quarta-feira, 20 de março de 2019

20 de março - São José Bilczewski


O santo José Bilczewski foi um homem de oração. A Santa Missa, a Liturgia das Horas, a meditação, o rosário e as outras práticas de piedade marcavam as suas jornadas. Dedicava um tempo particularmente longo à adoração eucarística.
Papa Bento XVI – Homilia de Canonização – 23 de outubro de 2005

José Bilczewski nasceu no dia 26 de Abril de 1860 em Wilamowice (Polónia). Era o primeiro dos nove filhos de Francisco e Ana Fajkisz, uma família de camponeses, onde desde cedo aprendeu as orações e as primeiras noções do catecismo, fazendo nascer nele a fé viva que o acompanhará durante toda a vida.

Em 1872, terminados os estudos primários, os pais mandaram José ao ginásio na cidade de Wadowice, onde muitos anos mais tarde estudou também João Paulo II. Ele dedicou-se com muito empenho aos estudos, obtendo óptimos resultados. Nesse período participava quotidianamente e com devoção nas celebrações na igreja paroquial e decidiu entrar no Seminário Diocesano de Cracóvia, onde desenvolveu ainda mais o espírito de devoção, aprofundando a sua formação humana e espiritual. Recebeu a Ordenação sacerdotal a 6 de julho de 1884. Depois de um ano de trabalho pastoral com grande zelo e dedicação foi enviado a prosseguir os estudos primeiro em Viena, e em seguida, em Roma e Paris. 

Trabalhou durante muito tempo como professor de Dogmática Especial na Universidade de Leópolis. Foi nomeado Arcebispo de Leópolis para o rito latino em 17 de dezembro de 1900 e recebeu a Ordenação episcopal a 20 de Janeiro de 1901.

Ao amor a Cristo Senhor e à sua Igreja ele soube unir o amor à Pátria. Ele hauria este amor universal do Coração de Jesus, do qual aprendeu não só a mansidão, a humildade e a bondade, mas também a paciência nas provações que enfrentou. 

Faleceu na sua Arquidiocese, no dia 20 de março de 1923, depois de se ter preparado santamente para a morte, que ele soube acolher com paz e submissão, como sinal da vontade de Deus.



terça-feira, 19 de março de 2019

19 de março - Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado. Mt 1,24


A figura deste grande Santo – São José – mesmo sendo bastante escondida, reveste na história da salvação uma importância fundamental. Antes de tudo, pertencendo ele à tribo de Judá, ligou Jesus à descendência davídica, de forma que, realizando as promessas sobre o Messias, o Filho da Virgem Maria se pôde tornar verdadeiramente "filho de Davi".

O Evangelho de Mateus, de modo particular, ressalta as profecias messiânicas que encontraram cumprimento mediante o papel de José: o nascimento de Jesus em Belém; a sua passagem através do Egito, onde a Sagrada Família se tinha refugiado; a alcunha "Nazareno". Em tudo isto ele demonstrou-se, ao mesmo nível da esposa Maria, herdeiro autêntico da fé de Abraão: fé no Deus que guia os acontecimentos da história segundo o seu misterioso desígnio salvífico. A sua grandeza, ao mesmo nível da de Maria, sobressai ainda mais porque a sua missão se desempenhou na humildade e no escondimento da casa de Nazaré.

De resto, o próprio Deus, na Pessoa do seu Filho encarnado, escolheu este caminho e este estilo a humildade e o escondimento na sua existência terrena.

O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afeto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.

Papa Bento XVI – 19 de março de 2006

Hoje celebramos:


segunda-feira, 18 de março de 2019

18 de março - Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Lc 6,36

É bom pensar que em todo o mundo, onde quer que a comunidade cristã se reúna para celebrar a Eucaristia, ressoe neste dia, esta Boa Nova de verdade e de salvação: Deus é amor misericordioso.

Nesta página evangélica, quase se ouve a voz de Jesus, que nos revela o rosto do seu Pai e nosso Pai. Foi realmente para isto que Ele veio ao mundo: para nos falar do Pai; para o dar a conhecer a nós, filhos desviados, e dar novamente aos nossos corações a alegria de pertencer a Ele, a esperança de ser perdoados e restituir à nossa plena dignidade, o desejo de habitar para sempre na sua casa, que também é a nossa casa.

