sábado, 12 de dezembro de 2015

Segunda Semana do Advento - Confiança


“Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará.” Sl 37,5


Nossa Senhora de Guadalupe


"Os povos e as nações de nossa Grande Pátria latino-americana hoje comemoram com gratidão e alegria a festividade de sua “padroeira”, Nossa Senhora de Guadalupe, cuja devoção se estende do Alasca até a Patagônia. E com o Arcanjo Gabriel e Santa Isabel, até nós, eleva-se a nossa prece filial: “Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é contigo…” (Lc 1,28).

Nesta festividade de Nossa Senhora de Guadalupe, faremos grata memória de sua visita e materna companhia; cantaremos com Ela o seu “magnificat”; e lhe confiaremos a vida de nossos povos e a missão continental da Igreja.
Quando apareceu a San Juan Diego em Tepeyac, apresentou-se como a “perfeita sempre Virgem Santa Maria, Mãe do verdadeiro Deus”; e deu lugar a uma nova visita. Correu pressurosa para abraçar também os novos povos americanos, numa dramática gestação. Foi como “ um grande sinal no céu: uma mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12,1), que assumiu para si a simbologia cultural e religiosa dos indígenas, anuncia e doa seu Filho aos novos povos de sofrida mestiçagem.
Muitos pularam de alegria e esperança diante de sua visita e diante do dom de seu Filho e a mais perfeita discípula do Senhor se tornou “a grande missionária que levou o Evangelho à nossa América”. O Filho de Maria Santíssima, Imaculada grávida, se revela assim desde as origens da história dos novos povos como “o verdadeiro Deus, graças ao qual se vive”, boa nova da dignidade filial de todos os seus habitantes. Já ninguém mais é servo, mas todos somos filhos de um mesmo Pai e irmãos entre nós.
A Santa Mãe de Deus não apenas visitou estes povos, mas quis permanecer com eles. Deixou impressa misteriosamente a sua imagem sagrada no “manto” de seu mensageiro para que nos recordássemos sempre, tornando-se assim símbolo da aliança de Maria com estes povos, a quem se confere alma e ternura.
Por sua intercessão, a fé cristã começou a ser o mais rico tesouro da alma dos povos americanos, cuja pérola preciosa é Jesus Cristo: um patrimônio que se transmite e se manifesta até hoje no batismo de uma multidão de pessoas na fé, na esperança e na caridade de muitos, na preciosidade da piedade popular e também no ‘ethos’ dos povos, visível na consciência da dignidade da pessoa humana, na paixão pela justiça, na solidariedade com os mais pobres e sofredores, na esperança, por vezes contra toda esperança.
Por isso nós, hoje, podemos continuar a louvar Deus pelas maravilhas que atuou na vida dos povos latino-americanos. “Deus escondeu estas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos pequenos e simples de coração” (cf. Mt 11,21). Nas maravilhas que o Senhor realizou em Maria, Ela reconhece o estilo e o modo de agir de Seu Filho na história da salvação. Superando os juízos mundanos, destruindo os ídolos do poder, da riqueza, do sucesso a todo custo, denunciando a autossuficiência, a soberba e os messianismos secularizados que afastam de Deus, o cântico mariano confessa que Deus se compraz em subverter as ideologias e as hierarquias mundanas.
Enaltece os humildes, auxilia os pobres e os pequeninos, sacia com bens, bênçãos e esperanças os que confiam em sua misericórdia de geração em geração, enquanto abate os ricos, os poderosos e os dominadores de seus tronos. O “Magnificat” nos introduz nas Bem-aventuranças, síntese primordial da mensagem evangélica. À sua luz, nos sentimos impulsionados a pedir que o futuro da América Latina seja forjado pelos pobres e por aqueles que sofrem, pelos humildes, por aqueles que têm fome de justiça, pelos piedosos, pelos puros de coração, por aqueles que trabalham pela paz, pelos perseguidos por causa do nome de Cristo, porque “deles será o reino dos Céus” (cf. Mt 5,1-11).
(...)Depositemos estas realidades e desejos no altar como dom agradável a Deus. Implorando o Seu Perdão e confiando em Sua misericórdia, celebramos o sacrifício e a vitória pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o único Senhor, o “libertador” de todas as nossas escravidões e misérias derivadas do pecado. Ele nos chama a viver a verdadeira vida, uma vida mais humana, uma convivência como Filhos e irmãos, já abertas as portas “da nova terra e dos novos céus” (Ap 21,1).
Imploremos a Santíssima Virgem Maria, em sua vocação guadalupana – a Mãe de Deus, a Rainha, a minha Senhora, a minha jovenzinha, a minha pequena, como a chamou San Juan Diego, e com todos os apelativos amorosos com os quais se dirigem a Ela na piedade popular – para que continue a acompanhar, ajudar e proteger os nossos povos. E para que conduza, por mão, todos os filhos que peregrinam nessas terras ao encontro de seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor, presente na Igreja, em sua sacralidade, e especialmente na Eucaristia, presente no tesouro de sua Palavra e ensinamentos, presente no santo povo fiel de Deus, naqueles que sofrem e nos humildes de coração. Assim seja. Amém!"  
Papa Francisco 12 de dezembro de 2014



Os mistério da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe clique aqui

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Segunda Semana do Advento - Confiança


"Só nos vasos da confiança o Senhor coloca o azeite de sua misericórdia." 
São Bernardo de Claraval

São Dâmaso - Papa

São  Dâmaso, um dos maiores  Papas  da Igreja de Deus, era espanhol (alguns registros fala que era de Portugal)
Órfão de  mãe, seu pai o levou para Roma, onde recebeu uma sólida educação religiosa  e científica. Os progressos que fez foram tão notáveis, que Dâmaso foi tido  como um dos homens  mais santos e sábios do seu tempo. 

