Por que falar dos santos? São amigos a quem recorro quando necessito, irmãos mais velhos a quem peço conselhos. Converso com eles como pessoas a quem tenho afeição e que conheço pessoalmente. Na vida dos santos eu reconheço a mim e a minha história.Eles passaram pelas mesmas dificuldades humanas. Assim, eu posso rezar, pedindo sua intercessão diante de minhas dificuldades particulares. Conhecer um santo é conhecer um amigo. Você ouve falar sobre ele e pensa: gostaria de conhecer esta pessoa
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segunda-feira, 26 de abril de 2021
domingo, 4 de abril de 2021
Feliz Páscoa!!!
“À luz do Ressuscitado, os nossos sofrimentos são transfigurados. Onde havia morte, agora há vida; onde havia luto, agora há consolação. Ao abraçar a Cruz, Jesus deu sentido aos nossos sofrimentos. Feliz Páscoa para todos!”
Papa Francisco
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: O valor da solidariedade n°s 113 a 117
114. Quero destacar a solidariedade, que como virtude moral e comportamento social, fruto da conversão pessoal, exige empenho por parte duma multiplicidade de sujeitos que detêm responsabilidades de caráter educativo e formativo. Penso em primeiro lugar nas famílias, chamadas a uma missão educativa primária e imprescindível. Constituem o primeiro lugar onde se vivem e transmitem os valores do amor e da fraternidade, da convivência e da partilha, da atenção e do cuidado pelo outro. As famílias são também o espaço privilegiado para a transmissão da fé, a começar por aqueles primeiros gestos simples de devoção que as mães ensinam aos filhos. Quanto aos educadores e formadores que têm a difícil tarefa de educar as crianças e os jovens, na escola ou nos vários centros de agregação infantil e juvenil, devem estar cientes de que a sua responsabilidade envolve as dimensões moral, espiritual e social da pessoa. Os valores da liberdade, respeito mútuo e solidariedade podem ser transmitidos desde a mais tenra idade. Também os agentes culturais e dos meios de comunicação social têm responsabilidades no campo da educação e da formação, especialmente na sociedade atual onde se vai difundindo cada vez mais o acesso a instrumentos de informação e comunicação.
115. Nestes momentos em que tudo
parece diluir-se e perder consistência, faz-nos bem invocar a solidez, que
deriva do fato de nos sabermos responsáveis pela fragilidade dos outros na
procura dum destino comum. A solidariedade manifesta-se concretamente no
serviço, que pode assumir formas muito variadas de cuidar dos outros. O serviço
é, em grande parte, cuidar da fragilidade. Servir significa cuidar dos
frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo. Nesta tarefa,
cada um é capaz de pôr de lado as suas exigências, expetativas, desejos de
omnipotência, à vista concreta dos mais frágeis. O serviço fixa sempre o rosto
do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até
“padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é
ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas.
116. Os últimos, em geral, praticam
aquela solidariedade tão especial que existe entre quantos sofrem, entre os
pobres, e que a nossa civilização parece ter esquecido, ou pelo menos tem
grande vontade de esquecer. Solidariedade é uma palavra que nem sempre
agrada; diria que algumas vezes a transformamos num palavrão, que não se pode
dizer; mas é uma palavra que expressa muito mais do que alguns gestos de
generosidade esporádicos. É pensar e agir em termos de comunidade, de prioridade
da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns. É também
lutar contra as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de
trabalho, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e laborais. É fazer
face aos efeitos destrutivos do império do dinheiro. A solidariedade, entendida
no seu sentido mais profundo, é uma forma de fazer história e é isto que os
movimentos populares fazem.
117. Quando falamos em cuidar da
casa comum, que é o planeta, fazemos apelo àquele mínimo de consciência
universal e de preocupação pelo cuidado mútuo que ainda possa existir nas
pessoas. De fato, se alguém tem água de sobra mas poupa-a pensando na
humanidade, é porque atingiu um nível moral que lhe permite transcender-se a si
mesmo e ao seu grupo de pertença. Isto é maravilhosamente humano! Requer-se
este mesmo comportamento para reconhecer os direitos de todo o ser humano,
incluindo os nascidos fora das nossas próprias fronteiras.
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: Promover o bem moral n°s 112 e 113
112. Não podemos deixar de afirmar que o desejo e a busca do bem dos outros e da humanidade inteira implicam também procurar um desenvolvimento das pessoas e das sociedades nos distintos valores morais que concorrem para um amadurecimento integral. No Novo Testamento, menciona-se um fruto do Espírito Santo (cf. Gal 5, 22), expresso em grego pela palavra agathosyne. Indica o apego ao bem, a busca do bem; mais ainda, é buscar aquilo que vale mais, o melhor para os outros: o seu amadurecimento, o seu crescimento numa vida saudável, o cultivo dos valores e não só o bem-estar material. No latim, há um termo semelhante: bene-volentia, isto é, a atitude de querer o bem do outro. É um forte desejo do bem, uma inclinação para tudo o que seja bom e exímio, que impele a encher a vida dos outros com coisas belas, sublimes, edificantes.
