quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

São Raimundo de Penhaforte

Raimundo era originário do castelo de Penhaforte, que se situa na região de Penedés, província e diocese de Barcelona. Nasceu por volta de 1176 no castelo de Penhaforte, próximo de Villafranca del Panadés, na Catalunha, Espanha. Seus pais, ricos e nobres, descendiam dos antigos condes de Barcelona. Eram também aparentados com a casa real de Aragão. Desde sua infância apresentava interesse pela vida religiosa e pelos estudos. Terminada a formação básica foi enviado pela família a estudar jurisprudência na universidade de Bolonha, a mais importante universidade neste período neste tipo de estudos. Após nove anos de formação e vida na cidade de Bolonha regressa a Barcelona ficando ao serviço do bispo e da catedral da mesma cidade em 1220.

Em 1228, passados oito anos sobre o seu regresso à cidade ingressa na Ordem dos Pregadores. É já como dominicano, e perito em leis, que integra a embaixada do Cardeal João de Abbeville, legado apostólico do Papa Gregório IX para os reinos ibéricos, e cuja missão era implementar os decretos e normas saídas do IV Concílio de Latrão e a defesa da fé católica.
Este trabalho vai levar Raimundo de Penhaforte a Roma, convocado pelo Papa para aí exercer atividade como Penitenciário Apostólico. Durante este período de vida em Roma cabe-lhe também a missão de copiar e sistematizar todas as normas anteriores da Igreja, reunindo-as numa coleção que ficaram para a história como as Decretais de Gregório IX. Levou seis anos neste trabalho, assistido certamente por muitos secretários e auxiliares. Nesta época observou que os pobres, quando iam ao palácio papal, não eram tratados e atendidos com o devido direito, por isto alertou ao pontífice para que se interessasse pessoalmente por esta parte do rebanho.

Como retribuição pela dedicação e bons trabalhos, este papa o nomeou arcebispo de Taragona. Dentro de sua extrema humildade e se julgando indigno pediu exoneração do cargo, chegando a ficar doente por causa desta situação e com a licença dos superiores, voltou para a Espanha e ao seu convento, mas permanece aí pouco tempo, pois passado dois anos é eleito Mestre da Ordem, governando entre 1238 e 1241, ano em que D. Sancho II dá autorização para a construção fora dos muros da cidade do Convento de São Domingos de Lisboa.

Renunciando ao cargo retirou-se novamente para a cidade Condal de Barcelona e aí permaneceu até ao dia 6 de Janeiro de 1275 quando entregou a sua alma ao criador.

Num momento em que se fala tanto de diálogo inter religioso São Raimundo de Penhaforte surge-nos como modelo e incentivo, como um exemplo de estratégias e ações, pois no seu tempo e face ao grande número de judeus e muçulmanos que habitavam a cidade de Barcelona organizou debates com os mestres dessas religiões, criou escolas para formar teólogos e incentivou os frades a aprenderem as línguas hebraica e árabe para que pudessem tomar contacto com os textos originais, ou seja pudessem conhecer a matéria que iriam discutir na sua forma mais original.

Neste desejo de formação, de uma doutrina substancial e substanciada, não podemos deixar de referir a redação da sua “Suma de Penitência”, um manual para orientação dos confessores que atingiu grande divulgação e se impôs como obra moral e pastoral em quase todas as bibliotecas da época. Pode-nos hoje parecer estranho esta difusão, mas tendo em conta todos os abusos que se cometeram, a fraca formação de muito do clero da época, e não só, e as diversas possibilidades de injustiças e até de crimes, este manual, como outros que se lhe seguiram, orientou a Igreja e os penitentes num exercício mais equilibrado e são do sacramento da penitência.

Preocupado com o outro São Raimundo- o Nonato - São Raimundo de Penhaforte vai intervir e ter um papel preponderante na fundação da Ordem dos Mercedários, criada com o objetivo muito claro de resgatar os cristãos que ficavam cativos dos mouros, quer durante as batalhas quer em sequestros quando de viagens pelo Mediterrâneo. Esta preocupação com o outro vai levá-lo também a intervir e a acompanhar a política de Jaime I de Aragão, senhor da Barcelona, buscando sempre o bem geral e o respeito das leis estabelecidas e potenciadoras da paz e do bem estar dos povos.
No dia da sua memória cabe-nos assim fazê-lo presente e tentar aprender alguma coisa com ele e a sua ação junto dos homens e das instituições.

São Raimundo de Penhaforte morreu no dia 6 de janeiro de 1275, já centenário, sendo canonizado em 1601.


Nenhum comentário:

Postar um comentário