Na qualidade de  diácono da Igreja de Roma, acompanhou o Papa Libério ao exílio. Com a morte do Papa, foi elevado ao trono pontifício no ano de 366, em atenção à sabedoria e santidade que o distinguiam, como também pelo zelo e coragem com que  defendera  a  Igreja contra a  heresia.
O governo  de São Dâmaso durou dezessete anos e  dois meses, e coincidiu com épocas  bem difíceis. Todos os  escritores eclesiásticos  daquele tempo  lhe tecem  os maiores elogios. 

São Jerônimo o chama  o Grande  Amante da castidade,  o Doutor Virginal da Igreja  Virginal. 

Teodoro vê nele  um homem  adornado de  todas as virtudes e  digno de todo o louvor.

Santo Ambrósio  reconhece em Dâmaso um instrumento escolhido pela  Divina providência para o bem da Igreja de Cristo.  

Os  bispos, reunidos em Constantinopla, elogiam-no pela  firmeza heróica na defesa  da santa  fé, dando-lhe o título  honroso de  Diamante Invencível da Fé. 

Logo depois de  sua eleição, São Dâmaso teve que enfrentar um cisma causado por um antipapa, isto no início do seu Pontificado. A alma  deste  movimento  foi o diácono  Ursino,   que ambicionava  ser o Papa.  Dâmaso, receoso de ser causador de um cisma, declarou-se  pronto a  resignar  à tiara pontifícia  e  retirar-se à vida privada. Os elementos bons, porém,  opuseram-se a isto, e todos  os  esforços  empregaram até que o governador romano se resolveu  a  mandar para o exílio o promotor  das desordens.  

Algum tempo depois, já que teve de combater o Arianismo, uma heresia que negava a consubstancialidade de Cristo com o Pai. Em diversos  concílios  parciais e finalmente no concílio ecumênico de Constantinopla, foram condenadas as heresias de  Macedônio e  Apolinaris, e desterrados os respectivos  autores.  

O Pastor  vigilante trabalhou  incessantemente  no melhoramento  da organização da Igreja. Muitas  igrejas  foram construídas e  as relíquias de muitos  mártires, por iniciativa  do Papa, foram entregues à veneração dos fiéis. 

Conhecido como o “Papa das Catacumbas”, por sua ordem foram abertas  as  catacumbas, nas quais  mandou desentulhar galerias,  fazer  escadas, por clarabóias. Muitos  túmulos de mártires receberam belíssimos  epitáfios de  sua autoria executados em esmerada  caligrafia. 

Homens  importantes daquele  tempo, como Atanásio,  Ambrósio e Jerônimo  faziam  parte do  conselho particular  do Pontífice. A São Jerônimo, a Igreja deve a tradução dos livros bíblicos  para a língua latina. 

A confiança de que Dâmaso gozava do povo cristão era tão grande, que os imperadores Teodósio, Graciano e Valentiniano ordenaram  expressamente aos  súditos, que não aceitassem  outro credo a  não ser aquele que  São Pedro  pregara em Roma, e que era  ensinado por seu  sucessor  Dâmaso;  que  haviam de considerar  errôneas e heréticas as doutrinas, por Dâmaso, como  tais censuradas. O imperador Graciano  promulgou uma lei  que  determinava a  competência jurídica do Papa em julgar as questões que houvesse entre Bispos. 

Grande interesse  manifestou Dâmaso pela digna celebração dos mistérios.
É-lhe  atribuída  a  recitação dos  salmos em  dois  coros  e  do Gloria Patri no fim de cada salmo.
Introduziu também o cântico do  Aleluia  nas missas  dominicais.
Por sua iniciativa, foi reformada  a  Igreja de São Lourenço e  enriquecida com belíssimas pinturas. 
Dâmaso morreu na idade de  oitenta anos, no ano de 384. Na chamada Cripta dos Papas, por ele explorada nas Catacumbas de S. Calisto, no fim de uma longa inscrição, escreveu: “Aqui eu, Dâmaso, desejaria mandar sepultar os meus restos, mas tenho medo de perturbar as piedosas cinzas dos santos”. 

Humildade e discrição de um Papa verdadeiramente santo, que de fato preparou para si a sepultura longe, num local solitário, à margem da Via Ardeatina.

No seu túmulo aconteceram grandes milagres. Muitos  possessos  de  demônios, por intercessão de  São Dâmaso, ficaram livres do mau espírito, e inúmeros  doentes recuperaram a saúde. 


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Segunda Semana do Advento - Confiança



“Quando notamos que estamos com muito medo, é sinal que precisamos aumentar nossa confiança em Deus!

São Padre Pio