do mosteiro, conduzindo uma vida de oração, de ascese e de estudo. Ali foi também ordenado sacerdote. A vida em Bangor e o exemplo do abade influenciaram a concepção do monaquismo que Columbano maturou com o tempo e difundiu depois ao longo da sua vida.

Aos cinquenta anos, seguindo o ideal ascético tipicamente irlandês da "peregrinatio pro Christo", isto é, do fazer-se peregrino por Cristo, Columbano deixou a ilha para empreender com doze companheiros uma obra missionária no continente europeu. De fato, devemos ter presente que a migração de povos do norte e do leste fizera voltar ao paganismo inteiras Regiões já cristianizadas.

Por volta do ano 590 este pequeno grupo de missionários chegou à costa da Bretanha. Acolhidos com benevolência pelo rei dos Francos da Austrásia (atual França), pediram apenas um pouco de terra inculta. Obtiveram a antiga fortaleza romana de Annegray, totalmente em ruínas e abandonada, já coberta pela floresta. Habituados a uma vida de extrema renúncia, os monges conseguiram em poucos meses construir sobre as ruínas o primeiro ermitério. Assim, a sua reevangelização começou a desenvolver-se antes de tudo mediante o testemunho da vida. Com a nova cultivação da terra começaram também uma nova cultivação das almas.

A fama daqueles religiosos estrangeiros que, vivendo de oração e em grande austeridade, construíam casas e arroteavam a terra, difundiu-se rapidamente atraindo peregrinos e penitentes. Sobretudo muitos jovens pediam para ser acolhidos na comunidade monástica para viver, como eles, esta vida exemplar que renovava a cultura da terra e das almas. Depressa se tornou necessária a fundação de um segundo mosteiro. Foi edificado a poucos quilômetros de distância, sobre as ruínas de uma antiga cidade termal, Luxeuil. O mosteiro tornar-se-ia depois o centro da irradiação monástica e missionária de tradição irlandesa no continente europeu. Um terceiro mosteiro foi erigido em Fontaine, a uma hora de caminho mais a norte.

Em Luxeuil Columbano viveu quase vinte anos. Ali, o santo escreveu para os seus seguidores a Regula monachorum durante um certo período mais difundida na Europa do que a de São Bento designando a imagem ideal do monge. É a única antiga regra monástica irlandesa que hoje possuímos. Como integração ele elaborou a Regula coenobialis, uma espécie de código penal para as faltas dos monges, com punições bastante surpreendentes para a sensibilidade moderna, explicáveis apenas com a mentalidade do tempo e do ambiente. Com outra obra famosa intitulada De poenitentiarum misura taxanda, escrita também em Luxeuil, Columbano introduziu no continente a confissão e a penitência privadas e reiteradas; foi chamada penitência "tarifada" devido à proporção estabelecida entre gravidade do pecado e tipo de penitência imposta pelo confessor. Estas novidades despertaram a suspeita dos Bispos da região, uma suspeita que se transformou em hostilidade quando Columbano teve a coragem de os reprovar abertamente pelos costumes de alguns deles.

A ocasião em que se manifestou o contraste foi a contenda sobre a data da Páscoa: de fato, a Irlanda seguia a tradição oriental, em contraste com a tradição romana. O monge irlandês foi convocado em 603 a Châlon-sur-Saôn para prestar contas diante de um sínodo dos seus costumes relativos à penitência e à Páscoa. Em vez de se apresentar ao sínodo, ele enviou uma carta com a qual minimizava a questão convidando os Padres sinodais a discutir não só sobre o problema da data da Páscoa, segundo ele um pequeno problema, "mas também de todas as necessárias normas canônicas desatendidas por muitos o que é mais grave" (cf. Epistula II, 1). Contemporaneamente escreveu ao Papa Bonifácio IV como alguns anos antes já se tinha dirigido ao Papa Gregório Magno (cf. Epistula I) para defender a tradição irlandesa (cf. EpistulaIII).

