quinta-feira, 7 de julho de 2016

Santo Antonio Fantosati


"Os preceitos do Senhor dão alegria". Estas palavras do Salmo bem a experiência dos 120 mártires na China. Os testemunhos que chegaram até nós deixam entrever neles um estado de espírito marcado por uma profunda serenidade e alegria.

Hoje a Igreja agradece ao seu Senhor, que a abençoa e a imbui de luz com o esplendor da santidade destes filhos e filhas da China. Não é porventura o Ano Santo o momento mais oportuno para fazer resplandecer o seu testemunho heroico?
A jovem Ana Wang, com catorze anos, resiste às ameaças do carnífice que a convida a renegar e, dispondo-se à decapitação, declara com o rosto radiante: "A porta do Céu está aberta a todos" e murmura três vezes "Jesus".
E Chi Zhuzi, com dezoito anos, grita destemido aos que acabavam de lhe cortar o braço direito e se preparavam para o esfolar vivo: "Cada pedaço da minha carne, cada gota do meu sangue vos repetirão que sou cristão".
Igual convicção e alegria testemunharam os outros 85 chineses, homens e mulheres de todas as idades e condições, sacerdotes, religiosos e leigos, que selaram a própria indefectível fidelidade a Cristo e à Igreja com o dom da vida. Isto aconteceu ao longo de vários séculos e em complexas e difíceis épocas da história da China. Esta celebração não é a ocasião oportuna para formular juízos sobre aqueles períodos históricos: poder-se-á e dever-se-á fazê-lo noutra circunstância. Com esta solene proclamação de santidade, a Igreja só deseja reconhecer que aqueles Mártires constituem um exemplo de coragem e de coerência para todos nós e honram o nobre povo chinês.
Nesta plêiade de Mártires resplandecem também 33 missionários e missionárias, que deixaram a sua terra e procuraram introduzir-se na realidade chinesa, assumindo com amor as suas características, no desejo de anunciar Cristo e de servir aquele povo. Os seus túmulos estão lá, como que a significar a sua definitiva pertença à China, que eles, apesar dos seus limites humanos, amaram com sinceridade, despendendo por ela as suas energias. "Nunca fizemos mal a ninguém responde Dom Francisco Fogolla ao governador que se prepara para o golpear com a espada. Ao contrário, fizemos o bem a muitos".

Papa João Paulo II – Homilia de Canonização de 120 mártires chineses – 01 de outubro de 2000

Dentre esses mártires estava o bispo Dom Antonio Fantosati.
Antonio Fantosati nasceu em Santa Maria, em Perusa, Itália, no dia 16 de outubro de 1842. Ingressou na Ordem dos Frades Menores de São Francisco. Foi ordenado sacerdote em 1865, aos 23 anos de idade. Pouco tempo depois partiu para a Hupe, na China, chegando no dia 15 de dezembro de 1867. Sua primeira preocupação foi aprender a língua local.
Partiu então para Lao-ho-kow, local onde pregou e converteu durante 18 anos. Em 1878 fundou um orfanato para meninos abandonados ou órfãos.
Em 1888 faz uma breve visita à Itália e quando retorna à China é nomeado bispo de Adana. Nesta época passou por muitas perseguições, quando mais de 20.000 Cristãos foram mortos.
Faleceu, martirizado por um longo período, depois transpassado por uma barra de ferro pontiaguda e por fim, jogado ao lado de um irmão de Fé num rio. Foram então recolhidos do rio, queimados e suas cinza lançadas ao vento, era o ano de 1900. Esta ação tinha por objetivo impedir que fossem feitas orações em seu túmulo e proporcionar o seu esquecimento. Foi Canonizado em 01 de outubro de 2000, pelo Papa João Paulo II.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Beata Maria Crucifixa Curcio



