quinta-feira, 10 de setembro de 2015

São Nicolau de Tolentino

"Para os tristes era alegria, consolo para os aflitos, paz para os que se encontravam divididos, repouso para os cansados, ajuda para os pobres, remédio singular para os prisioneiros e enfermos. Sentia tanta compaixão pelos pecadores, que rezava, jejuava, celebrava missas e chorava diante de Deus pelos muitos que se confessavam com ele para que fossem libertados das trevas dos pecados". Jordão da Saxônia

Há séculos é invocado em todo o mundo como taumaturgo por sua eficaz intercessão ante Deus, como protetor das almas do purgatório:

São Nicolau teve uma visão de um imenso vale onde multidões de almas se retorciam de dor num braseiro imenso e gemiam de cortar o coração. Ao perceberem o Santo, bradavam suplicantes, estendendo os braços e pedindo misericórdia e socorro.  "Padre Nicolau, tem piedade de nós!" 

"Se celebrares a Santa Missa por nós, quase todas seremos libertadas de nossos dolorosos tormentos."
São Nicolau celebrou sete missas em sufrágio dessas almas. Durante a última Missa apareceu uma multidão de almas resplandecentes de glória que subiam ao céu.

Em sua terna devoção à Mãe de Deus têm origem os "pãezinhos de São Nicolau", abençoados no dia de sua festa:
Uma vez muito doente ele teve uma visão da Virgem  Maria, Santo Agostinho e Santa Mônica. Eles disseram a ele para comer certo tipo de pãozinho mergulhado em água benta. Curado, ele começou a curar outros administrando o pãozinho e orando preces a Virgem Maria. Os pãezinhos  passaram a se chamar “Os pães de São Nicolau” e ainda são distribuídos em seu Santuário.
Quando os seus dias já estavam se esgotando, alguém perguntou: “Pai, por que você está tão feliz e alegre?”, Disse o padre Nicolau, “Porque o meu Deus e Senhor Jesus Cristo com sua santa mãe e meu Santo Pai Agostinho , estão me dizendo que: Vamos lá! Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor.”

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Natividade da Virgem Maria

A vinda do Filho de Deus à terra, foi preparada, pouco a pouco, ao longo dos séculos, através de pessoas e acontecimentos. Entre as pessoas escolhidas por Deus para colaborarem no Seu projeto de salvação, houve uma, à qual foi confiada uma missão única:

Maria, chamada a ser a Mãe do Salvador e cumulada, por isso, de todas as graças necessárias ao cumprimento dessa missão.
O nascimento de Maria foi, portanto, motivo de esperança para o mundo inteiro: anunciava já o de Jesus. Era a autora da salvação a despontar; «Ela vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado. Ela nasce e a Igreja reveste-se da sua beleza». (Liturgia bizantina).

Não existe em parte alguma na Bíblia a preocupação em saber o dia em que Maria nasceu. Mas não se trata disto, evidentemente.  A festa de sua “natividade” segue outra lógica. Faz parte da constelação de celebrações, colocadas no ciclo de um ano, harmonicamente distribuídas, de tal modo que se relacionam entre si coerentemente.

Assim faz a liturgia. Se ela coloca o nascimento de Jesus, por exemplo, no dia 25 de dezembro, põe o nascimento de João Batista no dia 24 de junho, seis meses antes, de acordo com o Evangelho. Portanto, as datas se escoram no Evangelho como seu fundamento, mas se repartem no calendário de acordo com a providência da fé, que as recorda e as insere no cotidiano da vida.

Desta maneira, se colocamos a festa da “Imaculada Conceição” no dia oito de dezembro, é coerente que o nascimento de Maria seja celebrado no dia oito de setembro, isto é, nove meses depois do dia oito de dezembro. Assim, fica registrado o fato normal, do nascimento, como para qualquer pessoa humana. Mas ele fica ressaltado pelo testemunho do Evangelho, o qual garante que Maria foi “cheia de graça”, fundamentando a convicção de sua concepção imaculada.