Sendo muito intransigente em todas as questões morais, Columbano entrou depois em conflito também com a casa real, porque tinha reprovado asperamente o rei Teodorico pelas suas relações adúlteras. Isso originou uma rede de intrigas e manobras a nível pessoal, religioso e político que, no ano 610, se transformou num decreto de expulsão de Luxeuil para Columbano e para todos os monges de origem irlandesa, que foram condenados ao exílio definitivo.

Foram escoltados até ao mar e embarcados para a Irlanda com o patrocínio da corte. Mas o navio encalhou a pouca distância da praia e o capitão, vendo nisto um sinal do céu, renunciou a prosseguir e, com receio de ser amaldiçoado por Deus, reconduziu os monges para a terra firme. Eles, em vez de voltarem para Luxeuil, decidiram começar uma nova obra de evangelização. Embarcaram no Reno e subiram o rio. Depois de uma primeira etapa em Tuggen junto do lago de Zurique, foram para a região de Bregenz perto do lago de Constância para evangelizar os Alamanos.

Mas pouco depois Columbano, devido a vicissitudes políticas pouco favoráveis à sua obra, decidiu atravessar os Alpes com a maior parte dos seus discípulos. Permaneceu só um monge de nome Galo; da sua ermida ter-se-ia depois desenvolvido a famosa abadia de Sankt Gallen, na Suíça. Tendo chegado à Itália, Columbano encontrou um acolhimento favorável junto da corte real longobarda, mas teve que enfrentar imediatamente grandes dificuldades: a vida da Igreja estava dilacerada pela heresia ariana que ainda prevalecia entre os longobardos e por um cisma que tinha separado a maior parte das Igrejas da Itália setentrional da comunhão com o Bispo de Roma. Columbano inseriu-se com autoridade neste contexto, escrevendo um libelo contra o arianismo e uma carta a Bonifácio IV para o convencer a dar alguns passos decididos em vista de um restabelecimento da unidade (cf. Epistula V).

Quando o rei dos longobardos, em 612 ou 613, lhe confiou um terreno em Bobbio, no vale da Trebbia, Columbano fundou um novo mosteiro que depois se tornaria um centro de cultura comparável com o famoso de Montecassino. Nele viu o fim dos seus dias: faleceu a 23 de Novembro de 615 e nesta data é comemorado no rito romano até hoje.

A mensagem de São Columbano concentra-se numa firme chamada à conversão e ao desapego dos bens terrenos em vista da herança eterna. Com a sua vida ascética e com o seu comportamento intransigente face à corrupção dos poderosos, ele evocava a figura severa de São João Batista. A sua austeridade, contudo, nunca é fim em si mesma, mas unicamente o meio para se abrir livremente ao amor de Deus e corresponder com todo o ser aos dons por Ele recebidos, reconstruindo assim em si a imagem de Deus e ao mesmo tempo arroteando a terra e renovando a sociedade humana.

Cito das suas Instructiones: "Se o homem usar retamente as faculdades que Deus concedeu à sua alma, então será semelhante a Deus. Recordemo-nos que lhe devemos restituir todos aqueles dons que ele depositou em nós quando estávamos na condição originária. Ensinou-nos o seu modo com os seus mandamentos. O primeiro deles é o de amar o Senhor com todo o coração, porque Ele nos amou primeiro, desde o início dos tempos, ainda antes que nós viéssemos à luz deste mundo" (cf. Inst., XI).

O Santo irlandês encarnou realmente estas palavras na própria vida. Homem de grande cultura escreveu também poesias em latim e um livro de gramática revelou-se rico de dons de graça. Foi incansável construtor de mosteiros, assim como intransigente pregador penitencial, empregando todas as suas energias para alimentar as raízes cristãs da Europa que estava a nascer. Com a sua energia espiritual, com a sua fé, com o seu amor a Deus e ao próximo tornou-se realmente um dos Padres da Europa: ele mostra-nos também hoje onde estão as raízes das quais pode renascer esta nossa Europa.


Papa Bento XVI - Audiência Geral 11 de junho de 2008

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Papa Francisco: O que é a Missa?

Mas, essencialmente, o que é a Missa?