Ao servo preguiçoso e arrogante da parábola dos talentos contrapõe-se positivamente a figura feminina que é apresentada pelo livro dos Provérbios. Neste contexto insere-se convenientemente com o seu carisma materno e com o seu gênio feminino a beata Maria Crucifixa Curcio, mulher hábil e laboriosa, atenta a ocupar-se das necessidades do seu próximo, até o fazer tornar-se "a sua família". Também a Madre Maria Crucifixa soube "procurar para si a lã e o linho" e elaborá-los de boa vontade "com as suas mãos" para fazer crescer a família que Deus lhe confiou. Encontrou no Espírito do Carmelo, e muito concretamente no carisma contemplativo missionário de Santa Teresa do Menino Jesus o estímulo para fundar a congregação carmelita das Missionárias de Santa Teresa do Menino Jesus.
O amor a Jesus guiou-a por um caminho que muitas vezes foi difícil e amargo, fazendo-lhe experimentar o que significa ser "crucificada", como Jesus, por amor dos irmãos, sempre presentes nas suas atenções, também nos momentos de maior intimidade com Deus. Escrevia no seu Diário espiritual:  "A ideia de partir ao encontro dos meus irmãos enchia-me o coração de alegria... A minha ternura cresce sempre... e com esta ternura amo as filhas que a Providência me confiou, amo o mundo inteiro, amo a natureza com todas as belezas".
A Madre Maria Crucifixa foi uma mulher simples e forte, imbuída pelo amor de Deus, toda propensa para o céu, mas atenta a inclinar-se sobre a terra, em particular sobre a humanidade sofredora e necessitada. Ela soube haurir da sua fé profunda e do amor apaixonado à Eucaristia inspiração e alimento contínuo para a sua busca de santidade. A beata Madre Curcio soube conjugar, nos gestos ordinários da sua vida quotidiana, a oração com a ação, sendo esta última entendida como recuperação dos últimos, e mais precisamente, como acolhimento e formação da juventude mais abandonada. Precisamente por esta sua normalidade e concretude é um modelo no qual inspirar-se nos dias de hoje, porque a sua mensagem é de grande atualidade.
Cardeal José Saraiva Martins – Homilia de Beatificação – 13 de novembro de 2005

Maria Crucifixa Cúrcio, fundadora da Congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresa do Menino Jesus, nasceu em Íspica – Itália, em 30 de janeiro de 1877. Seus pais eram: Salvatore Cúrcio e Concetta Franzò. Sétima de dez filhos, transcorre a infância em um ambiente familiar culturalmente e socialmente elevado, manifestando logo uma inteligência vivaz, um caráter alegre, decidido e determinado, amadurecendo, nos primeiros anos da adolescência, uma elevada e notável tendência à piedade, atenção e solidariedade para com os mais fracos e marginalizados.

Em casa recebe uma severa educação, de rígidos princípios morais, em virtude dos quais o pai não só a limita em seu anseio de uma intensa vida de fé, mas, seguindo o costume da época, não lhe consente nem mesmo prosseguir os estudos, concluindo apenas a sexta série.
Esta privação lhe custou muito, mas, ávida de conhecimentos, busca conforto nos livros da biblioteca da família, onde encontra a Vida de Santa Teresa de Jesus. O confronto com esta Santa a faz conhecer e amar o Carmelo, conduzindo-a aos estudos das “coisas celestes”.
Em 1890, com a idade de 13 anos, não obstante as dificuldades, obtém a permissão para se inscrever na Ordem Terceira Carmelita, recentemente reconstituída em Íspica. Compreende os projetos divinos sobre ela na frequência assídua ao Santuário de Nossa Senhora do Carmo, onde cresce no conhecimento da espiritualidade carmelita, nutrindo uma intensa devoção à Mãe do Carmelo que lhe “havia raptado o coração desde a infância”, confiando-lhe a missão de “fazer reflorescer o Carmelo”. 

