segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Beata Maria do Monte Carmelo

Maria del Carmen Gonzalez-Ramon Garcia-Prieto na diocese de Málaga, em 30 de junho de 1834. Desde a infância, demonstrou um temperamento amável, espontâneo e sensível. Os primeiros estudos foram feitos com o auxílio de professores particulares.
Desde os anos da sua infância e juventude a Beata Carmem praticava uma intensa vida de piedade. A fonte inesgotável da qual aprendeu a viver era a Eucaristia. Aproximava-se diariamente para receber a Sagrada Comunhão, o que não era frequente na época. Por isso ela pode afirmar: "Os sofrimentos desta vida parecem nada, comparados com a honra de poder receber diariamente Jesus Sacramentado".

Juntamente com a Eucaristia, os Mistérios de Belém e o Calvário iluminam o caminho espiritual desta Beata e marcam a sua entrega aos irmãos.
Em 1857, casou-se com Joaquim Munoz del Cano de Hoyos, mas os 24 anos de vida conjugal foram para ela um cálice amargo, que ela soube suportar com admirável fortaleza, alcançando com seu exemplo a conversão do esposo.
A Paixão do Senhor, a sua Morte redentora, é também uma força muito viva na Madre Carmem do Menino Jesus para superar os longos e difíceis anos de seu matrimônio e também os sofrimentos que teve que suportar como fundadora. Quando ela afirma que "a vida do Calvário é a mais segura e proveitosa para a alma", experimentou como o amor a Jesus Cristo, que sofre e morre para nos salvar, dá sentido ao silêncio e à paciência nas acusações e calúnias, ao perdão generoso, à doação de si, à docilidade constante à vontade de Deus.

Tendo enviuvado em 1881, começou a dedicar-se inteiramente aos atos de piedade e cheia de desejo de servir a Nosso Senhor Jesus Cristo na pessoa dos humildes e necessitados, transformou sua residência em um verdadeiro asilo de caridade. Em seu coração nasceu o desejo de consagrar a Deus os restantes dias de sua vida e guiada por seu diretor espiritual, o capuchinho Padre Barnabé da Astorga, empreendeu a fundação de um novo instituto religioso, a Congregação das Irmãs Terceiras Franciscanas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.

Ela compreendeu a missão que Deus lhe confiava: aproximar de Jesus as almas que Ele colocou no seu caminho, contar as maravilhas do Senhor "que tanto nos ama", ensinar a descobri-lo e a amá-lo. E, ao mesmo tempo, enxugar as lágrimas dos pobres e enfermos dando-lhes ajuda e conforto; ocupando-se da educação das crianças e jovens, do cuidado dos enfermos e idosos, das jovens operárias, dos menores necessitados de cuidados.  
A contemplação da pobreza e humildade do Divino Nascimento ensinou-a a fazer-se pequena, a não procurar grandezas materiais, a acolher com amor as crianças, principalmente as pobres, a fazer-lhes todo o bem que pode. "Vede nas crianças a presença do Menino Jesus", dizia às suas irmãs.
Madre Carmem devia ser o instrumento para enxugar as lágrimas, diminuir o pranto, confortar no sofrimento. Pelo espírito franciscano Deus dispô-la a ser portadora de Paz e de Bem; pela devoção ao Coração de Jesus manso e humilde, estimulou-a a "manifestar a todos o amor que Deus nos tem"; no Coração Imaculado de Maria ensinou-lhe "a atitude diante de Deus e da vida".
No dia 17 de setembro de 1881, junto com oito companheiras, a fundadora emitiu os votos temporários e em 20 de fevereiro de 1889 fez a profissão perpétua assumindo o nome de Maria do Monte Carmelo do Menino Jesus. Naquela ocasião foi eleita a primeira superiora geral da Congregação, cargo que desempenhou sempre com grande prudência, diligência e amável magnanimidade.
Sob seu governo o instituto cresceu rapidamente, graças também às numerosas vocações. Nasceram centros para os jovens, escolas e hospitais para o cuidado dos pobres e dos necessitados em geral.
Em 1897 Madre Carmen deixou a direção da Congregação a cargo das mais novas e dois anos depois, no dia 9 de novembro de 1899, faleceu, já gozando de uma indiscutível fama de santidade.
Há quase 130 anos a cidade de Antequera recebe a bênção que Deus envia através da Madre Carmem e pode contar as obras que o Senhor faz por meio da Congregação em diversas regiões da Espanha e em vários países da América: República Dominicana, Nicarágua, Porto Rico, Uruguai e Venezuela.

