sábado, 24 de março de 2018

Beato Dom Oscar Romero será canonizado!


A cura inexplicável de uma mulher grávida é o milagre aprovado que permite declarar santo o Arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Romero.
Trata-se de uma mulher salvadorenha com uma doença terminal e “condenada a morrer”, mas que foi curada e deu à luz a um bebê saudável.

O esposo da mulher começou a pedir a intercessão de Dom Romero em 24 de maio de 2015, dia da sua beatificação em San Salvador. Por volta do final de agosto e início de setembro, a saúde da sua esposa piorou e os médicos realizaram a cesariana, com medo de que a criança pudesse morrer.

Eles fizeram a cesariana e esperavam que ela morresse, porque todos os exames indicavam que ela não iria sobreviver. Os amigos também rezavam pela intercessão do beato e depois de cinco dias, de maneira inexplicável, essa mulher começou a melhorar e se curou completamente.

Cientificamente, a mãe, o filho ou ambos iam morrer. Há muitos exames médicos, radiografias, e tudo foi enviado a Roma.
Os médicos também testemunharam, fizeram um grande trabalho com toda a informação e concluíram que isso não tem explicação científica, portanto, Deus agiu por intercessão de Dom Romero.

A data canonização será brevemente divulgada.

24 de março - A partir desse dia, as autoridades judaicas tomaram a decisão de matar Jesus. Jo 11,53


Vós não vistes a Deus; não reconhecestes o Senhor; não soubestes que era Ele, o Primogênito de Deus, O que foi gerado antes da estrela da manhã, O que fez surgir a luz, O que fez brilhar o dia, separando-o das trevas, O que fixou os primeiros limites, suspendendo a terra, secando os abismos, expondo o firmamento, O que criou os anjos do céu, O que no céu fixou os tronos, O que modelou o homem sobre a terra. Foi Ele que escolheu Israel, foi Ele que o guiou desde Adão até Noé, desde Noé até Abraão, desde Abraão até Isaac e Jacob e aos doze patriarcas. Foi Ele que conduziu os vossos pais ao Egito, que aí os protegeu e os alimentou. 
Foi Ele que os iluminou por meio de uma coluna de fogo e os cobriu com uma nuvem, foi Ele que abriu o Mar Vermelho e lhe fez atravessar. Foi Ele que lhes deu o maná do céu, que os saciou com o que tirou do rochedo, que lhes deu a Lei e a Terra Prometida, que lhes enviou os profetas e lhes suscitou os reis. Foi Ele que veio a vós, cuidando daqueles que sofriam, ressuscitando os mortos. É Ele que quereis matar, é Ele que quereis entregar em troca de umas quantas moedas de prata.

Como foi que estimastes os benefícios que vos foram concedidos?  Estimai agora a mão ressequida que Ele restituiu ao corpo. Estimai agora os cegos de nascença que Ele devolveu à luz por meio de uma palavra Sua. Estimai agora os mortos que fez sair do túmulo após três ou quatro dias. Não têm preço os dons que Ele vos concede. E vós pagastes-Lhe o bem com o mal, a alegria com a aflição, a vida com a morte.

Melitão de Sardes – século II

Hoje celebramos:

24 de março - Testemunhos sobre Beato Dom Oscar Romero


Dom Romero foi assassinado em 1980 por um membro dos esquadrões da morte - ativos na época da guerra civil salvadorenha - enquanto celebrava a Missa na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador.

Recordá-lo é importante porque é um dos testemunhos que marcou a história da Igreja, a partir do Vaticano II. Não por acaso em 24 de março, dia de seu martírio, celebram-se os mártires de toda a Igreja contemporânea – os novos mártires – e além disso, as próprias Nações Unidas elegeram este dia como dia de memória da liberdade da própria fé, do testemunho das próprias convicções.

Ainda existem resistências, em relação à sua memória, infelizmente, não somente em casa, mas também fora, e perto de nós muitas vezes. A resistência nascia do fato que, como escreve o Concílio Vaticano II, como a Igreja latino-americana imediatamente após o Concílio Vaticano II havia afirmado: o Evangelho não é indiferente, o Evangelho não é uma devoção, o Evangelho transforma o mundo. E Romero havia compreendido que, para mudar o mundo, era necessário partir, como escreve o Evangelho, do amor pelos pobres. Muitos pensaram que esta escolha pelos pobres era uma escolha política, ditada quem sabe por uma análise marxista, etc. Mas não é assim: a escolha de amar os pobres para mudar o mundo é a mesma que fez Jesus. Esta escolha Romero fez sua, e muitos se opuseram, até matá-lo. Se opuseram aqueles que, mesmo cristãos, eram porém ditadores, aqueles que queriam subjugar os mais pobres, explorá-los e violentá-los. Romero escolheu, pelo contrário, esta Igreja. E eis porque existe um grande consenso sobre ele. Quiseram matá-lo para fazê-lo calar. Romero, com o sacrifício da vida, continua hoje a falar.