A Missa é o memorial do Mistério pascal de Cristo. Ela nos torna partícipes na sua vitória sobre o pecado e a morte e dá significado pleno a nossa vida” - respondeu - ressaltando, que para compreender o seu valor, devemos antes de tudo entender o significado bíblico de “memorial.

Este não é somente a recordação – o memorial não é somente uma recordação - não é somente uma recordação dos acontecimentos do passado, mas o memorial os torna de certo modo presentes e atuais. Precisamente assim Israel entende a sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do Êxodo tornam-se presentes na memória dos fiéis para que conformem a própria vida a eles.
Jesus, com sua paixão, morte, ressurreição e ascensão ao Céu, levou a Páscoa ao seu cumprimento.

Assim, a Missa é o memorial da sua Páscoa, de seu “êxodo”, que realizou por nós, para nos fazer sair da escravidão e nos introduzir na terra prometida da vida eterna. Não é somente uma recordação, não, é mais do que isto: é fazer presente o que aconteceu há 20 séculos.

Assim, a Eucaristia nos leva sempre ao ápice da ação de salvação de Deus: o Senhor Jesus, fazendo-se pão partido por nós, derrama sobre nós toda a sua misericórdia e o seu amor, como fez na cruz, renovando o nosso coração, a nossa existência e o nosso modo de nos relacionarmos com Ele e com os irmãos.

Cada celebração da Eucaristia é um raio daquele sol sem ocaso que é Jesus ressuscitado. Participar da Missa, em particular no domingo, significa entrar na vitória do Ressuscitado, ser iluminados pela sua luz, aquecidos pelo seu calor. Por meio da celebração eucarística, o Espírito Santo nos torna partícipes da vida divina que é capaz de transfigurar todo o nosso ser mortal. Na sua passagem da morte à vida, do tempo à eternidade, o Senhor Jesus nos leva com Ele para fazer a Páscoa. Na Missa se faz Páscoa. Nós, na Missa, estamos com Jesus, morto e ressuscitado e Ele nos leva para frente, para a vida eterna. Na Missa nos unimos a Ele. Antes ainda, Cristo vive em nós e nós vivemos n’Ele (...). Assim pensava São Paulo.

O seu sangue nos liberta da morte e do medo da morte.

Nos liberta não somente do domínio da morte física, mas da morte espiritual que é o mal, o pecado, que toma conta de nós cada vez que caímos vítima do pecado nosso ou dos outros. E então a nossa vida é sujada, perde a beleza, perde o significado, esmorece.
Cristo, pelo contrário nos dá a vida novamente; Cristo é a plenitude da vida, e quando enfrentou a morte, a aniquilou para sempre.

A Páscoa de Cristo é a vitória definitiva sobre a morte, porque Ele transformou a sua morte em supremo ato de amor. Morreu por amor. E na Eucaristia, Ele quer nos comunicar este seu amor pascal, vitorioso. Se o recebemos com fé, também nós podemos amar verdadeiramente Deus e o próximo, podemos amar como Ele nos amou, dando a vida.

E se o amor de Cristo está em mim posso doar-me plenamente ao outro, na certeza interior de que mesmo que o outro me fira, eu não morrerei. Caso contrário, deverei defender-me.

Os mártires deram a sua vida justamente por esta certeza da vitória de Cristo sobre a morte. Somente se experimentamos este poder de Cristo, o poder de seu amor, somos realmente livres para nos doar sem medo.

E esta é a Missa entrar nesta paixão, morte, ressurreição, ascensão de Jesus:
E quando vamos à Missa é como se fôssemos a um Calvário, é a mesma coisa. Mas pensem: se vamos ao Calvário - pensemos usando a imaginação -  naquele momento, nós sabemos que aquele homem ali é Jesus. Mas, nós nos permitiremos ficar conversando, tirar fotografias, fazer um pouco o espetáculo? Não! Porque é Jesus! Nós, certamente estaremos em silêncio, no choro, e também na alegria de sermos salvos. Quando nós entramos na Igreja para celebrar a Missa, pensemos isto: entro no Calvário, onde Jesus dá a sua vida por mim, e assim desaparece o espetáculo, desaparecem as conversas, os comentários, e estas coisas que nos distanciam disto que é tão bonito que é a Missa, o triunfo de Jesus.
Penso que agora esteja mais claro como a Páscoa nos torna presente e atuante cada vez que celebramos a Missa, isto é, o sentido de memorial. 