A Madre Carmem repetia: "Bendito seja Deus, que tanto nos ama", no sofrimento e na alegria. E a sua alma não queria ficar com esse tesouro só para ela. Por isso exclamava: "Quando olho para o céu, aumentam os meus desejos de ir pelo mundo afora ensinar as almas a conhecer e a amar Deus".

Em 6 de maio de 2007, Madre Maria do Monte Carmelo do Menino Jesus foi beatificada. 

domingo, 8 de novembro de 2015

São Godofredo

Os pais de Godofredo rezaram muito para que Deus lhes desse um herdeiro. Até que, em 1066, ele nasceu no castelo da família em Soissons, onde foi batizado com um nome que já apontava a direção que seguiria. Godofredo quer dizer “Paz de Deus”, e foi o que este francês espalhou por onde passou durante toda a vida.

Com cinco anos, foi entregue para ser educado pelos monges beneditinos e do convívio com a religiosidade nunca mais se afastou. Quando a educação se completou, foi para o Convento de São Quintino e ordenou-se sacerdote aos vinte e cinco anos de idade.
A sua integridade de caráter, profundidade nos conhecimentos dos assuntos da fé, bem como a visão social que demonstrava, logo chamaram a atenção dos superiores. Tanto que foi nomeado abade do Convento de Nogent, com a delicada missão de restabelecer as regras disciplinares dos monges, muito afastados do ideal da vida cristã. Em poucos anos a comunidade mudou completamente, tornando-se um centro que atraía religiosos de outras localidades que ali passaram a buscar orientação e conselhos de Godofredo.

Quando os monges de um convento famoso, rico e poderoso o convidaram para ser o abade, ele recusou. O que desejava era viver no seguimento de Cristo, dedicando-se à caridade e trabalhando no amparo e proteção aos pobres e doentes, e não o poder ou a ostentação. Era comum ver os mendigos e leprosos participando da sua mesa, pois acolhia todos os necessitados com abrigo e esmolas fartas. Suas virtudes levaram o povo e o clero a eleger Godofredo bispo de Amiens, mas ele só aceitou a diocese depois de receber ordem escrita do próprio papa.
Outra missão difícil para Godofredo. Lá, os ricos e poderosos preferiam a vida de muitos vícios, prazeres e luxos, sem nenhuma virtude e ligação com os ensinamentos cristãos. Começou empregando toda a força e eloquência de sua pregação contra esses abusos denunciando-os do próprio púlpito. O que quase lhe causou a morte num atentado encomendado. Colocaram veneno em seu vinho, mas o plano foi descoberto antes.

Considerando-se inapto, renunciou ao cargo e retirou-se para um local ermo. Só que nem os superiores, nem o povo aceitaram a demissão e Godofredo foi reconduzido ao cargo. Mas foi por pouco tempo. Durante uma peregrinação à igreja de São Crispim e São Crispiniano, situada em Soissons, sua cidade natal, ele adoeceu. Morreu no dia 8 de novembro de 1115, no convento, onde foi enterrado.
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sábado, 7 de novembro de 2015

São Vicente Grossi

Vicente Grossi é um daqueles sacerdotes que trouxeram glória a Deus e à Igreja com criatividade zelo apostólico exemplar e louvável. Foi pároco, fundador das Filhas do Oratório, beatificado por Paulo VI, em 1975, no dia de Todos os Santos.

