sábado, 16 de janeiro de 2021

Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: O valor único do amor nºs 91 a 94

91. As pessoas podem desenvolver algumas atitudes que apresentam como valores morais: fortaleza, sobriedade, laboriosidade e outras virtudes. Mas, para orientar adequadamente os atos das várias virtudes morais, é necessário considerar também a medida em que eles realizam um dinamismo de abertura e união para com outras pessoas. Este dinamismo é a caridade, que Deus infunde. Caso contrário, talvez tenhamos só uma aparência de virtudes, que serão incapazes de construir a vida em comum. Por isso, dizia São Tomás de Aquino – citando Santo Agostinho – que a temperança duma pessoa avarenta nem sequer era virtuosa. Com outras palavras, explicava São Boaventura que as restantes virtudes, sem a caridade, não cumprem estritamente os mandamentos como Deus os compreende.

92. A estatura espiritual duma vida humana é medida pelo amor, que constitui o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade duma vida humana. Todavia há crentes que pensam que a sua grandeza está na imposição das suas ideologias aos outros, ou na defesa violenta da verdade, ou em grandes demonstrações de força. Todos nós, crentes, devemos reconhecer isto: em primeiro lugar está o amor, o amor nunca deve ser colocado em risco, o maior perigo é não amar (cf. 1 Cor 13, 1-13).

93. Procurando especificar em que consiste a experiência de amar, que Deus torna possível com a sua graça, São Tomás de Aquino explicava-a como um movimento que centra a atenção no outro considerando-o como um só comigo mesmo. A atenção afetiva prestada ao outro provoca uma orientação que leva a procurar o seu bem gratuitamente. Tudo isto parte duma estima, duma apreciação que, em última análise, é o que está por detrás da palavra caridade: o ser amado é caro para mim, ou seja, é estimado como de grande valor. E do amor, pelo qual uma pessoa me agrada, depende que lhe dê algo grátis.

94. Sendo assim o amor implica algo mais do que uma série de ações benéficas. As ações derivam duma união que propende cada vez mais para o outro, considerando-o precioso, digno, aprazível e bom, independentemente das aparências físicas ou morais. O amor ao outro por ser quem é, impele-nos a procurar o melhor para a sua vida. Só cultivando esta forma de nos relacionarmos é que tornaremos possível aquela amizade social que não exclui ninguém e a fraternidade aberta a todos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Fratelli tutti - Capítulo 3 - Pensar e gerar um mundo aberto: Mais além nºs 88 a 90


88. A partir da intimidade de cada coração, o amor cria vínculos e amplia a existência, quando arranca a pessoa de si mesma para o outro. Feitos para o amor, existe em cada um de nós uma espécie de lei de “êxtase”: sair de si mesmo para encontrar nos outros um acrescentamento de ser. Por isso, o homem deve conseguir um dia partir de si mesmo, deixar de procurar apoio em si mesmo, deixar-se levar.

89. Mas não posso reduzir a minha vida à relação com um pequeno grupo, nem mesmo à minha própria família, porque é impossível compreender-me a mim mesmo sem uma teia mais ampla de relações: e não só as do momento atual, mas também as relações dos anos anteriores que me foram configurando ao longo da minha vida. A minha relação com uma pessoa, que estimo, não pode ignorar que esta pessoa não vive só para a sua relação comigo, nem eu vivo apenas relacionando-me com ela. A nossa relação, se é sadia e autêntica, abre-nos aos outros que nos fazem crescer e enriquecem. O mais nobre sentido social hoje facilmente fica anulado sob intimismos egoístas com aparência de relações intensas. Pelo contrário, o amor autêntico, que ajuda a crescer, e as formas mais nobres de amizade habitam em corações que se deixam completar. O vínculo de casal e de amizade está orientado para abrir o coração em redor, para nos tornar capazes de sair de nós mesmos até acolher a todos. Os grupos fechados e os casais autorreferenciais, que se constituem como um “nós” contraposto ao mundo inteiro, habitualmente são formas idealizadas de egoísmo e mera autoproteção.