22 de novembro - Beato Tomás Reggio

"Sede praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes" (Tg 1, 22). Estas palavras do apóstolo Tiago fazem pensar na existência e no apostolado de Tomás Reggio, sacerdote e jornalista, que depois foi Bispo de Ventimiglia e por fim Arcebispo de Genova. Homem de fé e de cultura que, como Pastor, soube ser guia atenta dos fiéis em todas as circunstâncias. Sensível aos numerosos sofrimentos e pobrezas do seu povo, empenhou-se numa ajuda imediata em todas as situações de necessidade. Precisamente nesta perspectiva deu início à Família religiosa das Irmãs de Santa Marta, confiando-lhes a tarefa de prestar assistência aos Pastores da Igreja, sobretudo no âmbito caritativo e educativo.

A sua mensagem sintetiza-se em duas palavras: verdade e caridade. Em primeiro lugar a verdade, que significa escuta atenta da palavra de Deus e ímpeto corajoso na defesa e difusão dos ensinamentos do Evangelho. E depois a caridade, que leva a amar a Deus e, por amor dele, a abraçar a todos, porque são irmãos em Cristo. Se houve uma preferência nas opções de Tomás Reggio, foi por quantos se encontravam em dificuldade ou no sofrimento. Eis por que hoje ele é proposto como modelo a Bispos, sacerdotes, leigos, e a todos os que fazem parte da sua Família espiritual.

Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 3 de setembro de 2000

Tomás Reggio veio de uma família rica e profundamente religiosa. Nasceu em Gênova (Itália) no dia 9 de janeiro de 1818. No dia seguinte foi batizado na catedral de São Lourenço e em 1828, na mesma catedral, foi crismado. Dez anos depois, em 1838, termina seus estudos universitários formando-se em Direito, e mesmo com um futuro e uma carreira brilhantes decide ingressar no seminário para dedicar-se totalmente a Cristo e em ajudar ao próximo. Já no seminário, estudou e aprofundou-se nas diversas doutrinas.

Em 18 de setembro de 1841 aos 20 anos, também na catedral de São Lourenço é ordenado sacerdote. Uma das várias frases que marcou sua trajetória de vida foi dita logo após sua ordenação sacerdotal: "Quero ser santo, custe o que custar".  

Neste mesmo ano ingressa na Congregação dos Missionários Rurais e Suburbanos que tem a finalidade de realizar retiros espirituais e missões, especialmente nas paróquias.
Em 1842 formou-se Teologia na Universidade Real de Gênova, em meio a uma crise política, social e cultural que afetava a Itália.   

Apenas com seus vinte cinco anos, Tomás Reggio é nomeado vice-reitor do Seminário de Gênova e logo depois reitor do Seminário de Chiavari. O jovem reitor exercia seu trabalho com  humildade, fortalecido na oração e no amor a Deus e à Nossa Senhora.

Dedicou-se intensamente na formação dos futuros sacerdotes que estivessem dispostos a comprometer a vida por Deus e pela Igreja.  
Exercendo o cargo de reitor do seminário se declara a favor da liberdade de imprensa; a partir deste momento, Tomás Reggio, junto com um grupo de católicos fundam o primeiro jornal da Igreja com o nome “O Católico”, que tinha a finalidade de difundir o evangelho e fazer com que as pessoas soubessem dos acontecimentos da época, porém,  com um olhar cristão defendendo os direitos da Igreja. 

Em 1851 é nomeado Abade da Basílica de “Santa Maria Assunta” em Carignano. 
Já em 1861 o jornal muda de nome e passa a ser chamado “O Estandarte Católico”, onde Tomás Reggio chegou  a  exercer o cargo de diretor.   
Em março de 1877 o Papa Pio IX nomeia Tomás Reggio como Bispo Auxiliar de Dom Biale, em Ventimiglia, era uma diocese muito pobre, porém mais tarde foi nomeado Bispo desta mesma diocese. 