Nasceu em 1845 em Pizzighettone (diocese de Cremona, na Itália), como o penúltimo filho entre sete. Em 1864 entrou no seminário diocesano de Cremona, depois de ter realizado os estudos, que hoje chamaríamos de 1º e 2º graus, junto com a sua família. Foi ordenado sacerdote em 1869, tendo feito um curso de 5 anos e meio de seminário maior, conforme costume da época. Como sacerdote, foi designado para as reitorias de algumas igrejas nos quatro seguintes. Reitoria de igrejas era o cuidado pastoral de igrejas abertas ao público, mas não eram paróquias. Em 1873 foi nomeado pároco de Regona.
A paróquia de Regona era uma paróquia difícil, um reduto do protestantismo. O bispo o advertiu ao coloca-la sob sua proteção com a certeza de que iria torná-la uma fonte de bênção,  onde se exigiria a presença de generosos sacerdotes, sábios pastores cheios de zelo e de caridade em tudo. Assim, ele honrou a confiança recebida, em dez anos, ele tinha derrubado as barreiras, contribuindo para o desaparecimento das divisões. Dizia aos paroquianos: "Quando nossos corações estão cheios de amor por Deus não perseguem outros amores, ok? Portanto, vamos trabalhar! ".
Ele havia crescido numa família modesta, filho do povo e amante da sua condição e de todos os que a partilhavam, seu estilo de vida era muito simples. Basta dizer que a sua bagagem extremamente leve consistia em um saco de viagem pequeno com o breviário e um relógio.  Para ajudá-los deu início, na paróquia de Regona, a uma nova congregação religiosa, a das Filhas do Oratório, despretensiosa obra que agrupava algumas moças desejosas de ajudar aos mais necessitados. As regras que escreveu ajoelhado diante do tabernáculo foram inspiradas pela espiritualidade de São Felipe Neri, o santo da alegria espiritual.

Seu trabalho era tornar Cristo presente através de suas palavras e de suas obras. Administrava os sacramentos, visitava os enfermos, incentivava as famílias cristãs, promovia a moralidade e cuidava dos pobres.

Dez anos depois de ter sido empossado nessa paróquia, foi transferido, em 1883, para a paróquia de Vicobellignano, onde permaneceu até a data de sua morte, ocorrida em 7 de novembro de 1917.
A sua modesta e despretensiosa congregação sobreviveu à sua morte e em 1983 contava com 59 casas e 455 religiosas.

Apesar dessa aparentemente modesta vida de obras, Padre Vicente Grossi representa todo um exército de humildes sacerdotes dedicados à cura de almas, sem maiores pretensões do que se santificarem, santificando as pessoas a eles confiadas.
Seu último conselho aos seus filhos: "Tente nunca reclamar; procura, ao contrário,  alegrar-se quando as coisas vão contra a sua vontade. "

Foi canonizado pelo Papa Francisco no dia 18 de outubro de 2015. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Solenidade dos Fiéis Defuntos

Hoje, a Igreja recolhe-se em oração pelos seus filhos que já partiram desta vida. Para os cristãos, não se trata de um simples dia de saudade, mas de oração pelos fiéis de Cristo que já partiram para a Casa do Pai na firme esperança da ressurreição. Vêm à nossa mente e ao nosso coração tantas perguntas:

Que é a morte?
Que é a vida que termina com a morte?
O que há após a morte?

São interrogações que devemos responder à luz da fé.

Num mundo que já não crê e não tem quase nada a dizer sobre a vida e sobre a morte, a Palavra de Deus nos ilumina: “Irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros, que não têm esperança” (1Ts 4,13). O cristão não pode encarar a morte como os pagãos; nós temos uma esperança, e ela se chama Jesus Cristo, aquele que disse “eu sou a Ressurreição, eu sou a Vida” (Jo 11,25)!