Querendo partilhar o ideal de um Carmelo Missionário que unisse a dimensão contemplativa com aquela especificamente apostólica, inicia uma primeira experiência de vida comum com algumas companheiras Terceiras, em um apartamentinho da casa paterna, colocado, enfim, à sua disposição pelos irmãos. Em seguida transfere-se para Módica, uma cidade vizinha, onde lhe foi confiada a direção do Conservatório “Carmela Polara”, para acolhida e assistência de meninas órfãs e necessitadas, na intenção de fazer delas “mulheres estimáveis, úteis a si e à sociedade”.
Depois de muitos anos de provas e tribulações na vã tentativas de ver a sua obra, de qualquer modo, sustentada e oficialmente reconhecida pela autoridade eclesiástica local, consegue finalmente encontrar apoio e partilha do seu ideal missionário em padre Lourenço van den Eerenbeemt, Carmelita da Antiga Observância. Indo a Roma no dia 17 de maio de 1925, para a canonização de Santa Teresa do Menino Jesus, no dia seguinte, acompanhada por Padre Lourenço, visita Santa Marinella, no litoral norte de Roma. Ficou profundamente emocionada com a beleza natural dessa região, mas também com a extrema pobreza da maioria dos seus habitantes. Compreende ter chegado finalmente ao porto. Tendo obtido a permissão oral para uma experiência, do bispo da diocese de Porto Santa Rufina, Cardeal Antonio Vico, em 3 de julho de 1925, se estabelece definitivamente em Santa Marinella e, no dia 16 seguinte, recebe o decreto de afiliação da sua pequena comunidade à Ordem Carmelita, selando assim para sempre a sua pertença à Maria, no Carmelo. 

Em 1930, depois de sofrimentos e cruzes, o seu pequeno grupo obtém o reconhecimento da Igreja com a ereção da Congregação das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresa do Menino Jesus a Instituto de Direito Diocesano, por parte do bispo da diocese portuense, Cardeal Tommaso Pio Boggiani.
“Levar almas a Deus” é o objetivo que anima as suas múltiplas aberturas de obras educativas e assistenciais, na Itália e no exterior. Por isso exorta suas filhas a levar às famílias uma palavra de vida cristã. Pode realizar o seu desejo missionário em 1947 quando, sobre as cinzas da segunda guerra mundial, envia as quatro primeiras Irmãs ao Brasil, com a única recomendação de “não esquecer os pobres”, continuando a sonhar com horizontes sempre mais vastos, onde soltar as velas do seu Carmelo missionário.
Marcada por toda a vida com uma saúde precária, e pelo diabete, esforça-se em acolher sempre com fortaleza e serena adesão à vontade de Deus. Transcorre os últimos anos na enfermidade, continuando a rezar e a doar-se às suas Irmãs, para as quais oferece um precioso exemplo de virtude, sempre mais transparente e luminoso.
A sua oração é um diálogo íntimo e contínuo com Jesus, com o Pai e com todos os Bem-aventurados, inspirado pela confiança filial, amor esponsal, sentimentos de gratidão, louvor, adoração e reparação que procura transmitir, antes de tudo, com o exemplo de vida, às suas filhas espirituais e a todos que dela se aproximam, alimentando sempre “o desejo de ter filhas santas, filhas eucarísticas, filhas que sabem rezar”.

Cultiva intensamente a união de amor com Cristo na Eucaristia, empenhando-se inteiramente em satisfazer seu desejo de reparação “ao imenso número de almas que não conhecem e não amam a Deus”, oferecendo-se como vítima de expiação junto “com o grande Mártir do Amor”. Uma reparação que a faz capaz de partilhar as pena e os anseios dos homens e mulheres, atenta a todas as necessidades, com caridade e justiça, dando voz a quem não tem, contemplando o rosto do Crucificado naquele desfigurado de todo sofredor. Por isso, exorta as Irmãs a “amar santamente os tesouros que a bondade divina lhes confia, as almas jovens que são a esperança do amanhã” e a não se pouparem no serviço da juventude mais humilhada e abandonada – para “ tirá-las do meio da lama”, para restaurar em toda criatura a dignidade e a imagem de filho de Deus.
Com a Mãe de Jesus aprende a ser mãe daqueles que são necessitados. Com Santa Teresa do Menino Jesus encontra alegria espiritual “no assíduo e fiel cumprimento dos próprios deveres”, realizando “com amor e dedicação até mesmo as coisas mais insignificantes”. Vive com humildade, simplicidade, alegria e ternura as relações humanas, realizando cotidianamente a interação entre fé e vida, “no viver juntas tranquilamente” a laboriosidade de Marta e a profundidade mística de Maria.