A escolha feita por Dom Romero o levou também a um martírio post mortem... Papa Francisco

O Papa Francisco pronunciou estas palavras diante dos bispos de El Salvador e de uma peregrinação de salvadorenhos, vindos para agradecê-lo pela beatificação de Romero. E o Papa Francisco disse estas palavras com uma força que eu não esqueço. É a oposição que ainda hoje muitos, ou alguns, querem fazer à mesma mensagem do Papa Francisco: o Evangelho não deixa o mundo assim como é, o Evangelho não deixa os crentes como se nada houvesse. O Evangelho pede para se fazer escolhas, para estar do lado dos pobres, dos sofredores, de dar a vida por isto, eis porque o Papa Francisco, sublinhando também a oposição post mortem a Romero, no fundo continua a dizer aquilo que já Jesus tantas vezes havia dito: “Se a mim perseguiram, perseguirão também a vós”. E eis porque não devemos render-nos ou retroceder, mas devemos continuar a olhar Romero como um grande exemplo de crente, de novo mártir deste tempo. Como se pode ser cristãos, olhar Romero e depois ser indiferente àqueles que morrem no Mediterrâneo, ou levantar barreiras e muros, ou virar as costas diante dos conflitos”.

Eu acredito que estejamos em um bom ponto para a sua canonização. Estamos examinando um milagre que diz respeito a uma mulher grávida e o seu filho que foram, esperemos, milagrosamente curados por intercessão de Dom Romero. Foi concluído o processo diocesano que foi enviado a Roma e iniciamos o exame do milagre. Faço votos de que o processo termine logo. Se tudo isto acontecer, é possível que se possa esperar para o próximo ano a celebração da canonização de Romero.

Dom Vincenzo Paglia -  Postulador da Causa de Canonização de Dom Óscar Romero - 11 de agosto de 2017


O martírio de Dom Romero não foi no momento de sua morte, mas seu sofrimento foi anterior e posterior. Uma vez morto - “eu era um jovem sacerdote e ouvi” – foi difamado e caluniado inclusive por seus irmãos no sacerdócio e no episcopado. “Ou seja, é lindo vê-lo assim também: um homem que segue sendo mártir. Depois de dar a sua vida, seguiu deixando-se açoitar por todas essas incompreensões e calúnias. Isso me dá força, só Deus sabe. Somente Deus conhece as histórias das pessoas, e quantas vezes as pessoas que deram sua vida continuam sendo lapidadas com a pedra mais dura que existe no mundo: a língua.”

Papa Francisco – 30 de outubro de 2015

24 de março - Maria Karłowska


Nos territórios sob a ocupação prussiana, Maria Karłowska, desenvolvia uma atividade de autêntica samaritana entre as mulheres provadas por grande miséria material e moral. O seu santo zelo imediatamente atraia a si um grupo de discípulas de Cristo, com as quais fundou a Congregação das Irmãs Pastorinhas da Divina Providência. Para si mesma e para as suas irmãs estabelecia o seguinte objetivo: “Devemos anunciar o Coração de Jesus, isto é, de tal modo vivermos d’Ele, n'Ele e para Ele, para nos tornarmos semelhantes a Ele e para que na nossa vida Ele seja mais visível do que nós mesmas”. 
A sua dedicação ao Sacratíssimo Coração do Salvador frutificou um grande amor pelos homens. Sentia uma insaciável fome de amor. Um amor deste género, segundo a Beata Maria Karłowska, jamais dirá basta nem se deterá pela estrada. Precisamente isto acontecia a ela, que era como que enlevada pela corrente do amor do divino Paráclito. Graças a este amor restituiu a muitas almas a luz de Cristo e ajudou-as a readquirir a dignidade perdida.

