Anacleto
González Flores e nove leigos mártires de Jalisco,
que morreram defendendo a fé durante a “guerra Cristera” desatada no México
pela perseguição maçônica, foram beatificados em 20 de novembro de 2005.
Anacleto González
Flores, nasceu em Tepatitlán, Jalisco – México - em 13 de julho de 1889. Membro
de uma família pobre e numerosa, trabalhou desde muito pequeno para ajudar no
sustento familiar. Entretanto, seu amor pela cultura e seu desejo de formar-se
para defender a fé ante as agressões anticlericais maçônicas, levou-o a
titular-se de advogado em 1922, ano em que contraiu matrimônio.
Dedicou-se a ensinar história e literatura em colégios particulares de
Guadalajara e em 1925 foi presidente e fundador da “União Popular de Jalisco”.
Desde 1926 lutou arduamente por que não se realizasse a rebelião armada, pois
sempre se opôs à violência contra as agressões anticatólicas.
Pelo contrário, foi um bem-sucedido promotor do “boicote” proclamado pelos
católicos contra meios de comunicação e negócios maçônicos. Seu exemplo e seus
ensinos o converteram em uma figura simbólica amplamente reconhecida e
respeitada pela revolução Cristera; por isso foi feito prisioneiro em 1º de
abril de 1927, uma primeira sexta-feira de mês.
Logo ao ser capturado, Anacleto começou a ser brutalmente torturado para que
revelasse o lugar onde se ocultava o Bispo Orozco e Jiménez. Suspenderam-no em
presença de seus companheiros pelos polegares das mãos, enquanto com facas
feriam seus pés descalços.
Diante de sua heroica resistência, começaram a rasgar seu corpo com a faca, e
foi submetido, segundo seus biógrafos a “outras torturas incontáveis e
inenarráveis”.
Quando começaram a torturar aos jovens que tinham sido detidos com ele – e que
o acompanhariam no martírio - Anacleto gritou: “Não maltratem a esses moços, se querem
sangue aqui está o meu!”.
Anacleto foi desprendido e com o um golpe de culatra lhe destroçaram o ombro.
Entretanto, o mártir seguiu alentando a seus companheiros para que não
fraquejassem.
Simulou-se então um “conselho de guerra sumaríssimo” que condenou aos
prisioneiros à pena de morte “por estar em convivência com os rebeldes”.
Para ouvir a sentença, Anacleto respondeu:
“Uma só coisa direi e é que
trabalhei com todo desinteresse por defender a causa de Jesus Cristo e de sua
Igreja. Vós me matareis, mas saibam que comigo não morrerá a causa. Muitos vêm
atrás de mim dispostos a defendê-la até o martírio. Vou, mas com a segurança de
que verei logo desde o céu o triunfo da religião de minha Pátria”.
Um dos jovens, ante a gozação dos soldados, assinalou que desejava confessar-se
antes de morrer, mas Anacleto lhe exortou:
“Não irmão, já não é tempo de
confessar-se, mas sim de pedir perdão e perdoar! É um Pai e não um juiz o que
te espera. Teu mesmo sangue te purificará”.
Em seguida Anacleto começou a recitar o Ato de Contrição, que fizeram coro seus
companheiros. Ao finalizar a oração, uma descarga de fuzil acabou com a vida
dos outros jovens. Anacleto, ainda de pé apesar de suas terríveis dores,
dirigiu-se ao general que presenciava a tortura lhe dizendo:
“General, perdoo o senhor de
coração; muito em breve nos veremos ante o tribunal divino; o mesmo juiz que vai me julgar será
seu juiz; então terá o senhor um intercessor em mim ante Deus”.
Como os soldados não se atreviam a lhe disparar, o general ordenou a um capitão
que o atravessasse com uma baioneta.
Segundo o testemunho de numerosos soldados arrependidos que foram testemunhas
do martírio, ferido mortalmente, Anacleto pôde incorporar-se para gritar:
“Pela
segunda vez ouçam as Américas este grito: Eu morro, mas Deus não morre. Viva Cristo Rei!”.
Ao dizer “pela segunda vez”, o mártir se referia às mesmas palavras
pronunciadas décadas atrás pelo Presidente do Equador Gabriel García Moreno,
assassinado a golpes de facão nas escadarias da Catedral de Quito por maçons
enfurecidos por ter consagrado o Equador ao Sagrado Coração do Jesus.
O exército tratou de justificar o assassinato de Anacleto e seus companheiros
aduzindo que não tinha sido capturado por ser católico, mas sim por
“conspirador e sequestrador”; uma estória que, embora ter sido desmentida pela
historiografia contemporânea, ainda segue sendo difundida pela maçonaria
mexicana.