A verdadeira religião consiste, portanto, no entrar em sintonia com este Coração "rico de misericórdia", que nos pede para amar a todos, mesmo os distantes e os inimigos, imitando o Pai celeste que respeita a liberdade de cada um e atrai todos a si com a força invencível da sua fidelidade. Este é o caminho que Jesus mostra a quantos desejam ser seus discípulos: "Não julgueis... não condeneis... perdoai e sereis perdoados; dai e vos será dado... Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso". Nestas palavras encontramos indicações claras para o nosso comportamento quotidiano de crentes.
No nosso tempo, a humanidade precisa que seja proclamada e testemunhada com vigor a misericórdia de Deus.

Papa Bento XVI – 16 de setembro de 2007

Hoje celebramos:

18 de março - Beata Marta Le Bouteiller


"Tu és meu Senhor! Fora de Ti não há felicidade para mim". Sl 16,2
Estas palavras do Salmista, que a liturgia de hoje pôs em nossos lábios, resumem bem as aspirações de uma intimidade sem fim com Deus da irmã Marta Le Bouteiller.

Desejando entregar-se totalmente ao Senhor e aos outros, ingressou na Congregação fundada por Santa Maria Madalena Postel e, durante suas ocupações cotidianas na cozinha, na fazenda, nos campos e no porão, levou uma vida de união com Deus, fazendo "grandemente as pequenas coisas", de acordo com uma máxima cara à fundadora "Vamos fazer o melhor possível escondendo o máximo possível". A irmã Marta encontrou em sua vida oculta com Cristo a alma de seu apostolado da bondade: "Aquele que habita em mim e em quem habito, este dá muito fruto, pois sem mim, você não pode fazer nada". Muito perto da santa fundadora e do Beato Placide Viel, a "boa" Irmã Marta viveu suas humildes tarefas com uma qualidade de amor que desperta admiração.

Que esta nova Bem-aventurada leve as novas gerações de hoje e de amanhã a descobrir a alegria de entregar-se ao Senhor na consagração religiosa! Ajude-os a compreender o primado da vida espiritual para participar na edificação da Igreja e realizar uma ação frutuosa ao serviço dos homens! Nossos contemporâneos precisam encontrar em seu caminho faces que manifestem a autêntica felicidade que acarreta intimidade com Deus. Irmã Marta, na verdadeira Irmã da Misericórdia, sabia irradiar em torno dela o amor de Deus. A extrema simplicidade de sua existência não impediu que suas irmãs reconhecessem sua verdadeira autoridade espiritual. Ela deu frutos para a glória do Pai: “Dando vós muito fruto, Meu Pai é glorificado; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15, 8). 
Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 05 de novembro de 1990

Marta (Amada Adélia) Le Bouteiller nasceu no bairro La Henrière da cidade de Saint-Lô (França), de uma família que possuía pequenos prédios e se dedicava à arte de tecer. Os pais confiaram a sua educação às Religiosas de Nossa Senhora do Monte Carmelo. Tocou por sorte à menina ter por preceptora uma santa religiosa, que usava repetir esta jaculatória: “Da negligência das tuas inspirações, livra-nos, Senhor”. 

Em 1º de setembro de 1827 o pai morreu com apenas 39 anos de idade, infelizmente na época uma ocorrência comum; a mãe ficou sozinha com quatro filhos, teve de criá-los e apoiá-los ajudada pelos filhos mais velhos; Amada, que tinha quase onze anos, continuou seus estudos e ao mesmo tempo tinha que cuidar da casa.
Em 1837, seus dois irmãos se casaram, e Amada, com 20 anos, começou a trabalhar como empregada doméstica para ganhar a vida.
Com a Irmã Farcy, organizadora da paróquia, ela ia todos os anos em peregrinação a Chapelle-sur-Vire, a cerca de 15 km de Percy, e nesta localidade entrou em contato com a Congregação das Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia, fundado em 1804 por Santa Maria Madalena Postel (1756-1846), para a educação da juventude.

Amada, aos 25 anos, resolveu abraçar a vida consagrada com o nome de Irmã Marta. Sua vida religiosa transcorreu no serviço de Deus e das irmãs, sempre simples e jovial na execução dos serviços mais humildes; dedicada à oração e à meditação, alimentou a sua espiritualidade lendo autores da chamada "Escola Francesa de Espiritualidade".

Cuidava dos domésticos e dos trabalhadores que prestavam serviço à Abadia, também dos hospedes de passagem; distribuiu o vinho para 250 pessoas por dia e durante a guerra chegou a 500 pessoas.
Diz-se que, durante a guerra entre a França e a Alemanha, quando os estoques da abadia exauriram pavorosamente, Irmã Marta pendurando na parede uma imagem de Madre Madalena, morta há algum tempo, rezou intensamente e a partir desse momento os estoques de 'cidra’ (vinho) e outros alimentos não acabaram.

No inverno de 1875-1876, Irmã Marta, agora em seus sessenta anos, caiu e fraturou a perna; a longa convalescença, somando-se a morte de sua mãe e da amada Irmã Plácida, sua confidente, foram suas grandes provações. Ela suportou-as sem deixar de atender os interesses da despensa, apoiando-se a um bastão, mas o seu declínio era evidente.

Em 18 de março de 1883, Domingo de Ramos, enquanto ela pretendia levar as garrafas para a cozinha depois do jantar, caiu uma vez e, em seguida, uma segunda vez, tarde da noite, atingida por um acidente vascular cerebral; morreu depois de receber os Sacramentos aos 67 anos.

A sua vida simples se escreve de humildade, de obscuridade e de dom total aos outros, pondo assim em prática uma das máximas de Santa Maria Madalena Postel: “Nadas façais por medo, fazei tudo por amor”.

domingo, 17 de março de 2019

17 de março - São Gabriel Lalemant


São Gabriel Lalemant, mártir canadense, nasceu em 03 de outubro de 1610 em Paris, na França, no seio de uma distinta família, seu pai era um jurista e ele foi o terceiro de seis filhos. Ele e mais quatro irmãos seguiram a vida religiosa.

Desde jovem ocultava uma alma generosa e ardente, sob um aspecto frágil. Entrou na Companhia de Jesus em 1630 e pediu para ser enviado às missões da Nova Franca, antigo nome do Canadá, o que lhe foi negado pela fragilidade de sua saúde.

Ordenado sacerdote em 1838, mais uma vez pediu permissão de seus superiores para empregar toda sua vida a serviço dos indígenas, mas foi enviado para ensinar no colégio de Moulins e depois no de Bugres.
Em 1646 pode realizar seu maior desejo e em 20 de setembro chegou a Quebec. Seu tio, o qual era padre e superior de toda a missão, conhecendo a natureza frágil e sensível do sobrinho, reteve-o na cidade por dois anos até conceder-lhe um companheiro, o Pe. João Brébeuf, enviando-os a aldeia de Santo Inácio, Hurânia.
Assim que chegou aplicou-se a aprender a difícil língua e fez tamanho progresso que não duvidaram que Deus quisesse realmente servir-se dele naquele lugar. Seu martírio aconteceu em 1649, quando 1.200 iroqueses atacaram o assentamento de Santo Inácio. Alguns sobreviventes escaparam para avisar a aldeia de Saint Louis e 80 guerreiros lutaram para atrasar os iroqueses, e dentre esses 80 estavam os Padres Lalemant e Brébeuf que foram capturados, levados para a missão próxima em Saint Ignace, foram torturados antes de serem mortos.

Os iroqueses martirizam por horas a fio o pe. Brébeuf e depois, ainda mais cruelmente, o pe. Gabriel Lalemant, começando às 6 h da tarde, prolongando-se por toda a noite até a manhã seguinte nas mais cruéis torturas.

Em meio as terríveis dores, Gabriel levantava seus olhos para os céus pedindo força e perseverança. Quando os carrascos o viram a rogar aos céus, arrancaram-lhe os olhos e colocaram carvões ardentes nas órbitas vazias. Por volta das 9 h da manhã, um selvagem cansado de vê-lo sofrer, esmagou a sua cabeça com um golpe de machado, abriu-lhe o peito, tirou-lhe o coração e bebeu o seu sangue: uma forma bárbara de "apropriar-se" da coragem da vítima. Pe. Gabriel foi um dos oito jesuítas a ser morto pelos iroqueses.