terça-feira, 2 de abril de 2019

Christus vivit - Introdução


Cristo Vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!

Está em ti, está contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recomeçar.
Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança.

02 de abril - Beato Mykolay (Nicolau) Charneckyj


Dom Mykolay (Nicolau) Charneckyj bispo ordinário de Leopoli na Ucrânia, nascido em 14 de dezembro de 1884 e falecido em Lviv em dois de abril de 1959, encabeça a lista dos vinte e cinco mártires cristãos ucranianos mortos em odium fidei pelo regime comunista após a queda da Rússia Czarista com a revolução bolchevique.

Ele foi professor do Seminário Stalislaviv e diretor espiritual no mesmo, em 1919 entrou para a Congregação dos Missionários Redentoristas. No ano de 1926 é nomeado visitador apostólico para os greco-católicos de Volyn, cidade na qual as estruturas eclesiais estavam destruídas, em 1931 é nomeado ordinário para os católicos de rito bizantino-eslavo em território polonês. Ordenado bispo em oito de fevereiro do mesmo ano em Roma, preso por agentes da KGB em 11 de abril com muitos outros bispos greco-católicos. Condenado por cinco anos a fazer trabalhos forçados, passa anos na prisão, sofre inúmeras torturas e humilhações, durante todo este tempo jamais descuidou do trabalho pastoral dando apoio e suporte espiritual aos outros prisioneiros, que em grande maioria participavam da mesma injustiça e da mesma fé.

Em 1956 é libertado e volta para Lviv praticamente moribundo, contra toda expectativa mundana aumenta seu apostolado fortalecendo a Igreja perseguida com seu apoio espiritual, parte para a Pátria celeste em dois de abril sendo imediatamente aclamado pela Igreja local como santo, ao seu túmulo acorrem milhares de fiéis.

Em parte considerável dos relatos do bispo acima, e dos foram beatificados com ele, vemos a investida dos hierarcas ortodoxos na tentativa de conversão ao cisma. Descobrimos inúmeras vezes, ao longo das histórias, durante os interrogatórios, o aparecimento de representantes da Igreja Ortodoxa, em parte aliada ao comunismo, que em vão tentavam dissuadi-los da fé que professavam. Sabe-se, por certo, o grande sofrimento imposto por tais religiosos aos próprios ortodoxos que, para sobrevivência e defesa da fé, refugiaram-se em catacumbas e passavam a viver clandestinamente.

O exemplo dos mártires é testemunho inegável da contradição presente no Santo Evangelho; o Senhor Crucificado encontrou na Igreja Oriental um terreno fértil de fiéis discípulos que abraçaram de forma segura e alegre a cruz que literalmente era pisada em praça pública.

O Papa João Paulo II, durante sua visita à Ucrânia, celebrou a beatificação de Dom Mykolay (Nicolau) Charneckyj e 24 mártires no dia 27 de Junho de 2001, 

02 de abril - Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: “Queres ficar curado?” Jo 5,6


No Evangelho de hoje ouvimos Jesus perguntar ao doente: “Quer ficar curado?” É belo, Jesus sempre nos diz Quer ficar curado? Quer ser feliz? Quer melhorar a sua vida? Quer estar cheio do Espírito Santo? É a palavra de Jesus. Todos os outros que estavam ali – doentes, cegos, paralíticos – disseram: Sim, Senhor, sim!

Mas aquele homem, estranho, respondeu a Jesus: Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente. Sua resposta é uma lamentação: Veja, Senhor, como é ruim e injusta a vida comigo. Todos os outros podem entrar e se curar e eu tento há 38 anos, mas não acontece nada.
Isto se entende pelo comportamento, pelas lamentações... sempre tentando dar a culpa ao outro: Mas são os outros que vão antes de mim, eu sou um coitadinho. Este é um pecado feio, o pecado da preguiça, que é pior do que ter o coração morno, bem pior.

