segunda-feira, 27 de agosto de 2018

27 de agosto - Aí de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Mt 23,15


O coração malvado — todos o temos um pouco — não nos deixa compreender o amor de Deus. Queremos ser livres, mas com uma liberdade que no final nos torna escravos, e não com a liberdade do amor que o Senhor nos oferece. E isto acontece também nas instituições: por exemplo, quando o coração dos doutores da lei, dos sacerdotes, do sistema legal era tão duro que procuravam sempre desculpas. Eram legalistas, pois acreditavam que a vida de fé só fosse regulada pelas suas próprias leis. Por isso Jesus chama-lhes hipócritas, sepulturas caiadas, bonitas fora mas cheias de podridão e hipocrisia dentro.

Infelizmente, o mesmo aconteceu na história da Igreja. Pensemos na coitada da Joana d'Arc: hoje é santa! Os doutores queimaram-na viva, dizendo que ela era herege. Pensemos também em Rosmini: todos os seus livros eram proibidos. Considerava-se um pecado lê-los. Hoje é beato! Na história de Deus o Senhor pregava o seu amor pelo povo através dos profetas. E na Igreja o Senhor manda os santos, que fazem a Igreja progredir, aqueles que não permitiram que o seu coração endurecesse, mas permanecesse sempre aberto à palavra de amor do Senhor, aqueles que não têm medo de se deixar acariciar pela misericórdia de Deus. Por isso, os santos entendem as misérias humanas e acompanham o povo sem o desprezar.

Com o povo que perdeu a fidelidade o Senhor é claro: Quem não está comigo está contra mim. Contudo, não haverá uma forma de compromisso, um pouco aqui e um pouco lá? Não. Ou estás no caminho do amor, ou da hipocrisia. Ou te deixas amar pela misericórdia de Deus, ou fazes o que queres, não há uma terceira via de compromisso: ou és santo ou vais por outro caminho. E quem não recolhe com o Senhor, é corrupto.

Papa Francisco - 12 de março de 2015

Hoje celebramos:



27 de junho - Beata Madre Maria Pilar Izquierdo

"Eu vos exalto, meu Deus e Rei" (Sl 144, 1). Esta exclamação do Salmista reflete toda a existência da Madre Maria Pilar Izquierdo, fundadora da Obra Missionária de Jesus e Maria: Louvar a Deus e cumprir em tudo a sua vontade. A sua breve vida, apenas 39 anos, pode resumir-se afirmando que desejou louvar a Deus, oferecendo-lhe o seu amor e sacrifício. A sua vida foi marcada por um continuo sofrimento, não só físico, fazendo tudo por amor d'Aquele que nos amou primeiro e sofreu pela salvação de todos. O amor a Deus, à cruz de Jesus, ao próximo necessitado de ajuda material, foram as grandes preocupações da nova Beata. Tinha a consciência da necessidade de catequizar com o Evangelho nos subúrbios e dar de comer ao faminto, a fim de se configurar a Cristo mediante as obras de misericórdia. A sua inspiração fundamental continua a estar viva hoje onde se encontra a Obra Missionária de Jesus e Maria, desenvolvendo o seu labor em conformidade com o seu espírito. Oxalá o seu exemplo de vida abnegada e generosa ajude a empenhar-se cada vez mais no serviço aos necessitados, para que o mundo atual seja testemunha da força renovadora do Evangelho de Cristo. 

Papa João Paulo II – Homilia de Beatificação – 04 de novembro de 2001

Maria Pilar Izquierdo Albero, terceira de cinco irmãos, nasceu em Zaragoza, Espanha, no dia 27 de julho de 1906. Na festa de Santa Maria das Neves, dia 5 de agosto, ela foi batizada. Mais tarde ela diria que esse fora o maior dia da sua vida, porque começara a ser filha da Igreja.