Estas celebrações, cada qual com seu valor e sua intenção específica, acabam mostrando o mais importante: o mistério de Cristo ilumina agora toda a realidade e toda a história, que é simbolizada pelo ciclo de cada ano. Nossa vida agora é iluminada por Cristo, “o sol nascente”, que ilumina toda a humanidade.  E como a lua se encarrega de refletir a luz do sol, e torná-la mais humana e amena, assim Maria reflete em si mesma, e projeta para nós, a mesma luz de Cristo, na qual podemos reconhecer nossa própria vida.

Podemos gritar de alegria hoje:

“Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro! Se os gregos destacavam com todo o tipo de honras – com os dons que cada um podia oferecer – o aniversário das divindades, impostos aos espíritos por mitos mentirosos que obscureciam a verdade, e também o dos reis, mesmo se eles fossem o flagelo de toda a existência, que deveríamos nós fazer para honrar o aniversário da Mãe de Deus, por quem toda a raça mortal foi transformada, por quem o castigo de Eva, nossa primeira mãe, foi mudada em alegria? Com efeito, uma ouviu a sentença divina: «Darás à luz no meio de penas»; a outra ouviu, por seu turno: «Alegra-te, oh Cheia de Graça». À primeira disse-se: «Inclinar-te-ás para o teu marido», mas à segunda: «O Senhor está contigo». Que homenagem ofereceremos então nós à Mãe do Verbo, senão outra palavra? Que a criação inteira se alegre e festeje, e cante a natividade de uma santa mulher, porque ela gerou para o mundo um tesouro imperecível de bondade, e porque por ela o Criador mudou toda a natureza num estado melhor, pela mediação da humanidade. Porque se o homem, que ocupa o meio entre o espírito e a matéria, é o laço de toda a criação, visível e invisível, o Verbo criador de Deus, ao se unir à natureza humana, uniu-se através dela a toda a criação. Festejemos assim o desaparecimento da humana esterilidade, pois cessou para nós a enfermidade que nos impedia a posse dos bens.”

São João Damasceno, discurso para o nascimento de Nossa Senhora Santíssima, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria.


 

 

domingo, 6 de setembro de 2015

Beato Pascoal Torres Lloret

Nasceu em 23 de janeiro de 1885 na região de Carcagente - Espanha, dentro de uma família profundamente cristã, pobre e humilde. Em 1911 ele se casou com Leonor Pérez Canet e teve quatro filhos. Regular na paróquia, ajudavam os sacerdotes em obras apostólicas e foi, em parte um dos fundadores da criação da Ação Católica. Também pertencia ao movimento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, Associação dos Pais de Família e à Sociedade de São Vicente de Paulo.
Assiduamente visitava o Leprosário em Fontilles onde tratava e ajudava os doentes.

Era um excelente mestre de obras, extremamente honesto, não se aproveitando das oportunidades para enganar os outros.  Nunca permitiu que fosse retirado 10% dos salários dos trabalhadores, como era costume, para dar ao mestre de obras, Mais do que isso, muitas vezes com seu salário ajudou muitos dos trabalhadores mais pobres com salários modestos. Sua esposa o apoiava em tudo, mesmo que eles mesmo passassem dificuldades para sustentar e educar seus quatro filhos.
Começava cada dia com a Missa e Comunhão, terminando com o Rosário recitado em família. Conciliava o trabalho, o compromisso com a Igreja, sem esquecer de ser um pai carinhoso e marido amoroso.

Em 1936, ele foi preso por ser católico e foi internado na Capela de Maria Imaculada onde incentivou e animou os outros detentos. Dias depois foi libertado. Foi-lhe dito para deixar sua aldeia, mas ele recusou. 
Quando igrejas e conventos são saqueados e incendiados , o sacerdote confia a Pascoal as hóstias consagradas para protegê-las da profanação. Em casa, ele instalou um santuário, e revezava com sua esposa, acordados em turnos numa adoração dolorosa. No impedimento do sacerdote, leva a comunhão aos doentes, e o acompanha na celebrações clandestinas nas casas dos fiéis.

Por três vezes ele foi chamado para ser interrogado pela Comissão, mas ele não desistiu de exercer o seu trabalho apostólico. Ele foi preso pela quinta vez e então  foi fuzilado quando tinha apenas  51 anos, no cemitério de Carcagente.
Mãos calejadas e o coração de um homem honesto, estas qualidades juntamente com o martírio por causa da fé, teve o seu peso no processo de beatificação, que culminou n dia 11 de março de 2001 quando ele foi solenemente beatificado pelo Papa João Paulo II.

Hoje a Igreja celebra também São Liberato de Loro

 

sábado, 5 de setembro de 2015

Beata Maria Madalena da Paixão

Maria Madalena da Paixão nasceu na província de Nápoles, Itália, a 5 de setembro de 1845. Foi batizada com o nome de Constança. Sua mãe, muito piedosa, a consagrou à Virgem das Dores. Com 4 anos começou a frequentar a escola, onde se relacionou com meninas pobres, experiência que deixou uma marca profunda em seu coração.
Em 1850 as Filhas da Caridade se estabeleceram em Castellammare para dar assistência aos doentes do Hospital São Leonardo; em seguida abriram um orfanato e um internato para meninas de boa conduta. Constança foi admitida nesse internato e começou a respirar um clima de oração e de dedicação que acendeu nela o desejo de se consagrar ao Senhor. Fez a Primeira Comunhão e, na idade de 10 anos, recebeu o Sacramento da Confirmação.

Por motivos de saúde, teve que voltar para sua família e prosseguiu os estudos em casa, começando a cultivar com assiduidade a oração. Entrou no Conservatório das Teresianas de Vico Equense, contudo, sempre devido à saúde delicada, teve que regressar a casa. Depois que se restabeleceu, desejava entrar num convento de clausura, mas os pais se opuseram. Para a consolar, o confessor concedeu-lhe a comunhão quotidiana e, aos 15 anos, permitiu que se consagrasse ao Senhor com os três votos perpétuos, aconselhando-a a se tornar "monja em casa".
A 8 de junho de 1867, emitiu a sua profissão entre as Terciárias dos Servos de Maria, assumindo o nome de Irmã Maria Madalena da Paixão. O Bispo de Castellammare, Mons. Francisco Xavier Petagna, lhe outorgou a direção da Pia União das Filhas de Maria e a catequese das meninas da cidade.

As várias epidemias de cólera que se abateram sobre Castellammare impeliram a jovem a fundar o Instituto das Irmãs Compassionistas.
As suas companheiras também vestiram o hábito das Terciárias Servitas, e, em 1928 o Papa Pio XI aprovou o Instituto.

As inúmeras provações físicas e espirituais que a Madre Maria Madalena teve que suportar em seu caminho à santidade contribuiram para fortalecer sua fé. Temores e tremores injustificáveis, vômitos lancinantes e inexplicáveis, abstinências prolongadas de comida e bebida, doenças misteriosas, sofrimentos inauditos, êxtases, estigmas e agressões diabólicas que requereram a intervenção do Bispo local. Nada diminuiu seu empenho na obra por ela iniciada, à qual se dedicou incansavelmente.

Morreu de pneumonia no dia 13 de dezembro de 1921. Em 19 de agosto de 1929 seu corpo foi transladado para o Santuário do Sagrado Coração, em Scanzano. O processo de beatificação começou em 4 de abril de 1939. No dia 15 de abril de 2007, Bento XVI a beatificou na Catedral de Castellammare de Stabia, fixando sua festa litúrgica em 5 de setembro, dia de seu nascimento terreno.

A Congregação das Irmãs Compassionistas Servas de Maria, fundada pela Madre Maria Madalena da Paixão, desempenha a própria obra a favor da infância através das escolas, dos semi-internatos e das casas-família.
A semente lançada pela Madre Maria Madalena da Paixão se converteu numa grande árvore, cujos ramos se estenderam às terras que acolheram as suas raízes. Em 2007 eram 24 comunidades na Itália e 14 no Canadá, Chile, Índia, Filipinas, Indonésia e México, com 350 religiosas, 34 noviças e 35 postulantes. 

“Para a Madre Maria Madalena Starace, Jesus era verdadeiramente "o Primeiro e o Último, o Vivente", basta pensar que dedicava num só dia, por vezes oito horas, outras vezes cinco horas contínuas ao diálogo com Deus. Ela dirigia o seu Instituto ajoelhada diante do altar, falando primeiro ao Senhor da vida de cada uma das fundações e dos problemas individuais das suas filhas.
Desde os anos da infância, vivida à sombra da mãe tão devota da Virgem das Dores, foi-se radicando no coração de Constância (seu nome de Batismo), o estímulo a uma relação interior com Jesus cada vez mais forte. Quem a orientou para as necessidades de se ocupar das necessidades da juventude foi o Pastor da Diocese, animado por santo zelo, Dom Petagna, que não duvidou em lhe confiar a tarefa quer de dirigir um pequeno grupo de jovens da Piedosa União das Filhas de Maria, quer de ensinar o catecismo às crianças. O pequeno grupo cresceu, aumentaram as órfãs e também as jovens dispostas a unir-se ao apostolado realizado pela irmã Starace, até chegar à aprovação do novo Instituto das "Compassionistas" em 1871.

O seu critério fundamental apoiava-se na convicção de que o feliz êxito na assistência às pessoas idosas, na educação dos jovens, na doação de si a quantos necessitavam de ajuda e de conforto, estava ligado à santificação pessoal, à união profunda com Deus. À luz desta orientação é possível compreender o motivo da vitalidade do Instituto por ela fundado, a sua difusão nos vários continentes.”

Homilia de Beatificação
Cardeal José Saraiva Martins, 15 de abril de 2007

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Santo Egídio

São poucos os dados que existem sobre a vida de Egídio. Mas com certeza sabemos que ele era grego e pertencia a uma rica família da nobreza de Atenas. Depois da morte de seus pais, decidiu ser um ermitão, para viver na pobreza e totalmente dedicado a Deus. Para isso distribuiu todos os bens que herdou entre os pobres e doentes e viveu isolado na oração e penitência, sendo agraciado pelo Espírito Santo com os dons especiais da cura, da sabedoria e dos milagres.

Um dos primeiros milagres a ele atribuídos diz que, certo dia, encontrou na porta de uma igreja um mendigo muito doente e esfarrapado. Penalizado com a situação do pobre, Egídio cobriu-o com seu velho manto e, naquele instante, um prodígio aconteceu: o homem, que até então agonizava, levantou-se completamente curado. Depois essas curas se repetiram e foram se multiplicando de tal forma que ele ganhou fama de santidade. Mas os devotos passaram a procurá-lo com freqüência, então Egídio decidiu partir.

Em 683, viajou para a França. Conta a tradição que ele salvou o navio repleto de passageiros, no qual viajava também. Uma enorme tempestade teria desabado sobre a embarcação. Todos já tinham perdido as esperanças quando Egídio, em prece, ergueu as mãos aos céus. As ondas ameaçadoras acalmaram-se na mesma hora e todos desembarcaram com segurança.

Na França, viveu numa caverna de uma floresta próxima de Nimes, cuja entrada era escondida por um arbusto espinhoso. Na mais completa pobreza, alimentava-se apenas de ervas, de raízes e do leite de uma corsa, que, segundo a tradição, foi-lhe enviada por Deus.

Certa vez, o rei Vamba, dos visigodos, foi caçar nas proximidades da caverna de Egídio e, em vez de flechar uma corsa que se escondera atrás de um arbusto, flechou a mão do pobre ermitão, que tentava proteger o animal acuado. Foi descoberta, assim, a residência do eremita. O rei, para desculpar-se, passou a visitá-lo com seus médicos até sua cura completa.

Depois disso, o rei continuou a visitá-lo com freqüência, presenciando vários prodígios que divulgava na Corte. Assim, a fama de santidade de Egídio ganhou vulto e ele passou a ter vários discípulos. O rei, então, mandou construir um mosteiro e uma igreja, que doou para ele, que foi eleito abade. O mosteiro passou a ter uma disciplina própria escrita por Egídio. Mais tarde, ao seu redor surgiu o povoado que deu origem à cidade de Santo Egídio e o mosteiro foi entregue aos beneditinos.

A morte de Egídio ocorreu, provavelmente, no dia 1º de setembro de 720. Logo após, os devotos fizeram da sua sepultura um ponto obrigatório de peregrinação. O seu culto tornou-se vigoroso e estendeu-se por todo o mundo cristão. Santo Egídio teve sua festa confirmada pela Igreja, que o colocou na lista dos quatorze "santos auxiliadores" do povo, sendo invocado contra a convulsão da febre, contra o medo e contra a loucura.