segunda-feira, 2 de abril de 2018

02 de abril - Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão. Mt 28,10


No Evangelho de hoje, podemos ouvir o eco das palavras que Jesus dirigiu às mulheres que correram ao sepulcro: Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão. Este convite, está dirigido também a nós para ir depressa anunciar aos homens e mulheres do nosso tempo esta mensagem de alegria e esperança.

Em virtude desse evento, verdadeira e própria novidade da história e do cosmo, somos chamados a ser homens e mulheres novos, segundo o Espírito, afirmando o valor da vida. Isso é começar a ressurgir!

Seremos homens e mulheres de ressurreição, homens e mulheres de vida se, em meio às vicissitudes que afligem o mundo, e são muitas, em meio à mundanidade que distancia de Deus, soubermos fazer gestos de solidariedade, gestos de acolhimento, alimentar o desejo universal de paz e aspirar um ambiente livre de degradação.

Trata-se de sinais comuns e humanos, mas que, sustentados e animados pela fé no Senhor ressuscitado, adquirem uma eficiência bem superior às nossas capacidades.
Sim, porque Cristo está vivo e operante na história por meio de seu Santo Espírito: resgata as nossas misérias, alcança todo coração humano e doa novamente esperança ao oprimido e sofredor.

Que a Virgem Maria, testemunha silenciosa da morte e da ressurreição de seu filho Jesus, nos ajude a ser sinais límpidos de Cristo ressuscitado entre os acontecimentos do mundo, a fim de que os que se encontram nas tribulações e dificuldades não permaneçam vítimas do pessimismo e da derrota, da resignação, mas encontrem em nós muitos irmãos e irmãs que oferecem o seu apoio e consolo.

Que a nossa Mãe nos ajude a crer fortemente na ressurreição de Jesus, mistério de salvação admirável com a sua capacidade de transformar os corações e a vida.

Papa Francisco – 17 de abril de 2017

Hoje celebramos:

02 de abril - São Francisco Coll


São Paulo recorda-nos que "a Palavra de Deus é viva e eficaz" (Hb 4, 12). Nela, o Pai, que está no céu, conversa amorosamente com os seus filhos de todos os tempos, dando-lhes a conhecer o seu amor infinito e, deste modo, estimula-os, conforta-os e oferece-lhes o seu desígnio de salvação para a humanidade e para cada pessoa. Consciente disto, São Francisco Coll dedicou-se abnegadamente na sua propagação, cumprindo assim fielmente a sua vocação na Ordem dos Pregadores, na qual emitiu a profissão. 
A sua paixão foi pregar, em grande parte de modo itinerante e seguindo a forma de "missões regulares", com a finalidade de anunciar e reavivar nos povoados e cidades da Catalunha a Palavra de Deus, facilitando assim o encontro profundo dos povos com Ele. Um encontro que leva à conversão do coração, a receber com alegria a graça divina e a manter um diálogo constante com nosso Senhor mediante a oração. Por isso, a sua atividade evangelizadora incluía uma grande entrega ao sacramento da Reconciliação, uma especial ênfase na Eucaristia e uma insistência constante na oração. 
Francisco Coll atingia o coração do próximo porque transmitia o que ele mesmo vivia com paixão no seu interior, o que ardia no seu coração: o amor de Cristo, a sua entrega a Ele. Para que a semente da Palavra de Deus encontrasse terra boa, Francisco fundou a Congregação das Irmãs Dominicanas da Anunciação, com a finalidade de dar uma educação integral a crianças e jovens, de modo que pudessem descobrir a riqueza insondável que é Cristo, esse amigo fiel que nunca nos abandona nem se cansa de estar ao nosso lado, animando a nossa esperança com a sua Palavra de vida.

Papa Bento XVI – Homilia de Canonização – 11 de outubro de 2009

Francisco Coll veio ao mundo em Gombrén, Espanha, aos 18 de maio de 1812. Filho de pais piedosos, foi batizado já no dia seguinte ao seu nascimento. Com apenas dez anos decide-se pela vida sacerdotal. A partir daí sua trajetória será num crescente constante, rumo ao cumprimento das palavras proféticas de sua mãe que lhe dizia: “Filho, oxalá arrebentes de amor de Deus.” 

No seminário de Vic, apesar das muitas dificuldades, pois era um estudante pobre e a instituição não lhe oferecia alojamento, Francisco soube seguir firme em seu chamado vencendo todas as tribulações. Ali, teve contato com pessoas providenciais; era a mão de Deus a moldar-lhe lenta e gradativamente a personalidade. Eram tempos difíceis, de intensa perseguição à Igreja de Cristo.

Certo dia, andando pela rua, encontra-se inesperadamente com um desconhecido que lhe diz: “Tu Coll, deves ser dominicano.” Aquelas palavras ficaram profundamente gravadas em seu coração e nunca mais se apagariam. Após este episódio misterioso e providencial, Francisco Coll baterá à porta do convento de São Domingos em Vic, lugar em que tantas vezes acorrera para obter por caridade um prato de sopa quente, o mesmo que fazia no convento das monjas de Santa Clara. No entanto, ali não iria permanecer, pois era muito pobre e não possuía recursos para arcar com os gastos do noviciado. Aconselharam-lhe, então, o convento dominicano de Gerona, onde, com a ajuda bondosa de mais um ilustre desconhecido, pôde ingressar tornando-se noviço em 1830.