Recordemos algumas certezas fundamentais da nossa fé:
Deus é vida, criou tudo para a vida. Ele não é o autor da morte, não entende nada de morte, não tem parte com a morte (cf. Sb 1,13-15). Pelo contrário, a morte é a separação do Deus da vida, como as trevas são a separação da luz do sol. “Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria natureza; foi por inveja do Diabo que a morte entrou no mundo: experimentam-na aqueles que lhe pertencem” (Sb 2,23s). Deus pensou para nós somente o bem e a felicidade com ele! O homem, ao fechar-se desde o princípio, para o Deus da vida, desarrumou-se, desaprumou-se e passou a experimentar sua vida como uma morte: desequilíbrio, dor, egoísmo, solidão, medo, doença, falta de sentido e, finalmente, a morte física... O salário do nosso pecado foi uma situação de morte, de infelicidade, de incoerência e tristeza, que culmina com a morte física. Basta olhar o mundo ao nosso redor!

Isto não significa que, se não tivéssemos pecado, viveríamos aqui para sempre. Deus não nos criou para vivermos aqui indeterminadamente: “O Senhor tirou o homem da terra e a ela faz voltar novamente. Deu aos homens número preciso de dias e tempo determinado” (Eclo 17,1s). Deus nos deu um número preciso de dias, um tempo de vida. Mas, uma coisa é certa: sem o pecado, vivendo na amizade com Deus e na harmonia com os outros e o mundo, nossa morte não teria o gosto amargo de morte. Se hoje a morte tem um aspecto trágico, é porque está ligada ao pecado, ao nosso afastamento de Deus. Por isso a morte nos mete medo e, muitas vezes, é sentida como uma ameaça de cair no nada.

Mas, Deus não nos abandonou à morte: ele nos enviou o seu Filho, em tudo igual a nós, menos no pecado. Ele tomou sobre si as nossas dores, viveu nossa vida mortal, de incertezas, de tristezas, de angústias, de morte. Morrendo de nossa morte, ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo. Morrendo da nossa morte, ele nos deu a possibilidade e a graça de morrer como ele e com ele ressuscitar da morte: “Eu sou a ressurreição! Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá!” (Jo 11,25). Desde o Batismo, unidos a Cristo morto e ressuscitado, alimentados pelo seu corpo e sangue na Eucaristia, sabemos que “nem a morte nem a vida nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo” (Rm 8,38s).

Esta é a nossa esperança: vivermos unidos a Cristo já agora e, após a nossa morte, ressuscitar nele e com ele, nele e como ele! Como o Senhor foi glorificado no seu corpo e na sua alma pela potência do Espírito Santo, assim também nós seremos glorificados: logo após a nossa morte, na nossa alma, nunca mais sentiremos o medo, a tristeza, a dor, o pranto... e, no fim dos tempos, também no nosso corpo mortal seremos glorificados:“semeado corruptível, ressuscitará corpo incorruptível; semeado desprezível, ressuscitará reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,42-44). Sermos glorificados significa entrar na plenitude de Cristo, na alegria de Cristo, na eternidade de Cristo! Isto, para nós, é o Paraíso: estar para sempre com o Senhor!

Irmãos, Irmãs, rezemos hoje pelos nossos queridos que já morreram; rezemos por todos os fiéis que já partiram para o Cristo: que recebam o perdão de seus pecados e entrem na plenitude de Deus. A Sagrada Escritura diz que “é um santo e piedoso pensamento rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” (2Mc 12,46). Que nosso carinho e nossa saudade sejam acompanhados pela nossa piedosa oração, cheia de esperança na ressurreição.
Mas, pensemos também na nossa vida, no destino que estamos dando à nossa existência, pois nosso encontro com o Senhor é preparado no dia-a-dia, nos pequenos momentos de nosso caminho neste mundo. São Bernardo de Claraval afirmava que nossa vida neste mundo é semente de eternidade. Pois bem! Estejamos atentos para viver de tal modo, que nossa vida seja uma amizade com Deus que começa aqui e se consumará na glória!

Voltemos nosso olhar e nosso pensamento para Cristo, vencedor da nossa morte. As palavras do Prefácio da missa de hoje são tão consoladoras: Em Cristo “brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado nos céus, um corpo imperecível”.Que o Senhor realize a nossa esperança e que nós vivamos de tal modo, que sejamos dignos dela!
Descanso eterno dai-lhes, Senhor!
Da luz perpétua, o resplendor!
Que suas almas descansem em paz.
Assim seja!
Dom Henrique Soares


domingo, 1 de novembro de 2015

Solenidade de Todos os Santos

Exultemos de alegria no Senhor, celebrando este dia de festa em honra de Todos os Santos. Nesta solenidade alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.