90. Não é sem razão que muitas populações pequenas e sobrevivendo em áreas desérticas conseguiram desenvolver uma generosa capacidade de acolhimento dos peregrinos que passavam, dando assim um sinal exemplar do dever sagrado da hospitalidade. Viveram-no também as comunidades monásticas medievais, como se verifica na Regra de São Bento. Embora pudessem perturbar a ordem e o silêncio dos mosteiros, Bento exigia que se tratasse os pobres e os peregrinos com toda a consideração e carinho possíveis. A hospitalidade é uma maneira concreta de não se privar deste desafio e deste dom que é o encontro com a humanidade mais além do próprio grupo. Aquelas pessoas reconheciam que todos os valores por elas cultivados deviam ser acompanhados por esta capacidade de se transcender a si mesmas numa abertura aos outros.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Ano de São José



Por meio da Carta Apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, o papa Francisco faz um convite especial a todos os católicos. A Igreja começa a viver um ano dedicado a São José. Trata-se de um presente especial do Santo Padre e um convite para que conheçamos mais o pai adotivo de Jesus. 

A iniciativa acontece por ocasião dos 150 anos de declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica. O Ano Josefino começou oficialmente no dia 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, e se concluirá na mesma solenidade, em 2021. Indulgências plenárias no Ano Josefino Durante o Ano de São José, as indulgências plenárias serão concedidas aos fiéis que, além das condições habituais previstas pela Igreja, praticarem cinco atos particulares de piedade ou obras de caridade ligadas ao modelo representado pelo pai de Jesus. 

Condições habituais 

- Confissão Sacramental 

- Comunhão Eucarística 

- Oração nas intenções do Santo Padre, o papa Atos de piedade ou Obras de Caridade - Abrir-se à vontade de Deus 

- Meditar ou participar de um retiro espiritual 

- Fazer-se instrumento de justiça e misericórdia do Pai através da realização de obras de misericórdia corporais e espirituais, como José, o “homem justo” (Mt 1, 19). 

- Recitar o Santo Terço 

- Santificar o próprio trabalho confiando-o à intercessão de São José ou rezar por aqueles que são privados de uma ocupação digna. 

Rezar pelos que sofrem formas de perseguição através da oração das ladainhas a São José ou outras fórmulas de oração próprias dos ritos das Igrejas Orientais. São José e os “Josés” dos nossos dias Conhecer São José no plano salvífico de Deus é imprescindível. 

Por meio deste ano especial que começa, a Igreja quer chegar ao coração de todos os católicos. Celebrar o Ano de São José é dar atenção especial ao sim do pai adotivo de Jesus, que muitas vezes não é reconhecido, como o sim de Maria. Com o sim de José, o plano salvífico foi levado adiante e a palavra de Deus deixa claro as dificuldades que ele enfrentou ao receber o anúncio de que sua futura esposa estava grávida, embora não tivesse tido contato algum com homem. Essa foi apenas a primeira dificuldade. Mas como homem justo, José aceitou todos os percalços e seguiu adiante, obedecendo a Deus. A propósito, o termo “homem justo”, raríssimo na Bíblia, quer dizer “santo”. Trata-se de um atributo reservado somente a Deus (Ecle 7,20). 

Isso revela muito sobre a integridade, os valores e a santidade de vida de José, que era fiel à lei, observador dos mandamentos e preceitos da Torah. Na vida cotidiana, José era homem pobre, com poucos recursos. Tinha a carpintaria como profissão, mas ganhava pouco e vivia a angústia de muitos pais de família de todos os tempos da história: não tinha recursos necessários para dar conforto e segurança à família. 