É bom que também ela seja beatificada em Zakopane, porque a cruz do Giewont olha para toda a Polónia, rumo ao Norte, rumo à Pomerânia e à cidade de Płock, rumo a todos os lugares onde vivem os frutos da sua santidade, as suas irmãs e o seu serviço aos necessitados.
Caros Irmãos e Irmãs, esta religiosa heroica, levando avante as suas santas obras, em condições extremamente difíceis, manifestou em toda a plenitude a dignidade da mulher e a grandeza da sua vocação. Manifestou aquele “gênio feminino”, que se revela numa profunda sensibilidade para com o sofrimento humano, na delicadeza, na abertura e na disponibilidade a levar ajuda, e noutras qualidades próprias do coração feminino. Com frequência ele se manifesta sem clamor e por isso, às vezes é subestimado. Quanta necessidade tem dele o mundo de hoje, a nossa geração! Como é grande a necessidade desta sensibilidade feminina nas coisas de Deus e dos homens, a fim de que as nossas famílias e a sociedade inteira sejam repletas de calor cordial, de benevolência, de paz e de alegria! Como é necessário este “gênio feminino”, para que o mundo de hoje aprecie o valor da vida, da responsabilidade, da fidelidade; para que conserve o respeito pela dignidade humana! Com efeito, Deus, no seu desígnio eterno, estabeleceu um semelhante lugar para a mulher, criando o ser humano “varão e mulher” à própria “imagem e semelhança”.

Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 06 de junho de 1997


Maria Karlowska nasceu em 4 de setembro de 1865 nos territórios ocupados pela Prússia, décima primeira filha do casal Mateusz Karlowska e Dembiñska Eugenia, uma família numerosa, muito religiosa e devota do Sagrado Coração de Jesus.
Quando seus pais venderam a fazenda da família, Maria foi viver com eles em Poznan, onde começou seus estudos na escola secundária para meninas católicas. Ficou órfã de seus pais quando tinha 17 anos, quando prometeu viver em castidade durante toda a vida. Ela ainda não pensava em tornar-se religiosa, pois precisava trabalhar para ajudar seus irmãos e irmãs. Viajou pouco depois para Berlim no intuito de ali aprender o ofício de costureira.

Frequentou a escola de costura por um ano e fez um curso em Berlim. Após o treinamento, exerceu a sua profissão em Poznan, auxiliando a irmã mais velha, Wanda, como instrutora na escola de costura. Na terra natal exerceu uma ação caridosa tornando-se uma verdadeira samaritana no meio das mulheres tocadas pela grande miséria social e moral.
Filha de pais educados, acostumados com a vida de uma família nobre, Maria não tinha ideia da pobreza moral das mulheres que praticavam a prostituição para ganhar a vida, quando começou a visitar os doentes e os pobres mais pobres das ruas da cidade. Um imperativo interior a levou a esses lugares onde a pobreza material era associada com a prostituição.

Em novembro de 1892, Maria encontrou uma prostituta pela primeira vez. Este encontro foi decisivo para a sua vocação, porque a partir de então toda a sua energia se concentraria nestas mulheres que Maria queria ajudar a sair de uma situação onde voluntária ou involuntariamente se tinham colocado, e a cortar os laços que as retinham naquela vida. Exortava as mulheres à deixarem a vida pecaminosa e as preparava para receberem os santos sacramentos.
Naquela época, a prostituição era tolerada pelas autoridades estaduais. Essas pessoas eram registradas e eram obrigadas a fazerem exames médicos regulares, para evitar a propagação de doenças venéreas. Depois de um ano e meio deste apostolado a desaprovação geral forçou a jovem a esconder suas atividades, rejeitada até por membros da família que consideravam desonrosa sua preocupação com prostitutas.

O seu zelo nesta obra difícil atraiu outras mulheres com quem fundou a Congregação das Irmãs Pastorinhas da Divina Providência. Para as irmãs e para ela mesma, ela já tinha estabelecido o seguinte objetivo: “Nós devemos anunciar o Coração de Jesus, quer dizer, viver Dele, Nele e por Ele, de maneira a nos tornarmos como Ele, e nós devemos fazer de maneira que em nossas vidas Ele se torne mais visível do que nós mesmas”. 

Com o tempo e a perseverança de todas as Irmãs, este apostolado começou a dar bons resultados, e muitas dessas mulheres começaram a levantar a cabeça e a enveredar resolutamente pelo caminho certo. Algumas até se tornaram mães exemplares e outras tantas apóstolas junto daquelas que ainda estavam relutantes em voltar para trás.
Maria Karlowska tinha o dom de guiar as almas. Ela sabia o que fazer para trazer as jovens ao caminho certo. Para acalmar o comportamento das jovens, Maria usava a bondade; se fosse imprescindível, assumia uma atitude de rigor, não hesitando em usar palavras duras e exigentes.  Ela sabia qual era a luta delas contra a sua natureza degradada, e por isso cercava-as de afeto, suportando pacientemente as explosões de seu temperamento, acalmando a impulsividade e a impetuosidade com a doçura.