113. Nesta linha, com tristeza,
volto a destacar que vivemos já muito tempo na degradação moral, baldando-nos à
ética, à bondade, à fé, à honestidade; chegou o momento de reconhecer que esta
alegre superficialidade de pouco nos serviu. Uma tal destruição de todo o
fundamento da vida social acaba por colocar-nos uns contra os outros na defesa
dos próprios interesses. Voltemos a promover o bem, para nós mesmos e
para toda a humanidade, e assim caminharemos juntos para um crescimento genuíno
e integral. Cada sociedade precisa de garantir a transmissão dos valores;
caso contrário, transmitem-se o egoísmo, a violência, a corrupção nas suas
diversas formas, a indiferença e, em última análise, uma vida fechada a toda a
transcendência e entrincheirada nos interesses individuais.
terça-feira, 16 de março de 2021
Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: Amor universal que promove as pessoas n°s 106 a 111
106. Para se caminhar rumo à amizade social e à fraternidade universal, há que fazer um reconhecimento basilar e essencial: dar-se conta de quanto vale um ser humano, de quanto vale uma pessoa, sempre e em qualquer circunstância. Se cada um vale assim tanto, temos de dizer clara e firmemente que «o simples fato de ter nascido num lugar com menores recursos ou menor desenvolvimento não justifica que algumas pessoas vivam menos dignamente». Trata-se de um princípio elementar da vida social que é, habitualmente e de várias maneiras, ignorado por quantos sentem que não convém à sua visão do mundo ou não serve os seus objetivos.
107. Todo o ser humano tem direito
de viver com dignidade e desenvolver-se integralmente, e nenhum país lhe pode
negar este direito fundamental. Todos o possuem, mesmo quem é pouco
eficiente porque nasceu ou cresceu com limitações. De fato, isto não diminui a
sua dignidade imensa de pessoa humana, que se baseia, não nas circunstâncias,
mas no valor do seu ser. Quando não se salvaguarda este princípio elementar,
não há futuro para a fraternidade nem para a sobrevivência da humanidade.
108. Há sociedades que acolhem
apenas parcialmente este princípio. Aceitam que haja possibilidades para todos,
mas, suposto isto, defendem que tudo depende de cada um. Segundo esta perspectiva
parcial, não teria sentido «investir para que os lentos, fracos ou menos
dotados possam também singrar na vida». Investir a favor das pessoas
frágeis pode não ser rentável, pode implicar menor eficiência; requer um Estado
presente e ativo e instituições da sociedade civil que ultrapassem a liberdade
dos mecanismos eficientistas de certos sistemas económicos, políticos ou
ideológicos, porque estão verdadeiramente orientados em primeiro lugar para as
pessoas e o bem comum.
109. Alguns nascem em famílias com
boas condições econômicas, recebem boa educação, crescem bem alimentados, ou
possuem por natureza notáveis capacidades. Seguramente não precisarão dum
Estado ativo, e apenas pedirão liberdade. Mas, obviamente, não se aplica a
mesma regra a uma pessoa com deficiência, a alguém que nasceu num lar
extremamente pobre, a alguém que cresceu com uma educação de baixa qualidade e
com reduzidas possibilidades para cuidar adequadamente das suas enfermidades. Se
a sociedade se reger primariamente pelos critérios da liberdade de mercado e da
eficiência, não há lugar para tais pessoas, e a fraternidade não passará duma
palavra romântica.
110. A verdade é que «a simples
proclamação da liberdade econômica, enquanto as condições reais impedem que
muitos possam efetivamente ter acesso a ela (...), torna-se um discurso
contraditório». Palavras como liberdade, democracia ou fraternidade esvaziam-se
de sentido. Na realidade, «enquanto o nosso sistema econômico-social ainda
produzir uma só vítima que seja e enquanto houver uma pessoa descartada, não
poderá haver a festa da fraternidade universal». Uma sociedade humana e
fraterna é capaz de preocupar-se por garantir, de modo eficiente e estável, que
todos sejam acompanhados no percurso da sua vida, não apenas para assegurar as
suas necessidades básicas, mas para que possam dar o melhor de si mesmos, ainda
que o seu rendimento não seja o melhor, mesmo que sejam lentos, embora a sua
eficiência não seja relevante.
111. A pessoa humana, com os seus
direitos inalienáveis, está naturalmente aberta a criar vínculos. Habita nela,
radicalmente, o apelo a transcender-se a si mesma no encontro com os outros. «É
preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equívocos que podem surgir
de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos.
De fato, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direitos
individuais – sinto-me tentado a dizer individualistas –, que esconde uma
conceção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico,
quase como uma «mónada» (monás) cada vez mais insensível (…). Na
realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem
maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar-se fonte
de conflito e violência».