Em 04 de julho de 1957, em Santa Marinella, serenamente retorna para sempre ao Cristo, seu Esposo, deixando no coração de todos uma viva recordação do seu amor e da sua santidade.

sábado, 2 de julho de 2016

São Bernardino Realino

Tornou-se o patrono de uma cidade ainda vivo. Nunca foi visto uma coisa dessas e com tanta solenidade. Na cidade de Lecce, no verão de 1616 o padre jesuíta Bernardino Realino estava morrendo, 42 anos depois que chegou à cidade. Os governantes da Câmara Municipal, foram visitá-lo "em corpo", isto é, todos juntos, de forma oficial.
E fazem um pedido espantoso: querem que ele seja o protetor da cidade, de geração em geração, para sempre. O moribundo concorda, pacífico e feliz. Por outro lado, já é amigo, conselheiro e ajudante dos cidadãos - já é o seu "patrono" - por mais de quatro décadas. Embora não seja de Lecce.

Bernardino Realino, nascido em uma família ilustre de Carpi, fez seus primeiros estudos em casa, e, em seguida, foi enviado para a Academia em Modena, na época um dos centros culturais mais destacados da Itália. Nos estudos ele se dedica a tudo: literatura clássica e, em seguida, em filosofia, em seguida, novamente em medicina. Finalmente, aos 26 anos, formou-se em direito civil e canônico.
Bernardino começa pela estrada de "cargo público". Começa como prefeito em Felizzano Monferrato, em seguida, vai para Alexandria como "advogado do imposto" (uma espécie de Ministério Público). Depois de outras atribuições em Piedmont, ele entrou para o serviço do governo vice-real, em Nápoles.

Aqui, no entanto, a sua carreira é interrompida. Bernardino Realino tem um encontro com a Virgem Maria, que lhe aparece entregando o Menino Jesus em seus braços. Imediatamente ele resolve abandonar tudo e entrar para a Companhia de Jesus. Após 3 anos de estudos de teologia, é ordenado sacerdote e se tornou o mestre de noviços jesuítas. Sete anos depois, em Lecce, cria uma faculdade para a qual vai se dedicar até a morte.

Mas é também dedicado ao povo de Lecce, ricos e pobres, instruídos e ignorantes, todos atordoados com a sua paciência inflexível em lidar com situações, necessidades, misérias, onde se empenha em oferecer um dinamismo que é tão prodigioso que lhes são atribuídos vários milagre.
Visitava doentes, hospitais, prisões, fazia conferências, catequizava, evangelizava. Em breve era o homem de Lecce, que as famílias convidavam para almoçar ou jantar e gostavam de ter ao lado.

São Bernardino Realino amava muito particularmente os animais. Doía-lhe o coração quando via um passarinho aprisionado numa gaiola. Acercava-se, então, do dono, e negociava a ave. De posse do passarinho, acabava a tristeza e o soltava, atirando-o carinhosamente para o azul do céu, para a liberdade. Logo, porém, uma nuvem de tristeza ensombrecia-lhe o rosto: quantas avezinhas havia pelo mundo a viver encarceradas?

Pelo inverno, espalhava grãos e migalhas de pão pelo pátio da casa em que morava, e um bando de passarinhos visitava-o todos os dias. Sem cerimônia, pousavam-lhe pelos ombros, na cabeça a cantar alegremente, chegando mesmo a entrar no quarto de estudo do santo e a pousar sobre a mesa, os livros e os papéis. E Bernardino, muito admirado e desvanecido, agradecia ao Criador aquela bondade.

Morre aos 86 anos, sendo considerado modelo de educador, Possuindo o dom da cura e do conselho, foi procurado por bispos e príncipes que desejavam sua iluminada orientação. O próprio papa Paulo V, assim como diversos soberanos, lhe escrevia, pedindo orações.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Beata Assunta Marchetti



“A bem-aventurada Assunta foi uma mulher muito forte e empreendedora; como jovem, nada lhe faltava para ter uma boa posição na sua comunidade local, na Itália. No entanto, motivada por sua fé em Deus e pelo amor ao próximo, ela abandonou tudo, inclusive sua pátria e as seguranças que tinha, para seguir a vocação religiosa e missionária, dedicando a vida aos migrantes, sobretudo pobres e doentes, aos órfãos e desamparados… Para eles foi “mãe” solícita, que,  trabalhou muito para não lhes deixar faltar nada… Sua vida foi inteiramente orientada pela caridade de Cristo, que ardia no seu coração, e que lhe ajudava a ver em cada pessoa um filho de Deus, um irmão e uma irmã, imagem e semelhança do próprio Jesus Cristo.