Santidade é a vocação universal de todos os cristãos.
A Liturgia de hoje nos fala do caminho proposto por Jesus para nós, o caminho de santidade, o caminho da felicidade, o caminho das Bem-aventuranças.

“Do mesmo modo como Moisés tinha estipulado a aliança com Deus, em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, de uma colina à margem do lago da Galileia, confia aos seus discípulos e à multidão um ensinamento novo, que começa com as Bem-Aventuranças.
Moisés transmite a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, comunica a Lei naquele monte, à margem do lago da Galileia. As Bem-Aventuranças são o caminho que Deus indica como resposta ao desejo de felicidade, ínsito no homem, e aperfeiçoam os mandamentos da Antiga Aliança. Nós estamos habituados a aprender os dez mandamentos — sem dúvida, todos vós os sabeis, já os aprendestes na catequese — mas não estamos acostumados a repetir as Bem-Aventuranças. Então, procuremos recordá-las e gravá-las no nosso coração. Façamos algo: eu vou dizê-las uma após a outra, e vós deveis repeti-las.
«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus».
«Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados»
«Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra».
«Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados».
«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia».
«Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus».
«Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus».
«Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus».
«Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim».
«Bem-aventurados sois vós quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim».
«Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus».
Muito bem! Mas façamos algo mais: dou-vos um dever de casa, uma tarefa para fazer em casa. Pegai no Evangelho, aquele que tendes convosco... Recordai que deveis ter sempre convosco um pequeno Evangelho, no bolso, na bolsa, sempre; aquele que tendes em casa. Pegai no Evangelho e, vede que nos primeiros capítulos de Mateus — acho que no capítulo 5 — se encontram as Bem-Aventuranças. E hoje, ou amanhã, lede-as em casa. Fá-lo-eis? Para não as esquecer, porque se trata da Lei que Jesus nos concede! Fá-lo-eis? Obrigado!

Nestas palavras encontra-se toda a novidade trazida por Cristo; toda a novidade de Cristo está nestas palavras. Com efeito, as Bem-Aventuranças são o retrato de Jesus, a sua forma de vida; e constituem o caminho da verdadeira felicidade, que também nós podemos percorrer com a graça que Jesus nos concede.
Além da nova Lei, Jesus confia-nos inclusive o «protocolo», de acordo com o qual seremos julgados. No fim do mundo nós seremos julgados. E quais serão as perguntas que nos farão lá? Quais serão as interrogações? Qual é o protocolo segundo o qual o Juiz nos julgará? É aquele que encontramos no capítulo 25 do Evangelho de Mateus. Hoje, tendes a tarefa de ler o capítulo 5 do Evangelho de Mateus, onde se encontram as Bem-Aventuranças; e lereis também o capítulo 25, onde está o protocolo, onde estão as perguntas que nos dirigirão no dia do Juízo. Não teremos títulos, créditos ou privilégios para aduzir. O Senhor reconhecer-nos-á se, por nossa vez, O tivermos reconhecido no pobre, no faminto, no indigente, no marginalizado, nos que sofrem, em quem está sozinho... Este é um dos critérios fundamentais de averiguação da nossa vida cristã, com o qual Jesus nos convida a confrontar-nos cada dia.

Leio as Bem-Aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço o exame de consciência com este capítulo 25 de Mateus. Cada dia: fiz isso, fiz aquilo... Isto far-nos-á bem! São gestos simples, mas concretos.

Caros amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-nos, em Cristo, contemplados pela misericórdia e pela compaixão de Deus. É isto que enche o nosso coração de alegria, e é isto que faz da nossa vida um testemunho bonito e credível do amor de Deus por todos os irmãos que encontramos todos os dias. Recordai-vos dos vossos deveres! Capítulo 5 de Mateus, e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!

Papa Francisco - Audiência Geral                                                                              
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014