Durante sua estada em Gerona, Maria Santíssima o viria visitar, e os primeiros sinais da providência de Deus que acompanhará sua missão começa a ser percebido pelos demais. Em 1835 é ordenado diácono na Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Barcelona, poucos meses antes dos tristes acontecimentos causados pelos liberais que viriam a resultar na expulsão violenta de religiosos e seminaristas de suas casas eclesiásticas. Em muitas regiões espanholas houve devastações e saques de conventos; muitos sacerdotes e consagrados foram assassinados. Francisco Coll, que havia profetizado todos esses acontecimentos, será ordenado somente um ano depois, em 28 de maio de 1836, não enclausurado, pelo ódio anticlerical.

Doravante, o Padre Coll surge como um pregador incansável da palavra de Deus. Juntando-se ao zelo admirável de Santo Antônio Maria Claret, na chamada “Irmandade Apostólica” arrasta incontáveis almas para a penitência e a mortificação. Anda a pé, de localidade em localidade, preocupando-se, tão somente, com a salvação das almas e a propagação do reinado de Cristo sobre o mundo.

Certa feita, vindo de um povoado, encontrou-se pelo caminho com um condutor de mulas, e este, vendo o servo de Deus a pé e tão humildemente vestido, com toda zombaria e gesto sarcástico perguntou-lhe se queria confessar os animais. O Padre Coll, dissimulando o insulto e ardendo de amor por aquela alma, disse-lhe com doçura: “Seria melhor que você se confessasse, pois há vinte anos que não o faz.” O moço, maravilhado e tocado pela graça de Deus, ajoelhou-se ali mesmo, e com os olhos cheios de lágrimas e o coração contrito, confessou seus muitos pecados.

Em 15 de agosto de 1856, Deus pede mais uma missão ao humilde dominicano pregador do Evangelho: fundar uma nova congregação religiosa. E assim ele o fez! Surge então as Irmãs Dominicanas da Anunciação, sempre prontas para espalhar, segundo a vontade de seu fundador, “o perfume da verdadeira doutrina” por todos os lugares por onde vierem a passar. De acordo com o Padre Coll, suas religiosas deveriam ser mulheres idôneas para o ensino, brilhantes estrelas, à imitação de seu pai São Domingos, para iluminar com sua doutrina as inumeráveis crianças pobres que caminhavam nas densas trevas da ignorância.

Este modelo de virtudes morrerá santamente aos 2 de abril de 1875, com 62 anos de operosa vida apostólica.

O Rosário foi sua oração preferida. A alguém que lhe perguntava onde adquiria os profundos e convincentes argumentos que expressava em suas pregações, ele respondia:

“O Rosário é meu livro, é tudo para mim...”
“A oração mental e a vocal são as duas asas que o Rosário de Maria oferece às almas cristãs.” 
“O Santo Rosário com seus quinze mistérios nos quais se faz memória e medita a reconciliação da natureza humana com Deus, é a escada para subir aos céus.”
“Demorava-se em dar uma resposta, mas tinha-se a impressão que depois de dá-la, nunca mais voltaria atrás, apesar de ser muito humilde.”

domingo, 1 de abril de 2018

01 de abril - Beata Sofia Czeska-Maciejowska


Madre Sofia Czeska nasceu em 1584, terceira filha de Mateusz Maciejewski e Lubowiecka Katarzyna Maciejewska. A família relativamente abastada vivia em Cracóvia. Era uma família grande - cinco homens e quatro mulheres - todos criados em um ambiente religioso. Sofia foi a terceira. Com a idade de 16 anos Sofia se casou com Jan Czeski. Após 6 anos de um casamento sem filhos, ficou viúva. Um dia, ao sair da igreja e a caminho de casa, foi abordada por um homem que queria forçá-la ao casamento. Quando ela recusou, o homem se casou com sua irmã Ana.


Apesar de sua juventude, ela não se casou novamente e dedicou sua vida às obras de misericórdia. Naquela época, ela testemunhou a guerra, a epidemia, as enchentes, as colheitas ruins, a fome, por isso testemunhou a morte de muitas pessoas. Sofia decidiu cuidar das meninas, especialmente dos órfãos e das famílias pobres. De 1621 a 1627, usando seus próprios recursos, ela fundou um lar para elas, chamado Casa da Apresentação da Santíssima Virgem Maria.


Em 31 de maio de 1627, ela recebeu a aprovação oficial do Bispo de para esta fundação. Este foi o começo da primeira escola para meninas na Polônia. Para continuar o seu trabalho, uma congregação de Irmãs foi estabelecida. A constituição do Instituto foi aprovada em 13 de janeiro 1660 pelo Bispo de Cracóvia, não muito tempo depois da morte de Madre Sofia. Ela morreu no dia 1 de abril de 1650 e foi enterrada na Igreja de Santa Maria, em Cracóvia.

Seu trabalho - a escola e a Congregação das Irmãs da Apresentação (Prezentki) - até hoje continua. Em 1 de abril de 1995 o Cardeal Franciszek Macharski iniciou o processo de exame canônico das virtudes heroicas e da santidade de Madre Sofia Czeska-Maciejowska. Em 20 de novembro de 1997, a fase diocesana do processo foi concluída e a documentação entregue ao Vaticano. Em 30 de março, o Vaticano anunciou a confirmação do processo diocesano.

De acordo com o lema: "Louvado seja Deus e Sua Mãe", as Irmãs se dedicam na criação e educação de crianças e adolescentes; dirigem um liceu para meninas em Cracóvia e uma escola média e liceu em Rzeszow. A escola de Cracóvia é a continuação ininterrupta da escola fundada por Madre Sofia Czeska. As Irmãs fazem vários trabalhos de acordo com as suas capacidades e as necessidades locais da Igreja. Elas dirigem creches, orfanatos, casas para crianças com necessidades especiais; elas trabalham para as paróquias, por exemplo, como professores de educação religiosa. Elas propagam o culto da Virgem, pois a Santíssima Senhora é a Mãe e a Padroeira da Congregação. As Irmãs vestem hábito preto e véu.
Em 20 de dezembro de 2012, o Papa Bento XVI reconheceu um milagre atribuído a sua intercessão, sendo beatificada em 9 de junho de 2013.

01 de abril - Feliz Páscoa!!!


Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! 
Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões…

Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, há uma esperança que despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia! A misericórdia sempre vence!

Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração. E isto é algo que o amor de Deus pode fazer.

Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança.

Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória somos nós: o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

Papa Francisco – 31 de março de 2013

Hoje celebramos:
Santa Maria do Egito
São Ludovico Pavoni

sábado, 31 de março de 2018

31 de março - Vigília Pascal


Esta é uma noite de vigília.
Não dorme o Senhor, vigia o Guardião do seu povo (cf. Sl 121/120, 4) para fazê-lo sair da escravidão e abrir-lhe a estrada da liberdade.

O Senhor vigia e, com a força do seu amor, faz passar o povo através do Mar Vermelho; e faz passar Jesus através do abismo da morte e da mansão dos mortos.

Foi uma noite de vigília para os discípulos e as discípulas de Jesus. Noite de desolação e de medo. Os homens permaneceram fechados no Cenáculo. As mulheres, ao contrário, ao alvorecer do dia depois do sábado foram ao sepulcro para ungir o corpo de Jesus. Tinham o coração cheio de angústia e perguntavam-se: “Como faremos para entrar? Quem nos fará rolar a pedra do sepulcro?” Mas eis o primeiro sinal do Evento: a grande pedra já fora removida e o túmulo estava aberto!

“Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca” (Mc 16, 5). As mulheres foram as primeiras a ver este grande sinal: o túmulo vazio; e foram as primeiras a entrar nele.

“Entrando no sepulcro”. Faz-nos bem, nesta noite de vigília, deter-nos a refletir sobre a experiência das discípulas de Jesus, que nos interpela a nós também. Realmente é para isto que estamos aqui: para entrar, entrar no Mistério que Deus realizou com a sua vigília de amor.

Não se pode viver a Páscoa, sem entrar no mistério. Não é um fato intelectual, não é só conhecer, ler... É mais, é muito mais!

“Entrar no mistério” significa capacidade de estupefacção, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e ouvir o sussurro de um fio de silêncio sonoro em que Deus nos fala (cf. 1 Re 19, 12).

Entrar no mistério requer de nós que não tenhamos medo da realidade: não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas, não os neguemos, não eliminemos as questões...

Entrar no mistério significa ir além da comodidade das próprias seguranças, além da preguiça e da indiferença que nos paralisam, e pôr-se à procura da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma resposta não banal para as questões que põem em crise a nossa fé, a nossa lealdade e nossa razão.

Para entrar no mistério, é preciso humildade, a humildade de rebaixar-se, de descer do pedestal do meu eu tão orgulhoso, da nossa presunção; a humildade de se reajustar, reconhecendo o que realmente somos: criaturas, com valores e defeitos, pecadores necessitados de perdão. Para entrar no mistério, é preciso este abaixamento que é impotência, esvaziamento das próprias idolatrias, adoração. Sem adorar, não se pode entrar no mistério.

Tudo isto nos ensinam as mulheres discípulas de Jesus. Elas estiveram de vigia naquela noite, juntamente com a Mãe. E Ela, a Virgem Mãe, ajudou-as a não perderem a fé nem a esperança. Deste modo, não ficaram prisioneiras do medo e da angústia, mas às primeiras luzes da aurora saíram, levando na mão os seus perfumes e com o coração perfumado de amor. Saíram e encontraram o sepulcro aberto. E entraram. Vigiaram, saíram e entraram no Mistério. Aprendamos com elas a vigiar com Deus e com Maria, nossa Mãe, para entrar no Mistério que nos faz passar da morte à vida.

Papa Francisco - 04 de abril de 2015

Hoje celebramos:
São Guido de Pomposa
Beata Natalia Tulasiewicz