No poema à caridade, da 1ª Carta aos Coríntios (13,1-13), São Paulo convida a buscar o caminho melhor e a virtude mais alta na vida cristã; e esse caminho e virtude consistem em amar como Jesus Cristo amou: amor de caridade, de doação sem medida e sem interesse pessoal, ao ponto de entregar inteiramente a vida pelo próximo. Este ideal alto é proposto a todos os discípulos pelo próprio Jesus, quando ele diz: “como eu vos amei, assim amai-vos também vós uns aos outros… Ninguém tem maior amor do que aquele que entrega a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Todas as ações da nossa vida precisam ser motivadas por esse amor de caridade, à semelhança de Jesus. Sem isso, as ações mais louváveis, como aquelas citadas por São Paulo, poderiam ser movidas apenas por interesse e vaidade pessoal; poderiam ser ações vazias e não ter valor diante de Deus.



A bem-aventurada Assunta Marchetti nos deixou um testemunho dessa caridade. Na sua doação aos órfãos e aos pobres, ela não buscou vantagens pessoais e, por isso, também conseguiu mover tantas pessoas a colaborarem com ela, quer as irmãs que se agregavam à Congregação que ela ajudou a fundar, quer os leigos e as comunidades locais, na busca de servir os irmãos. “Seria como o bronze que soa ou o sino que retine”… Os santos nos ensinam, com o testemunho de sua vida, a viver a caridade de modo autêntico.”

Cardeal Odilo Pedro Scherer – Homilia de Beatificação  25 de outubro de 2014
Madre Assunta é co-fundadora das Missionárias de São Carlos Borromeu, também conhecidas como Irmãs Carlistas, ou Scalabrinianas; elas se dedicam aos migrantes, conforme o carisma recebido do bispo de Piacenza (Itália), João Batista Scalabrini, fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeu, os Carlistas.
Madre Assunta nasceu na Itália em 15.08.1971, na localidade de Lombrici, município de Camaiore; a comunidade fica na diocese de Lucca, Toscana. Em 1895, veio ao Brasil, acompanhando sua mãe e seu irmão, o jovem padre José Marchetti, junto com algumas companheiras, que também nutriam o desejo missionário de acompanhar os imigrantes italianos no Brasil. Passou breves períodos no interior do Estado de São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Mas foi em São Paulo que ela viveu mais longamente e se dedicou a uma intensa ação caritativa voltada sobretudo aos imigrantes, aos doentes e às crianças órfãs ou em situação de pobreza. Atuou longamente no Orfanato Cristóvão Colombo da Vila Prudente, perto da igreja de São Carlos Borromeu. Com as companheiras e a mãe, consolidou a Congregação das Missionárias Scalabrinianas, que continuaram o seu ideal de dedicação aos migrantes e aos pobres. A Congregação hoje está presente em vários Estados do Brasil e também em outros países.
Madre Assunta faleceu em 1º de julho de 1948 e seu túmulo está na Vila Prudente, no local onde viveu e trabalhou. O processo de beatificação, introduzido em 1987 pela própria Congregação das Missionárias Scalabrinianas, na arquidiocese de São Paulo, destaca sua grande caridade e dedicação ao próximo, seu generoso espírito missionário e o testemunho de uma vida consagrada inteiramente ao serviço do reino de Deus.
Pe. José Marchetti, seu irmão, faleceu muito jovem e com pouco tempo de trabalho missionário no Brasil. Também ele viveu intensamente o serviço aos pobres e doentes, em São Paulo, acabando por contrair a febre tifóide, que lhe ceifou a vida. Seu corpo está sepultado no Ipiranga, na igreja do Orfanato Cristóvão Colombo, por ele fundado. A causa de sua beatificação também está em andamento.
O testemunho dos santos edifica a Igreja. Foram pessoas humanas como nós e viveram num determinado período da história; não se trata de mitos criados pela fantasia. Eles enfrentaram os problemas e as contradições do seu tempo, foram fiéis a Cristo e à Igreja, cristãos exemplares e cidadãos dignos. Os santos enobrecem nossa comunidade; estão perto de Deus e continuam perto de nós.