A catequese tinha prioridade na reabilitação das jovens; quanto ao trabalho físico também usado na reabilitação, era fundamental descobrir as habilidades de cada jovem, para dar-lhes um trabalho adequado às suas predisposições naturais.
De acordo com Maria Karlowska, a “santidade consiste em fazer coisas comuns de forma extraordinária, com carinho e dedicação… Tal santidade é oculta diante dos olhos humanos, presentes apenas nos olhos de Deus”. Às suas irmãs, dizia que “a santidade é uma corrente cujos anéis são chamados de virtudes, e da ruptura de um, corre-se o risco de perder toda a corrente”.

Ela agradecia a Deus pelas graças e favores resultantes da obediência total à Igreja Católica: “A união com Deus e a Igreja é a minha força, segurança, esperança e toda a minha glória”, escreveu, exortando as Irmãs a viverem sempre fieis à Santa Igreja, porque a união com a Igreja encoraja a santidade pessoal.

De sua vida e dos seus escritos podemos perceber que ela foi uma alma contemplativa, de silêncio e oração. Rezava muito, passava as noites sem dormir, rezando incessantemente. Toda a sua confiança era depositada no Bom Pastor, confiando totalmente a Ele e somente a Ele as almas dedicadas. Ela amava a serenidade e o silêncio que a mantinham unida a Deus, porque “Deus fala à uma alma em silêncio”. A oração, para Maria Karlowska, devia ser sempre sincera, ardente, incessante, insistente, e devia ter como objetivo principal a salvação das almas.
O sistema educacional criado pela Madre Karlowska foi excepcional e baseado principalmente no exemplo que nos é oferecido por Jesus, e enfatiza a liberdade e a boa vontade. “Toda prática religiosa é um ato livre”.

A Providência Divina era o fundamento da sua esperança, e uma característica predominante em sua Congregação. O Amor de Deus foi o motivo pelo qual ela ainda muito jovem emitiu o voto de castidade e pela mesma razão fundou a Congregação. Este Amor encontra a sua plena expressão em fazer a Vontade de Deus em tudo e sempre, e em se submeter a qualquer momento. Ela aceitava as cruzes da vida e agradecia a Deus pelo sofrimento. Para ela só o pecado é o maior mal, e assim ela odiava todo pecado porque ele ofende o amor de Deus.

O Amor de Deus é inseparável do amor ao próximo. Testemunhas enfatizaram o fato de que a Beata tinha um amor sobrenatural para com todos, e o exercia em um grau mais eminente. O amor ao próximo foi o principal motivo para todas as suas atividades de apostolado. A Beata sempre manifestou um grande amor à Congregação e também à Polônia.
Com cerca de setenta anos, Madre Maria Karlowska entregou a sua alma a Deus em 24 de março de 1935, deixando para a posteridade uma obra reconhecida, de uma grande ajuda para a Igreja na Polônia e nos países vizinhos.
Ela foi beatificada a 6 de junho de 1997 em Zakopane (Polônia) por João Paulo II.


sexta-feira, 23 de março de 2018

23 de abril - Os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. Jo 10,31


Sim, sou pecador, sou mundano, tenho muitas mundanidades no meu coração mas, Senhor, tu podes fazer tudo: dá-me a graça de me tornar testemunha de obediência como tu, e também a graça de não me assustar quando chegam as perseguições, as calúnias, porque tu nos disseste que quando nos levarem diante do juiz será o Espírito quem nos dirá como responder.

Peçamos esta graça, porque o cristão não é testemunha de uma ideia, de uma filosofia, de uma empresa, de um banco, de um poder, mas é unicamente testemunha de obediência, como Jesus.

Quais são as consequências para uma pessoa que é testemunha de obediência? A este propósito, o Evangelho é claro: Os judeus pegaram pedras para apedrejar Jesus. Porque as consequências da testemunha de obediência são as perseguições. Com efeito, quando Jesus enumera as bem-aventuranças acaba por afirmar: Bem-aventurados vós que sois perseguidos, insultados.

Não se pode eliminar a cruz da vida do cristão. A vida do cristão não é um status social, não é apenas um modo de viver uma espiritualidade que me torna bom, que me torna um pouco melhor. Isto não é suficiente. A vida do cristão é o testemunho de obediência e a vida do cristão está cheia de calúnias, maledicências, perseguições. E, esta é a mensagem da Igreja hoje que pede para nos questionarmos se somos deveras cristãos, ou seja, testemunhas de obediência como Jesus.

Papa Francisco – 27 de abril de 2017

Hoje celebramos: