domingo, 8 de março de 2015

Obrigado a ti, Mulher!

“O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.


Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do « mistério », à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta « esponsal », que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.”

Carta do Papa São João Paulo II às mulheres
1995


A Ordem Hospitaleira

A Ordem Hospitaleira de São João de Deus (OH) é uma Ordem Religiosa laical masculina da Igreja Católica, vocacionada para a promoção da saúde e ação social. Foi fundada por São João de Deus na Espanha, e aprovada canonicamente em 1572.

Tendo recebido como herança o carisma da hospitalidade, a sua missão, seguindo o exemplo do fundador, consiste no serviço aos doentes e às pessoas necessitadas. Materializando a maneira de viver e de agir no carisma da hospitalidade.

Atualmente a OH está presente em 52 países, constituída com cerca de 1.142 Irmãos (religiosos consagrados) distribuídos em mais de 232 Comunidades, atendendo cerca de 334 Obras Apostólicas: hospitais, clínicas, centros psiquiátricos, albergues, lares, ambulatórios, ONGs e projetos sociais diversos.

Estão a serviço dos doentes em geral. Nos últimos tempos tem se dedicado muito empenho à criação de unidades de cuidados paliativos, portadores de HIV positivo, doentes de Alzheimer, etc.

Inseridos em sociedades tão diferentes, procuram, a partir da identidade de centros católicos, promover não só a recuperação da saúde ou a reabilitação física e social das pessoas, mas fazer também o acompanhamento da enfermidade ou do estado de marginalização e promover a evangelização, transmitindo com a palavra, mas, sobretudo com a vida, a Boa Nova que Jesus Cristo trouxe ao mundo.

O seu primeiro modo de evangelizar consiste em acolher a todos, respeitando a identidade e a situação em que cada um se encontra, depois procurando intervir no processo de aproximação a Jesus Cristo, que dá sentido à vida, e à sua Igreja.

A OH tem sua sede em Roma, onde reside o Superior Geral, e organiza-se por Províncias. Cada Província é presidida por um Superior Provincial e constituída por várias Comunidades, as quais tomam conta das obras apostólicas.

No Brasil, é uma Delegação da Província Portuguesa que tem sua sede em Lisboa.
Está presente em Divinópolis (MG), Petrópolis (RJ) , São Paulo (SP) e Aparecida do Taboado (MS)


Algumas histórias de São João de Deus

- Ocorreu que um homem, desconfiado de João de Deus e da "loucura" com que dizia levar a sua vida - porque para muitos trata-se de verdadeira loucura abandonar a própria vida em favor dos outros - quis testar a João de Deus para saber se ele realmente usava as esmolas que conseguia para cuidar dos pobres.
Ao ver João de Deus aproximar-se pelo caminho, deu-lhe uma esmola. Saiu dali apressadamente, vestiu-se de mendigo a fim de lhe testar a caridade e foi para a beira do caminho solicitar ajuda a São João de Deus. Qual não foi a surpresa do homem quando João de Deus tirou dos bolsos tudo o que tinha e entregou-lhe tudo sem hesitar. Com isso, o homem converteu-se, aderiu a causa do Santo e passou a ser Colaborador de sua obra.


- Certo dia, chegando João de Deus a casa de um rico, percebeu ele que as janelas de sua casa possuíam belas cortinas. Todas elas aveludadas e grossas.
É sabido que na Espanha, assim  como em toda Europa, os invernos são muito rigorosos e milhares de pessoas acabavam morrendo de frio por serem muito pobres. Os mesmos pobres os quais cuidava São João de Deus.
Observando aquilo, João de Deus disse ao homem que enquanto as janelas de sua casa eram cobertas por cortinas luxuosas, com tecidos finos, os seus pobres morriam de frio por falta de roupas.
O homem sentiu-se tão envergonhado com tal comentário, que mandou que fossem retiradas todas as cortinas da casa e serem entregues a João de Deus.
Ao recebê-las, João de Deus agradeceu-lhe. E imediatamente perguntou ao homem se não gostaria de comprar as tais cortinas, pois estava precisando de dinheiro para os pobres.




quinta-feira, 5 de março de 2015

São Focas

Focas era um modesto camponês de Sínope, próximo ao mar Negro no início do século IV.
Para entendermos o seu martírio, convém lembrar que, na extremidade do Império Romano, a perseguição ao cristianismo desencadeada por Dioclesiano golpeava indistintamente grandes e pequenos: do bispo ao intelectual, até o camponês mais humilde.

Quando a perseguição dos cristãos é decretada, Focas não altera seu procedimento, não foge, continua a sua vida como sempre, como se a perseguição não tivesse nada a ver com ele, porque uma de suas características mais fortes é a serenidade ou assim dizendo, o sangue frio.

Focas trabalhava como agricultor e jardineiro, e o seu nome figurava na relação dos cristãos indiciados e condenados que deveriam ter a sentença de morte executada em domicílio. Apenas sendo identificado era executado.

Um dia os soldados que o procuravam, e tinham ordens para matá-lo, mas que não o conheciam, chegaram à sua casa e disseram que procuram o cristão de nome Focas, que seria executado.
Focas era muito hospitaleiro e, como de costume, os convidou a entrar, serviu o almoço e os hospedou naquela noite e, enquanto eles dormiam, cavou a cova para o seu enterro.

Na parte da manhã, ele apareceu aos soldados, dizendo:
 "Eu sou Focas, a quem buscam, estou pronto.”  
Diante do constrangimento dos soldados ele foi firme:
 “Fazei sem demora o que tendes de fazer”, e lhes mostrou a cova.
Dentro dela caiu pouco depois o corpo do mártir decapitado.