Então Jesus lhe disse: Levanta-te, pega a tua cama e anda. O paralítico se cura; mas era sábado, os Doutores da Lei lhe dizem que não lhe é permitido carregar a cama e lhe perguntam quem o havia curado naquele dia. O paralítico se levantou com a preguiça de quem vive porque o oxigênio é grátis. Daqueles que vivem sempre vendo que os outros são mais felizes e vivem na tristeza, esquecendo-se da alegria.

A preguiça é um pecado que paralisa, que nos deixa paralíticos, que não deixa caminhar. Hoje também o Senhor olha por todos nós; todos temos pecados, mas vendo este pecado, nos diz: ‘Levanta’.
Hoje o Senhor diz a cada um de nós: Levanta, pega a tua vida como ela é: boa, ruim, como for, pegue-a e vá adiante. Não tenha medo, vai adiante, com a tua cama. Mas Senhor, não é do último modelo. Vai avante! Com a cama ruim, mas avante! É a sua vida e a sua alegria! Quer ser curado? É a primeira pergunta que o Senhor nos faz hoje. Sim, Senhor. Levanta.

Papa Francisco – 28 de março de 2017

Hoje celebramos:

segunda-feira, 1 de abril de 2019

01 de abril - Jesus disse-lhe: “Se não virdes sinais e prodígios, não acreditais”. Jo 4,48


Os galileus acolheram Jesus porque tinham ouvido falar sobre os numerosos milagres que ele tinha feito em outros lugares e pensaram: ele vai fazer de igual modo conosco: que venha, fará bem a todos. Assim, quando aquele funcionário do rei na Galileia se aproximou pedindo ajuda para o filho doente, parece que Jesus perde a paciência, a ponto de lhe dizer: Se não virdes milagres e prodígios, não credes. Em síntese, ele repreende o fato de que o principal sinal é o prodígio e que com isto todos estão contentes e só desta forma acreditam. Contudo, diz o Senhor, não ides a outras partes, não caminheis para outros sítios: onde está a vossa fé? Porque ver um milagre, um prodígio e dizer “tu tens o poder, tu és Deus” é sem dúvida um ato de fé, mas muito pequenino. Aliás, observando Jesus é evidente que este homem tem um grande poder, mas ali começa a fé e depois deve ir em frente: onde está o teu desejo de Deus? Porque a fé é isto: ter o desejo de encontrar Deus, de o encontrar, de estar com ele, de ser feliz com ele.

Assim quando o Senhor passa na nossa vida e faz um milagre em cada um de nós, todos sabemos o que o Senhor fez na nossa vida, mas não é tudo: este é o convite a ir em frente, a continuar a caminhar, a “procurar o rosto de Deus”, a procurar esta alegria. O sinal é o início e compreende-se que Jesus é um pouco impaciente — não quero dizer que se chateia, mas é impaciente — quando vê que as pessoas param ao primeiro passo.

A mim acontece refletir sobre o que pensa Jesus, o que sente Jesus em relação aos cristãos que não caminham, que não vão além, que param ao primeiro passo, à primeira graça recebida. Em síntese, o que pensa Jesus diante de um cristão que diz: Sim, estou bem-sucedido, levo em frente uma boa vida cristã, vou a missa aos domingos, confesso-me todos os meses, faço algumas obras de caridade, tudo bem e paro ali? Porque há muitos cristãos parados que não caminham, cristãos estagnados nas coisas do dia a dia — bons, bons! — mas não crescem, permanecem pequeninos. São cristãos estacionados, que se estacionam, cristãos engaiolados que não sabem voar sonhando a beleza para a qual o Senhor nos chama.
Papa Francisco – 12 de março de 2018

Hoje celebramos:

01 de abril - Beato Anacleto González Flores


Anacleto González Flores e nove leigos mártires de Jalisco, que morreram defendendo a fé durante a “guerra Cristera” desatada no México pela perseguição maçônica, foram beatificados em 20 de novembro de 2005.

Anacleto González Flores, nasceu em Tepatitlán, Jalisco – México - em 13 de julho de 1889. Membro de uma família pobre e numerosa, trabalhou desde muito pequeno para ajudar no sustento familiar. Entretanto, seu amor pela cultura e seu desejo de formar-se para defender a fé ante as agressões anticlericais maçônicas, levou-o a titular-se de advogado em 1922, ano em que contraiu matrimônio.