Se não bastasse toda a miséria que viveu até o nascimento de Jesus, José também se tornou migrante com a família. Nas terras estrangeiras do Egito, certamente, viveu a angústia de procurar emprego e não encontrar. Assim, ofereceu o mínimo para os seus. Em sua carta “Patris Corde”, Francisco lembra de tantos pais que não conseguem oferecer o básico aos seus familiares. 

A carta também indica que Jesus não nasceu pronto, mas foi aprendendo gradualmente, assistido por um pai presente. Sobre isso, o papa adverte acerca das dificuldades de tantos pais ausentes que não conseguem acompanhar a vida dos filhos por uma série de fatores. Por fim, neste Ano de São José, esse santo que teve a maior parte de sua vida oculta, tem muito a ensinar à sociedade de hoje. O papa, porém, lembra, sobretudo neste tempo de pandemia, dos homens e mulheres que arriscam suas vidas para cuidar e proteger as pessoas vítimas desta enfermidade. 

A Carta Apostólica “Patris Corde” merece ser lida por todos os católicos e o Ano de São José ser vivido intensamente, na busca de conhecer profundamente esse homem justo que, mesmo sem compreender tudo, acolheu tudo.

sábado, 9 de janeiro de 2021

09 de janeiro - Beata Paulina Jaricot

Em todas as paróquias do mundo, o terceiro domingo de outubro é o Dia Mundial das Missões, um dia para oferecer orações, sacrifícios e esmolas para missões e missionários em todo o mundo. 

Um dia, Paulina Jaricot chegou de seu trabalho, cansada e ansiosa para ouvir uma história que a distraísse. Ela entrou na cozinha para pedir à empregada que lhe contasse algo agradável. A boa mulher respondeu: "Se você me ajudar a terminar este trabalho, eu vou te contar uma coisa que vai te agradar muito". A menina a ajudou com prazer e, quando terminou o trabalho, a cozinheira tirou o avental e abriu uma revista de missões e leu as aventuras de vários missionários que, em terras distantes, em meio a terríveis dificuldades econômicas, e com grandes perigos e dificuldades, escreviam contando suas façanhas e pedindo aos católicos que os ajudassem com suas orações, esmolas e sacrifícios, para que pudessem continuar seu difícil trabalho missionário.

Naquele momento, uma ideia brilhante passou pela mente de Paulina: por que não reunir pessoas piedosas e obter de cada uma dinheir, orações e algum pequeno sacrifício para as missões e os missionários, e depois enviar tudo para aqueles que trabalhavam evangelizando em terras distantes? E ela começou a começar a realizar essa semana tão memorável.

Paulina Jaricot nasceu em Lião (França) a 22 de julho de 1799, de uma família proprietária de uma fábrica de seda. Desde a sua infância recebeu profunda educação cristã.

Após grave enfermidade e morte da mãe, em 1816, Paulina resolveu "servir somente a Deus". Nesta oportunidade, fez voto privado de castidade e adotou um estilo de vida e de vestir das mais pobres operárias.

Por meio de seu querido irmão, Filéias, seminarista do Seminário de Saint-Sulpice, em Paris, onde se preparava para ser missionário na China, Paulina toma conhecimento e mantém-se informada da situação difícil das missões.

Paulina, além de esforçar-se em dar a conhecer as necessidades das missões (pertencia também à Associação dos Padres das Missões Estrangeiras), amadurecia em sua mente algo mais orgânico que poderia suscitar o entusiasmo e evoluir interiormente; algo, inclusive, que pudesse envolver todos os católicos e ser uma verdadeira ajuda para todas as missões indistintamente.

Ao aparecer o grande projeto de Paulina Jaricot, que um dia se converteria na Obra da Propagação da Fé, seu irmão Filéias, recém ordenado sacerdote, sugere à irmã que se consagre, inteiramente, a uma atividade organizada em favor das missões.

"A minha vocação - escrevia Paulina – impedia-me de fixar a minha atenção apenas numa obra até o ponto de esquecer-me das demais... Desejo permanecer livre para poder ir onde as necessidades são maiores".