Seus pais, pobres de bens materiais, mas ricos em virtudes, inculcaram na criança o espírito de piedade, o amor aos pobres e uma terna devoção à Virgem do Pilar. Desde muito criança brilhou nela um grande amor a Deus e aos pobres. Privava-se às vezes do seu lanche e das suas coisas para ajudar a quem considerava mais necessitado do que ela. Como nunca foi à escola, não sabia escrever nem quase ler, por isso considerava-se “uma tolinha” que não sabia senão “sofrer e amar, amar e sofrer”.

Cedo Maria Pilar experimentou a dor e compreendeu o valor redentor do sofrimento. Aos 12 anos foi vítima de uma doença misteriosa que nenhum médico soube diagnosticar. Depois de quatro anos vividos, por motivos de saúde, em Alfamén, regressou a Zaragoza, onde começou a trabalhar numa fábrica de calçado.

Era muito querida por todos por sua simplicidade, sua natural simpatia, sua bondade e sua laboriosidade. Mas o Senhor queria levá-la por outros caminhos e assim a foi adentrando no mistério da Cruz. De tal maneira Maria Pilar amou o sofrimento, que costumava dizer: “Encontro neste sofrer um amor tão grande a nosso Jesus, que morro e não morro... porque esse amor é o que me faz viver”.

Em 1926, enquanto voltava do trabalho, fraturou a pélvis e em 1929 ficou paraplégica e cega por causa dos inúmeros quistos. Por mais de doze anos peregrinou pelos hospitais de Zaragoza, vivendo na água-furtada da Rua Cerdán, 24. Esta se converteu numa escola de espiritualidade e num lugar de luz, de paz e de alegria para quantos a visitavam, especialmente durante os três anos da guerra civil espanhola.

As orações e a caridade mútua que imperavam ali faziam com que as almas discernissem a vocação a que Deus as chamava. Maria Pilar começou a falar da “Obra de Jesus” em 1936; ela dizia que esta obra haveria de aparecer na Igreja, que teria como finalidade “reproduzir a vida ativa do Senhor na terra através das obras de misericórdia”.

No dia 8 de dezembro de 1939, festa da Imaculada Conceição, de quem era devotíssima, Maria Pilar ficou milagrosamente curada da paralisia que a havia prostrado por mais de dez anos no leito. Os quistos também desapareceram e ela recobrou instantaneamente a visão. Uma vez curada, pôs em marcha sua obra, deslocando-se, junto com várias jovens, a Madrid, onde já tinha sido aprovada a Fundação com o nome de “Missionárias de Jesus e Maria”.

Logo apareceram os que procuram burlar os planos de Deus: ela foi proibida de exercer qualquer apostolado. Em 1942, porém, o Bispo de Madrid erigiu canonicamente a Obra como “Pia União de Missionárias de Jesus, Maria e José”.

Após dois anos de fecundo apostolado entre pobres, crianças e doentes, Deus a fez caminhar novamente pelas vias da Cruz: reapareceram quistos no ventre. A este sofrimento físico se somaram os sofrimentos morais que Deus permite para purificar as almas: calúnias, intrigas, incompreensões, desacreditaram sua obra e afastaram várias jovens que haviam sido fieis.

 Aconselhada pelo seu confessor, Maria Pilar se retirou de sua própria obra em novembro de 1944, sendo seguida por nove das suas filhas. Em 9 de dezembro viajou até São Sebastião. Durante a viagem, numa noite gélida e por caminhos cobertos de neve, fraturou uma perna num acidente. Um tumor maligno se manifestou e a feriu de morte, mas não conseguiu apagar a luz da sua fé nem a sua firme convicção de que a obra voltaria a ressurgir.

Abandonada das criaturas, prostrada no leito, alentava suas filhas: “Sinto deixá-las, porque as amo muito, mas lá do céu serei mais útil. Voltarei a terra para estar com os que sofrem, com os pobres, os doentes. Quanto mais sozinhas estiverem, mais perto de vocês estarei”.

Morreu em São Sebastião, aos 39 anos, no dia 27 de agosto de 1945, oferecendo a sua vida pelas Filhas que se tinham separado, e que recordava com dor e com carinho: “Amo-as tanto, que não as posso esquecer; embora me batessem, me arrastassem, quisera tê-las aqui. Não quero lembrar-me do mal que me fazem, mas do bem que me fizeram. Bem sabe nosso amado Jesus que mais, muito mais do que me fazem sofrer quero que lhes dê o céu”.

Confiantes nas palavras da Madre, suas filhas permaneceram unidas sob a direção do Pe. Daniel Diez Garcia, que a tinha ajudado e assistido nos últimos anos de sua vida. Em maio de 1948, o bispo Dom Fidel Garcia Martines aprovou a obra canonicamente com o nome de “Obra Missionária de Jesus e Maria”.

Em 1961 foram aprovadas como Congregação de Direito Diocesano e 1981 de Direito Pontifício. A Congregação conta na atualidade com 230 religiosas em diversos pontos da Espanha, Colômbia, Equador, Venezuela, Itália, México e Moçambique.

No dia 4 de novembro de 2001, Madre Maria Pilar foi beatificada por João Paulo II em solene cerimônia.

No mundo atual, onde às vezes prevalece a busca desmedida do prazer e da utilidade imediata, a figura de Madre Maria Pilar Izquierdo, proclama com sublime eloquência o valor redentor do sacrifício, livremente aceite e oferecido, juntamente com o de Cristo, para a salvação da raça humana. A Beata Madre Maria Pilar Izquierdo foi uma verdadeira apóstola da difusão do Evangelho. Com um grupo de seguidoras, consagrou-se ao seu anúncio nos bairros pobres e marginalizados, sedentos de pão e sobretudo de Deus, num período da sua vida em que não lhe faltaram incompreensões de todos os tipos. Ela nunca perdeu o amor pelo sacrifício, e assim é um exemplo luminoso para quantos, mesmo no meio de numerosas dificuldades, consagram a sua vida à causa do Reino dos Céus.

Papa João Paulo II– 05 de novembro de 2001

domingo, 26 de agosto de 2018

26 de agosto - Santa Miriam Baouardy - Maria de Jesus Crucificado


Miriam Baouardy nasceu a 5 de Janeiro de 1846, em Ibillin, numa pequena aldeia da Galileia, entre Nazaré e Haifa, numa família de rito greco-católico. O seus pais perdem, um após outro, os doze filhos em tenra idade. Com profunda dor mas com uma grande confiança em Deus, decidiram fazer uma peregrinação a Belém para rezar na Gruta da Natividade e pedir a graça de uma filha. É assim que Miriam veio ao mundo. No ano seguinte nasce o seu irmão Boulos.

Mas, Miriam não tinha ainda 3 anos quando o seu pai morre confiando-a à fiel custódia de São José. Alguns dias mais tarde morre também a sua mãe. É assim que Boulos é adotado por uma tia e Miriam por um tio de boa condição social.

Dos seus anos de infância na Galileia, guarda na memória, o maravilhar-se diante da beleza da Criação, da luz, das paisagens de onde tudo lhe fala de Deus e do sentimento, muito forte, de que “tudo passa”. 

A experiência de criança é decisiva para sua vida futura: brinca com dois pequenos passarinhos e quer dar-lhes um banho… mas eles não resistem e morrem entre suas mãos. Triste, ouve então interiormente estas palavras: "Vês? É assim que tudo passa, mas se queres dar-me teu coração, Eu ficarei para sempre contigo”.


Aos 8 anos faz sua primeira comunhão. Pouco depois, o seu tio parte para Alexandria com toda a família. 

Miriam tem 12 anos quando sabe que o seu tio a quer casar. Decidida a dar-se totalmente a Deus, recusa a proposta. Tentam persuadi-la e ameaçam-na. Nem as humilhações, nem os maus tratos puderam fazer mudar a sua decisão. Após três meses, ela visita um velho criado da casa do seu tio, para enviar uma carta a seu irmão que vive na Galileia para que a venha ajudar. Ouvindo a narração dos seus sofrimentos, o criado que era muçulmano, exorta-a a converter-se ao Islã. Miriam recusa. Encolerizado, o homem pega uma espada e corta-lhe a garganta, abandonando-a logo em seguida numa rua escura. Era dia 8 de Setembro. 