Desde então, o túmulo de São Focas, o jardineiro de Sínope, é um local de peregrinação e sua história chega até nós pelas narrativas do bispo Astério de Amaséia. 


quarta-feira, 4 de março de 2015

São Casimiro

Casimiro, príncipe da  Polônia e  rei eleito da  Hungria, o terceiro filho do rei Casimiro IV da Polônia e Isabel da Áustria, nasceu em 14 de outubro de  1458. Não só recebeu uma educação primorosa de sua santa mãe, mas teve também excelentes mestres que o introduziram  nas  ciências. 

O maior prazer de Casimiro era rezar e  estudar e  seu lugar predileto era a Igreja.  "Em parte alguma me sinto tão bem - dizia - como nos degraus  do altar. Tendo para escolher entre a casa, o jogo, a dança e outros  divertimentos,  dispenso-os  todos, se  puder ficar na Igreja". 
Assistia  à santa Missa com  um recolhimento admirável.   Tendo mais idade, levantava-se   durante a noite, para fazer uma visita à Igreja;  se a achava  fechada, ficava de joelhos na porta, em profunda  adoração ao Santíssimo Sacramento.   Grande era sua devoção à Sagrada  Paixão e Morte  de  Jesus Cristo. Chorava todas as  vezes  que olhava  para o crucificado.  A Maria Santíssima não chamava de outro nome senão o de  "minha  querida Mãe". 
                                                      
O  hino predileto, que muitas  vezes  recitava era:  "Omni die dic Mariae", pérola  da literatura cristã, uma cópia deste hino  achava-se no túmulo do Santo, quando aberto em 1604. O corpo estava  perfeitamente conservado e o hino encontrou-se  debaixo da  cabeça. 
                                                      
Como o amor  a  Jesus  e Maria ligava  Casimiro uma  grande  caridade aos pobres, o que  lhe valeu o título de  "pai dos pobres".  A algumas pessoas  da corte, que achava  essa  caridade  um tanto exagerada, Casimiro respondeu: "Melhor aplicação da  nobreza um príncipe não pode fazer, senão servindo aos pobres. Quanto a mim,  maior honra não aspiro, que fazer-me servo do mais pobre". 
                                                      
O desprezo que tinha  pelas honras e grandezas do mundo é  bem caracterizada pelo modo como secomportou na campanha contra  Matias, rei da Hungria:

Matias  tinha perdido o trono, e representantes  da nação húngara ofereceram a  Casimiro a  coroa de Santo Estevão. O pai apoiava fortemente  o pedido dos  embaixadores e  determinou ao filho, que contava apenas 13 anos, que com forte armada entrasse  na Hungria, onde  Matias o aguardava  com poderoso exército, esperando a entrada do jovem príncipe.  Nesse meio tempo, como o povo declarou-se novamente  a favor de Matias  para  que retornasse,   o Papa Sixto IV também  manifestou a intenção de vê-lo  de volta ao trono.  Em consideração a estes fatos,  Casimiro retirou-se para o castelo de  Dobzki, onde passou  uns meses  às práticas  da mais austera penitência.  Um segundo convite de  políticos  húngaros não mais  foi tomado em consideração, e o desejo do santo de  alcançar a  coroa  da glória eterna aumentou consideravelmente. 
                                                      
Apesar de  rodeada de todo o conforto, a vida se  São Casimiro foi acompanhada de um espírito de  penitência que não é comum entre os homens. Extremamente rigoroso consigo, Casimiro trazia  sempre um cilício para  castigar o corpo e cada  semana dedicava uns dias ao jejum. Os dias de  jejum e abstinência  por mandamento da Igreja eram observados  com toda a pontualidade, mesmo na doença. Ao sono eram reservadas poucas horas e, embora lhe tivesse  à disposição  um leito que em comodidade nada deixava a desejar, Casimiro escolhia de  preferência o chão para o repouso do corpo. 
                                                      
A prática de  todas estas virtudes mereceram ao  príncipe a fama de grande Santo. Entre as  virtudes  que lhe adornavam o coração, foi a  da  santa pureza que Casimiro exercia com especial  esmero, e à qual se  obrigou   por um voto.
É  admirável que o jovem príncipe pudesse chegar a um grau tão elevado, principalmente nesta virtude, quando se via, dia por dia, rodeado de perigos e seduções. 
A chave  deste segredo   estava na recepção dos Sacramentos, na devoção à Santíssima Virgem, na mortificação constante do corpo e na fuga das más ocasiões.
Em sua presença ninguém ousava proferir palavra que ofendesse a moral.

Quando contava  24 anos, apresentou os sintomas da tuberculose. Os médicos vendo  já esgotados todos os recursos  da ciência, deram ao príncipe,  como última  esperança de salvar a  vida, o conselho de  se casar. Casimiro, mal tinha ouvido esta proposta, declarou: "Antes prefiro morrer;  e se tivesse de perder mil vidas, todas perderia, para guardar a  castidade  virginal". Por um favor especial de  Deus,  Casimiro soube o dia de sua morte, para ela  se preparou com muito  fervor. As últimas  palavras que disse, foram, depois de ter beijado o Crucifixo: "Em vossas  mãos, ó Jesus,  entrego o meu espírito". 
                                                      

Casimiro  morreu  em 1484, sendo sua  festa celebrada no dia 04 de março.  São Casimiro goza de  grande veneração na Polônia.