Suas outras obras foram: o Rosário Vivo (1826), a Obra de Boa Imprensa (bibliotecas populares e volantes, 1826), o Banco do Céu (1830), a Congregação de Filhas de Maria (1831).

O mundo católico considera Paulina Jaricot como uma mulher de extraordinária têmpera de alma e de ampla visão das necessidades da Igreja; uma mulher verdadeiramente amante da Igreja, que viveu quase sempre incompreendida, combatida, caluniada e até perseguida pelos superiores.

Paulina era de temperamento prático: todas as suas iniciativas revelam um espírito sumamente realista, capaz de dar corpo e vida a uma ideia. Suas atividades, são aparentemente simples e susceptíveis de serem atribuídas a qualquer pessoa, denotavam, porém, uma percepção exacta da realidade social e espiritual de seu tempo.

As autoridades eclesiásticas, que repetidamente recomendaram a Obra aos Bispos, sacerdotes e fiéis, reconhecendo em Paulina Jaricot um instrumento dócil, generoso e heroico da Divina Providência para a evangelização, introduziu a causa da Beatificação, em 18 de janeiro de 1830. Em 25 de fevereiro de 1963, o Papa João XXIII assinou o decreto que proclama a heroicidade das virtudes de Paulina Maria Jaricot. Por isso a declarou "Venerável", o que significa que a Igreja se compromete em beatificá-la.

Faltava apenas o reconhecimento de um milagre para alcançar a beatificação. Isso aconteceria em 2012. Maylin, uma menina de 3 anos, ficou sufocada. Hospitalizada, ela teve uma parada cardíaca e foi considerada praticamente morta pelos médicos. Em sua escola, foi organizada
uma corrente de oração pela intercessão de Paulina Jaricot, cujo jubileu, de 50 anos da morte, foi celebrado naquele ano. Alguns dias depois, a criança mostra sinais de vida e se recupera sem sequelas.

Um inquérito diocesano sobre a suposta cura foi instaurado no Tribunal Eclesiástico da Diocese de Lyon. A menina foi auscultada em Roma. Após um longo procedimento científico e canônico, os médicos concluem que se trata de uma cura inexplicável. Um fato excepcional, na opinião de Gaëtan Boucharlat de Chazotte, porque “muitos casos de curas inexplicáveis, investigados na diocese, não foram bem-sucedidos porque os fatos não foram suficientemente comprovados”.

Depois de encaminhar as conclusões do processo para Congregação para as Causas dos Santos, o Papa Francisco autoriza o decreto que reconhece o milagre.

Ela foi beatificada no dia 22 de maio de 2022.

Rezemos, pedindo a Deus um milagre por intercessão de Paulina Jaricot:

Senhor, Vós inspirastes a Paulina Maria Jaricot a fundação da Obra da Propagação da Fé, a Organização do Rosário Vivo e seu compromisso radical com o mundo operário. Dignai-Vos agora apressar o dia em que a Igreja possa celebrar a santidade de sua vida. Fazei que seu exemplo arraste muitos cristãos a entregar-se ao serviço da evangelização, para que os homens e mulheres de hoje, em toda a terra, descubram Vosso amor infinito manifestado em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Ano de Sao José - Novena

 
  
Reze conosco, com confiança, a novena a São José!

➡️ A Igreja sempre venerou São José e nos recomenda à sua intercessão. A partir da próxima terça-feira (05), a Comunidade Epifania inicia a sua primeira novena do ano dedicada a São José. Um modelo de pureza e amor a Deus, São José, esposo da Virgem Maria, nos ensina a observância das leis divinas. O Papa Francisco dedicou este ano a São José e você é convidado a rezar conosco e conhecer um pouco da sua história. De 05 a 13 de janeiro, sempre às 19h no nosso canal do youtube: Comunidade Epifania! 
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