As necessidades daquele lugar e um seminário em ruínas, levam Tomás Reggio a vender todas suas propriedades e começar uma grande reforma no seminário. O aumento das vocações sacerdotais faz com que Tomás Reggio busque ajuda na comunidade das Religiosas Missionárias de Pigna. 

Tomás Reggio era uma pessoa muito exigente, devido a isso decide formar uma congregação de religiosas.   
Em 1878 fundou a Congregação das Religiosas de Santa Marta, que tinha como finalidade responder às necessidades da época, vivendo o carisma de Santa de Marta, que acolheu, serviu e amou Jesus. Dessa forma elas também deviam acolher os pobres, doentes e deficientes.  Estas religiosas aprenderam dele a adorar em silêncio, a alimentar-se da oração, a encontrar de joelhos as razões de uma fé, que faz descobrir Cristo nos pequeninos com os quais se identificava.

Quando, em 1887, um terremoto devastou a região, D. Reggio, apesar da sua avançada idade, apresentou-se imediatamente junto dos atingidos pela catástrofe levando-lhes ajuda, e depois convocou os párocos pedindo-lhes que o informassem sobre o estado das suas paróquias, a fim de providenciar as ajudas que recebia de muitas pessoas, entre as quais leitores de vários jornais.

Foi pródigo, reservando para si apenas a sua batina e o antigo relógio, testemunhando assim que se fez pobre pela sua gente. Cuidou de modo especial dos muitos órfãos, vítimas do terremoto, inicialmente assistidos nalguns centros já existentes na cidade e para eles criou, mais tarde, um orfanato em Ventimiglia entregue aos cuidados das Religiosas de Santa Marta.   

Em 1892 escreveu ao Papa: "Peço a Sua Santidade que me exonere do cargo episcopal, a fim de poder ser um simples Sacerdote para que a diocese não sofra por causa da minha avançada idade e confie a outro o cargo de uma tarefa tão pesada”.   

A resposta do Santo Padre foi surpreendente. Em maio desse mesmo ano, Tomás Reggio, foi nomeado Arcebispo de Gênova. Apesar dos seus 74 anos de idade e das dificuldades que apresentava, aceitou humildemente o cargo para cumprir a vontade de Deus.

Em 1900, a Itália católica decidiu consagrar a Deus e a Nossa Senhora o novo século, então Tomás Reggio convidou todos os Bispos da região para uma grande peregrinação ao Monte Saccarello, onde foi  colocada a estátua do Cristo Redentor. Para chegar ao Monte ele junto a outros sacerdotes e muitos peregrinos, partiram de Gênova em um trem de terceira classe, até Triora, pequena cidade situada aos pés do Monte Sacarello. O desejo de continuar a pé o trajeto da peregrinação era muito grande, mas não foi possível fazê-lo, pois um mal estar o impediu. Foi o início de uma doença que o levaria ao término da sua vida. 

Tomás Reggio faleceu na tarde do dia 22 de novembro de 1901.
Respondendo àqueles que lhe perguntavam se ele desejava alguma coisa simplesmente disse: “Deus, Deus, só Deus me basta!”.  

A resposta foi a expressão daquilo que o guiou e  sempre viveu.  Após 109 anos de sua morte e quando celebramos os 10 anos de sua beatificação Tomás Reggio continua presente através de suas filhas, que fiéis ao carisma de Santa Marta e ao testamento de seu fundador, vão transformando em uma Betânia todos os lugares por onde cada uma delas se encontra.

Oração
Senhor, te damos graças por ter nos dado o Beato Tomás Reggio que em tempos difíceis soube ser, na Igreja, um apóstolo incansável e um autêntico pastor de Teu trabalho.
Confiando na Tua providência, sustentado na Tua palavra, mostrou as pegadas de Tua presença na história.
Concedei-nos, Senhor, a força de amar-Te, servir-Te como ele tem amado e servido. Por sua intercessão concede-nos (especialmente por...)
Tudo isso nos pedimos por Cristo Nosso Senhor,
Amém!