São Junípero Serra



“Hoje encontramo-nos aqui, podemos estar aqui, porque houve muitos que tiveram a coragem de responder a este chamamento; muitos que acreditaram que «na doação a vida fortalece, e enfraquece no comodismo e no isolamento». Somos filhos da ousadia missionária de muitos que preferiram não se fechar «nas estruturas que nos dão uma falsa proteção (...), nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta». Somos devedores duma Tradição, duma cadeia de testemunhas que tornaram possível que a Boa Nova do Evangelho continue a ser, de geração em geração, Nova e Boa.”
O Padre Junipero Serra “soube deixar a sua terra, os seus costumes, teve a coragem de abrir sendas, soube ir ao encontro de muitos aprendendo a respeitar os seus costumes e as suas características” – referiu o Papa realçando que este novo santo “aprendeu a gerar e acompanhar a vida de Deus nos rostos daqueles que encontrava, tornando-os seus irmãos. Junípero procurou defender a dignidade da comunidade nativa, protegendo-a de todos aqueles que abusaram dela; abusos que hoje continuam a encher-nos de pesar, especialmente pela dor que provocam na vida de tantas pessoas.” São Junipero Serra escolheu um lema – disse o Papa na conclusão da sua homilia: “Sempre avante”:
“Teve um lema que inspirou os seus passos e plasmou a sua vida: Soube-o dizer mas sobretudo viver: “Sempre avante”. Esta foi a maneira que Junípero encontrou para viver a alegria do Evangelho, para que não se anestesiasse o seu coração. Foi sempre avante, porque o Senhor espera; sempre avante, porque o irmão espera; sempre avante por tudo aquilo que ainda tinha para viver; foi sempre avante. Como ele então, possamos também nós hoje dizer: sempre avante.”
Papa Francisco – homilia de canonização – 23 de setembro de 2015


Conhecido como o Apóstolo da Califórnia, nasceu em Petra, na ilha de Maiorca, a 24 de novembro de 1713, de Antônio Serra e Margarida Ferrer, pais exemplares pelos costumes e piedade, embora pessoas de pouca instrução. A criança foi batizada com o nome de Miguel José e foi crismado com a idade de apenas dois anos, por ocasião da visita do bispo de Maiorca, Atanasio Esterripa. Ajudava os pais nos trabalhos do campo e frequentou a escola anexa ao convento franciscano de São Bernardino, dando provas de inteligência viva e aberta e desta forma pôde ser encaminhado para fazer estudos superiores.

Depois de um ano de estudos filosóficos no convento de São Francisco de Palma, com 17 anos, vestiu o hábito franciscano no convento Santa Maria de Jesus. A 15 de setembro de 1731 emitiu os votos religiosos mudando o nome de batismo para o de Junípero, devido à grande admiração que tinha para com Frei Junípero, um dos primeiros companheiros de São Francisco.
Aos 35 anos de idade, não obstante a fecundidade de seu apostolado na Europa, Frei Junípero, obedecendo a um chamado interior, partiu rumo às Missões da América junto com um seu discípulo, Frei Francisco Palòu. Os dois permanecerão juntos por toda a vida. Partiram no dia 13 de abril de 1749, de Málaga. Depois de dramática travessia chegaram a São João de Porto Rico no dia 18 de outubro e a 7 de dezembro alcançaram Vera Cruz, na costa sul do México. A pé prosseguiram até a cidade do México. Passou a exercer apostolado junto aos indígenas falando em sua língua.