Mas a sua hora não havia chegado, e ela acorda numa gruta, ao lado de uma jovem que parecia ser uma religiosa. Durante quatro semanas, ela cuida, alimenta e instrui Miriam. Depois de estar curada, aquela que mais tarde ela revelará ser a Virgem Maria, leva-a a uma igreja.

Desde esse dia, Miriam irá de cidade em cidade (Alexandria, Jerusalém, Beirute, Marselha…), como doméstica, elegendo preferencialmente as famílias pobres, ajudando-as, mas deixando-as quando elas a honram demasiado.
Mas ela irá ser também de maneira particular testemunho desse “universo invisível”. Esse universo que nós acreditamos sem ver e que ela experimentou duma maneira muito forte.


Em 1865 Miriam encontra-se em Marselha. Entra em contato com as Irmãs de São José da Aparição. Tem 19 anos, mas só parece ter 12 ou 13. Fala mal o francês e possui uma saúde frágil, mesmo assim é admitida ao noviciado e sua alegria é enorme em se entregar assim a Deus. Sempre disposta aos trabalhos mais pesados, passa a maior parte do seu tempo lavando ou cozinhando. Mas, dois dias por semana revive a Paixão de Jesus, recebe os estigmas (que na sua simplicidade pensa ser uma doença) e começam a manifestar-se todo o tipo de graças extraordinárias. Algumas irmãs ficam desconcertadas com o que se passa com ela, e ao fim de 2 anos de noviciado, não é admitida na Congregação. Um conjunto de circunstâncias vão conduzi-la até ao Carmelo de Pau. 

É recebida em Junho de 1867. Ali, no meio de todas as provas que terá de atravessar, encontrará sempre o amor e a compreensão. Ingressa de novo no noviciado, onde recebe o nome de Irmã Maria de Jesus Crucificado. Insiste em ser admitida como ‘irmã conversa’, pois gosta mais do serviço aos outros, tendo, por outro lado, dificuldades na leitura, nomeadamente na recitação do Oficio Divino. A sua simplicidade e generosidade conquistam o coração de todos. As suas palavras proferidas depois de um êxtase são o fruto da sua vida: "Onde está a caridade ali está Deus. Se pensais em fazer o bem ao vosso irmão, Deus pensará em vós. Se cavais um poço para vosso irmão, caíreis nele; o poço será para vós. Mas, se fazeis um céu para o vosso irmão, esse céu será para vós…”. 

Dom da profecia, ataques do demônio ou êxtases… entre todas as graças divinas das quais está cheia, ela sabe, de maneira muito profunda, ser ‘nada’ diante de Deus, e quando fala dela mesma intitula-se "o pequeno nada", é realmente a expressão profunda de seu ser. É o que a faz penetrar na insondável profundidade da misericórdia divina onde ela encontra a sua alegria, as suas delicias e a sua vida… “A humildade é ser por não ser nada, ela não se apega a nada, ela não se cansa nunca de nada. Está contente, é feliz, onde quer que esteja é feliz, está satisfeita com tudo… Felizes os pequenos!”. Ali está a fonte de seu abandono entre graças mais estranhas e os acontecimentos humanos mais desconcertantes. 

Após 3 anos, em 1870, parte com um pequeno grupo de Irmãs para fundar o primeiro convento de Carmelitas Descalças na Índia, em Mangalore. A viagem de barco foi uma aventura e três religiosas morrem antes de chegarem ao destino. De todos modos, são enviados reforços e, em finais de 1870, pode-se iniciar a vida claustral. As suas experiências extraordinárias continuam sem a impedir de realizar os seus trabalhos mais pesados e de dar atenção aos problemas inerentes a uma nova fundação. Durante os seus êxtases, as Irmãs podiam ver o seu rosto resplandecente na cozinha ou noutro local. Participa em espírito nos acontecimentos da igreja, por exemplo, nas perseguições na China e também parece ser possuída exteriormente pelo demônio, fazendo-lhe viver terríveis tormentos e combates. Foi o começo de muitas incompreensões na sua comunidade, onde duvidaram da autenticidade do que ela vivia. Não obstante, pôde emitir os seus votos no final do noviciado, a 21 de Novembro de 1871; mas as tensões criadas em seu redor acabaram por provocar o seu regresso ao Carmelo de Pau em 1872. 

Naquele lugar leva de novo a sua vida simples de ‘irmã conversa’ no meio do carinho de suas irmãs, e a sua alma dilata-se. Durante alguns êxtases, ela que é quase analfabeta, profere repentinamente em exultação de gratidão até Deus, poesias duma grande beleza, cheias de encanto e candor oriental, onde a criação inteira canta ao seu Criador. Pelo ímpeto da sua alma até Deus, ela elevar-se-á até ao cima de um árvore sobre uma rama que não suportaria nem sequer uma pequenina ave. “Todo o mundo dorme. E Deus, tão repleto de bondade, tão grande, tão digno de louvores, é esquecido!… Ninguém pensa Nele!
Vede, toda a natureza O louva, o céu, as estrelas, as árvores, as ervas, tudo O louva; o homem, que conhece os seus benefícios, que deveria louvá-Lo, dorme!… Vamos, vamos despertar o universo!”


São numerosos os que procuram Miriam para consolo, conselhos, para que reze pelas suas intenções, partem iluminados e fortificados com este encontro. 

Pouco depois de seu regresso de Mangalore, ela começa a falar da fundação de um Carmelo em Belém. Os obstáculos são numerosos, mas dissipam-se progressivamente, inclusive de maneira inesperada. Por fim a autorização é dada por Roma e a 20 de Agosto de 1875 um pequeno grupo de carmelitas embarca para nessa aventura. O Senhor conduz Miriam na escolha do local e na forma de construção do novo Carmelo. Como ela é a única que fala árabe, encarrega-se particularmente de seguir os trabalhos, “imersa na areia e no cimento”. A comunidade instalar-se-á no dia 21 de Novembro de 1876, enquanto que certos trabalhos continuam. 

Prepara também a fundação de um Carmelo em Nazaré, viajando até lá para comprar o terreno, em Agosto de 1878. Durante essa viagem é lhe revelado por Deus o lugar de Emaús. Ela pede a ajuda de Berthe Dartigaux para comprá-lo para o Carmelo.

De volta a Belém, retoma a vigilância dos trabalhos debaixo de um calor sufocante. Quando leva algo para beber aos trabalhadores, Miriam cai de uma escada e parte um braço. A gangrena vai avançar muito rapidamente e morre poucos dias depois, a 26 de agosto de 1878, aos 32 anos.
É beatificada a 13 de Novembro de 1983, pelo Papa João Paulo II e canonizada pelo Papa Francisco em 17 de maio de 2015. 

26 de agosto - A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Jo 6,68


Ao proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a segui-Lo, a percorrer com Ele o caminho do amor, o único que conduz à vida eterna. Não é uma estrada fácil, mas o Senhor assegura-nos a sua graça e nunca nos deixa sozinhos. Na nossa vida, há pobreza, aflições, humilhações, luta pela justiça, esforço da conversão quotidiana, combates para viver a vocação à santidade, perseguições e muitos outros desafios. Mas, se abrirmos a porta a Jesus, se deixarmos que Ele esteja dentro da nossa história, se partilharmos com Ele as alegrias e os sofrimentos, experimentaremos uma paz e uma alegria que só Deus, amor infinito, pode dar.

As Bem-aventuranças de Jesus são portadoras duma novidade revolucionária, dum modelo de felicidade oposto àquele que habitualmente é transmitido pelos mass media, pelo pensamento dominante. Para a mentalidade do mundo, é um escândalo que Deus tenha vindo para Se fazer um de nós, que tenha morrido numa cruz. Na lógica deste mundo, aqueles que Jesus proclama felizes são considerados perdedores, fracos. Ao invés, exalta-se o sucesso a todo o custo, o bem-estar, a arrogância do poder, a afirmação própria em detrimento dos outros.

Jesus interpela-nos para que respondamos à sua proposta de vida, para que decidamos qual estrada queremos seguir a fim de chegar à verdadeira alegria. Trata-se dum grande desafio de fé. Jesus não teve medo de perguntar aos seus discípulos se verdadeiramente queriam segui-Lo ou preferiam ir por outros caminhos. E Simão, denominado Pedro, teve a coragem de responder: “A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”.

Se souberdes, vós também, dizer sim a Jesus, a vossa vida encher-se-á de significado, e assim será fecunda.

Papa Francisco – 13 de abril de 2014

Hoje celebramos:


sábado, 25 de agosto de 2018

25 de agosto - São Luis IX

Luís IX, rei da França, nasceu em 25 de abril de 1214. Foi educado por sua mãe Branca de Castela e dela recebeu os principais ensinamentos da Fé: o amor a Deus e à Santíssima Virgem, o apreço pela virtude e a aversão ao mal. Quando ela tomou em seus braços o menino logo após seu Batismo, osculou-o no peito, dizendo: “Filhinho, que agora és um templo do Espírito Santo, conserva-o sempre imaculado e jamais o manches por um pecado”. Esta boa mãe não hesitava em repetir-lhe, com muita sinceridade, que preferia vê-lo morto a sabê-lo manchado por um pecado mortal.

Assumiu o trono da França em 1226, com apenas 12 anos. Casou-se com Margarida de Provença e com ela teve 11 filhos. Praticou, por toda vida, exercício diário de piedade e penitência em meio de uma corte elegante e pomposa. Viveu na corte como se estivesse no mais rígido monastério e fez de todo o país um campo para sua inesgotável caridade. Quando o qualificavam de demasiado liberal com os pobres, respondia: “prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos para a vã glória do mundo”.

Sensível e justo, concedia audiência a todos debaixo do célebre bosque de Vincennes. Todos admiravam sua serena justiça, objetivo supremo de seu reinado. A seu primogênito e herdeiro lhe disse uma vez: “preferiria que um escocês viesse da Escócia e governasse o reino bem e com lealdade, e não que tu meu filho, o governasse mal”.

Ele pode ser considerado, antes de tudo, um homem que queria viver sob o olhar de Deus. Raramente se viu pessoa tão compenetrada de pertencer mais ao Céu que à Terra. Ao ponto de Joinville, seu fiel amigo e biógrafo, resumir assim a sua vida: “Este santo homem amou a Deus de todo o seu coração, e O tomou como modelo em suas obras”. 

Toda sua vida sonhou em poder liberar a Terra Santa das mãos dos turcos. Por uma primeira cruzada promovida por ele terminou em fracasso. O exército cristão foi derrotado e dizimado pela peste. O rei caiu prisioneiro e a sua prisão foi o único resultado da expedição. As virtudes do rei impressionaram profundamente os muçulmanos, que o apontaram “o sultão justo”.

Em uma segunda expedição ao Oriente, em 1270, o Rei morreu aos 55 anos, vítima do tifo, mas não antes de dizer ao Sultão de Túnez: “Estou resoluto a passar toda minha vida de prisioneiro dos sarracenos sem voltar a ver a luz, contanto que tu e teu povo possais fazer-se cristãos”.

Os cruzados voltaram para a França trazendo o corpo do rei Luís IX, que já tinha fama e odor de santidade. O seu túmulo tornou-se um local de intensa peregrinação, onde vários milagres foram observados. Assim, em 1297, o papa Bonifácio VIII declarou santo Luís IX, rei da França, mantendo o culto já existente no dia de sua morte