Dedicou-se a ensinar história e literatura em colégios particulares de Guadalajara e em 1925 foi presidente e fundador da “União Popular de Jalisco”. Desde 1926 lutou arduamente por que não se realizasse a rebelião armada, pois sempre se opôs à violência contra as agressões anticatólicas.

Pelo contrário, foi um bem-sucedido promotor do “boicote” proclamado pelos católicos contra meios de comunicação e negócios maçônicos. Seu exemplo e seus ensinos o converteram em uma figura simbólica amplamente reconhecida e respeitada pela revolução Cristera; por isso foi feito prisioneiro em 1º de abril de 1927, uma primeira sexta-feira de mês.

Logo ao ser capturado, Anacleto começou a ser brutalmente torturado para que revelasse o lugar onde se ocultava o Bispo Orozco e Jiménez. Suspenderam-no em presença de seus companheiros pelos polegares das mãos, enquanto com facas feriam seus pés descalços.

Diante de sua heroica resistência, começaram a rasgar seu corpo com a faca, e foi submetido, segundo seus biógrafos a “outras torturas incontáveis e inenarráveis”.

Quando começaram a torturar aos jovens que tinham sido detidos com ele – e que o acompanhariam no martírio - Anacleto gritou: “Não maltratem a esses moços, se querem sangue aqui está o meu!”.

Anacleto foi desprendido e com o um golpe de culatra lhe destroçaram o ombro. Entretanto, o mártir seguiu alentando a seus companheiros para que não fraquejassem.

Simulou-se então um “conselho de guerra sumaríssimo” que condenou aos prisioneiros à pena de morte “por estar em convivência com os rebeldes”.

Para ouvir a sentença, Anacleto respondeu:
“Uma só coisa direi e é que trabalhei com todo desinteresse por defender a causa de Jesus Cristo e de sua Igreja. Vós me matareis, mas saibam que comigo não morrerá a causa. Muitos vêm atrás de mim dispostos a defendê-la até o martírio. Vou, mas com a segurança de que verei logo desde o céu o triunfo da religião de minha Pátria”.

Um dos jovens, ante a gozação dos soldados, assinalou que desejava confessar-se antes de morrer, mas Anacleto lhe exortou:
“Não irmão, já não é tempo de confessar-se, mas sim de pedir perdão e perdoar! É um Pai e não um juiz o que te espera. Teu mesmo sangue te purificará”.

Em seguida Anacleto começou a recitar o Ato de Contrição, que fizeram coro seus companheiros. Ao finalizar a oração, uma descarga de fuzil acabou com a vida dos outros jovens. Anacleto, ainda de pé apesar de suas terríveis dores, dirigiu-se ao general que presenciava a tortura lhe dizendo:
“General, perdoo o senhor de coração; muito em breve nos veremos ante o tribunal divino; o mesmo juiz que vai me julgar será seu juiz; então terá o senhor um intercessor em mim ante Deus”.

Como os soldados não se atreviam a lhe disparar, o general ordenou a um capitão que o atravessasse com uma baioneta.

Segundo o testemunho de numerosos soldados arrependidos que foram testemunhas do martírio, ferido mortalmente, Anacleto pôde incorporar-se para gritar:
“Pela segunda vez ouçam as Américas este grito: Eu morro, mas Deus não morre. Viva Cristo Rei!”.

Ao dizer “pela segunda vez”, o mártir se referia às mesmas palavras pronunciadas décadas atrás pelo Presidente do Equador Gabriel García Moreno, assassinado a golpes de facão nas escadarias da Catedral de Quito por maçons enfurecidos por ter consagrado o Equador ao Sagrado Coração do Jesus.

O exército tratou de justificar o assassinato de Anacleto e seus companheiros aduzindo que não tinha sido capturado por ser católico, mas sim por “conspirador e sequestrador”; uma estória que, embora ter sido desmentida pela historiografia contemporânea, ainda segue sendo difundida pela maçonaria mexicana.