O futuro santo fez um catecismo na língua do povo e ensinava ciência e técnicas a respeito do trabalho da terra. Graças à ajuda dos que eram missionados, Junípero e seu colega puderam construir em Santiago de Jalpán uma igreja de pedra, de estilo barroco ainda hoje tido como monumento de interesse histórico e tomado, posteriormente, como modelo para a realização de quatro outras igrejas na missão. 
Em junho de 1767, depois da expulsão dos jesuítas das possessões do vice-reino de Espanha por decisão de Carlos III, as missões da Baixa Califórnia foram confiadas aos Franciscanos e Frei Junípero foi nomeado seu superior. Em 1º de abril de 1768, junto com 14 companheiros, empreendeu a corajosa e extenuante viagem rumo à península da Baixa Califórnia.
Depois de dois anos, devido também às condições econômicas favoráveis, pôde fundar a primeira missão californiana de San Diego de Alcalà. Deslocou-se na direção da Alta Califórnia e fundou as Missões de São Carlos Borromeu, de Santo Antônio de Pádua, São Gabriel e de São Luis Bispo e muitas outras. Segue-se um período de incompreensão com um comandante militar da Nova Espanha, José de Galvez. Por este motivo, o bem-aventurado retirou-se a pé para o México permanecendo no Colégio de São Ferdinando até 13 de março de 1774. No final da vida, retirou-se com seu confrade fiel para Monterey, na Califórnia, que escreveu a biografia do bem-aventurado como testemunha ocular.

Durante dezessete anos, precisamente de 1767 a 1784 percorreu, apenas na Califórnia, perto de 9.900km a pé, 5.400 em embarcação, não obstante a idade e as enfermidades. Fundou 9 missões, das quais derivam os nomes franciscanos de cidades californianas muito importantes, como São Francisco, São Diego, Los Angeles, e muitas outras. “Sempre em frente e nunca para trás”, dizia.
Carregava uma ferida na perna que formou-se quando de sua chegada ao México, provavelmente causada por uma picada de inseto. Levou a uma infecção e ele levou pacientemente esta ferida pelos 35 anos em que foi missionário. Viajou sempre de pé: somente em uma circunstância foi usada uma padiola, justamente nos últimos anos, quando sofria, mas caminhou sempre com a dor e isto certamente por um desejo de conformidade a Cristo, por uma oferta mais autêntica da própria vida e justamente porque se considerava um nada.
Frei Junípero, fortemente debilitado em sua saúde, pela asma e gangrena numa perna, morreu a 28 de agosto de 1784 no retiro do Carmelo de Monterrey na Califórnia com 71 anos de idade, sendo que 36 deles foram dedicados à missão.

Tinha com os índios como numa relação entre pai e filhos. Padre Junípero tinha a consciência de ter gerado à fé em Cristo estes povos e, portanto, desejava administrar pessoalmente o Batismo quase que assumindo em relação a eles uma responsabilidade, uma responsabilidade de pai, mostrando que os Sacramentos criam um vínculo com o Senhor, mas também entre os homens. Quando consegue a autorização para administrar o Crisma – é um feito totalmente excepcional, como se poderia pensar – embora já estivesse cansado pelos anos e sofrendo, Padre Junípero viajou para ministrar este Sacramento às populações da Califórnia e se calcula que o número das Crismas chegaram a 5.309. Assim, em síntese, os índios constituíram o coração de seu apostolado: nos limites da obediência aos superiores, não teve respeito humano por quem ousava atacar, aproveitar ou subjugar os índios. Por este amor visceral e inteligente, Padre Junípero não teve medo de enfrentar abertamente as autoridades políticas e militares que queriam tirar da Igreja a missão de evangelizar, a missão primária para estes missionários, que com tanta generosidade, com tanto zelo, enfrentavam viagens, desconfortos, sofrimentos para levar Cristo aos povos.

Considerado o pai dos índios, foi honrado como herói nacional. Desde 1º de março de 1931, a sua estátua representando o Estado da Califórnia, está entre as outras dos Pais fundadores dos Estados Unidos na Sala do Congresso de Washington, estátua única de um religioso no Santuário dos americanos ilustres. O ponto mais alto da cordilheira de montanhas de Santa Lucia na Califórnia tem o seu nome.

O Papa João Paulo II o beatificou a 25 de setembro de 1988 e o Papa Francisco o canonizou no dia 23 de setembro de 2015.